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O filho que eu não conhecia

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KARINE.D.S.S
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Notas

Resumo

Quando eu tinha quatorze anos minha mãe me levou embora da fazenda Tenório assim desfazendo os laços que eu tinha com meu pai. E agora anos depois me deu uma vontade louca de voltar aquele lugar e de ver meus pais e amigos de infância. Por mais que eu jurei nunca mais voltar naquele lugar. Só não sabia que encontraria um motivo meses depois para ficar definitivamente no lugar onde eu nasci.

amorromance

Prólogo

Passado

19 anos atrás

Ramon

Eu sempre gostei de morar aqui na fazenda, ver os bichinhos de perto e acariciar os bezerros recém nascido.

Minha mãe odeia mato, como ela mesmo diz, já o meu pai é o completo oposto, acho que puxei ele nessa questão.

Eu nasci aqui, e estou crescendo aqui também.

A única coisa que eu não gosto e das brigas do meu pai e da minha mãe, eu fico com medo, muito medo.

Minha mãe sempre briga e ameaça que vai larga meu pai e ir embora comigo para longe.

Não quero ir embora com minha mãe, quero ficar com meu pai.

Pelo menos uma vez por mês minha mãe vai até a cidade e fica fora uma semana e me deixa com o papai, mas a fazenda tem muiito serviço e meu pai não fica o tempo comigo, mas quando minha mãe não está conosco ele me leva junto com ele e trabalhamos juntos, e adoro quando isso acontece.

__Pai, me leva para ver o bezerro que acaba de nascer. Por favor__ peço fazendo minha maior cara de dó.

__Eu ia lá agorinha mesmo.

Escuto os saltos de minha mãe batendo no piso de madeira e ela me olha com um evidente não no olhar.

__Mae... __ começo mas sei que ela não vai deixar.

__Voce não vai Ramom.

__Ele vai sim. __ Papai rebate.

Os olhos da minha mãe borbulha de raiva.

__Ele não vai. Eu sou a mãe e não quero meu filho no meio desses empregados e muito menos no meio de estrume de vaca!

Vejo meu pai trincar o maxilar e me encolho.

__Se não fosse a merda do estrume das vacas cê não estaria toda pomposa hoje, pare de reclamar e agradeça um pouco mulher!

__Nao jogue na minha cara pois me arrependo todos os dias de ter lhe conhecido.

Vejo uma veia no saltar no rosto do meu pai e ele parece perceber minha presença e respira fundo e diz contrariando minha mãe.

__Vamos Ramon ver o bezerro que nasceu. __ vejo o olhar da minha mãe sobre nós e meu pai me estende a mão, imediatamente agarro sua mão e saímos de casa.

Do lado de fora da casa meu pai segura meus ombro e se agacha enquanto olha nos meus olhos.

__Ramom... Eu amo você meu filho, e tudo que estou fazendo é para seu bem.

__Pai...

__Me perdoe por brigar com sua mãe na sua frente. __ assinto com a cabeça, meu pai sorri e diz me fazendo sorri também__ Agora vamos ver o bezerro.

Pego novamente na mão calejada do meu pai e seguimos até onde a vaquinha está junto do seu bezerro.

****

4 anos Depois

__Eu não quero ir pai... __ imploro com os olhos vermelhos de tanto chorar.

__É o melhor pro'ce meu fi.

Com raiva da sua resposta me lembro do que minha mãe falou.

__O senhor quer que eu vá com minha mãe para poder ficar com a outra não é? __ Minha voz soa alta e magoada.

Meu pai passa as mãos no rosto e no cabelo e um ato visivelmente cansado.

__Vejo que sua mãe já encheu sua cabeça com asneiras não é. __ não é uma pergunta.

__Eu não quero pai, quero ficar com o senhor.

__Vai ser melhor meu filho. Você precisar ter um futuro

Nesses últimos anos as brigas entre meu pai e minha mãe só piorou, até que minha mãe viu meu pai com outra mulher, aí só foi ladeira abaixo e agora meu pai pediu a separação definitiva, minha mãe está indo de vez para a capital e quer me levar junto, eu não quero ir, não quero deixar meu pai.

__E-Eu posso ter um futuro aqui pai.

Meu pai se levanta e vira de costas para mim e diz com a voz dura:

__Nao quero você aqui, cê vai embora com sua mãe e não tem mais o que discutimos.

Enxugo minhas lágrimas e sei que meu pai está me trocando.

__Quer saber pai? Eu vou com a minha mãe. __ digo com a garganta ardendo de vontade de chorar__ mas me esqueça como seu filho, já que sua outra mulher é mais importante, fique com ela.

Meu pai se vira para me olhar mas me levanto da cadeira e saio correndo do escritório.

Entro no meu quarto e tranco minha porta e me jogo na cama e choro deixando toda a raiva que há em mim sair.

Mais tarde naquele dia eu arrumei minhas malas e no dia seguinte parti cedo junto com minha mãe para a cidade grande.

Com o coração sangrando e sentido a dor da rejeição eu entrei naquele avião e jurei a mim mesmo que não voltaria a fazenda Tenório.

*****

No primeiro ano em que fique longe do meu pai eu chorei esperneiei, fiquei revoltado, por mais que já estava com quinze anos no fundo eu me sentia um garotinho abandonado pelo o pai.

Minha mãe descontou suas frustrações em festas, roupas caras e chiques, salao de beleza, produtos estéticos entre outras coisas.

Minha mãe é dez anos mais velha que meu pai, porém a estética faz com que os  quase cinquenta anos passe quase que despercebido.

Foi difícil para mim, fique revoltado e queria voltar para a fazenda, para meu pai.

Mas minha mãe não deixou e me fez ficar aqui contra minha vontade, fiz amigos, beijei na boca, tive minha primeira transa, comecei a namorar, terminei minha vida era praticamente essas e aos poucos eu fui preenchendo o vazio que meu pai deixou em mim.