Capítulo 4
Deixei-me cair sobre o braço da cadeira e sobre o sofá, dando um salto e caindo de costas. “A primeira coisa que quero que faças é te despires para mim, agora mesmo”, ordenei, enquanto estendia a mão em direção à mesinha de centro ao ver uma revista. Peguei-a e a abri.
—Já estás nu?
—Quase, sussurrou ele. Ouço um pouco mais de barulho e depois ele diz: Sim, Amora, estou nu.
—Mestra? Suspirei para mim mesma. Vocês nem imaginam a quantidade de homens que se entregam à perversão das dominadoras. No começo era bem divertido, mas agora estava começando a me cansar.
Despertando minha dominadora interior, relaxei ainda mais no sofá e folheei a revista. “Bom garoto”, disse com voz melosa ao encontrar um artigo sobre vinte dicas sexuais para mulheres. Nossa, que apropriado. “Agora é isso que quero que você faça e é melhor você ouvir com atenção, cachorrinho”.
A ligação durou, no fim das contas, dois minutos e vinte e oito segundos. Nada mal para uma iniciante.
—Talvez eu tenha um encontro neste fim de semana, disse Darío com indiferença, o que me fez olhar para ele por cima do livro com as sobrancelhas arqueadas.
Já tinham se passado algumas horas desde o café da manhã e eu tinha recebido pelo menos sete ligações desde então. Nós dois estávamos relaxando na sala: eu, numa ponta do sofá em L, e o Darío, na outra.
—E por que é a primeira vez que ouço falar disso?, respondi, me sentindo bastante magoada. Nós contamos tudo um para o outro. Eu sei o tamanho do pênis de todos os namorados dela. Como ela pode me dar essa informação tão facilmente e deixar passar algo como um encontro secreto?
Ela fez uma careta e eu soube que não ia gostar do que ela ia dizer. “Porque...”, ela hesitou, respirou fundo e disse rapidamente: “Porque é com o Rafael”. Ela disse tão rápido que eu quase não percebi, mas o nome de Rafael chamou minha atenção.
—O quê? exclamei, deixando o livro cair no chão enquanto me levantava. Fiquei completamente surpresa e imaginei que minha expressão dizia tudo, mesmo antes de abrir a boca. Como você pode...? Por que você faria isso depois do que ele fez? Não consigo entender o que se passa na cabeça do Darío, mas quero fazê-lo entrar em razão.
—Tentei te dar dicas hoje de manhã! —disse o Darío, sentando-se, com a revista que estava lendo antes caindo sobre os joelhos e com toda a atenção voltada para mim. Eu te disse que sentia falta dele!
Eu zombei disso. “Uma dica é: ‘A propósito, estou pensando em sair com meu ex’.” Não: ‘Vou fazer cócegas em você com a caneta do Rafael, vou reclamar que sinto falta dele e espero que você entenda que vou sair com ele neste fim de semana, apesar de ele ter partido meu coração’”. Respirei fundo, já que estava ficando sem ar depois daquele discurso. “Escuta, sei que não é da minha conta...”.
—Claro que é da minha conta. Você é meu melhor amigo.
—Não quero que você se sinta magoada, continuei, enquanto nos olhávamos com expressões parecidas. Nós dois queríamos desesperadamente que o outro entendesse o que sentíamos, sem querer causar incômodo. Eu te amo, querida, e fiquei arrasado quando você foi embora.
—Ele disse que sentia muito, disse-me o Darío em voz baixa, fazendo-me perceber o quanto eles tinham conversado. Senti uma pontada no coração ao saber que o Darío achava que não podia falar comigo sobre isso. Ele disse que tinha sido um erro e que não voltaria a fazê-lo.
Mas não quero voltar atrás, então disse a ele que íamos começar aos poucos.” “Bem”, concordei levemente com a cabeça. “É alguma coisa, eu acho.” Me tranquilizava saber que ele não estava se precipitando de novo naquele relacionamento. Talvez, se começassem do zero, dessa vez pudesse dar certo.
Infelizmente, meu instinto me dizia o contrário. “Vou ser sincero com você, tá bom?”.
Darío me lançou um sorriso torto que fez aparecer uma covinha na bochecha. “Não gostaria que fosse de outra forma”.
Retribuí o sorriso por um instante, antes de voltar a ficar sério. “Acho que você está pensando com o coração e não com a cabeça”, disse suavemente. Acho que você está apaixonada por ele, que sente saudades dele e que não está pensando com clareza sobre tudo isso. Eu entendo perfeitamente, querida. Você o ama, sei que não consegue evitar. Só me preocupa que o Rafael descubra o que sentes por ele e use isso a seu favor”. Observei atentamente a expressão do Darío; ele assentiu, mostrando que estava me ouvindo.
Mordi o lábio rapidamente antes de continuar. “Mas, se é algo que sentes que deves fazer, vou te apoiar, tu sabes disso”.
—Obrigada, querida, respondeu com sinceridade, mas seus olhos estavam tristes. Você tem razão. Sei que você tem razão, mas meu coração deseja tanto isso.
—O que seu instinto te diz?, perguntei com curiosidade. Sempre acreditei que devemos seguir o instinto.
—Corra, respondeu com uma risada dolorida. Corra e não olhe para trás, porque ele só está fazendo isso para se recuperar.
Franzi a testa diante dessa informação. “Se recuperar?”.
Darío assentiu com lágrimas nos olhos. Ele cruzou as pernas debaixo de si, o que me surpreendeu, pois não sabia como ele conseguia fazer isso com jeans tão justos. Ele se apoiou no encosto do sofá com um braço enquanto passava o outro pelo cabelo penteado com gel. Ele mordeu os lábios por um momento, um dos seus hábitos, antes de me dizer: “Ele e Cara de Javali terminaram. Rafael diz que terminou comigo porque sente minha falta, mas vi na página do Cara de Javali que parece que ele se envolveu com outro garoto”.
Contive um grunhido ao ouvir o apelido que ele tinha dado ao Hugo. “Cara de Javali” combinava muito bem com ele, sério. Aquele nariz... Enfim, segundo o que o Darío contou, imaginei que o Rafael só quisesse seguir em frente, mas o Darío não quer admitir isso porque ainda quer ficar com ele.
—Querido..., suspirei, deslizando pelo sofá para abraçar o Darío. Por dentro, eu apontava para o Rafael e zombava dele. O namorado dele tinha deixado ele por outro garoto; agora eu entendia como meu pobre Darío se sentia.
Ele retribuiu o gesto imediatamente, mas ficou sentado enquanto eu me apoiava nos joelhos, então fiquei mais alta que ele. Apoiei minha cabeça na dele e envolvi seu pescoço com os braços. Sabia que não precisava dizer nada. Darío sabia que estava escondendo a cabeça como uma avestruz. Acho que ele só precisava descobrir isso da maneira mais difícil; caso contrário, sempre se arrependeria de não ter tentado.
—Estou aqui para te apoiar, assegurei. Era algo que ele precisava fazer e eu não podia protegê-lo disso, mesmo que quisesse.
—Obrigado, ele disse, chorando. Dava para perceber o quanto ele estava abalado, mas tentava se conter. Eu o abracei com mais força, desejando poder tirar toda a dor dele. “Você é o melhor amigo que um homem pode ter.”
Naquele momento, esbocei um sorriso. “Eu sei”, brinquei, porque não sou vaidosa. “Agora”, disse, afastando-me, embora ainda tivesse os braços em volta do pescoço dele, “que tal desligarmos os celulares por um tempo, pedirmos comida chinesa e assistirmos a alguns filmes ruins?”. Seus olhos estavam vermelhos e cheios de lágrimas, mas o sorriso que ele me dedicou era de felicidade genuína. E eu entendia perfeitamente, porque a comida me fazia sentir o mesmo. “Te amo muito”.
Eu ainda não imaginava quem estava do outro lado.