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Sexo do Outro Lado da Linha

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Rissa 3rica
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Resumo

Noelia jamais imaginou que sua voz se tornaria seu maior segredo… e sua maior tentação. Trabalhando em uma linha erótica, ela aprendeu a despertar desejos, realizar fantasias e manter distância dos homens do outro lado da ligação. Para ela, tudo sempre foi simples: prazer sem rosto, sem sentimentos e sem consequências. Até que uma voz muda tudo. Mistério, provocação e um desejo avassalador transformam uma simples ligação em algo muito mais perigoso. O que começou como um jogo quente rapidamente vira obsessão, atração e um vínculo impossível de ignorar. Mas no mundo de Noelia, nada é tão fácil quanto parece. Entre segredos, mentiras e sentimentos que fogem do controle, ela descobrirá que algumas conexões podem atravessar qualquer barreira… e consumir tudo no caminho. Quando o desejo nasce do outro lado da linha, desligar já não é uma opção.

amorRomance doce / Amor fofo CEObilionárioBilionário/CEOPoderosos juntos / Casal forteAstuto / Manipulador

Capítulo 1

—Eu adoraria que você ficasse me fodendo na cara.

—É mesmo?

—Quer que eu agarre seu cabelo e use sua boca como se fosse só o meu buraco pessoal pra foder?

Estou toda molhada.

—Meu Deus, sim. Meus dedos deslizam entre minhas dobras e encontram meu clitóris pronto pra receber carinho. Dou uma volta, duas voltas; depois, molho um dedo lá dentro para recolher a umidade antes de repetir o processo.

—Eu amarraria um vibrador em ti, é fácil demais... Eu te faria pular em cima da minha bota.

Tua pobre buceta molhada deslizando sobre o couro”.

Eu gemo com a imagem e movo os dedos mais rápido. “Quero que sejas brutal. Quero que seu pau foda minha boca com tanta força que eu mal consiga respirar. É sujo, tem saliva por toda parte, em nós dois”.

—Caramba, você é muito safada, né? Ele expira com força. Consigo ouvir o som revelador do punho dele se movendo. Eu me aproximo e você também. Minha bota não é suficiente para você, né? Não tem atrito suficiente. Eu te levanto para sentar no meu colo, com as pernas de cada lado das minhas coxas, para que você não consiga fechá-las. Você não vai conseguir se esconder de mim. Vou fazer o que quiser com você.

Meus dedos dos pés se contraem e gemidos escapam dos meus lábios a cada carícia dos dedos dele. “Caramba, estou tão perto”.

—Shh, eu sei. Estou te segurando, ele me garante.

Eu adorava dormir e, com a mesma paixão, adorava minha cama. Toda vez que acordava de manhã, passava pelo menos dez minutos enrolada no meu edredom, curtindo o calor e o conforto, e tentada pela ideia de tirar uma soneca.

Aquela manhã não foi diferente. O sol brilhava lá fora, fazendo com que minhas cortinas roxas escuras parecessem mais claras do que realmente eram. Se eu abrisse os olhos, sabia que veria partículas de poeira voando ao meu redor.

Respirei fundo pelo nariz e acabei me arrependendo de não ter aberto as janelas para aproveitar o ar fresco, mas nunca fazia isso, embora pensasse o mesmo todas as manhãs. Era muito perigoso. As janelas abertas eram um convite para o meu maior medo: as aranhas.

Só de pensar nos seus corpinho peludos e nas suas longas patas trêmulas, eu ficava com arrepios e apertava o edredom contra os ombros. Quase conseguia senti-las em cima de mim.

Então, era o pior momento para meu colega de quarto, Darío, fazer cócegas na minha orelha com uma daquelas suas longas e perversas penas cor-de-rosa, que só Deus sabe para que servem.

Gritei, dei um pulo e saí correndo da cama como se estivesse pegando fogo. Meus olhos, sem dúvida vermelhos e com olheiras, pousaram naquele malandro malvado que morria de rir na ponta direita da minha cama enorme.

—Que diabos é isso? gritei, cansada demais para ver o lado engraçado da situação. Eu estava tão quentinha e confortável, e agora teria que esperar vinte e quatro horas para me sentir assim de novo. “Você é um verdadeiro idiota, sabia?”, eu soltei, tentando controlar a respiração.

—“A sua cara!”, ele riu, bonito demais para alguém que provavelmente tinha acabado de acordar. Ele ainda estava de pijama: um short azul com os rostos da banda favorita dele e uma camiseta branca com letras azuis que diziam “Snuggle Bear”, e tinha o cabelo todo bagunçado.

Ele tinha o cabelo cortado nas laterais e um pouco mais comprido na parte de cima; eu não sabia exatamente como se chamava aquele corte. Mas a mecha de cabelo no topo da cabeça dele caía para o lado, como se precisasse de uma escova. “Ha, ha, ha!”, ele riu, “Darío, isso não tem graça!”, tentei dizer por cima do som da risada dele.

Estava prestes a dar um chute nele. “Achei que fosses uma aranha!”. Ficar ali parada, só de calcinha rosa e uma camiseta preta de alças, me deixava com frio e me dava arrepios. Mais uma vez, xinguei-o por estragar meu calor.

Isso só o fez rir ainda mais alto e, em determinado momento, ele até bufou. Caramba, era difícil acreditar que ele tinha vinte e cinco anos. Na maior parte do tempo, parecia ter menos da metade da idade dele.

Ao ouvir seu grunhido, não consegui evitar mover os lábios para não sorrir. Eu estava brava com ele, não tinha intenção de rir, mas logo perdi a batalha. Você já tentou não rir com alguém que tem uma risada incrivelmente contagiante? Era praticamente impossível. “Deixa pra lá”, eu disse revirando os olhos, embora no fim das contas não tenha conseguido evitar sorrir. Cruzei os braços sobre o peito pra tentar parecer séria, mas o Darío sabia que tinha se saído bem com a piada dele, ou seja lá como for que se chame. “Já é tarde”, ele disse, ainda rindo. Seus olhos verdes estavam cheios de lágrimas, o que os fazia brilhar enquanto ele sorria para mim.

Ele rolou para o lado esquerdo, levantou a cabeça com a mão em que segurava a caneta e passou a outra pelo cabelo castanho, dando-lhe um aspecto penteado para trás. “E você não ouviu o alarme, de novo, então achei que devia te acordar”.

Caramba, eu tinha mesmo feito isso? Não seria a primeira vez. Acordar-me era como tentar acordar um morto. Essa era uma das muitas razões pelas quais eu tinha decidido trabalhar por conta própria. Poucas empresas querem contratar alguém com referências como “sempre chega atrasada” e “não consegue sair da cama”.

—Ah, respondi envergonhada. Tudo bem, era normal que eu precisasse ser acordada, mas... Você precisava mesmo usar aquele seu brinquedo sexual de penas tão pervertido? Estremeci de nojo. Quem sabe onde ele esteve.

Ele deu de ombros inocentemente enquanto girava o objeto em questão entre os dedos. “Em lugar nenhum, é nojento...”, disse ele, enquanto seus olhos se fixavam nos meus e ele sorria de novo. “Só na bunda do Rafael”.

Arrebalei os olhos e gaguejei: “O quê? —Meu Deus, é que... —engasguei-me. “Você disse que não tinha estado em nenhum lugar nojento!”.

Ele riu mais uma vez e se endireitou.

—Eu estava dizendo a verdade. O traseiro do Rafael não era nada nojento, disse ele com um olhar distante. Era o paraíso, disse sonhadoramente, antes de franzir a testa. Meu Deus, como sinto falta dele.

—Ah, querido, eu me derreti na hora e fui para a minha cama para me arrastar até o Darío e oferecer um pouco de consolo.

Eu sabia que o rompimento entre Rafael e Darío tinha sido muito difícil para ele. Ele estava tão apaixonado por aquele homem que estava prestes a pedir que ele se mudasse para morar conosco quando Rafael decidiu encerrar o relacionamento de um ano e meio. A desculpa dele foi que não estava dando certo, mas Darío descobriu que, na verdade, ele o tinha deixado por outra pessoa ao ver que Rafael tinha atualizado o perfil nas redes sociais.

—Ele não te merecia —tentei tranquilizá-lo, passando meu braço magro por seus ombros largos enquanto me sentava sobre os calcanhares. Ele foi um idiota pelo que fez. Você não deveria estar triste, foi ele quem perdeu alguém que o amava. —A única coisa que você perdeu foi... —ele me interrompeu.

—Um idiota que não me merecia, eu sei —replicou ele, sabendo o que eu ia dizer porque eu tinha repetido isso muitas vezes nos últimos três meses, desde o término.

E então, a linha caiu de novo...