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Capítulo 3 - Vergonha alheia

Acordei com uma puta dor de cabeça, resultado da noite anterior e das lembranças borradas que eu costumava ter depois de encher a cara.

Olhei ao redor tentando reconhecer o lugar e percebi que a casa era bem bonita e tinha uma decoração moderna e impecável. Eu sem dúvidas não estava no meu apartamento e com toda certeza essa não era minha cama.

— Mais que p...— dei de cara no chão tentando me levantar e torci para que, seja lá quem fosse o dono da casa, não tivesse ouvido meu tombo.

Procurei pelo quarto inteiro e não encontrei minhas roupas e assim que ouvi um barulho vindo do andar de baixo, meus instintos primitivos me fizeram alcançar um taco de beisebol atrás da porta. Eu não sabia onde estava ou como vim parar aqui. Vai que alguém me dopou ontem a noite e me sequestrou? Caramba, os pensamentos passavam tão rápidos na minha cabeça, que a coitada parecia que iria explodir.

Desci as escadas com cuidado, tentando fazer o mínimo barulho possível, já que eu não queria chamar a atenção do meu sequestrador que parecia saber cozinhar como ninguém.

Puta merda, que fome!

Observei a porta da frente e parecia trancada, mais que conveniente. É óbvio que eu vim parar aqui sem meu consentimento. Porque eu não sou assim. Não sou do tipo que acorda na casa de estranhos. Eu também não sou do tipo que enche a cara então...Seja lá porque eu estava aqui, eu daria um jeito de sair bem rapidinho.

Me aproximei do homem na cozinha que preparava o café de costas e o observei por um momento. Ele era bem alto e forte, então provavelmente eu não teria nenhuma chance se tivesse que lutar com ele.

Lutar? Mas eu nem sei lutar! E foi aí que eu decidi que desmaiá-lo seria a melhor opção no momento.

— Ai! Isso doeu! — o cara falou, assim que eu o golpeei com o taco de beisebol na cabeça. Que merda, era pra ele ter caído.

Ele se virou esfregando a nuca.

— Porque você me bateu, sua maluca? 

— Você...? — perguntei perplexa quando o reconheci. Era o stripper gostosão de ontem. Ele estava sem camisa, usava apenas uma calça de moletom e eu quase tive que enxugar a baba que escorreu, quando me peguei apreciando seu físico impecável. — O que está fazendo aqui?

— Eu moro aqui — ele respondeu confuso — Por acaso ainda está bêbada?

Senti minhas bochechas corarem. Aquilo saiu errado, não era o que eu queria perguntar. Além do mais, eu não fazia ideia de que strippers ganhavam tão bem, já que aquela casa era uma mansão comparado ao meu apartamento. Ainda tinha o fato de que homens como aquele costumavam me intimidar. Eles eram do tipo auto-suficientes demais, com seus corpos sarados, lábios carnudos convidativos e olhos azuis penetrantes. Fora dos negócios eu não sabia lidar com caras como o... Droga qual era mesmo o nome dele?

— Você já pode baixar esse taco agora, Erilice.

— Quem? — perguntei ainda mais confusa.

— É sério, você está bem? Porque ontem a noite você não estava. Então dada as circunstâncias estou começando a pensar se foi uma boa ideia aceitar sua proposta para ser seu acompanhante nesse evento aí que você tem em Melbourne. 

Senti quando meus olhos arregalaram, levei um tropeção e quase dei de cara no chão novamente. Então em meio segundo, senti os braços fortes nas minhas costas e percebi que meu rosto estava a centímetros do dele. Eu não pude deixar de suspirar com o gesto, já que me lembrou daqueles filmes de época em que a Audrey Hepburn é amparada pelo mocinho e eles se olham e logo depois ambos se beijam apaixonadamente. 

— Eu pensei que você tinha problemas de coordenação motora só quando estava bêbada — ele falou, quebrando toda a magia do momento — Eu fiz muito isso ontem, então me deve uma cerveja — finalizou me colocando de pé novamente. Ai céus, que vergonha!

— Olha, eu não sou assim, tá legal — eu disse, enquanto ele se afastava.

— Assim como? Desastrada?

— Também. Mas me refiro a todo o resto — ele sorriu e começou a tirar dois pratos do armário.— Eu não costumo beber desse jeito e nem fazer propostas desse tipo a alguém — me referi ao termo "acompanhante" que ele usou — Muito menos acordar seminua na casa de um estranho...

Parei de falar na hora e pisquei rápido quando percebi que estava somente de lingerie. Eu estava tendo uma conversa casual com um stripper todo sarado que provavelmente trazia para casa mulheres gostosonas estilo aquelas barbies malibu esse tempo todo?

Pelo menos era uma lingerie de renda preta.

Me cobri, abraçando meu corpo, tentando discretamente não surtar. O cara me achava uma tapada e eu já tinha superado minha cota de bizarrices, então tentei fazer minha melhor cara de paisagem.

— Você está bem? — ele perguntou preocupado.

Merda! Obviamente não está funcionando.

— Porque eu estou sem minhas roupas? — sussurrei, quase inaudivelmente até pra mim mesma.

— O quê?

— Nós ... dois... por acaso...?

Ele riu. E eu não pude deixar de notar as covinhas que se formaram em suas bochechas.

Droga! Ele tem covinhas.

— Relaxa. Não aconteceu nada entre a gente — ele respondeu ainda sorrindo e eu soltei um suspiro abafado. Eu me odiaria pelo resto da vida se transasse com esse homem e não lembrasse depois — Você tirou suas roupas quando chegamos aqui, dizendo que iria fazer um strip-tease pra mim.

Mais que inferno! É por isso que as pessoas deveriam ser proibidas de beber quando saem. É por isso que eu detesto sair! Eu não sabia onde enfiar a cara e senti vontade de sair correndo dali, assim de calcinha e sutiã mesmo. Isso só podia ser um pesadelo e eu precisava sumir o mais rápido possível e ser poupada de passar mais vergonha.

— Olha me desculpa. Eu fico meio fora de mim quando bebo e é exatamente por isso que eu não costumo beber. Na verdade eu nem bebo — ele cruzou os braços e sorriu, então percebi que era melhor parar de falar porque estava parecendo aqueles alcoólatras que pedem desculpas por fazerem merda depois que o porre passa.

— Você não precisa se desculpar. Tudo o que eu tenho feito ultimamente é só trabalhar e se quer saber, fazia um bom tempo que eu não me divertia assim.

— Que bom saber que fui uma ótima fonte de entretenimento — respondi sentindo meu rosto pegar fogo. — Você por acaso sabe onde minhas roupas estão? 

Ele apontou para a sala, enquanto se sentava na pequena mesa que ficava na cozinha, depois estendeu sua camiseta pra mim que estava na maldita cadeira esse tempo todo. Eu o olhei com olhos julgadores e ele sorriu. 

— Se quer saber você fica bem melhor assim — ele apontou para o meu corpo descoberto. De roupas, porque estrias e celulite tinha de sobra e pensar nisso me fez sentir ainda mais vergonha.

— Agora senta aí e toma o café da manhã, porque dá pra ouvir seu estômago roncando daqui.

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