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CAPÍTULO 5

Eduarda

Acordo com barulho vindo do corredor. Demorei a pegar no sono depois que meus irmãos me ajudaram a subir para o meu quarto. Minha mãe havia preparado um quarto especial no andar de baixo, mas eu queria dormir no meu quarto. Ter algo que lembrasse minha vida.

Meu quarto estava intacto, do mesmo modo que deixei. Meus livros, roupas, quadros que eu pintava quando estava em casa. Tudo havia sido mantido como se eu nunca tivesse saído dele.

O dia seguinte seria movimentado e corrido, tudo por conta do casamento de Kadu. Depois de alguns telefonemas, minha mãe havia conseguido as rosas-vermelhas e brancas que Belinda tanto exigia.

Que garota insistente a minha cunhada. Kadu estava perdido se algum dia fosse contra a alguma decisão sua.

No final, tudo dera certo, e todos estavam exaustos por conta dos últimos detalhes. Kadu havia concordado em uma despedida de solteiro, desde que os amigos envolvidos não contratassem stripper para um show particular.

Essa cena também me arrancou boas risadas, tudo porque Nanda deixou bem claro que se um deles resolvesse fazer isso, ela e Belinda iriam fazer a mesma coisa.

Belinda decidiu fazer uma reunião apenas com suas amigas em sua casa. Ela até insistiu que eu fosse, mas eu ainda estava me recuperando e ficar andando em uma cadeira de rodas não era minha parte favorita.

Optei por ficar em casa e descansar para o dia seguinte. Fui convidada para ser uma das madrinhas do casamento, e embora eu tenha amado a ideia, achei melhor recusar, porque teria que me preocupar com a roupa e tudo mais. Isso seria mais um problema para tirar Belinda de órbita.

Espreguicei-me, depois me sentei na cama. A cadeira de rodas estava posta bem ao lado, dava para mim mesma me sentar. Parecendo que alguém adivinhara que eu estava acordada, abriu a porta e me ofereceu um sorriso. Era Kadu.

— Bom dia, nosso barulho te acordou?

— Sim, mas está tudo bem — sorri — Nervoso?

— Não.

— Esse “não” não me convenceu.

Kadu entrou no quarto e se sentou na minha cama.

— Estou uma pilha.

— Arrependido?

— Não!

Kadu fez uma careta engraçada.

— Se alguém me falasse anos atrás que eu me casaria com a garota que me odiou desde o momento em que pôs os olhos, e que eu cairia de quatro por ela. Eu teria rido.

Kadu soltou um sorriso que me contagiou.

— Belinda foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Depois do seu acidente aconteceram tantas coisas, Nick me culpou por tudo, quebrou o elo que tínhamos e eu fiquei perdido.

— Sinto muito Kadu. Tudo isso foi por minha culpa. O lance pelo que eu estava passando, a vergonha de ver que Nick iria se desapontar comigo — falei segurando sua mão.

— Está tudo bem. O que aconteceu ficou no passado. Voltamos a ser uma família completa e é isso que importa.

Trocamos um olhar carinhoso por alguns segundos até Kadu tocar meu rosto limpando uma lágrima.

— Você não tem motivos para chorar.

— Eu sei. O choro é de felicidade. Você será muito feliz Kadu. Nick também. As garotas que seus corações escolheram vão fazê-los muito felizes.

— Espero que você também encontre alguém.

— Acabei de sair do coma. A única coisa que eu preciso agora é me apaixonar. Primeiro preciso me livrar dessa cadeira.

— Então já estão de segredinhos de novo? — perguntou Nick rindo abrindo a porta e colocando metade do seu corpo.

— Não estamos de segredos. Kadu acha eu preciso encontrar alguém — falei revirando os olhos.

— Concordo com ele.

— Eu não preciso de nada. Na verdade, preciso sim. Preciso de ajuda para sair desse quarto.

Mudei de assunto para que eles parassem de falar da minha vida pessoal.

— Como estão as coisas lá fora? — perguntei quando nos caminhamos para a porta depois de Kadu ter me ajudado a sentar na cadeira.

— Uma loucura. Mamãe já distribuiu todas as tarefas. Os empregados estão correndo que nem uns malucos. Tem repórteres lá fora desde cedo — respondeu Nick.

— Repórteres? Por que eles estão aqui? — perguntei.

— Não faço ideia. Imagino que alguma amiga da minha mãe tenha dado com a língua nos dentes.

— E Belinda, e Nanda?

— Estão no salão de beleza. Belinda queria fazer a própria maquiagem, mas Ivy a obrigou. Só ficaram os namorados. Rafael e Pedro devem estar em algum lugar tentando organizar as entregas das bebidas e do Buffet — disse Kadu.

Meus irmãos me levaram para onde nossa mãe estava ajustando os últimos detalhes da decoração. Depois eu seguiria com ela para o salão para nos preparar para o grande dia.

*

Quando cheguei à igreja, acompanhada de minha mãe, cerca de trezentas pessoas estavam sentadas nos bancos. Eu não conhecia ninguém que estava presente, mas todos sorriram quando entramos.

Eu havia escolhido um vestido salmão, um dos milhares que estavam guardados no meu guarda-roupa sem nunca ter usado. Minha mãe estava muito elegante em um vestido azul-turquesa, sua cor preferida. Seu cabelo estava preso em um coque atual, enquanto o meu estava solto, com uma pequena presilha presa na lateral.

A igreja escolhida a Catedral São José, famosa por seus sinos, a mais amada pelas noivas que sonham com um casamento tradicional.

Era fim de tarde, e tudo estava devidamente no seu lugar. Um longo tapete vermelho estava cobria desde a entrada até o altar. Rosas-vermelhas e brancas enfeitavam todo o caminho que Belinda percorreria.

Minutos depois, Kadu apareceu acompanhado de Nick e os padrinhos.

Ele estava impecável. Um paletó e calça social preta, com camisa, gravata e colete branco. Um lenço vermelho no bolso do paletó, acompanhado de uma rosa-branca. Seus cabelos estavam domados com gel, dando um ar mais sério e maduro. Sapatos sociais finalizando sua vestimenta. Ele estava simplesmente perfeito. E pelo visto muito nervoso.

Kadu sorriu quando nos viu e caminhou em nossa direção.

— Parece um pouco nervoso — brinquei.

— Um pouco? Estou beirando a um ataque do coração. Onde está Belinda? Ela já não deveria estar aqui?

— Kadu, todas as noivas atrasam.

— Não a Belinda. Ela odeia atrasos. Odeia esperar. Será que aconteceu alguma coisa? Mudou de ideia?

Rimos do seu pequeno ataque de pânico.

— Fique calmo, filho. Vou ver o que aconteceu — disse nossa mãe se encaminhando para a saída.

— Ela fala isso porque não está no meu lugar. Não consegui falar com Belinda o dia inteiro.

— Pelo amor de Deus homem, você terá o restante dos seus dias para ficar com ela — disse Nick.

— Quero ver como você vai se comportar quando for sua vez.

— Estamos organizando o nosso para o final do ano. A festa será em grande estilo.

Nick sempre conseguia fazer com que os ânimos ficassem brandos.

Kadu soltou minha mão e caminhou para o seu lugar. Logo em seguida, os padrinhos fizeram o mesmo, vestidos em ternos pretos e gravatas douradas.

Dez minutos depois, as madrinhas entraram na igreja. Estavam lindas em seus vestidos vermelhos longos, de alças finas e detalhes em renda dourada. Os cabelos estavam cuidadosamente presos em coques.

Os minutos foram passando e eu via a agonia de Kadu aumentando. A cena chegava a ser engraçada. Quando a primeira nota começou a soar, todos se levantaram e olharam para a entrada. O olhar que Kadu deu para sua noiva foi a melhor parte. Parecia que ele acabara de ver um anjo entrando na igreja.

Belinda estava linda. O vestido parecia que fora costurado em seu corpo. A parte de cima era tomara que caia, mas havia uma renda branca transparente que envolvia seus ombros, deixando como uma princesa de conto de fadas. Bordados acompanhavam o busto até um pouco abaixo da sua cintura.

O véu era longo, com rendas em toda a sua extensão. Estava preso no topo de sua cabeça por um penteado moderno, sem exagero e uma pequena coroa para finalizar a produção. Sua maquiagem era suave, mas deixava bem claro o tamanho de sua beleza.

Tinha um sorriso nervoso até encontrar o olhar do meu irmão. Parecia que ela só precisava disso para continuar a andar. Uma mão estava agarrada ao braço do seu pai, enquanto a outra segurava um buquê de rosas-vermelhas e brancas.

O caminho foi lento e a cada passo, eu podia sentir a tensão do seu corpo se desfazendo. Quando ela finalmente se aproximou de Kadu, seu pai beijou sua testa e depois a entregou ao meu irmão.

— Cuide bem dela — ele disse ao Kadu.

— Tem minha palavra.

Kadu ofereceu seu braço para que Belinda segurasse e então ficaram de frente para o padre.

A cada palavra proferida, os dois trocavam olhares apaixonados e sorriam. Em algum momento uma lágrima correu pelo rosto de Belinda e Kadu a colheu.

Eles seriam felizes, disso eu não tinha dúvida.

— Que nada consiga atrapalhar a união do casal. Sejam pacientes um com o outro, amem todos os seus momentos e que o poder divino cubra com manto sagrado esse casamento — disse o padre finalizando a cerimônia.

Em seguida vieram os juramentos e a troca de alianças.

— Eu, Belinda, prometo cuidar e zelar pelo nosso amor a cada dia da minha vida enquanto eu respirar — disse pausadamente enquanto colocava aliança no dedo de Kadu.

— Eu, Carlos Eduardo, prometo te fazer feliz, velar seus sonhos, zelar e cuidar, não brigar ou ficar com raiva quando você tomar o controle da TV.

Um pequeno murmurinho de risos soou na igreja.

— Serei o seu príncipe encantado enquanto eu respirar.

— Acredito que depois dessa promessa, você já pode beijar a noiva.

— Nem precisa falar duas vezes.

Mais risos.

Kadu aproximou dos lábios de Belinda e sussurrou algo que fez com que Belinda respondesse também.

Quando eles começaram a fazer o caminho para a saída, chuvas de arroz começaram a cair sobre eles. Os padrinhos foram saindo em casais logo atrás deles. Esperei até que toda a movimentação passasse e minha mãe viesse ao meu encontro.

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