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02 | Mi-chofhurtachd

CORA MCLAUGHLIN

— Do que tanto se anima, Princesa Cora, posso ao menos saber para lhe acompanhar? — perguntou e observei a sua língua passar sorrateiramente no seu lábio inferior a fim de o humedecer.

— Nada de relevante, vossa majestade, não precisa se preocupar — respondi e ele apenas acenou a cabeça.

— Cora é uma excelente arqueira, embora a minha mulher não se sinta tão satisfeita com isso, devo admitir que a futura Rainha das Terras Altas da Escócia é bastante flexível — comentou o meu pai de modo a impressionar Rowan.

— No meu reino... — ele tentou dizer, mas foi rudemente interrompido com uma tosse abrupta vindo da minha mãe.

Eleanor observou minuciosamente a sua taça com hidromel já finalizada após ter bebido um copo de água para aliviar o engasgo.

— Está tudo bem, mãe? — perguntei e ela acenou em concordância e respirou fundo.

— Estou ótima, peço desculpas, Rei Rowan, vou pedir outra taça de hidromel.

— Tem certeza? Acho que não deveria beber mais, esse não lhe caiu nada bem — o meu pai alertou enquanto esfregava as costas delas.

— Bobagens, Kendrick, sempre fui bastante tolerante ao álcool, deem outra taça — pediu aos criados que rapidamente a serviram.

— Como eu dizia, no meu reino as mulheres não praticam tais habilidades, apenas aprendem a costurar, a cozinhar, tocar instrumentos e outras coisas semelhantes, mas fico imensamente admirado com a agilidade que possui.

A sala apenas ecoa o som da sua voz e dos elogios feitos sutilmente para si mesmo, estando bem claro para todos.

— Obrigada — agradeci e continuei a tomar a minha bebida.

O dia seguiu-se e após o enorme banquete, os meus pais decidiram querer fazer uma visita guiada com Rowan para o mostrar todo o esplendor do nosso palácio, e mesmo que a maioria dos nossos guardas estivessem ausentes, o meu pai o levou a visitar a cavalaria do reino.

A minha mãe não teve como nos acompanhar porque disse estar se sentindo bastante indisposta, pediu desculpas e retirou-se com a sua criada pessoal para poder descansar, mas prometeu que estaria presente durante o jantar.

Depois da longa visita, Rowan foi direcionado aos aposentos preparados para si e os seus criados pessoais, e eu segui para o meu para me preparar para o jantar.

Dessa vez vesti um vestido azul-marinho de seda, a bainha é bordada com o símbolo do clã Mclaughlin, o decote reto da peça evidencia o colar de prata também com o símbolo da minha família cravado nele.

O penteado deixou o meu cabelo parcialmente solto, e ainda bem, porque sinceramente eu já não sou capaz de aguentar mais ganchos prendendo ele e dando-me dores de cabeça.

Ao sair do meu quarto rumo à sala de jantar, uma das criadas avisa-me que os meus irmãos se encontram bastante indispostos e que não iriam acompanhar-nos.

— O quê eles têm? — perguntei curiosa. — Espero que nada grave.

— Bom, não tenho certeza, foi chamado o médico para dar uma resposta concreta, eles estão com vómitos, dores abdominais e a suar excessivamente, os mesmos sintomas que a Rainha.

— Eu duvido que eles tenham bebido hidromel, a mãe só ficou desse jeito após ter bebido.

Antes que ele respondesse, fui chamada pela minha dama de companhia para irmos à sala de jantar porque já estavam todos à minha espera.

Acenei e parti.

Na sala, o meu pai e Rowan conversam animadamente, mas minha mãe, entretanto, parece bastante pálida e posso observar uma camada de suor frio na sua testa.

Eu não poderia sentar próximo a si por questões de etiqueta, com a presença de convidados, os reis sentam-se na ponta da mesa e os convidados são distribuídos ao longo da mesa, portanto, Rowan está no meio da mesa e eu preciso sentar-me também defronte a si.

Olho fixamente para ela a fim de conseguir chamar a sua atenção, e quando consigo, movi os meus lábios lentamente para que ela conseguisse ler tudo o que eu fosse pronunciar.

— Sentes-te bem? Estás pálida.

A minha mãe apenas fez um rápido movimento para que eu não me preocupasse.

Então o jantar seguiu-se.

— Rei Kendrick — o nome escapou dos lábios do homem à minha frente, num chamamento que formou um eco que perambulou pela espaçosa sala. — Se não fosse um incómodo, é claro, gostaria de levar a princesa a passear a sós, claro, se a vossa majestade não se importar — direcionou o olhar para o meu pai.

Olhei para o meu pai que sorriu concordando com o convite dele, enquanto a minha mãe continuou impassível desde o início do jantar, não muito habitual da sua personalidade.

— Princesa Cora...? — chamou-me para capturar de novo a minha atenção, levantou elegantemente e ofereceu a sua mão, logo a peguei e com a sua ajuda posso igualmente levantar para partir do espaço.

Eu não gosto da presença do homem, parece sempre invasiva e com um ar de dominação extrema, mas não por muito pouco tempo, visto que não tenho a menor vontade de o ter como marido e/ou o meu rei.

O silêncio paira sobre nós durante muito tempo, apenas caminhávamos e desfrutamos da presença um do outro até que a sua voz rasgasse o conforto.

Eu realmente prefiro quando ele está de boca fechada.

— Ouvi dizer que também gosta muito de hipismo, princesa — olho no seu rosto que me finta. — E que sua excelência no arco não é de boca para fora.

— É verdade, vossa alteza — sorri e voltei a olhar para baixo. — É um capricho antigo que... — sou rudemente interrompida.

— Sabe de uma coisa? Eu ficaria desejoso em poder cavalgar ao seu lado, mas como o seu rei e claro, seu esposo.

Ele é de facto um homem apressado, bastante apressado, mal cortejou-me e já está a tentar desposar-me, que lástima.

Os nobres levavam ao menos uma semana para o cortejo, bom, pelos menos a minha mãe não me importunava a respeito do ótimo partido, o que não me deixa menos incomodada.

É a primeira vez que um rei se sente interessado em mim, mas pelo cargo, imaginaria que fossem bem menos egocêntricos, enganei-me profundamente.

— Não gostaria de decepcioná-lo, vossa majestade, e com imenso pesar, digo-lhe que não posso aceitar o seu pedido — disse e logo sinto a sua mão apertando a minha mão, não me machuca, mas é o suficiente para aumentar o meu desconforto.

Rowan fica defronte a mim sustentando o seu olhar no meu, e pega no meio dos meus braços, mantendo-se mais próximos, e por alguns míseros instantes eu senti medo do sorriso sutil que albergou o seu belo rosto.

Sei perfeitamente que ele não quer me beijar, não, a obscuridade nos seus olhos faz-me questionar os seus reais motivos.

Eu não tenho o menor interesse de aceitar ser desposada por um arrogante como ele, nunca serei a rainha submissa que o cujo deseja e muito menos permitirei que o meu reino esteja na mão de Rowan Westergaard.

— Imaginei que sim — os seus olhos não desviaram dos meus em nenhum momento. — De qualquer forma, eu só tenho a lamentar, eu de fato tentei ser misericordioso — deslizou novamente as mãos para agarrar as minhas.

Do que raios ele está falando?

Sinto que estou a mergulhar em mares profundos e drasticamente me afogando e enquanto as águas entram nos meus pulmões, o seu sorriso está lá... e assim sinto o medo infetar as minhas veias.

Sinto começar a perder o ar e tento inútilmente libertar-me das suas mãos até o silêncio ser cortado por um grito estridente de um dos guardas do reino.

— Princesa Cora... — o homem diz arfando, ele joga-se no chão logo aos meus pés. — É a rainha e os príncipes, eles estão gravemente doentes...

Um choque repentino toma o meu corpo e olho para o meu acompanhante que permanece no lugar com o mesmo sorriso sádico.

Não deixo o guarda real terminar de informar e levantei a bainha do meu vestido para começar a correr. Sinto o vento cortante bater contra a minha face, desfazendo completamente o maldito penteado, a capa de Rowan escapou dos meus ombros a medida que fui a correr.

Quando finalmente alcancei o castelo, ele parecia bem mais silencioso do que como deixei.

A falta de guardas no local deixa-me logo em alerta, mesmo não sabendo o porquê, o meu sexto sentido diz-me para me alertar a qualquer coisa.

Atravessei o hall e subi as escadas olhando ao redor, silêncio...

Será que demorei tanto assim?

Decidi primeiro passar no quarto dos meus pais, então cruzei o corredor da ala real e entro no quarto da minha mãe, a sua enorme cama está na mesma parede que o da tapeçaria da família e há apenas uma única pessoa no espaço além da Rainha, um guarda.

Nem os meus irmãos e muitos menos o meu pai estão aqui.

Deitada sobre o colchão há uma mulher evidentemente doente, os seus longos cabelos estão soltos e algumas madeixas cobrem o rosto pálido que sua frio.

Ajoelho-me rapidamente e peguei as suas mãos frias, a fazendo olhar imediatamente para mim assustadoramente.

— O quê que aconteceu, mãe? Pela manhã a senhora estava bem, eu não entendo — pouso a mão na sua testa que ferve de febre. — Onde está todo mundo, disseram que chamaram o médico, eu não percebo... — a encho de questionamentos.

— Cora, você precisa... — vira-se para tossir o sangue que se acumulou na sua garganta.

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