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Continuar fugindo

Leonardo soltou uma risada leve, olhando para algo atrás de mim.

Leonardo- Com licença,… — disse, piscando para mim antes de se afastar, atraído por uma das meninas que acenava para ele do outro lado do salão.

E, de repente… ficamos sozinhos.Eu e ele.Ethan.. O homem que parecia ter o mundo aos seus pés… e, ainda assim, agora, estava completamente focado em mim.

Meu corpo inteiro ficou tenso. Minhas mãos apertaram o copo quase vazio, como se aquilo pudesse me proteger.

Ele se inclinou levemente, apoiando um dos cotovelos no balcão, tão perto que eu podia sentir o cheiro dele um misto de madeira, poder e algo perigosamente viciante.

Ethan- Valentina… — repetiu meu nome, como se quisesse imprimi-lo na própria memória.

Ethan - Não parece ser daqui.

Dei um sorriso contido, como havia aprendido com Beatriz, tentando esconder o nervosismo que me corroía.

Luna- E o que parece ser “daqui”? — perguntei, quase desafiadora, embora a voz tenha saído mais frágil do que eu gostaria.

Ele sorriu de canto, o olhar ainda preso ao meu, como se estivesse me despindo de todas as minhas camadas, mesmo aquelas que eu nem sabia que existiam.

Ethan - Não sei… mas você definitivamente não parece pertencer a esse lugar.

Desviei o olhar, encarando a superfície espelhada do balcão, tentando recuperar o controle da respiração.

Luna- Talvez eu pertença mais do que imagina… — arrisquei, com um sorriso que nem eu mesma acreditei.

Ele inclinou um pouco mais o corpo, diminuindo ainda mais a distância entre nós.

Ethan - Não… — disse, a voz baixa, firme, carregada de uma certeza que me deixou sem ar.

Ethan - Você não pertence.

Fechei os olhos por um segundo, como se pudesse me proteger daquele olhar, daquela voz, daquele homem…

Mas quando abri novamente, ele ainda estava lá.

Ethan- O que faz aqui, Valentina? — perguntou, sem rodeios, como se quisesse atravessar todas as minhas defesas de uma vez.

E, por um segundo… eu quase disse a verdade.

Quase contei sobre Matheus, sobre Mirna, sobre como eu tinha sido empurrada até ali…

Mas então lembrei do que Beatriz sempre repetia: “Aqui, ninguém quer saber da sua história. Só do seu papel.”

Então, respirei fundo, ergui o olhar e sorri — aquele mesmo sorriso que eu estava aprendendo a usar como uma armadura.

Luna- Estou… trabalhando.

Ele não respondeu de imediato. Apenas me olhou… tão fundo… como se pudesse ver tudo, mesmo aquilo que eu escondia.

E foi nesse momento que eu entendi.. Ele não ia parar até conseguir.Até me descobrir.Até me ter.

Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir.A maneira como Ethan me olhava… como se me conhecesse, como se pudesse atravessar a pele, a alma, tudo… me deixava completamente exposta, vulnerável.

E era exatamente disso que eu precisava fugir.

Abaixei os olhos, me ajeitei no banco e forcei um sorriso educado, como quem encerra uma conversa cordial.

Luna - Foi… um prazer, senhor Salvatore — murmurei, começando a deslizar para fora do banco.

Mas, antes que meus pés sequer tocassem o chão…

Ele segurou meu pulso.Não com força.Não com violência.Mas com firmeza suficiente para me fazer parar.

Olhei, surpresa, para aquela mão grande, quente, que agora me prendia suavemente… e, em seguida, para os olhos dele, que ardiam com algo que eu não soube decifrar.

Ethan - Aonde pensa que vai? — perguntou, a voz tão baixa e controlada que fez um arrepio percorrer toda a minha coluna.

Tentei puxar a mão, mas ele não permitiu.

Luna- Eu… preciso… trabalhar. — Menti, sem saber o que mais dizer.

Ele inclinou a cabeça, como quem analisa uma jogada de xadrez, e sorriu de canto.

Ethan - Trabalhar? — repetiu, com uma ironia quase imperceptível.

Assenti, engolindo seco, lutando contra o impulso de simplesmente sair correndo dali.

Mas ele se aproximou ainda mais, os olhos cravados nos meus, me prendendo como algemas invisíveis.

Ethan - Por que está fugindo de mim, Valentina?

Engoli seco, sentindo a respiração falhar.

Luna - Não estou… fugindo.

Ele soltou uma risada discreta, desacreditando de mim, e afrouxou a mão que segurava meu pulso, deslizando os dedos até entrelaçá-los com os meus.

Um toque quente… perigoso.

Eu não sabia o que fazer.

Ethan - Está, sim… — afirmou, como se tivesse acabado de descobrir o maior segredo do mundo.

Ethan - E isso só me deixa mais curioso.

Eu puxei a mão com mais força dessa vez, conseguindo me soltar, mas dei um passo atrás, ainda sem conseguir desviar o olhar daquele homem que parecia me envolver sem sequer se mover.

Luna - Eu… preciso ir…

Ele apenas sorriu, relaxando na cadeira como quem sabia que, mesmo que eu fugisse, a partida já estava vencida.

Ethan - A gente se vê, Valentina.

Virei rapidamente, caminhando pelo salão com passos apressados, as pernas trêmulas, o coração acelerado.Mas enquanto me afastava, sentia…Os olhos dele ainda em mim.Como uma marca.Como uma promessa silenciosa.E eu soube, ali, que ele não iria parar.

E eu… não tinha certeza se conseguiria continuar fugindo.

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