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Capitulo 1: A regra é clara

Dizem que regras foram feitas para serem quebradas. Mas eu acho que regras foram feitas por um motivo digno, e eu sigo todas a risca, principalmente as que eu crio.

Não me considero a louca das regras, mas já passei por coisas suficientes na minha vida para tomar todo cuidado possível.

Tenho sempre em mente, tudo na vida pode manter-se no eixo se todas as regras forem obedecidas. Essa pode até ser considerada ser minha frase de vida.

Tudo bem, talvez eu seja um pouco paranoica com essas coisas mais tudo faz parte de um sentido lógico.

Regras para manter a casa em ordem. Ninguém gosta de morar em um chiqueiro, ou em zona de casa.

Regras para manter meu emprego e minha contas em dia. Eu tenho problemas com essas, mas me esforço para mantê-las.

Regras para manter meu coração intacto... essa a regra que mais me apego.

Eu sou uma mulher livre e independente. Não me importo em dormir com quantos caras eu quiser em uma noite, isso não me torna uma vadia, na verdade isso me torna uma mulher de sorte, transar com os caras que eu quiser sem ter uma merda de um coração partido ou minha liberdade interrompida.

Mas para manter isso, existe algo que eu sigo cegamente: NUNCA DURMA DUAS VEZES COM A MESMA PESSOA. essa regra é básica para manter tudo funcionando bem. Nao seria nada fácil manter minha intimidade longe de um cárcere se eu não tivesse planejado e obedecido essa regra sem pestanejar.

E realmente segui... até ontem.

Eu conheci o Marcus a quatro anos atrás, quando ele ainda era só o gerente geral. Sempre mantive uma distância considerável dele. Não que eu tenha alguma regras de não me envolver com meus colegas, mas tinha de manter longe dos meus chefes, principalmente o Marcus. Já era comum notícias de mulheres serem demitidas sem motivos aparentes, logo após surgir boatos a respeito dele. E eu sinceramente, aprecio ter meu trabalho e minhas contas pagas, e não perderia isso nem mesmo por um pau, mesmo que esse pau seja de quem é. Bom, isso era meu discurso a duas semanas atrás.

A duas semanas eu transei com ele. Em uma maldita noite, uma maldita boate, uma maldita bebida, um maldita ideia de convidar meu chefe, e já era, transei com meu chefe. Transei com o famoso rasgador de calcinha. Tudo bem que não tinha sido uma perda de tempo completo, ele realmente fazia jus a sua fama, tinha que reconhecer.

Mas o que mais me deixava com medo era perder meu emprego no dia seguinte, mas aconteceu o pior. O cara fixou em mim, começou a me cercar por todos os lados, o tempo inteiro.

Eu seguia minhas regras a riscas, mas quando me vi já estava deitada em sua cama de novo. Na cama do Marcus e o pior era concordar em continuar. O marcus não tem um juízo perfeito, isso é fato. E quanto a mim?

Com certeza colocarei a culpa na maldita loucura que esta minha cabeça devido ao jantar.

Preciso culpar algo. Preciso tirar o peso de mim, de quebrar a minha regra de sobrevivência.

Isso não tem nenhuma possibilidade de dar certo, óbvio que isso não daria certo de forma alguma, mas talvez pudesse sustentar até que nosso desejo cesse, se mantermos as regras. Tudo daria certo.

-Não está ouvindo a campainha? - Mayra saiu do quarto com cara de sono e eu percebi que deveria ser bem tarde.

Não ouvi a campainha tocar e percebi que está depositando tempo demais pensando naquele idiota.

-Já estava indo atender. - me levantei e corri para a porta.

-Não sei se sabe, mas não sou pombo correio, suas cartas estavam espalhadas no meu balcão. - Sr. Gerald não era um exemplo de educação. Mas fazia seu serviço com maestria.

-Bom dia...- ele empurrou as cartas sobre meu peito e virou as costas. - Obrigado!!! - Virei segurando as cartas na mão, e fechei a porta com o pé. - Gerald, precisa de uma namorada.

-Com o mesmo humor de sempre? - Mayra estava colocando a mesa. Concordei e olhei as cartas.

Havia uma para a Mayra e outras duas para mim.

Joguei as três na mesinha de centro e caminhei para mesa, para comer meu café da manhã.

-Eu estou sentindo que vou pirar se não tiver tudo perfeito hoje. - Droga, estamos trabalhando incansavelmente a duas semana para esse jantar, e tudo que eu espero é que no mínimo esteja tudo perfeito.

-Tenho certeza que todas as horas extras irão compensar. - Mayra me serviu o café e se sentou na cadeira a minha frente. - O que você acha do novo presidente?

- O Christopher? bem as notícias que corre dele não é bem essas coisas não. - Eu nunca trabalhei diretamente com o filho mais velho do Carter, mas sei que o cara é um idiota arrogante. - Quer um conselho? vamos trabalhar e não teremos problemas.

Ela concordou e engatamos em uma conversa aleatória até a realidade cair sobre mim. Precisa conferir o resto das coisas.

Comecei a fazer várias ligações e minha vontade era de arrancar a cabeça da decoradora que ainda nem havia começado a sua ornamentação.

Depois de horas pendurada no telefone acertando todas as burradas, me sento no sofá no mesmo instante meu celular toca

Depois de horas pendurada no telefone acertando todas as burradas, me sento no sofá no mesmo instante meu celular toca.

Número desconhecido.

Eu tenho uma regra, todos que realmente me importa tenho o contato salvo, e não costumo atender tais ligações por não ter desculpas suficientes para possíveis caras de encontros passados. Mas a insistência da pessoa me impressionou.

-Alo? - respiração. -Alo?? - por um momento cogitei a ideia de ser o "idiota", mas ele nao me ligaria, pelos menos espero que não. É a regra. - Dá para falar alguma coisas? - insisto.

Ninguém diz nada. Confiro se a ligação caiu, mas a chamada continua ativa.

-Alo? - nada. - Não tem nada para fazer?

Desligo o telefone e o jogo na mesa. Não é a primeira vez que recebia ligações desse tipo, mas na maioria das vezes eram caras com algum interesse aparente.

Resolvi esquecer a ligação e me lembro da carta que causou o mal humor do nosso porteiro.

Abro uma, mas nao e mada maia que contas para pagar.

A segunda sim era importante. Faculdade.

A faculdade de Charlotte está atrasada e eu não tinha dinheiro para pagar. Eu sempre encontrava um jeito, e tenho certeza que vou encontrar. Ela é minha irmã, e pelo menos alguém tem o direito de se formar em algo na vida, já que eu muito mal terminei o ensino médio. Não poderia continuar, tendo que assumir a função se mãe, mantenedora. Ter alguma formação vira segunda opção quando se alimentar é a primeira.

Tento esquecer pelo menos por essas noite todos os meus problemas.

Pego meu celular e percebo que já está na hora de começar nos arrumar, se quiséssemos arrancar alguns suspiros nesse jantar.

-Acho que já está na hora de nos arrumar, não acha? -Caminhei até o quarto da maya, mas a cena me preocupou. Ela estava sentada no chão olhando algo -Deus, o que houve? - acompanhei o seu olhar e vi a carta que havia chegado para ela, estava aberta e ao lado várias fotos.

-EU VOU MATAR O JASON!!!!! Se eu encontrar esse estúpido, eu vou arrancar as suas bolas com as minhas próprias mãos, vou castrar ele, vou a fazer ele sofrer tanto, que ele vai se arrepender de ...- eu odiava o Jason com todas as minha forças, mas fazê-la chorar era ainda pior.

-Eu devia ter te ouvido, Ruby... Eu devia ter te ouvido

-Ei? A culpa não é sua. E ele não sabe valorizar a mulher maravilhosa que ele tinha. Já falou com ele?

E Não era mesmo. O Jason e o exemplo clássico de homem machista e imbecil. Trata a Mayra como um estepe chamada de namorada. Sempre a convence fazer o que quer e quando quer. Ele é só mais um exemplo claro de que homens não prestam e só servem pra meu desejo sexual.

-Não sei se consigo. - choraminga

-Esse imbecil não te merece, ele não merece nenhuma dessas lágrimas. - Segurei em suas mãos para fazer ela se levanta. -Agora levanta essa bunda daí e vamos nos arrumar. Temos uma festa para ir.

-Ruby...

-Não vai ficar aqui chorando por um idiota. Você vai sim! E vai linda. Espere aqui.

Não gastei a raspa do meu salário à toa, e nem perdi toda a minha paz para montar esse jantar e agora ela não quer ir por causa de imbecil traidor. Caminho até o quarto e pego o seu vestido.

- Vá se arrumar. Não deixa esse idiota tomar o resto da sua vida.

-Eu não sei...

-isso não é uma opção, Mayra. Vamos!!! Levanta a cabeça. Deixa de ser boba, perdeu cinco anos da sua vida e Deus sabe como odiei isso. Mas agora você não vai perder uma noite sequer por causa desse babaca. Agora levanta e vai tomar banho.

-Eu vou!

-Isso garota. - dou-lhe um tapa na bunda - fique linda!!

Passo um batom vermelho que contrasta com o tom do meu cabelo

Passo um batom vermelho que contrasta com o tom do meu cabelo. Solto os fios curtos deixando eles em um ondulado natural.

Meu cabelo não é o exemplo de melhor cabelo, a cor não me agradava muito, e o sempre achei que o seu comprimento o deixava sem graça, por isso sempre optava por deixá-lo bem no ombro.

Fecho o meu vestido preto longo com uma fenda da lateral e pego minha bolsa de colo e caminhou até a sala onde a Mayra já me espera.

Seguimos para o evento e tenho que concordar que valeu cada dor de cabeça.

O lugar estava lindo. Todas as cores, todas as luzes, as flores... tudo fazia um ótimo conjunto.

Nos dirigimos até a mesa de alguns funcionários da empresa e comecei uma conversa calorosa.

Sinto alguém me observando e quando olho para trás vejo um homem, que tenho certeza que não pertence a empresa, me olhando. Ele é loiro, e até me lembra o "idiota", mas com certeza não alcançava a beleza do Marcus, ainda sim, é alguém que gostaria de passar a noite.

Ele continua me olhando, enquanto bebe da sua taça e sorri. Dou um ultimo gole na minha bebida deixando o copo na mesa e caminho até o homem que não tira os olhos de mim.

-Mulher de atitude? - seus olhos esTavam em espanto. - Gostei!

-Sabe o quê eu não gosto? - ele maneou a cabeça . - Que isso seja uma surpresa.

Ele sorriu e puxou a cadeira para que eu me sentasse ao seu lado.

-Connor Park - ele estendeu sua mão.

-Ruby Evans. - retribui o gesto. - Não é da empresa, certo? - estendi a mão para pegar outra taça de champagne quando o garçom passou.

-Não. Pode ter certeza que se eu fosse, não estaríamos em um jantar como esse agora. - conquistador barato.

Conheço bem os tipos de homens, e esse é claramente o tipo que faz do jogo de sedução para no fim consegui o que quer. O problema é que comigo isso não rola, porque eu também jogo o mesmo jogo.

Reviro os olhos e cruzo meus olhos com o Marcus que me olha sem desviar atenção.

Por que ele está me olhando? Seu olhar não é duro ou bravo... é indecifrável.

-Então, Ruby trabalha em que área? - o homem continua suas investidas, mas tudo que vejo e o marcus me encarando.

Ele precisa para de me olhar!

-Preciso ir ao banheiro. Com licença. - abandonei outra taça e caminhei rápido ao banheiro.

Quando empurro a porta para fechar, sua mão é mais rápida e a empurra de volta entrando no banheiro e fechando em seguida.

-Que merda você está fazendo? - O click na porta veio, logo depois sua boca já estava no meu pescoço.

-Você está uma droga de gostosa nesse vestido. - sua mão desceu até a minha fenda e começou alisar delicadamente a minha perna.

-Você não pode entrar aqui. Estamos em um jantar.

-Não existe uma regra para isso. - sua voz é rouca e convincente

-Marcus...

-Qual é Cenoura, sexo sem compromisso, lembra? - eu odeio esse apelido.

-Ok... - ele continuou seu caminho em meu pescoço seguido pelo lóbulo da orelha dando lambidas e mordidas - Mas para de me chamar de cenoura.

-Cenoura. - sua mãe adentrou ainda mais no meu vestido pela fenda alcançando minha calcinha.

-Se continuar, eu vou arrancar suas bolas. - sua risada nasalada no pescoço me exitou.

-Ok, cenoura. - ele beijou meus lábios e eu revirei os olhos. Tem coisas mais importantes a me preocupar. - Pagarei para vê.

Sua mão estava em um caminho sem volta. Sua boca quente trabalhava em perfeita sintonia com a minha.

-Vamos dar início ao discurso da noite - ouvi a voz abafada falar do lado de fora.

-Ouviu isso? -me desvinculei do nosso encaixe perfeito e perguntei ao Marcus

-Não. - resmungou e voltou a me beijar.

-O discurso vai começar. - empurrei ele que resmungou, mas sabia que tinha que estar ao lado de sua família e não no banheiro transando com uma funcionária.

-Merda! - ele alisou o cabelo e me olhou. -Depois do jantar, minha casa. Topa?

-Não. Ficou louco? - Ignorei sua cara de irritado e me virei para o espelho e ajeitei meu batom. - Nao vou a casa do meu chefe.- Marcus morava com os pais, não seria louca de ir para lá.

- Ok, eu alugo um quarto de hotel se você topar. - dei de ombros

Fitei o homem que estava com os braços cruzados revelando sua tatuagem. Não podia dizer que era um homem todo tatuado, mas tinha algumas tatuagens espalhadas pelo corpo, me lembro de uma bem no abdome uma que faz você quer admirá-la sempre. Eu definitivamente tenho uma tara por homens tatuados.

-Tudo bem. - Ele abriu um sorriso sacana - Mas agora vaza, deve ter gente aí fora.

-Estarei te esperando depois dessa baboseira toda, no subsolo no meu carro. É só entrar. Estarei lá.

Assenti e ele se aproximou e beijou meus lábios de novo.

-Até daqui a pouco, Cenoura furiosa.

Esse apelido era ainda pior. Sorri involuntariamente e tranquei a porta assim que ele saiu.

Respirei fundo e saí do banheiro.

Encontrei a Mayra no caminho com a boca suja de batom e sorri com a cena. Espero que ela tenha feito a noite valer. A anos ela só tinha o babaca do Jason, e quem sabe não seja a oportunidade dela mudar sua percepção da vida amorosa.

Percorro meus olhos pelo salão e retorno o encontro com o Connor.

-O que acha de sairmos daqui? - falei assim que parei na sua frente.

-Agora? - ele se levantou revelando seu corpo delineado pela roupa social. - O mundo podia ser feito somentes por mulheres como você.

-Seria enjoativo. - ando ao lado do homem rumo ao elevador.

-Tenho certeza que não. - ele segura em minha cintura e me guia pelo caminho.

Não pretendia dormir duas noites seguidas com o Marcus, mas minha noite não poderia terminar de qualquer jeito e nao terminaria, só não estaria em cama repetida.

Só gostaria de ser uma moscas e vê a cara que o Marcus fará quando perceber que levou um bolo.

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