Cap.06
Natália Narrando:
Eu e Luiz seguimos a trilha até a cachoeira, estava um dia lindo e ensolarado. E de longe já avistei Luiza e Natan se pegando.
- Vamo parando de se comer aê. - Falo assim que chegamos na cachoeira.
- Olha que gata. - Luiza fala e eu dou risada.
- A bela adormecida acordou. - Natan fala e eu dou risada novamente.
- Pois é né. - Falo.
-Que tal dar um banho na bela adormecida? -Luiz propõe.
- Acho que é uma ótima ideia. - Natan fala.
- Não mesmo, não é uma boa ideia. - Falo, tentando convencê-los de não me jogar na água.
- Acho que é sim uma boa ideia. - Luiz fala e vem até mim.
- Luiz, não se aproxime. - Falo andando para trás.
Luiz me pega e me joga em seu ombro como um saco de batatas.
-Não Luiz, não. - Grito, mas ele só rir e entra na água comigo.
- Ai, a água está uma delícia. - Falo.
- Tá mesmo. - Luiz fala e nos olhamos nos olhos, ai meu Deus.
De novo não, pelo menos não na frente dos outros e e muito menos enquanto eu não me decidir. Não penso muito e só mergulho, Luiz faz o mesmo e lá debaixo nos beijamos e voltamos para a superfície e ainda nos beijavamos.
- Uau, aê sim em, super shippo. - Luiza fala. Foi por água abaixo minha ideia de não beijar na frente deles.
- Muito mesmo em, agora temos um novo casal na área. - Natan fala.
- Ainda não. - Luiz fala. - As coisas tem que ser do jeito certo, à moda antiga. - Luiz volta a falar e meu coração congela, ele se aproxima do meu ouvido.
- Você espera? - Luiz pergunta e eu sorrio.
- Claro. - Falo e ele me da um selinho.
Depois de ficarmos algumas horas lá, resolvemos voltar pra casa, o tempo estava mudando, e minha pele já estava toda enrugada de ficar dentro da água.
- Cadê nossos pais? - Luiza pergunta.
- Eles sairam, mas voltam já, creio eu. - Luiz fala.
- Vamos assistir? - Natan propõe.
- Vambora. - Eu e Luiza falamos em uníssono.
- The Walking Dead. - Luiz e Natan falam em uníssono, e eu e a Luiza nos olhamos assustadas.
- Ai meu coração. - Luiza fala.
- Topamos. - Falo e nos sentamos no sofá, Luiza ao lado de Natan e eu ao lado de Luiz.
Não tinha nem 15 minutos do episódio e já tinham matado zumbis, zumbis já tinham comido uns personagens. E todo esse auê estava me dando embrulho no estômago, eu mesma já não queria assistir mais.
- Ai meu coração. - Falo e abraço o Luiz.
- Calma princesa, eu te protejo. - Luiz fala segurando o riso.
- Não ria se não eu esqueço que estou com medo e faço com você o que eles estão fazendo com os zumbis. - Falo com tanta convicção, que até eu me assustei.
- Okay senhorita Bitencourt. - Luiz fala tentando ficar sério.
Mais um tempo de episódios e eu já não aguentava mais ver sangue e tripas.
- Para, para, para, não quero mais assistir, cansei, tá bom? Não quero mais assistir isso. - Luiza pira na batatinha e começa à chorar.
- Ei, ei, calma amor, Luiza calma. - Natan fala e à abraça.
- Lú, para, isso não é real é um só um filme. - Luiz fala chegando perto dela.
- Não, não é. Isso aconteceu, quando eu era pequena Luiz, Kauvem voltou no interro de Christina, ele esfaqueou Lucinda na minha frente. - Luiza fala, aparentemente ela está em choque, depois que viu os carinhas do filme dando facadas nos zumbis.
Meu Deus, Luiza tem um trauma muito forte. E como pode uma série de TV fazer com que o trauma dela venha a tona assim, dessa forma.
- Luiza me escuta, isso passou meu amor, isso tá no passado esqueça por um momento. - Falo e à abraço e ela chora baixinho.
- Na segunda gaveta da cozinha tem calmantes, Natan pegue para ela. - Luiz fala e assim Natan faz.
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Luiz Narrando:
Tudo que aconteceu no nosso passado foi forte demais, se pra mim, foi cruel e traumatizante, imagine para a minha irmã que era mais nova do que eu. Ela era e ainda é uma menina, sensível e inocente, tudo que ela passou no passado foi cruel demais.
E confesso que vê-la tendo esse surto de um trauma vindo a tona, me deixa transtornado, e tudo isso é culpa da minha mãe, se é que eu deva chamar ela assim.
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Natália Narrando:
Assim que Natan voltou com os calmantes, Luiza tomou e Luíz a levou para o quarto.
- Sabe... Eu achei que tudo estava resolvido, achei que Luiza tinha se recuperado, mas parece que não. - Ele para e respira fundo como se estivesse lembrando de alguma coisa. - Em uma noite chuvosa, Cézar descobriu que sua esposa Cecília o traía com o segurança, kauvem, ele mandou o mesmo ir embora e Cecília para tentar salvar o casamento disse que ele tinha à obrigado, ele cheio de ódio, deu a volta na casa e entrou pelos fundos e atacou Christina enquanto ela estava no banho, como ela não quiz nada, ele à matou com chutes e batendo a cabeça dela na parede, ouvimos os gritos dela só que quando chegamos lá em cima ela já estava sem vida e Kauvem já tinha fugido pela janela. - Natan fala e já estava com os olhos marejados, meu coração ficou pequenininho, ele voltou a falar, antes que eu pudesse falar alguma coisa, ou pelo menos abraçá-lo, nao foi so a irmã que passou por muita coisa, ele também. - Sabe... O que foi o pior, para Luiz pirar? Em saber que perdeu a futura esposa e o filho de uma vez só, Christina estava gravida de dois meses. - Natan fala e para por um momento e algumas lágrimas caem de meus olhos.
Meu Deus, Luiz ia ser pai.
- No dia do funeral de Christina, Kauvem apareceu novamente e levou Lucinda, à irmã de Christina, Luiza os seguiu e viu ele estupra Lucinda e depois esfaquea-la, depois ele tentou agarrá-la, ouvimos os gritos dela e logo corremos pra ver o que estava acontecendo, eu e Luiz tiramos ele de cima de Luiza e tentamos acalmá-la. - Natan fala e já estavamos os dois chorando.
- E... E oque houve com Kauvem? - Pergunto aos soluços.
- Eu e Luiz, nós... Nós o matamos. - Natan fala e eu fico sem reação.
- Foi em legítima defesa, nós realmente achamos que ele tinha morrido, mas o vagabundo era duro na queda, ele só ficou inconsciente por um tempo, foi tratado e foi assassinado à sangue frio no presídio, estuprador não dura muito na mão dos caras em um presídio. - Natan fala e eu via dor e sofrimento em seu olhar e principalmente em suas palavras.
Depois daquilo, Natan dormiu na sala, Luiza e Luiz dormiram no quarto e eu consegui dormir com a ajuda de um calmante, estava muito atordoada.
Que história!
Não consigo sequer imaginar todo esse sofrimento que eles passaram, eu acho que não aguentaria passar por um trauma desses.
{...}
