Capítulo 6
Mas eu não podia deixar que ele me visse desmoronar. Não agora.
"É assim que você chama isso? Persuasão?" Eu zombo, minha voz carregada de desafio.
Ele se inclina para mais perto, seu rosto a centímetros do meu. "Chame-o do que quiser, advogadazinha. Foi ele quem te trouxe aqui, não foi?"
Uma demonstração de obediência:
—Você pode não gostar, mas agora faz parte disso, quer queira quer não.
Sua voz é baixa, tingida com uma satisfação fria que me gela até os ossos. Matteo Dallara aperta meu braço com mais força, e sinto seus dedos cravando na minha pele, deixando marcas inconfundíveis de seu controle. O poder que ele exala, essa dominação silenciosa e sufocante, pesa sobre meu peito. Ele nem precisa falar para me lembrar que não tenho mais controle sobre meu próprio destino.
"Eu não quero ser", consigo dizer, embora as palavras soem vazias, fracas sob seu forte aperto.
"Que azar!", ela dispara, a voz cortando o ar como uma faca. "Você não decide qual caminho seguir. Eu decido."
Seus dedos cravam ainda mais fundo no meu braço, causando uma dor aguda. A tensão entre nós aumenta enquanto tento manter uma aparência de resistência, mas quanto mais resisto, mais forte ele fica. Não consigo lutar contra ele. Nem fisicamente, nem mentalmente. Ele sabe disso. E eu também.
Sem aviso prévio, ele me empurra para trás, me jogando na cama. Meu corpo bate na superfície macia, mas o impacto ainda me sacode até os ossos. Antes que eu possa me recuperar, ele coloca o pé no colchão, uma pressão sutil, porém inegável, que me imobiliza. Sua figura imponente paira sobre mim como uma sombra, escura e opressora.
"Você acha que pode me desafiar, advogadazinha?" Sua voz é áspera, carregada de uma autoridade da qual não consigo escapar. "Você acha que pode me intimidar?"
Seus olhos cinzentos me encaram, duros, implacáveis, com uma ânsia que não consigo definir. É um olhar que me causa arrepios, enquanto o medo me aperta o peito. Sua presença é uma tempestade, e estou presa em sua fúria, incapaz de me mover, incapaz de respirar.
"Eu fiz o que você pediu", sussurro, com a voz tremendo um pouco, mas me recuso a deixar que ele perceba.
Ele se inclina para mais perto, seu rosto a poucos centímetros do meu. Posso sentir o calor de sua respiração contra a minha pele, o leve aroma de fumaça de charuto e uísque impregnado nele como uma segunda pele.
"Você acha que fez tudo o que eu pedi?", ela diz com uma voz fria e zombeteira. "Você tem sido uma pedra no meu sapato desde o início. Você pressionou e resistiu, mas nunca... obedeceu."
Suas palavras me machucaram mais do que eu esperava. Sinto a dor delas no meu peito, mas me recuso a demonstrá-la. Ele está tentando me destruir, eu sinto isso. Mas não vou lhe dar essa satisfação.
Sem aviso prévio, sua mão agarra meu rosto, seus dedos cravando na minha pele. Não é um gesto terno, de forma alguma. É possessivo, exigente, como se ele estivesse me reivindicando para si de uma maneira que ninguém jamais ousou fazer antes.
"Você foi desafiadora, advogadazinha", ele sibila, a voz agora rouca de necessidade. "Você me desafiou em todas as oportunidades. Mas veja bem, o que eu exijo é obediência."
O aperto dele no meu rosto dói, mas não consigo me mexer. Não consigo escapar. Seus olhos queimam os meus, não com a chama da raiva, mas com algo muito mais perigoso: controle. Agora sou dele. Ele se certifica disso com cada palavra, com cada toque. E eu... eu não consigo impedi-lo.
Meus olhos ardem, lágrimas ameaçam transbordar. Odeio deixá-lo chegar tão perto. Odeio o quanto quero resistir. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim já está se rendendo, atraída pela escuridão do seu olhar, pelo poder que ele exerce sobre mim. Meu roupão se abre ligeiramente, a seda macia se separando para revelar a curva delicada do meu pescoço e o bronzeado suave dos meus ombros. Por baixo, meu pijama de seda adere à minha pele, delineando os contornos sutis do meu corpo. O olhar de Matteo se intensifica, seus olhos percorrendo momentaneamente a pele exposta, um lampejo de algo sombrio e possessivo passando por eles antes que ele pare.
"O que você quer agora?", sussurro, minha voz quase inaudível enquanto luto para conter as emoções que ameaçam transbordar.
Seus lábios se curvam num sorriso fraco e escuro, o tipo de sorriso que acelera ainda mais meu coração. "O que eu quero, jovem advogada", diz ele, baixando a voz perigosamente, "é submissão. Quero que você entenda quem manda aqui. Quero que obedeça a todas as minhas ordens. Sem mais perguntas, sem mais dúvidas. Apenas... obediência."
A intensidade de suas palavras me deixa sem fôlego. Seu aperto se intensifica um pouco, e sinto um arrepio percorrer meu corpo; ele me trai de maneiras que não consigo controlar. As lágrimas que eu vinha segurando finalmente transbordam, mas não emito um som. Não lhe darei a satisfação de me ver desmoronar.
"Escute, jovem advogado", continuou ele em voz baixa e ameaçadora, "quando você trabalha para mim, você obedece. Você não questiona. Você não resiste. Você faz o que eu digo, não importa o quê. Está claro?"
Seus olhos percorrem meu rosto banhado em lágrimas, demorando-se em cada tremor que sacode meu corpo. Há uma satisfação doentia em seu olhar, como se ele estivesse saboreando cada segundo. E, de alguma forma, eu o odeio... e, no entanto, não consigo evitar sentir algo mais.
Assinto com a cabeça, mal conseguindo respirar enquanto ele solta meu rosto. Meu coração dispara no peito, uma batida desesperada e frenética, mas não consigo desviar o olhar do dele. Ainda não.
Ele desliza lentamente os dedos pela minha garganta, traçando a curva da minha clavícula antes de descer ainda mais, roçando a curva suave do meu seio. Seu toque hesita na borda, logo acima do vale entre meus seios, mas ele se contém, como se saboreasse o controle, a contenção.
"Bom", murmurou ele, com a voz ainda baixa, quase em tom de aprovação. "Você finalmente está começando a entender. Submissão não é uma opção. É uma obrigação."
Ele me deixa respirar novamente, mas o ar parece denso, pesado com o que ainda não foi dito. Tomei minha decisão, quer eu admita ou não. Agora pertenço a ele. E não há volta.
"Por que... por que eu?" sussurrei.
Seu sorriso zombeteiro se alarga ligeiramente enquanto ele se inclina em minha direção, seus lábios quase roçando minha orelha. "Por que você, advogada?" Sua voz agora tem um tom de deboche, como se estivesse brincando comigo. "Porque você é boa no que faz. Você tem as habilidades, a inteligência, a determinação. Você é um desafio, e eu gosto disso."
Odeio a onda de calor que suas palavras me causam, mas não posso negar. Uma parte de mim quer escapar disso a todo custo, mas sei que é inútil. A porta se fechou e estou presa no mundo dele.
Ele me empurra de volta para a cama com a facilidade de um homem acostumado ao poder, acostumado a conseguir o que quer. Ele vai embora como se eu não passasse de um brinquedo para ele, uma fantasia passageira.