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capítulo 2

Ramom

__Entao quer dizer que depois de quase vinte anos você vai ir visitar seu pai? __ Isabela me pergunta enquanto ajeita o cabelo.

__Sim__ Respondo sem querer render assunto.

Durante esses anos todos não há um só dia em que não senti falta do meu pai, mas a raiva dele ter trocado eu e minha mãe ainda está tão viva dentro do meu peito.

A dor do abandono ainda está presente, o máximo de contato que tivemos durante esses anos foi por algumas ligações que aconteciam raramente.

__Nao dou uma semana para você vir correndo daquela roça. __ diz maldosa.

__Nao sei agora, mas quando eu era mais novo eu amava aquele lugar.

Meus pensamentos corem soltos pela a fazenda, a saudade de acorda com o galo cantando, de sentir o cheiro bom da terra molhada quando chove.

__E sua mãe? __ pergunta se sentando em frente a mesa do meu escritório, que a  propósito é uma das sedes de um dos frigoríficos do meu pai espalhando pelo o  país.

__O que tem ela?

Esses anos em que estou apenas eu e ela minha mãe praticamente esqueceu que tem filho, me deixava com os empregados e viajava, ela chegou a ficar até um mês fora e isso era por que eu era de menor e em um lugar totalmente diferente do que eu era acostumado.

Geralmente ela só voltava para cá, quando tinha alguma pendência para resolver e do resto vivia feliz da vida com seu amante.

Pois é minha mãe estava vivendo uma vida regrada a luxo como se fosse uma garotinha de dezoito anos, mas já está quase na casa dos sessenta.

Fico imaginando como meu pai deve está hoje, com certeza deve está cuidando da fazenda com punhos de aço, assim que completei dezoito anos, fiz faculdade de administração e alguns cursos profissionalizantes e minha mãe conversou com meu pai e exigiu que ele me colocasse a frente de alguma empresa, e ele o fez, mas ele primeiro me colocou em cargos baixos até que por mérito próprio eu alcancei o cargo de CEO.

E hoje comando um dos maiores frigorífico Da família Tenório.

__Ela não vai gosta de você ir ver seu pai.

__Ela não tem que gostar. Ele é meu pai e pronto.

__Voce conhece sua mãe Ramom.

__Ja sou adulto o suficiente para fazer o que eu quero e minha mãe não pode interferir na minha decisão.

Digamos que minha mãe é muito controladora e desde de que viemos morar aqui sempre quando ela estava em casa controlava tudo, depois de uma certa idade eu já tomava o controle da minha vida mas minha mãe sempre dava um jeito de me controlar.

*******

__Depois de tudo que seu pai fez com agente você ainda tem coragem de ir lá? __ minha mãe pergunta brava.

__Isso não está em discussão mãe, na próxima semana eu viajo para lá.

Com uma falsa culpa e vejo fungar e enxugar os cantos dos olhos.

__Depois de tudo que aquele homem nos fez passa você ainda tem coragem de ir vê-lo?

__Ele é meu pai apesar dos pesares. E você também não foi uma boa esposa mãe.

Felipa suspiro e se faz de vítima:

__Agora a culpa é minha? Ele nos trocou pela a amante meu filho! __ grita exagerada.

Passo a mão na minha barba e de nervoso puxo alguns fios.

__As vezes eu me pergunto se você não o traiu primeiro, já que, desde de que eu me lembre você sempre vinha para cá todos os fins de semana...

__O que quer dizer com isso?

__Que se o meu pai realmente te traiu ele teve os motivos dele.

Ela se levanta do sofá e pega a bolsa que custa mais de três salários mínimo.

__Esta a defender ele? 

Fico calado. Mas essa questão sempre me intrigou meu pai nunca me pareceu ser esse tipo de homem, já minha mãe não posso dizer o mesmo pois desde de que viemos para cá seu comportamento foi muito duvidoso para uma mulher traída.

__Nao é atoa que você se parece tanto com ele. Se quiser ir vá, mas depois não reclame Ramom.

Diz e me vira as costa subido as escadas em direção ao seu quarto.

Respiro fundo e sigo até meu quarto também, pego meu telefone e dígito o número do Tenório.

__Tenorio. __ a voz grossa do meu pai atende do outro lado da linha fazendo meu coração acelerar.

__Oi pai...

Não consigo controlar o sorriso que brota dos meus lábios.

__meu fi, que bom que cê ligou.

Meu pai sempre respondeu minha chamadas com euforia e sempre me chamava para ir visitar a fazenda.

__Tambem, estou feliz em escutar sua voz pai. E sobre a proposta que o senhor me fez...

__Nao quero te pressionar filho, mas a saudade tá tão grande que se cê não aparece por aqui eu apareço aí.

Sorrio do seu jeito de falar, se ele não tivesse me afasto dele provavelmente hoje estaríamos falando igualzinho.

__Eu vou pai.

Silêncio.

__Repete de novo.

__Na quinta feira estou chegando na fazenda Tenório.

Digo por fim.

__ce não sabe o bem que tá fazendo pro seu pai.

__Entao é isso... __ pigareio__ Na quinta eu chego.

__Estou te esperando de braços abertos Ramom.

Me despeço dele e desligo a chamada.

Já tinha algum tempo que ele sempre me convidava para ir lá para fazenda mas eu sempre dava uma desculpa, mas nesses dias não sei o que aconteceu mas eu decidi que irei voltar as minhas origens.

****

Desço no pequeno aeroporto da cidade vizinha e ao longe vejo uma caminhonete prata.

Ando até lá com minha mochila nas costa e avisto um rapaz e prontamente ele pergunta;

__E océ que é o Ramom?

__Sou eu mesmo. __ estendo minha mão ganhando um aperto firme só homem.

__Seu pai mandou eu até aqui. __ assinto com a cabeça e coloco minha bolsa no banco de trás. __ Cê parece por demais com o seu Sérgio.

__Muitos dizem isso.__ digo dando de ombros.

Por um momento seguimos em silêncio mas a curiosidade fala mais alto.

__A fazendo mudou muito?

__Desculpa a pergunta, mas tem quanto tempo que cê não vem aqui?

__Nao tem problema. Quando fui embora daqui eu estava com quatorze anos, e hoje estou com vinte nove.

__É muito tempo. Seu pai sempre falava igual doido d'oce.

Seguimos o resto da estrada conversando, e o Jairo, que agora sei seu nome, me atualiza sobre as mudanças da fazenda nesses anos todos que fiquei fora.

Depois de quase três horas de viagem chegando na pequena cidades das pedras, andamos mais meia hora até entramos na estrada da fazenda, ao longe vejo a placa escrita Bem vindo a fazenda Tenório.

Olho ao redor e realmente parece que o tempo não passou.

Desço da caminhonete e pego minha mochila e vejo meu pai junto com uma mulher, provavelmente a dele, na varanda da casa.

Caminho até eles e meus olhos não saem do meu pai.

__Pai... __ começo mas sou surpreendido com um abraço, o homem o qual sempre admirei e senti saudades esses anos todos me aperta em seus braços como se eu ainda fosse um garotinho.

__Eu senti tanto sua falta. __ diz desfazendo o abraço e olhando para mim. __ Como cê ficou bonito Ramom.

__Eu também senti saudades sua pai. Não sabe o quanto foi difícil para mim ficar longe de você.

O abraço novamente e para realmente sentir que ele está aqui comigo, o garotinho carente pela a atenção do pai ainda está bem vivo em meu interior.

__ Nos precisamos conversar meu filho, quero lhe contar tudo. Ao contrário do que imagina as coisas não aconteceram do jeito que sua mãe lhe disse.

Apenas assinto e reparo em meu pai e vejo que realmente ele se parece comigo, ou melhor dizendo eu me pareço com ele.

Desvio meu olhar para a mulher, curioso.

__Essa é Laura, minha mulher.

Analiso a mulher de cima a baixo e ela realmente é bonita e não aparenta ter mais de trinta e cinco anos.

__Prazer, Ramom.__ digo estendendo a mão para ela que me surpreende e me envolve em um abraço caloroso como nunca recebi da minha mãe.

__Que bom que cê veio, seu pai não parava de falar d'oce um dia sequer. __ apenas disfarço o  abraço e sorrio para ela. Laura não me parece o tipo de mulher que se submeteria ao papel de amante.

Sorrio sem saber o que dizer. Afinal o que eu vou falar? Que fiquei tantos anos fora e não vim aqui visitar meu pai por pura birra? Ou então que minha mãe não permitia vim? 

__Imagino, mas agora vou passar um bom tempo aqui com vocês.

Meu pai tem um sorriso enorme no rosto bronzeado pelo o sol e com leves rugas ao redor dos olhos tão parecidos com os meus.

Agora entendo o por que de minha mãe falar que nós dois éramos tão parecidos, realmente, a única diferença e que meu pai deve ser uns cinco centímetros mais baixo do que eu, e se não fosse os cabelos grisalhos evidenciando sua idade poderia até dizer que somos irmãos.

__Espero que goste daqui igual  quando era garoto. __ meu pai diz__ vem vou te levar até seu quarto.

A casa continua do mesmo jeito em que eu me lembrava, apenas alguns móveis mais modernos, lá em baixo contém dois quartos es enorme sala de está e a cozinha composta por uma varanda de fundo e dois banheiros, e em cima tem quatro quartos, dois banheiros o escritório do meu pai e outra sala de visitas.

Entro na terceira porta do corredor e vejo um guarda-roupa de carvalho escuro uma enorme cama de casal no centro e mais uma mesinha de canto.

__Sei que não tá acostumado com coisas simples...

Meu pai começa mas o interrompo.

__Eu gostei. Vai ser uma experiência boa esse tempo que eu irei passar aqui pai. __ Digo e lhe ofereço um sorriso.

Coloco minha mochila em cima da cama e me sento na beirada e meu pai me acompanha.

__As vezes acho que eu tô sonhando Ramom, foram tantos anos longe de océ que agora eu nem acredito.

Passo meu braço ao redor dos ombros do Tenório em um abraço.

__Eu tô aqui pai. E agora que voltei não irei te deixar tão cedo.

Ele ri e me faz ri também.

__É isso que eu quero. Mas agora me conta como foi sua vida lá na cidade nesses anos todos?

__No início foi terrível pai.__ me lembro e faço uma carreta__ Quando me lembrava do senhor dava vontade de vim correndo para cá.

__Ramom...

__Mas com o passar do tempo eu me adaptei, a força, mas me adaptei.

É claro que não vou contar para ele que minha mãe me deixou sozinho a maior parte do tempo e foi curti sua vida de esposa traída com o amante.

__Eu sinto muito filho. Mas na época foi o melhor a se fazer.

__Os três primeiros anos foram os piores pai.

__Ramom, agente precisa conversar e colocar as cartas na mesa, não quero que pense que eu trair sua mãe e muito menos troquei océ por Laura, mas isso é uma conversa pra depois. __ diz se levantando da cama. __ Descansa um pouco e daqui a pouco o jantar tá pronto.

Aceno em positivo e o vejo sair do quarto e fechar a porta.

Caio de costa na cama e logo em seguida ligo para minha mãe que não me atende, porém deixo o recado falando que eu cheguei bem.

Arrumo minhas roupas no guarda-roupas e quando olho no relógio já se passa das sete, vou até o banheiro do corredor tomo um banho e me troco para descer para jantar com meu pai e a mulher dele.

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