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Valentina

O som abafado da música me envolveu assim que cruzei a cortina pesada que separava o corredor do salão principal.

As luzes vermelhas e douradas refletiam nas taças de cristal e nas peles brilhantes, enquanto o perfume doce e enjoativo impregnava o ar.

Dei um passo… e todos os olhares se voltaram para mim.

Homens bem vestidos, outros mais rústicos, todos com a mesma expressão: desejo e curiosidade.

Minhas pernas vacilaram, mas me forcei a erguer o queixo, lembrar do que Beatriz sempre dizia: “Quem olha para baixo… perde.”

Então eu sorri.

Um sorriso ensaiado, quase mecânico… mas que cumpriu seu papel.

Caminhei até o balcão, sentando em um dos bancos altos, cruzando as pernas com a fenda do vestido exibindo muito mais do que eu gostaria… mas exatamente o que Mirna queria.

De canto de olho, vi Beatriz já acomodada no colo de um dos clientes habituais, rindo alto e acariciando o cabelo dele, como quem faz aquilo desde sempre.

Respirei fundo, tentando me misturar, parecer parte daquele cenário, mesmo que por dentro meu coração estivesse implorando por fuga.

Então, um homem se aproximou.

Alto, cabelos loiros, sorriso fácil, roupas caras demais para o lugar.

— Primeira noite? — perguntou, com a voz carregada de malícia, enquanto estendia um copo com um líquido âmbar.

Meu instinto foi recusar. Minha mão começou a se mover para afastar o copo, mas então… meus olhos cruzaram com os de Mirna, sentada em sua poltrona no canto mais alto do salão, como uma rainha observando seu império.

Ela nem precisou falar.

Fez apenas um gesto sutil com a cabeça… um “sim” silencioso, mas carregado de autoridade.

Engoli seco, virei para o homem e sorri.

Luna- Obrigada… — disse, pegando o copo com uma mão que mal conseguia parar de tremer.

Levei o líquido aos lábios, mesmo sem ter ideia do que era, e bebi um gole, sentindo o gosto amargo e queimando descendo pela garganta.

Ele sorriu satisfeito, se encostando ao balcão, tão perto que sentia o perfume dele invadir o meu espaço.

Eu apenas sorri de volta… como Mirna queria.

Mas mal sabia eu… que aquele não seria o homem que mudaria a minha vida.

Não.

Ele ainda estava ali, sentado na sombra, me observando silenciosamente… à espera do momento certo para entrar na minha história.

Eu estava ali, forçando um sorriso enquanto o homem ao meu lado falava coisas que eu nem conseguia processar, quando senti…

Um arrepio.

Como se o ar ao meu redor tivesse ficado mais denso, como se, de repente, eu não estivesse mais sozinha naquele espaço minado.

Levantei o olhar, confusa… e então o vi.

Saindo da sombra, como quem não tem pressa, mas sabe exatamente a força que carrega com a própria presença.

Alto, impecável, de terno escuro alinhado, barba bem feita, cabelos escuros perfeitamente posicionados.

Os olhos dele cravaram nos meus como lâminas afiadas… e eu… simplesmente… parei de respirar.

Não foi um olhar comum.

Não era desejo bruto, não era curiosidade passageira. Era… algo mais.

Como se, naquele exato segundo, ele tivesse decidido que eu seria dele… mesmo sem saber quem eu era.

O homem ao meu lado o loiro que me ofereceu a bebida abriu um sorriso e estendeu a mão para ele, com familiaridade:

Leonardo - Ethan! Finalmente!

Ethan…

O nome ecoou na minha mente como um aviso.

Ele se aproximou lentamente, apertou a mão do loiro com a mesma falta de entusiasmo que eu sentia ao estar ali.

Ethan- Leonardo… — respondeu, a voz grave, controlada.

Só então Leonardo se virou para mim, sorrindo como quem apresentava uma novidade rara:

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Ethan arqueou uma sobrancelha, ainda sem desviar os olhos dos meus.

Ethan - E você… — disse, a voz soando como uma carícia perigosa —qual é o seu nome?

Pensei em dizer a verdade…

Mas então, como um reflexo de proteção, as palavras escaparam antes mesmo que eu pudesse pensar:

Luna - Valentina.

Ele sorriu de canto, aquele sorriso que parecia conhecer muito mais do que eu estava disposta a revelar.

Ethan- Valentina… — repetiu, degustando cada sílaba como quem prova um vinho raro.

Meu estômago se revirou.

Beatriz sempre dizia que alguns homens, quando te olham daquele jeito, já decidiram…

E naquele instante, eu soube.Ethan Salvatore tinha decidido.E eu… eu não tinha ideia de como fugir daquilo.

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