capítulo 4
Ramom
__Minha nossa senhora seu Tenório, esse menino parece por demais com cê.
Um peao de sorriso fraternal me olha e ao mesmo tempo olha meu pai.
Depois daquela conversa em que tive com a Laura meu pai me chamou para andar um pouco na fazenda e conhecer novamente.
__Bonito igual o pai. __ meu pai pontua.
Acabo sorrindo e encaro o homem que não me é estranho.
__Joca?! __ me lembro do homem da que balança a cabeça em concordância. __ sabia que tá conhecia de algum lugar.
Dou um abraço nele que retribui, ele sempre me encobria nas minhas traquinagem, cumprimento um outro rapaz que está por perto em um aperto de mão.
__Mudado tá océ meu fi, saiu daqui uma menino e voltou um bitelo de homi.
__ a cidade me fez bem.
Engatamos uma conversa sobre a fazenda e sobre se eu ficarei aqui ou não e então que vejo um anjo vindo correndo até onde eu estou.
__Tenorio! __ escuto a voz do anjo que se parece mais com a de um trovão__ A madrinha acabou de passar mal e desmaiou!
Vejo o corpo do meu pai travar e logo ele sai acompanhando o anjo que parece mais um trovão.
Joca logo sai de perto e diz que vai olha os cavalos então fica só eu e o rapaz que se chama Jairo.
__Entao e sinhô é o fi do patrão?
__Eu mesmo.
__Disculpa se eu tiver sendo intrometido mas e que, por que o sinhô ficou tanto tempo fora? Seu pai urrou de saudade d"oce.
__Digamos que eu me apeguei na vida da cidade, e minha mãe tinha um grande controle sobre mim.
Ele escota na cerca e sorri.
__Minha mãe também gosta de mandar em mim. Na mente dela eu ainda sou um menino.
__Esses são os males dos pais.
Continuamos a conversa e ele me fala o que faz na fazenda e me ajuda ainda mais a enteder as coisas por aqui.
A moça de agora pouco que veio chamar meu pai me volta a mente e me pego perguntando;
__Quem é aquela mulher que veio aqui chamar meu pai?
Jairo me olha por alguns segundo como se estivesse avaliando a minha reação.
__Aquela é a sol. É a afilhada da dona Laura.
Ah, então ela é a famosa sol? O nome realmente combina com ela, pele clara e leitosa, olhos verdes e o cabelos castanhos revoltos, o seu jeito selvagem me chama a atenção, ate mais do que eu deveria.
__Do jeito que meu pai e a Laura falou dela achei que fosse uma menina.
__Sol pode até parecer uma mulher, mas ainda é uma moleca. Tem juízo nenhum.
Ele comenta e o jeito que ele fala parece que gosta mais dela do que deveria, será que é o namorado da menina?
__Foi um prazer te conhecer, mas vou lá ver o que houve com a Laura. __ me despeço do Jairo e sigo em direção a casa da fazenda.
***
Solange
Há três dias eu tenho ajudado o padre na igreja, o ajudo a arrecadar alimentos, roupas e outras coisas sociais.
Tenho saído de casa cedo e só estou chegando de noite, não estou nem indo lá na madrinha ver ela.
Fiquei até sabendo que o filho do Tenório chegou e nem tive a oportunidade de ir vê-lo, ou conhecer.
Hoje cheguei um pouco mais cedo, tomei um banho arrumei minha casa__pois é agora eu estou morando na minha casa__ vesti um vestido branco e deixei meus cabelos soltos.
De onde moro até a fazenda não fica nem a dez minutos, não quis morar muito longe, ando até lá e quando chego na porta da varanda escuto conversa e sei que a madrinha te cozinha devido a sua risada.
__Boa tarde! __ digo chamando a atenção de ambas.
__Apareceu a margarida! __ madrinha diz enquanto come alguma coisa, que eu imagino ser um doce.
__Desculpa ter sumido madrinha mas é que eu chegava em casa tava tão cansada que sua o queria deitar e dormi.
__Eu sei querida, estou brincando.__ me dá um sorriso apaziguador.
_Ja resolvemos tudo também.
Me sento em uma banqueta também e logo vejo a madrinha me dando um sorriso faceiro.
__O filho do Tenório chegou.
__Chegou? __ pergunto como quem não quer nada, mas a verdade e que eu estou doidinha pra conhecer o homi, o tanto que o Tenório falou dele não foi brincadeira.
__Chegou, pensa num homi educado e bonito. __ seu sorriso agora é imenso.
__Ainda não tive a oportunidade de conhecer ele.
__Ele não falou nada em relação a océ e o Tenório não?
Madrinha balança a cabeça em negativa:
__Ele teve algumas dúvidas, por que pelo o que eu entendi, a mãe manipula ele e o fez acreditar que seu pai o traia comigo.
__Eu só não entendo por que ele demorou ele vim tanto ver o pai.
__A mãe, como já disse teve uma grande influência na vida dele, e ele ficou ressentido por achar que o pai o abandou pra ficar com outra mulher.
Eu não acho que um homi de quase 30 anos, se eu não me engano quanto a idade, vai deixar a mãe fazer ele de gato e sapato.
__... Então tivemos uma longa conversa com ele, e seu pai e seu esclareceu tudo o que houve entre agente e que foi bem depois da megera da mãe dele e ele ir embora daqui.
__Por que ele não vem morar aqui, afinal isso aqui é dele não é? Ele é o único herdeiro, ah não ser se a sinhora e o Tenório começa a trabalhar pra fazer um. __ ela abre a boca e as maçã do rosto fica vermelha.
Madrinha nunca teve jeito pra falar de coisas íntimas, não que eu tenha, a verdade e que não passo de um virgem aos vinte e dois esperando um príncipe, mas não que eu não saiba de nada, já fiz até algumas coisas e tals, mas nunca envolveu penetração.
__Esta muito sabida Solange.
__Estou falando sério madrinha, por que não quer ter filhos?
Sei que ela pode ter filhos, mas tem algo que prende a mesma, já são muitos anos que ela e o Tenório estão juntos, e do jeito que eles dois ficam igual macaco por aí, já era pra ter vindo um neném.
__Ce já me basta sol. __ meu coração fica quentinho com a sua revelação, Laura na verdade é a minha tia, irmã da minha mãe que cuidou de mim quando Deus a levou. __ e se não tiver filhos antes quem dirá agora que já quase beirando aos quarentas e Tenório já está na casa dos cinquenta.
__Isso é bobagem madrinha, idade não manda nada.__ vejo que ela se levanta pra fugir do assunto mas antes da mesma virar a porta da cozinha vejo seu corpo cair de desmaiado no chão.
Nadir que até então estava lavando alguma louças corre até onde minha madrinha caiu junto comigo.
_Minha nossa senhora! __ ela começa a dá leves tapinhas no rosto dela mas nada acontece __ Laura, acorda Laura!
O desespero dentro de mim aumenta, e Nadir me manda chamar o Tenório.
__Vai correndo, ele tá lá nas cercas junto com o fi. __ com o corpo meio bambo de medo eu corro até onde ele está, corro o mais rápido possível.
__Tenrio! __ grito já sem fôlego __ A madrinha acabou de passar mal e desmaiou. __ estou tão nervosa que nem presto atenção nos outros que estão perto.
Tenório sai em direção a casa em disparada e eu o sigo, rezando pra que nada de ruim aconteça com a minha madrinha.
*****
Tenório
Eu nunca fui um homem de senti medo, mas após as palavras da Solange o medo se apoderou de todos os meus músculos.
Quando passo pela a porta da sala e vejo minha mulher deitada no sofá com o rosto pálido e os olhos vazios isso deixa meu coração pequeno.
__Laura! __ me aproximo dela que parece me olhar perdida__ o que houve, meu amor? Tá tudo bem?
__Minha pressão baixou, apenas isso.
__Vamos ao médico, cê tá muito branca.
__Nao quero ir.
Quando conheci ela, ainda menina com seus catorze anos de idade me senti na obrigação de ajudar ela, na época ela morava com a sua ainda pequena.
No início a menina selvagem não quis minha ajuda de maneira alguma, pelo o contrário ela sempre me tocava da casa dela, mas por ser um menina ainda e com uma criança eu achei muito perigoso deixar elas desamparadas.
Eu insisti tanto que ela passou a aceitar minha ajuda, depois de algum tempo nos tornamos bons amigos, muitas das vezes em que eu brigava com a mãe do meu filho eu sempre ia pra sua casa pra conversarmos.
E assim o tempo foi passando, e isso apenas fortaleceu nossa amizade, e cada vez mais meu casamento ia por água abaixo.
Quando conheci a minha ex-mulher, eu me senti encantado, nunca tinha visto mulher tão bonita igual aquela, ela era bem mais velha do que eu, quase de dez anos pra falar a verdade, nos conhecemos e logo eu a fiz minha e não demorou muito ela engravidou do Ramom.
Na época eu não era rico, mas tinha uma boa vida comparado a outras por aí, foi nesse meio tempo em que meu pai faleceu de pneumonia e logo eu fique sozinho com a minha mulher.
No começo tudo foi flores, os três primeiros meses foram de pura alegria, mas com o passar do tempo vi que o pior erro foi eu ter me envolvido com a Júlia.
Primeiro ele inventou a desculpa de que tinha que visita os pais, nessa época o Ramom tinha uns dois anos no máximo, ela costumava ir um vez por mês, eu nunca estranhei isso pois é difícil ter a família longe.
Mas com o passar dos anos o nosso casamento se tornou insuportável, todos os finais de semana ela viajava pra capital e em algumas ocasiões ficava até cinco dias, mandei investigar e descobrir que ela estava tendo uma vida de solteira com vários amantes.
Depois de mais ou menos dois anos conheci a Laura, e quando ela soube disso virou uma onça de brava, e o ruim da história fui eu na boca dos outros.
Ela arrumou um escândalo e foi embora de casa levando meu filho, eu não a impedir pois não tinha como salvar nossa relação.
Então ela foi embora junto com o Ramom, só me arrependo de não ter brigado e deixado ele aqui junto comigo.
Nesse meio tempo trouxe a Laura pra vim morar em uma das casas dos funcionários, e aí iniciou a nossa paixão.
Ela tinha acabado de completar dezoito anos na época em que nós beijamos pela a primeira vez, a mesma começou a trabalhar lá em casa ajudando a Nadir e com o passar dos meses era comum nós agarramos em qualquer lugar.
Eu tentei resisti, eu já estava velho com meus trinta e cinco anos, era quase um pecado me envolver com uma moça de dezenove anos.
Mas não consegui desisti, aos poucos a paixão foi se alastrando no meu peito e eu sabia que ela era o grande amor da minha vida, foi no seu aniversário de dezenove anos em que a fiz mulher, minha mulher.
E até hoje quando olho pra ele me sinto como se fosse há anos atrás, eu sou louco por essa mulher.
Depois de ela ter feito alguns exames estamos sentado só esperando a médica nos chamar.
__Tenorio vamos embora, eu estou bem. __ sua voz soa irritada.
A trouxe quase a força pra o hospital.
__Se estivesse bem não teria desmaiado, e não é de hoje que cê não anda bem.
__Eu não...
Antes dela terminar a médica nos chama até sua sala.
Nós sentamos e ela sorri de orelha a orelha.
__Entao doutora, o que ela tem? __ minha voz soa abafada.
__É normal no estado dela ela ter desmaio. __ diz sorrindo e Laura continua calada.
__No estado dela?
__Sim parabéns, em breve terão um bebê. __ sinto minhas vista escurecer brevemente e espero minha mão na minha coxa.
__Bebe?
__Sim, já podemos iniciar o pré natal, se quiser posso marca o ultrassom pra próxima semana.
Olho pra Laura que permanece estática, sem dizer nada, sem falar nada.
Depois da médica dizer um tanto de coisa que eu não entendo nada ela nos deixa aços.
Depois de segundos silenciosos eu pergunto:
__Nao vai falar nada?
Quando ela vira seu rosto em minha direção meu coração se parte, seus olhos cheio de lágrimas e a boca tremendo.
__Me desculpa.__ sussura.
__Por que?
__Sei que não queria ter mais filhos mas é que...
Levanto seu corpo da cadeira e abraço junto ao meu.
__Desde de o momento em que fizemos amor sem camisinha era um risco. Não é sua culpa. __ passo as mãos no seu cabelo__ Eu não esperava, mas é meu, nosso filho.
__E que...
__Ce já sabia. __ confirmo as minhas suspeitas.
De umas três semanas atrás eu não sinto nem o cheiro dessa mulher.
__Sabia, mas esperava ser um engano.
__Eu estou tão feliz, mas ao mesmo tempo assustado. Vamos ter um filho, fruto do nosso amor.
Ela funga e me abraça mais forte.
__Seremos bons pais?
__Os melhores que essa criança poderia ter.
E é verdade, é assustador e ao mesmo tempo emocionante pensar que eu terei um filho com quase cinquenta anos de idade.
Mas ao mesmo tempo voltar tudo de novo me deixa imensamente feliz.
