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Capítulo 2

"Abra essa porta, droga!" gritei, com a voz embargada. O silêncio que se seguiu foi pior que a escuridão.

E então, quando sinto que estou perdendo a compostura, eu ouço. Um rangido lento e deliberado, enquanto a porta se abre devagar.

Dou um passo para trás, ofegante, como se tivesse prendido a respiração a vida inteira. O alívio é instantâneo, mas logo é substituído pela fria realidade da presença de Matteo. Ele está parado na porta, bloqueando-a com sua figura imponente, projetando uma longa sombra que se estende pelo chão como um presságio sombrio.

Ele olha para mim de cima, sua expressão indecifrável, mas seus olhos ainda conservam a mesma frieza. Meu coração dispara ao perceber o controle que ele exerce sobre mim, sobre esta situação.

"Já terminou de bater na porta e gritar a plenos pulmões?", pergunta ele, com a voz carregada de escárnio.

A princípio, não respondo. Cerrei os punhos, cada músculo do meu corpo tenso de raiva. "É assim que você trata as pessoas que pedem sua ajuda?", disparei, minha voz embargada pela fúria e incredulidade.

Ela se encosta no batente da porta, com uma linguagem corporal indiferente, como se minha raiva não a incomodasse. "Trato as pessoas como bem entender", responde ela em um tom autoritário e inflexível. "E não vou perder meu tempo te consolando, advogadazinha."

Meu corpo treme com a força da minha raiva. Ele gosta disso. Ele gosta de me ver contorcer, de me ver lutar. Eu o encaro, semicerrando os olhos enquanto um pensamento repentino me ocorre.

"Talvez eu devesse armar uma cilada para você." As palavras escapam da minha boca antes que eu possa impedi-las, e vejo um lampejo de surpresa em seus olhos, seguido por uma mudança imediata em seu comportamento.

Seus olhos escurecem. "É bom você se lembrar com quem está falando, advogadazinha", ela adverte com uma voz grave e ameaçadora, cada palavra carregada de perigo. O sorriso zombeteiro desaparece de seus lábios, substituído por uma expressão muito mais intimidadora.

Ele se aproxima, seu corpo imponente sobre o meu. Solto um suspiro quando ele agarra uma mecha do meu cabelo, puxando minha cabeça para trás para me obrigar a olhar para ele. O puxão repentino provoca um grito abafado, e meu corpo se retesa de surpresa e dor.

"Pare..." consigo dizer hesitante, mas minha voz está fraca, tensa sob seu aperto.

Ela se inclina para mim, sua respiração quente roçando minha orelha enquanto fala, sua voz fria e zombeteira. "Você acha que manda aqui, advogadazinha? Acha que tem alguma influência sobre o que acontece com você?"

Seu aperto se intensifica, puxando meu cabelo ainda mais para trás, forçando minha cabeça a se inclinar para cima. Meu pulso lateja nos meus ouvidos, a dor no meu couro cabeludo um lembrete constante da minha impotência neste momento. Engulo em seco, tentando manter a compostura, mas as lágrimas ameaçam cair. Não vou deixá-las cair. Ainda não.

"Estou fazendo o seu trabalho, o que mais você quer?", digo com uma voz trêmula, mas desafiadora.

Ela estreita os olhos e sua expressão endurece. "O que eu quero é que você se lembre do seu lugar, advogadazinha. Você está aqui para me servir, e não o contrário. E isso significa que você fará o que eu mandar, sem questionar."

Ele se aproxima ainda mais, seu rosto a centímetros do meu, sua respiração quente em minha pele. A distância entre nós parece sufocante, e mal consigo respirar sob o peso de sua presença.

"Entendeu, advogadazinha? Você é minha, farei com você o que eu quiser. E não se esqueça disso", ele rosna, a voz um sussurro áspero no silêncio da sala.

Assinto com a cabeça, meu corpo tenso e minha mente repleta de raiva, humilhação e desafio, tudo entrelaçado. Não quero ceder, mas não posso negar o poder que ele exerce sobre mim neste momento.

"Boa menina. É isso que eu gosto de ver. Você está começando a aprender o seu lugar", ele zomba com condescendência. Seu aperto no meu cabelo afrouxa, mas a ardência persiste enquanto ele se afasta.

Mal consigo me manter de pé enquanto forço meus pés a se moverem, cambaleando até cair de joelhos antes de me levantar novamente. O quarto está insuportavelmente frio agora, mas não é nada comparado ao domínio gélido que exerce sobre mim.

"Você se sente melhor agora que teve a chance de recuperar o fôlego, advogadazinha?", pergunta ele, com a voz carregada de deboche.

Recuso-me a responder, evito seu olhar e me viro, juntando meus arquivos em silêncio.

"Você não vai falar comigo agora, vai? Que pena. Eu estava gostando de bater um papo com você", diz ele, em tom de deboche.

O jeito como ele fala comigo me irrita profundamente, mas me contenho para não gritar com ele. Preciso me concentrar. Preciso terminar isso.

"Não estou interessado em conversar. Quero resolver isso o mais rápido possível. Quando será o primeiro julgamento?", perguntei em tom profissional, tentando recuperar o controle da situação.

"O primeiro julgamento está marcado para a próxima semana. Espero que você tenha tudo pronto até lá", respondeu ele em tom firme e autoritário.

Assenti com a cabeça uma vez, com o maxilar cerrado, mas conseguia sentir a raiva fervilhando por baixo da superfície.

"Ótimo. Certifique-se de fazer isso. E não se esqueça, pequeno advogado, estou contando com você. É melhor não me decepcionar", ele avisa em voz baixa e ameaçadora.

Enquanto me preparo para partir, falo novamente, minha voz suave, mas carregada de amargura. "Vocês me permitirão ver minha família?"

Seus lábios se curvam num sorriso zombeteiro. "Você quer ver sua família, é? Que pedido inesperado", diz ela, com um brilho de divertimento nos olhos.

Olho para ele com frustração. "Você não pode me manter aqui até o julgamento, pode?"

Ela abaixa a cabeça, com uma expressão impassível. "Meu pequeno advogado, posso fazer o que quiser. Se eu quiser mantê-lo aqui até o julgamento, eu o farei. Você é meu, lembre-se disso."

"Não, eu trabalho para você. Não sou sua propriedade", respondi bruscamente, perdendo a paciência novamente.

"Você pode não se considerar minha propriedade, pequeno advogado, mas está aqui à minha mercê. E enquanto trabalhar para mim, posso fazer o que quiser com você", diz ele com uma voz áspera e fria.

Dou um passo para trás, cerrando os punhos. "Isso não está certo", murmuro, mas ele apenas ri.

"Você está falando de certo e errado, advogado? No meu mundo, isso não existe. Aqui, tudo gira em torno de poder, controle e autoridade. E você, meu caro, é meu. Quer queira, quer não", diz ela, e a firmeza de sua voz me gela até os ossos.

O padrinho solta uma risada seca, claramente divertido com a minha reação. Ele se aproxima lentamente, sua expressão ficando cada vez mais fria a cada movimento.

Dou um passo para trás, com a frustração fervendo em minhas veias. "Então... você vai me deixar trancada neste quarto?", pergunto irritada.

"Isso mesmo. Você ficará aqui, sob minha supervisão, até o fim deste julgamento", diz ele com voz calma, porém firme. "Não posso permitir que você saia por aí conversando com sua família ou, pior ainda, com a polícia."

Ele observa cada movimento meu, e seu sorriso se alarga quando me vê recuar. Ele gosta disso. Do poder. Do controle.

"Não sou um animal de estimação. Posso ficar numa sala de interrogatório por uma semana? Como vou investigar o seu caso de outra forma? A menos que queira que eu seja pego de surpresa." Meu tom endurece, dominado pelo cansaço e pela raiva.

Pense um pouco nas minhas palavras. "Tudo bem", ela diz, ainda em tom de deboche, mas com um toque de concessão. "Vou permitir que você saia da sala e investigue. Mas você ficará sob vigilância rigorosa. Se você se desviar do caminho ou contatar as autoridades, voltará para cá, trancado, até o julgamento. Entendeu?"

"Eu sou a autoridade", murmurei, revirando os olhos.

"Você sabe o que eu quero dizer, advogado. Não se faça de inocente", ela responde, com um toque de divertimento na voz. Seu olhar permanece fixo em mim, e seu sorriso zombeteiro não desaparece.

Franzi a testa, ignorando o calor que subia em meu peito.
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