Capítulo 04
Penélope encontrava-se em um momento de tranquilidade ímpar, dedicando-se a pentear com serenidade os fios sedosos e extensos do seu cabelo diante do espelho ornamentado que adornava o canto do quarto. Enquanto a fina escova deslizava harmoniosamente através das mechas escuras, entre cada onda desfeita dos cachos, a melodia de uma canção, previamente sintonizada no rádio, escapava dos seus lábios em um sussurro suave, como uma prece melódica ao cosmos.
O ambiente que a envolvia era a majestosa mansão que havia se tornado o seu refúgio há quatorze dias. No entanto, apesar do tempo transcorrido, mistérios pairavam no ar, como névoa matinal que teima em dissipar-se sob a luz do sol.
Perguntas, inúmeras e inquietantes, permeavam a sua mente relativamente à natureza exata da sua tutoria naquela mansão e ao elo indecifrável que Coniffer, seu pai, compartilhava com o enigmático Sr. D'Artagnan, seu tutor.
No entanto, reconhecia que uma transformação gradual havia se operado na sua relação com Ezra, uma metamorfose que havia conferido uma nova tonalidade à dinâmica entre eles. O gelo inicial, uma cortina fria que parecia ocultar mais do que revelar, derreteu-se gota a gota, cedendo espaço a uma atmosfera de relativa paz e até mesmo a um certo conforto.
Dentro das paredes imponentes da mansão, os dias de Penélope assumiram uma textura difícil de categorizar. Não eram monótonos, embora o ritmo sereno das atividades pudesse levar a essa suposição. Eles também não podiam ser classificados como singularmente estranhos, apesar das sombras de mistério que pareciam espreitar nos cantos das salas e se esconder nas entrelinhas das conversas.
Uma surpresa agradável havia sido o relacionamento que florescera entre Penélope e os servidores da mansão, principalmente no Annie.
As linhas que normalmente separavam os estratos sociais eram borradas ali, permitindo que ela encontrasse pontos de simpatia genuína com os funcionários que mantinham a casa em funcionamento impecável, algo bem diferente de quando estava no internato.
Das conversas amigáveis com os cozinheiros à troca de sorrisos cúmplices com os jardineiros, Penélope havia forjado laços de humanidade que transcendiam as divisões convencionais.
Inclusive nas atividades educacionais, ela havia encontrado figuras intrigantes. Parker, um professor aparentemente rabugento, revelava uma faceta inesperada com a sua adoração velada pelo Sr. D'Artagnan. Essa reverência curiosa lançava uma pitada de humor no cenário educacional, tornando as aulas não apenas informativas, mas também divertidas na sua complexidade.
Mas talvez o ápice da enigmática experiência fosse personificado em Hans, o instrutor pessoal de Penélope. A sua aura sombria e misteriosa só não rivalizava com a do próprio Sr. D'Artagnan. Sob a sua presença, Penélope se envolvia em treinos intensos, nos quais os movimentos precisos e os segredos das artes marciais eram o que a esgotava durante o dia.
Penélope se encontrava em um estado peculiar de ambiguidade, um ponto intermediário entre a negação e a percepção, quando se tratava de Hans. A aura magnética que envolvia o treinador pessoal era inegável, despertando uma espécie de atração latente, mas, até então, as interações entre eles não ultrapassavam os limites das lições que compartilhavam. Não havia um desejo explícito de transcender essa fronteira e, de certa forma, ela confortava-se nesse equilíbrio tênue.
A temperatura no interior do quarto caiu repentinamente, como se o próprio inverno tivesse encontrado um caminho até ali. O toque gelado do ar na pele de Penélope provocou um estremecimento involuntário, atravessando a fina camada da malha da camisola de dormir de cor marfim que a envolvia. Era como se o ambiente respondesse a alguma mudança sutil no seu estado de espírito, intensificando as sensações que a atravessavam.
O som constante da chuva lá fora formava uma trilha sonora para seus pensamentos, pontuando cada reflexão com um ritmo quase hipnótico. Contudo, a menina estava decidida a abafar essa interferência momentânea. Levantou-se com uma determinação silenciosa e cruzou o espaço até as janelas cobertas por cortinas de linho. Com um gesto cuidadoso, ela fechou-as, isolando o interior do quarto da melodia pluvial que dançava lá fora. Mesmo que o cabelo estivesse um pouco mais úmido do que o habitual, isso não a impediu de se recostar na cama, procurando refúgio no seu calor.
A inconsciência a envolveu como um manto, mergulhando-a em um cenário onírico que começou como um pálido reflexo do seu mundo interior, mas logo se tornou uma tela distorcida onde pesadelos se materializavam sem piedade. Fragmentos escuros e sinistros ganharam vida, arrastando-a para um abismo onde o ar rareava e as trevas se estreitavam em volta dela como correntes implacáveis.
De repente, o seu corpo respondeu, como se o próprio reflexo do terror a tivesse puxado para a superfície. Penélope despertou em um sobressalto, olhos arregalados e respiração irregular. O suor frio umedecia a sua pele, e tremores percorriam-na desde os dedos dos pés até o topo da cabeça. Era como se a essência daquele pesadelo insistisse em agarrar-se a ela, recusando-se a se dissipar no despertar.
Essa era uma sensação familiar, a cruel recorrência de pesadelos que há muito a atormentavam. Um ciclo vicioso que não parecia ter fim, uma espiral descendente que a arrastava para dentro do abismo da escuridão. A sensação de sufocamento, a incapacidade de articular um grito, tudo isso era uma repetição aterrorizante que desafiava qualquer tentativa de escapar.
Os segundos arrastaram-se, e Penélope, ainda aninhada na cama, lutava para recuperar o controle sobre a sua respiração e o seu corpo. Eram momentos como esse que a faziam perceber quão frágil e impotente poderia ser a mente humana quando confrontada com os seus próprios demônios interiores.
Era uma verdade inegável que a escuridão que a assombrava nos pesadelos muitas vezes se assemelhava à solidão que, de alguma forma, ela havia cultivado como um escudo. No entanto, esses sonhos eram uma forma brutal de desmascaramento, uma exposição dolorosa das profundezas do seu subconsciente. Como uma acusação silenciosa, eles lembravam-na de que, apesar das suas tentativas de negação, havia questões inacabadas que exigiam atenção.
Nessa hora adiantada da madrugada, quando até as sombras pareciam estar imersas em um sono profundo, o orgulho de Penélope se debatia com o desejo de buscar conforto. Ela não estava disposta a admitir facilmente a vulnerabilidade que aqueles pesadelos evocavam, nem mesmo para a sua dama de companhia. Era um fardo que preferia carregar silenciosamente, uma batalha interna que a deixava hesitante em pedir ajuda.
Com um suspiro decidido, Penélope finalmente cedeu à inquietação que a preenchia. Erguendo-se da cama, os tremores ainda percorrendo o seu corpo, ela cruzou o quarto com passos vacilantes. O chão frio sob os seus pés descalços não a deteve, apenas reforçou o seu desejo de encontrar uma distração para acalmar a sua mente turbulenta.
Sem um objetivo claro em mente, ela acabou seguindo os corredores da mansão, um labirinto de sombras e silêncio. O simples ato de movimentar-se, de percorrer o espaço vazio, parecia ter uma espécie de poder de ancorá-la à realidade. Cada passo era uma confirmação de que ela estava viva, de que lutava contra as garras do desconhecido que a assombrava durante o sono.
Foi então que os seus olhos encontraram uma figura solitária parada no meio do corredor. Uma figura que projetava uma presença que era, ao mesmo tempo, imponente e intrigante. A luz suave do luar que penetrava pelas janelas revelava detalhes vagos do corpo alto e esguio do homem, vestido com um simples pijama de seda azul-escuro. A desordem dos cabelos negros acentuava uma aura de casualidade, mesmo em meio à escuridão que o envolvia.
Era ele, o Sr. D'Artagnan, o enigma central daquela mansão e das complexidades que ali habitavam. Nesse momento, na quietude das horas não ditas, ele parecia uma entidade à parte, distante de todas as convenções sociais que governavam o mundo exterior. Sob a luz prateada, ele ganhava uma aura quase mítica, uma figura que poderia ser tanto um deus quanto um demônio, dependendo do ponto de vista.
A simples presença dele evocava uma sensação complexa em Penélope. Era como se ele fosse uma peça vital daquele intrigante quebra-cabeça, uma peça que ela não conseguia decifrar completamente.
Ela permaneceu imóvel, observando-o com uma mistura de curiosidade e incerteza.
Os segundos pareciam se estender, alongando-se numa eternidade momentânea. Era como se, naquele encontro de olhares, segredos fossem compartilhados sem que uma única palavra fosse dita. Cada um deles era um incógnita em si mesmo, um espelho para o mistério que permeava cada centímetro daquela mansão.
Os olhos dela buscaram os dele, procurando algo que talvez nem ela mesma pudesse definir. Era como se aquele momento fosse um ponto de inflexão, uma encruzilhada de destinos em um cruzamento de olhares. Um entendimento silencioso pareceu passar entre eles, uma trégua temporária nas batalhas internas que cada um enfrentava.
E então, como se o momento mágico fosse quebrado, Penélope percebeu a intensidade do frio que permeava o corredor, um eco da sua própria sensação de gelidez. Como um ato involuntário, ela deu um passo para trás, recuando das sombras que ele habitava. Mas a conexão efêmera que haviam compartilhado permaneceu, imutável mesmo quando a distância física se alargou.
Em um instante, o Sr. D'Artagnan tornou-se parte da tapeçaria daquela mansão, um elemento inseparável da história que estava lentamente desvendando. O mistério que o envolvia estava entrelaçado com os segredos que ela buscava compreender, e, por um instante, ela sentiu-se uma peça vital desse quebra-cabeça complexo.
Subitamente, os olhos de tonalidade esverdeada encontraram os dela, fixando-se por um instante prolongado, enquanto ele permanecia na mesma posição, mãos encaixadas nos bolsos da calça e corpo girado na sua direção. Aqueles segundos, que pareceram se estender em um limiar entre o tempo, estabeleceram uma conexão silenciosa antes que ele finalmente rompesse o silêncio.
— Boa noite, Sr. D'Artagnan — ela cumprimentou, a sua voz soando um tanto trêmula, apesar da tentativa de ser firme.
— Boa noite, Penélope — a resposta dele veio, carregando uma gravidade quase metálica. A voz era um reflexo da aura estranha que sempre parecia envolvê-lo. — O que você está fazendo acordada a essa hora?
A pergunta dele ecoou no corredor silencioso, fazendo com que ela abaixasse os olhos, a coloração avelã do seu olhar fixando-se nos próprios pés enquanto a suas mãos inquietas se esfregavam. A culpa de ser pega vagando pela mansão durante a madrugada a invadiu, trazendo uma sensação de desconforto.
— Sr. D'Artagnan, eu... — ela começou, mas hesitou por um momento, suas palavras carregadas de incerteza. — Tive pesadelos e não consigo dormir. Pretendia ir até ao escritório onde tenho aulas em busca de algum livro para espantar o sono — confessou, a sua sinceridade evidente nas suas palavras.
A confissão a deixou vulnerável, como se ela estivesse a expor uma parte de si mesma que preferiria manter escondida. Ainda estava em um estágio inicial de familiaridade com a mansão, e se sentia relutante em perambular pelos corredores àquela hora. Ainda não a considerava o seu verdadeiro lar, o que tornava os seus movimentos noturnos quase indelicados.
No entanto, em vez de repreensão, a resposta dele veio de maneira surpreendente. Ele chamou-a, estendendo uma mão grande na sua direção. Ela olhou para ele com desconfiança, mas, após um instante de hesitação, aceitou o gesto. Era um convite inesperado, mas a curiosidade superava o desconforto que sentia.
— Me acompanhe — ele disse, e ela seguiu-o, os seus passos vacilantes a levando na direção dele.
Penélope estava meio trêmula, um misto de ansiedade e curiosidade a acompanhando enquanto caminhavam juntos. A medida que se moviam pelo corredor silencioso, ela sentia como se estivesse cruzando uma fronteira, entrando em um território desconhecido que até então havia sido mantido fora de alcance.
Eles finalmente chegaram ao destino: o escritório particular de Ezra D'Artagnan. O último andar da mansão era reservado exclusivamente para ele, um santuário privado que só os empregados tinham o privilégio de visitar, e isso não passava despercebido por Penélope. Ela recordou dos avisos de Annie, as instruções claras sobre quem tinha permissão para subir.
Com um movimento preciso, a porta de madeira deslizou para o lado, revelando o ambiente interior. Penélope entrou, os olhos se alargando com a visão do cômodo. Era uma combinação de monotonia e esplendor, uma dualidade que a intrigava.
À esquerda, uma estante negra se erguia, estendendo-se por mais de seis metros. A vasta coleção de livros estava ali, ao alcance das mãos, uma infinidade de histórias e conhecimento. À frente da estante, uma mesa de escritório de vidro se estendia, elegante na sua simplicidade.
Na parede oposta, prateleiras exibiam uma seleção de bebidas alcoólicas, enquanto um sofá preto ocupava um espaço no ambiente. O piso era revestido por um carpete azul-marinho, uma superfície que parecia convidativa ao toque.
No entanto, o elemento mais impressionante daquele espaço era o piano de cauda posicionado em frente a uma parede de vidro impecável. A luz da lua filtrava-se através das gotas de chuva, criando padrões fluidos na superfície transparente. Era como se a música do céu noturno se misturasse com as teclas e cordas, enchendo o espaço com uma aura quase mágica.
Penélope observou tudo isso com um misto de admiração e surpresa. A simplicidade cuidadosamente calculada da decoração contrastava com a sensação de grandiosidade que o cômodo evocava. Cada detalhe parecia ter sido escolhido com precisão, resultando em um espaço que era tanto uma extensão da personalidade de D'Artagnan.
Mas o esplêndido do cômodo era o piano de cauda que fica defronte a parede de vidro imaculado que estavam agora sendo marcados pelas gotas das chuvas.
— Toca para mim — a voz grave invadiu os tímpanos da menina, que estremeceu com o pedido, se desvinculado rapidamente da mão fria.
Penélope acomodou-se graciosamente ao piano de ébano, os dedos deslizando suavemente sobre as teclas alvas e gélidas. O som começou a preencher o cômodo, os acordes nascendo sob a sua destreza, numa progressão lenta e delicada. Os toques eram precisos, como se cada nota fosse cuidadosamente escolhida e colocada no seu devido lugar. Uma melodia surgiu, trazendo consigo uma aura de nostalgia e melancolia, que se espalhava pelo espaço como uma teia de aranha.
Ezra D'Artagnan se serviu de um pouco de uísque, o âmbar líquido cintilando à luz, antes de se acomodar no sofá de couro. O seu corpo se afundou nas almofadas, um gesto de relaxamento enquanto ele entregava a sua atenção à jovem mulher e à música que fluía das suas mãos. A melodia insinuou-se nos seus sentidos, e ele permitiu-se ser levado por ela, os olhos fechados enquanto a sua mente vagueava por um terreno de emoções sutis.
Os acordes prosseguiam, as notas dançando em um arranjo que era, ao mesmo tempo, delicado e envolvente. A melodia se desdobrava, um quadro sonoro que se desenrolava com graça e maestria. O piano parecia ganhar vida pelas mãos de Penélope.
Ezra tinha que admitir que queria cada vez mais senti-la, sabia que a menina estava se tornando uma tentação incapaz de sucumbir.
Os olhos fechados e a boca entreaberta, adornando o rosto corado, os seus longos cabelos movimentavam-se conforme a melodia, a camisola vitoriana parecia ficar cada vez mais transparente diante da luz natural, Penélope estava tentadora.
Ela deveria ser dele, somente e apenas dele, e decidiu mantê-la então como a sua concubina, sabia que a moça de dezoito anos é pura, a aparência virginal tem o enlouquecido desde a primeira vez que pousou os olhos em si.
Os dedos da moça correm livremente sobre as teclas, e com isso, o mafioso teve vontade de tocá-la e aliviar a sua ereção crescente.
Porém, tudo piorou com o encontro, quando a tocou, sentiu o seu cheiro mais intenso adocicado, ele queria clamar miseravelmente por ela.
Mas o moreno apenas se limitou em tocar a curva do seu ombro exposto, e, assim, pôde sentir um terço da maciez da pele da sua protegida e desejou explorar mais e mais, até se perder no encanto que era o corpo dela.
Penélope parou de tocar e a sua respiração foi se intensificando à medida que ia percebendo a presença do toque do seu tutor, ainda que não fosse ousado.
Penélope virou o corpo em direção ao homem, e então, Ezra teve que se segurar para não a tomar ali mesmo.
— Diz-me, Penélope, o que a perturbou tanto a ponto de sair do seu quarto para percorrer uma mansão vazia e escura a essa hora? — ele recolhe a mão de volta para o bolso.
Ela já o havia dito, mas Ezra precisava de comuns diálogos desnecessários que geralmente os outros gostam para ele poder espantar o interesse repentino por ela, para si, diálogos desnecessários eram extremamente tediosos.
Ele não percebeu nem o momento em que deixou o copo da bebida alcoólica em cima da mesa de centro ao lado do sofá e nem mesmo quando se levantou para alcançar a garota, foi tudo muito automático.
— Eu, tenho pesadelos frequentes, senhor — ela pousa ambas as mãos sobre o colo. — Eu queria apenas algo para me distrair.
— Isso também acontecia quando estava no instituto? — acena em confirmação — E o que acontece nos seus pesadelos?
— Eu caio — a voz saiu um pouco mais trêmula do realmente queria, mas a menina consegue levantar o rosto. — Eu caio em abismo, talvez? Algo parecido, não sei, senhor, eu apenas vou caindo e a seguir perdendo a capacidade de respirar... — ela relata enquanto respira fundo e levanta, caminhando em direção a estante — O senhor permite-me?
Ezra ficou um pouco confuso — mas mantendo sempre a frieza na sua expressão — mas percebeu que a mesma se referia a tocar nos seus livros, por isso apenas acenou em concordância e se dirigiu em alcançar o seu copo esquecido na mesa de centro.
— Como o senhor conheceu o meu pai? — ele permaneceu de costas e Penélope conseguiu formar uma súbita coragem para o interrogar. Chutou um balde vazio, afinal, acreditava veementemente que a sua tutela foi dada por seu pai e não pelo estado.
— Éramos... amigos — um sorriso meio sádico considerado por Penélope adornou o belíssimo rosto de Ezra assim que o mesmo virou para a encarar.
— O meu pai nunca havia mencionado nada acerca do senhor — protestou enquanto firmava o livro contra o seu peito.
— Imagino que não seja uma surpresa tão grande para si, não é? — ele respondeu bebendo um pouco mais, terminando por fim a sua bebida e pousando o copo em cima da mesa. — A conversa encerra por aqui.
— O senhor não pode... — ela é rapidamente interrompida e apenas vislumbra o corpo de Ezra muito próximo do seu, demasiado para seu gosto.
— Posso e estou mandando — as mãos dele percorrem o caminho das costas de Penélope até o seu quadril.
A malha é muito fina e bastava um leve puxar de Ezra na costura principal que a peça iria se desfazer sobre o corpo diminuto dela.
Lutando contra a sua sanidade e o bom senso, o moreno encostou o corpo mais no seu, fazendo o livro que estava nas mãos de Penélope cair no chão e fazer um estrondoso barulho.
E então inclinou a cabeça na clavícula da menor, o seu cheiro ficou mais intenso e Ezra não resistiu em lamber a região, sentindo a garota estremecer nos seus braços.
Pressionando o nariz contra a pele exposta, ele foi subindo até chegar ao pescoço e ouvir o barulho do sangue percorrer as veias dela, e isso o tentou mais.
Ela tem um cheiro tão bom.
Mas quando ele lambeu novamente a região sensível do seu pescoço, não poderia imaginar que o som que saiu da garganta da moça o pudesse enlouquecer ainda mais do que já estava.
Ele definitivamente sabia que estava indo longe demais, mas Penélope não parecia se importar nem um pouco, inclinando a sua cabeça para o lado oposto, expondo completamente a sua garganta para ele.
Isso não poderia acabar em nada bom.
O som abafado e rouco da voz de Ezra bem próximo do seu ouvido fez Penélope quase fraquejar a sua frente — Tenha uma boa noite, Penélope.
O corpo quente dele se afastou do dela, saindo rapidamente do cômodo, deixando uma Penélope corada e confusa.
A sensação que teve no meio das suas pernas não a agradou nenhum pouco, então ela alcançou o livro no chão e saiu daquele andar o mais rápido possível que os seus pés pudessem.
Desde o início, sabia que claramente nunca conseguiria ter uma relação paterna com aquele homem para começo de conversa, nem entendia porque estava com ele.
Ela mesma já se considerava uma mulher adulta e madura suficientemente para perceber que nunca poderia nem sequer considerar a possibilidade de ter qualquer coisa paternal com o Sr. D'Artagnan mesmo que ele tentasse.
Mas isso? Não, não tinha condições nem de imaginar o que significava aquilo que aconteceu mais cedo.
Ora, ela sabia perfeitamente, e, contudo, não teve a certeza se gostava ou não.
Penélope desceu o mais rápido possível as escadas e quase tropeçou nos seus próprios pés, e quando finalmente conseguiu chegar no seu cômodo, trancou a porta e deslizou as costas na mesma, arfando pela corrida.
Bom, pelo menos depois disso conseguiu espantar completamente o seu sono.
