Capitulo 3: Encarando a Fera
~Mayra Mitchell
________________
Segunda-feira...
08:10 am.
Desço a escada correndo na esperança de encontrar um táxi. Estou a dez minutos atrasada, o que se torna uma péssima primeira impressão. Depois de uma longa e insuportável discussão com o Jason ontem, não consegui sequer fechar os meus olhos para dormir. E agora por conta desse estúpido, estou atrasada no meu primeiro dia com o Christopher. E como se isso não fosse o suficiente, não consigo esquecer nem por um minuto sequer aquela noite. Não sei como será entrar naquela sala e não imaginar o que poderia ter acontecido ali. Ainda me lembro das sensações, as reações do meu corpo a cada toque do desconhecido, mas não posso me concentrar nisso, tenho um emprego para manter, mesmo que talvez eu tenha que encarar a pessoa todos os dias.
Será que ele sabe quem sou?
O que ele deve pensar de mim? Que droga!!
O pior é que o meu corpo deseja por mais. Foi algo perigoso e misterioso, meu corpo pragueja a luz por ter estragado tudo, mas sei que minha mente diz que foi o certo, é nisso que estou apegada. Minha mente reconhece que o que senti, foi além do que senti em anos com o imbecil do Jason. A pegada do homem não pode nem ser comparada a dele. A forma que o meu corpo despertou e desejou por mais, gostaria de sentir suas mãos...
-Mayra, Mayra, precisa se concentrar!!!
Nada do bendito táxi chegar. Como em uma cidade tão agitada não consigo pegar um táxi se quer?
-Que saco!!! -olho no relógio, e já estou a três minutos a mais atrasada. Começo a caminhar a passos largo, tenho que andar por quatro quarteirões até a empresa.
Chego na entrada e percebo pessoas como eu, atrasadas e o semblante de medo de serem demitidas. Me arrisco em pegar o elevador da presidência, percebo alguns olhares de reprovação, mas tenho um emprego para manter, e me aventurar em um elevador cheio de gente não irá ajudar.
-Opa, calma!!- Ouço a voz da Ruby, minha colega de casa. Ela é a recepcionista do andar da presidência. Sempre sai uma hora antes de mim.
-Ele já chegou? - Falo tentando recuperar o fôlego.
-Para sua sorte, ainda não. -Respiro aliviada. Alinho minha postura, me sentindo relaxada. - Mas... já ligou e pediu isso para você. -Ela pega um post-it rosa e me entrega.
-O que? Ele tá brincando, né? - O filho da mãe quer que eu compre o seu cappuccino na Starbucks. O problema que fica a seis quadras daqui.
-Pior que não. E exigiu que você pessoalmente fosse comprar - Solto uma gargalhada.
-Sério isso? Isso está longe do trabalho que eu fazia para o pai dele, será que ele acha que eu sou o que? Sua garçonete particular? - Vejo a expressão da Ruby ficar rígida e sinto uma presença atrás de mim.
-Não! Mas você é paga para fazer o que eu mando. -Ouço sua voz rouca bem perto. Perto o suficiente para me deixar aflita. Se eu não tivesse tão desesperada, e se ele não tivesse sido tão grosso eu diria que senti algo diferente com essa voz tão próxima.
-Bom dia, Sr. Carter. - respondo com a voz embarga, não sei se é pelo medo ou pela reação que a voz dele causou em mim. -Mas, buscar cafés não faz parte do trabalho que fazia com o seu pai.
Ele ergue a sobrancelha e fica me olhando de cima abaixo, como se tivesse planejando de que maneira irá me punir. Engulo um seco, mas é tarde, não posso mais voltar atrás. Então inclino o pescoço e olho em seus olhos. Ele é frio.
Mesmo que pareça sempre estar irritado com o mundo, seu rosto não tem nenhuma expressão.
-Espero que suas competências como secretária, não limite só na sua dificuldade de entender algo tão simples. - ele dá um passo em minha direção e eu não me movo, nem mesmo quando ele se inclina para olhar nos meus olhos. - Eu estou aqui agora, não tente me ensinar o que eu posso ou não mandar você fazer. - ele se recompõe e segura a sua pasta me olhando sério - E como minha secretária, quero o meu café na minha mesa em cinco minutos - Da mesma forma que ele chegou ele seguiu seu caminho até a sua sala. Sem me dá direito a resposta.
-Ignorante!!! - falo mais pra mim. -Em cinco minutos só se eu for de jatinho, seu imbecil. - bufo batendo o pé.
-Como não temos jatinho, se eu fosse você iria agora. - Ruby fala segurando o riso.
-Não ri. - Resmungo. - Eu tô no inferno.
Depois de quase atravessar a cidade, enfrentar meio mundo de engarrafamento, volto para o prédio com os meus pés doendo de tanto andar, depois de ter a genial ideia de que chegaria mais rápido a pé. Entro no elevador super apressada, e na hora em que a porta se fecha, minha saia fica presa em algo e no meu desespero faço a saia abrir ainda mais o lascado dela, na tentativa de me livrar da situação.
-Droga, ótimo dia!! - falo olhando para o teto de aço culpando alguma força que está agindo contra mim.
Assim que as portas se abrem, ignoro o incômodo no calcanhar e acelero os passo para entregar logo esse bendito café. Arrumo a saia de maneira que não apareça tanto minhas pernas e bato na porta.
-Entre. - ouço sua voz fria e grossa do outro lado do vidro fumê.
-Sr. Carter, o seu cappuccino. - Ele age como se eu não estivesse aqui.
Continua mexendo em seu computador concentrado.
Tão gato.
Mas tão idiota.
Caminho mais alguns passos e coloco a embalagem em sua mesa no instante em que ele parece ter notado minha presença. Observo ele pegar o copo e nem olhar o conteúdo e apenas jogá-lo no lixo.
-Obrigado, Srta. Mitchell. - Ele fala muito cordial para o meu gosto. - Mas, perdi a vontade. - Ele só pode está brincando. - Precisa ser mais ágil Srtª. Mitchell. - fala depositando a atenção agora em seu celular.
-Desculpa, Sr. Carter, mas a Starbucks é do outro lado e eu tive que pegar...
-Não estou pedindo explicações, Mitchell. -Finalmente ele coloca o celular em sua mesa e me olha. - Só espero que os meus funcionário sejam mais responsáveis. - O seu olhar não me deixa tímida, me deixa quente, de raiva. Passo a mão na lateral da saia na tentativa de esconder, mas tudo que faço é chamar sua atenção para o local. Seus olhos acompanham todos os movimentos que eu faço, e juro que consigo vê um resquício de sorriso em seus lábios. Eu só consigo lembrar daquela noite, as sensações que ele provoca em mim com um olhar, é como se eu tivesse naquela noite novamente. - Me envie minha agenda.
Um por favor, é pedir muito para seu cérebro ignorante?
-Ok, mandarei para o senhor. - permaneço parada com o queixo erguido, tentando esconder minha raiva.
-E na próxima vez que eu disser em cinco minutos. É em cinco minutos.
Eu respiro fundo.
Respiro.
Mas não consigo controlar minha boca.
-Talvez se futuramente o senhor puder me emprestar o seu jatinho, garanto que estarei aqui no horário proposto. - Louca, estou pedindo para perder o emprego. Mas ele merece, ele é insuportável.
-Meu pai não mencionou essa sua boca. - ele fala jogando as palavras como se fosse teias de sedução. Tudo com um excessos de duplos sentidos.
-Se não precisa de mais nada, irei providenciar sua agenda. - me viro para sair antes que eu faça alguma coisa fora do normal.
-Eu mandei que saísse? - sinto sua presença bem perto de mim.
Tenho medo de virar. E quando faço, minha calcinha agradece, mas minha cabeça se arrepende. Ele está a um passo de mim. Minha respiração fica totalmente comprometida, não sei o que fazer com o olhar dele sobre mim, me sinto vulnerável. Seu olhar cai sobre minha saia, o que faz com que eu me sinta nua em sua presença. Ele se aproxima ainda mais de mim, e sinto sua respiração.
-Não gosto de perder o foco em meu trabalho, senhorita Mitchell. - sussurra bem perto ao meu ouvido.
-O que está fazendo? - falo tentando controlar o arrepio. - Além do mais, não sei de que forma poderia tirar a sua atenção.
-Xiiiiii... - Seu perfume... Eu me lembro desse cheiro...- Não deveria usar essa saia. - Esse cheiro viril é tão familiar. O meu corpo é atraído ao dele como ímã, é como se eu estivesse revivendo aquela noite.
Não pode ser ele ou pode? Meu Deus!!
-Carter...- Ele respira fundo, tão fundo cheirando o meu pescoço que sinto como se me sugasse. Logo em seguida se afasta, fecha o seu paletó e retorna para sua mesa.
-Pode ir, muito obrigado. - Seu olhar volta a ser vazio e frio. Eu me sinto em chamas, mas ele parece não sentir nada.
-Você é uma piada. - ele levanta a sobrancelha, mas antes que ele despeje mais alguma daquela maldita boca deliciosa e mal educada, lanço um ultimo olhar e saio de sua sala.
Fico tentando imaginar quem poderia ser naquele noite? Tenho vergonha que talvez pudesse ser algum amigo de trabalho próximo, mas pode ser bem pior. Eu me entreguei ao meu chefe. Me sentei em minha mesa, e relaxei o meu corpo na minha cadeira.
-Preciso de um emprego novo.
Envio a sua agenda, e caminho para a copa para tomar um grande copo de café. Eu não aguento esse homem insuportável. Como eu gostaria de estar trabalhando para o Arnold, ou até para o Marcus, mas tive que ficar com esse idiota, imbecil. Encho mais um pouco do meu copo e retorno a minha sala.
-Cinco minutos é cinco minutos... - reviro os olhos tentando imitar ele enquanto começo a redigir alguns relatórios e atas de algumas reuniões. Recebo o seu e mail, pedindo diversas alterações para ser feitas em sua agenda. Eu estou acostumada com a rotina pesada do Arnold, principalmente nos últimos meses, como sua empresa seria passada para um novo e idiota presidente, ele teve o cuidado de se encontrar com cada responsável dos contratos das empresas para que tudo fosse reafirmado. Alguns estavam temerosos, outros conhecia o Christopher, não é como se ele fosse um desconhecido no mundo dos negócios. Ele é bom. Ele tem uma visão que vai além, tiro isso pelo seu ousado plano de negócio.
Pena que tudo isso não compense a sua atitude ridícula e arrogante.
-Será que ele não sabe dizer um por favor ou obrigado? - para o meu trabalho nos relatórios e mexo na sua agenda. - Em que casa ele foi criado?
Eu não deveria culpar o Arnold, muito menos a Vivian, toda merda ele deve ter construído sozinho. Tenho certeza disso. Suspiro mais uma dúvida ronda minha cabeça.
Poderia mesmo ser ele?
E se fosse?
O que será que ele deve pensar de mim?
Bom, isso não importa muito! Não levo tanto em consideração as suas avaliações, mas me preocupa saber ou só de pensar que ele pode ser o cara misterioso. Ele daria pontos a ele, e eu não quero que ele vença. Na verdade, no fundo eu só queria que tivesse sido algum empresário de outra empresa, que eu não tivesse encontros constantes, não o meu chefe. O arrogante do meu chefe. Eu poderia reconhecer o seu perfume em qualquer lugar. É o mesmo do dele. Espero que seja só mais uma maldita coincidência.
-Será que é pedir muito? - imploro novamente para as forças superiores.
Volto a me concentrar na agenda da semana, e assim que termino envio para ele, que não pede mais nada. Continuo o meu trabalho nos relatórios e pulo o horário do almoço, e ele fez o mesmo, nem ao menos aceita quando me proponho a pedir o seu almoço. O dia até que passou rápido, isso com certeza se deve ao fato de não tê-lo visto durante a boa parte do tempo. Ele saiu para uma para sua reunião, e não voltou com o melhor humor, não que consiga distinguir quando ele está de bom humor.
-Eu não suporto esses caras pegajosos - Ruby entra em minha sala sentando no sofá a minha frente.
-O que ele fez? - pergunto mantendo a minha atenção no computador.
- O que eu queria eu já tive. - resmunga.
-Você é mesmo um mulher? - rio passando os olhos nela.
-Não devia estar no seu balcão, SrtªEvans?
-Meu Deus, Marcus!!! - Tomo um susto com a chegada repentina dele. Minha afinidade com ele é bem maior e melhor.
-Boa noite pra você, Marcus. - Ruby Fala com cinismo na voz.
-Ainda não terminamos aquele assunto. - Marcus fala olhando sério para a Ruby. Eu continuo quieta tentando entender o que está acontecendo na minha minúscula sala.
-Não temos nada para falar. - ela se levanta e dá um tchauzinho para mim.
-Ruby!? - ele a chama, mas é ignorado completamente. Ele respira fundo e se volta pra mim. - Qual o problema dela? - seu olhar está descontraído, ao contrário do idiota do irmão dele que é um grosso. Pior é o meu corpo desejar aquele maldito lábios tão convidativos...- Mayra!!!! - Marcus chama a minha atenção.
-Oi. - falo meio desconcertada
-Estava pensando em quê, hein? - se soubesse ficaria... calma, será que ele sabe? Talvez seja por isso o seu sorriso malicioso. Que vergonha!
-Nada. -Vejo os seus olhos se estreitaram e seu sorriso malicioso crescer ainda mais.
-Eu adoraria saber o que se passa em sua cabeça. Consigo até imaginar o que eu poderia...
-Marcus!!!! -Sua risada me deixa tensa. Deve estar rindo de mim, a secretária que se entregou para o chefe pelo qual nunca terá uma sequer chance...
Chance? Por que iria quer uma chance com aquele grosso? Ele é extremamente sexy e irresistível, ainda sim é o meu chefe, idiota, cafajeste....
-Mayra!!!- seu dedo estala em meu rosto. -Pelo amor de Deus mulher, se concentra. Deixa os pensamentos eróticos para depois
Pensamento erótico? Com o Christopher? Já basta aquela noite. Reviro os olhos em resposta
-Não tem nenhuma mulher nova para encher? - pergunto ironizando.
-Na verdade, até gostaria... mas agora tenho um encontro com a dama da sala ao lado.
-Então vá. -Ele me lança uma piscadela e segue para a sala.
O que será que eles vão falar?
Sobre mim?
Rir ás minhas custas?
Rir da minha fragilidade... ou talvez eles estejam falando sobre a empresa, afinal são presidentes, devem ter muitos assuntos mais relevantes que uma quase transa com uma mera secretaria, para discutir.
-Acho que estou ficando paranoica. - tento pelo menos por agora não pensar nisso, nem na noite em questão e muito menos do comportamento dele na sala de manhã. A Ruby se despede de mim, e mais uma vez serei a última a sair.
Me pego pensando novamente nele, e na reação dele pela manhã, é óbvio que ele sabe. Ele se lembra.
-Guarde seus pensamentos eróticos, Mayra. - Marcus fala com um olhar malicioso.
-O que? Para com isso! - aumenta ainda mais as minhas suspeitas, ele sabe. Merda, merda, merda...
-Vai precisar para essa semana. -Fala tirando o paletó e colocando jogado no braço.
-O que está falando?
-Boa Noite, Mayra. -Ele tá de sacanagem comigo. Ele simplesmente se vira e sai. -Ah, ele te espera na sala dele.
Meu Deus!!!!! Eu vou ter que encarar ele, agora não é tão fácil. Bato em sua porta entre aberta e espero a resposta e nada. Espero mais um minuto e bato novamente.
-Entre e sente-se. - Faço para evitar qualquer assunto desnecessário com ele. - Preciso que vá até Sra. Huniver, e veja com ela como anda o andamento das coisas... - Sra. Huniver é do departamento de viagens
-Desculpe, irá viajar, preciso fazer mais alguma alteração na sua agenda? - Falo ríspida, ele digita algo em seu computador.
-Eu? Não! Nós vamos viajar. -Ele continua mexendo em seu computador ignorando o meu pequeno colapso.
Não estou em posição de questionamentos, não quero prolongar esse tempo. Então só me contenho em guardar o meu colapso nervoso para depois.
-Vi algumas coisas nos relatórios mensais que não está me agradando...- Normal, o que te agrada? - Tenho que ir as filiais conferir, e você virá comigo.
-Quando vai ser? - o silêncio permanece na sala, o que me deixa ainda mais nervosa.
-Nenhuma objeção? - ele parece sarcástico. - Vamos na segunda. - Fala olhando fixamente para mim apoiando o cotovelo na mesa inclinado para frente. - Por isso preciso que se prepare. -Não consigo se quer pronunciar algo. Estou tentando não pirar em ficar com ele durante essa semana inteira. Agora entendi "guarde seus pensamentos para semana" ele sabe. Minha cara começa a queimar de vergonha, e ele não desvia se quer o olhar de mim. - Alguma dúvida? -Dúvida? Muitas.
-Carter...-Seus lábios abrem e fecham, formando a sua covinha e seus olhos se estreitaram esperando a continuação - Era você. Naquela noite, era você. -Jogo as palavras sem nenhum pudor, já estou completamente ferrada, preciso encarar isso de frente. Já foi humilhante o suficiente ele olhar para mim como mais uma, sem que eu soubesse de nada.
-Do que está falando?- ele não pode está brincando agora.
-Droga, Christopher. Era você na noite da festa, nessa sala, era você o tempo todo. - essas palavras não parecem atingi-lo em nada. Ele não diz nada, apenas se levanta e por um momento acho que ele irá sair da sala ou me demitir, no fundo só quero que nada disso seja verdade. Logo em seguida ouço o click da porta e sua presença atrás de mim. Sua aproximação é uma tortura a minha razão. Sinto que estou prestes a me lançar a um Leão que logo irá me devorar. Meu corpo reage de uma forma inusitada a ele. Sinto sua respiração no meu pescoço
- Estava me perguntando, quanto tempo mais iria demorar para descobrir. - Sua voz se mantém inabalável, ao contrário de mim que estou em completo desespero.
-Eu não passo um minuto sequer, Mayra, sem me lembrar daquela noite, e do quanto eu queria ter terminado o que começamos. - Eu me odeio, primeiro por ter me entregado a ele, e segundo por estar desejando ele neste instante. Suas mãos desliza devagar em meus ombros, e me levanto rápido e fico de frente para ele, retomando a minha consciência.
-Como você pode ser assim? - dou um passo para trás e ele me olha com desafio.
-Como? - fala com a voz baixa, mas autoritária.
Como ele acha que pode ser autoritário? Quem ele pensa que é? Que ódio, vergonha, estou sentindo tudo isso misturado. Eu não deveria desejar tanto ele, não deveria querer tanto essa boca, esse corpo.
-Você me fez de idiota. - bufo. - Jogando esse joguinho estúpido de cão e gato. - encaro ele. -Não se aproxime de mim de novo... Você é inacreditável. - Me viro até a mesa, pego a minha agenda de anotações.
Ele não parece surpreso quando falo, apenas me olha como se isso fosse um grande desafio. Seus lábios abrem em um sorrio, ele sabe sorrir?
-Ótimo, Micthell. - ele ajeita o terno. - Espero ansioso pela nossa viagem. - Que presunçoso.
-Boa noite, Carter. - falo ignorando as suas insinuações e caminho para a saída de sua sala. Assim que faço, sinto minha respiração retomar aos meus pulmões finalmente.
O que acabou de acontecer? Meus Deus, irei passar a semana com ele. Não consigo sequer me controlar em sua sala, imagina em um hotel, longe de todos os olhares.
Sigo para minha casa, qual está vazia, Ruby teve ter ido para mais uma das suas noites. Agradeço por isso, não quero perguntas sobre meu comportamento devasso. Tomo um banho, e tento não pensar, ou não sentir, não viver, não por agora. Só tento esquecer o inesquecível.
