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Capítulo 5

Capítulo 5

Enquanto era acompanhada pelos seguranças, Ohana não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Sabia que aqueles seguranças faziam parte da equipe dele, mas não imaginou que seriam eles a interferir no surto de Pablo, aquilo foi, de fato, surpreendente.

Seguiu pelo corredor longo e de iluminação avermelhada, passou pela pista, mas não parou ali. A casa estava cheia, pessoas dançavam, bebiam e se divertiam enquanto ela vasculhava o local com os orbes verdes, mas não via sinal do seu alvo da noite.

"Claro que ele não estaria aqui", pensou, balançando levemente a cabeça enquanto subia os degraus para a área vip.

Obviamente, o astro da noite não iria se misturar com a plebe e ela estava certa, enquanto Ohana seguia em direção ao melhor local da noite, Dante estava em seu camarim.

O local era bem iluminado e tinha alguns petiscos e bebidas para que ele passasse o tempo até o momento do show. Mas, mesmo que tentasse se distrair, sua mente insistia em levá-lo para a cena que observou enquanto saída disfarçadamente da vã.

Ver um homem tratando com tamanha agressividade uma mulher claramente apavorada inflamou seu coração de raiva e, por muito pouco, ele mesmo não resolveu a situação, se não fosse por Lucian, ele certamente estaria com alguns hematomas de briga aquela altura.

Enquanto se perguntava se tudo estava bem com a morena desconhecida, Dante se servia de uma dose de Whisky, sentando-se na confortável poltrona e suspirando antes de beber o primeiro gole, sentindo o ardor do álcool lhe queimar a garganta.

— E aí, cara — Lucian falou, entrando no camarim e o olhando.

Para ele ainda era estranho ver seu amigo mascarado, mas sabia que Dante tinha seus motivos para querer viver aquela vida dupla e, se era o que ele queria, tudo o que Lucian faria era apoiar.

— Tá tudo bem por lá? — Dante perguntou, levando o copo de whisky que tinha nas mãos aos lábios mais uma vez.

— Tá sim, levaram ela para a área vip, como você pediu — ele respondeu, dando de ombros e suspirando. — Tá pronto? Tá quase na hora.

— Claro que sim, quando eu não estou? — a fala convencida de Dante fez Lucian rir e revirar os olhos, melhorando um pouco seu humor.

— Tá bom, tá bom, guarde suas demonstrações narcisistas para a platéia — ele respondeu, dando uma batidinha no ombro do amigo.

Dante bebeu de uma só vez o último gole que havia no copo e, depois, se levantou, respirando profundamente e limpando sua mente. Ele caminhou para fora e pegou o microfone que lhe foi entregue, seguindo em direção ao palco, que estava escuro, enquanto a platéia gritava seu nome.

O público era bem menor que o do estádio, claro, mas ainda assim havia muita gente, já que a boate estava lotada. As pessoas estavam ansiosas para presenciar o show e, quando um único foco de luz se acendeu sobre ele e a música começou, todos gritaram.

Sua voz encheu o local e, quando ele abriu os olhos, Dante sentiu toda a euforia que o tomava sempre que subia no palco, então se soltou. Seu tom rouco arrancava suspiros e as mulheres estendiam as mãos, ansiosas por um toque que fosse para aplacar os pensamentos maliciosos que ele inspirava.

No entanto, sem que ele se desse conta, os olhos de cor âmbar se fixaram em duas íris de esmeralda que brilhavam em sua direção e lhe roubavam toda a atenção. Ali estava ela, e era ainda mais bela de perto. Ela não estava gritando ou surtando como as outras pessoas, parecia estarrecida, admirada.

Ele percebeu os olhos esverdeados descendo de seu rosto oculto para seus ombros, acompanhando o movimento sensual de sua mão, que, espalmada em seu peito, escorregava pelos músculos bem definidos até agarrar o cós da calça jeans escura, puxando-o levemente para baixo enquanto seu quadril se movia no ritmo lento e sensual da música.

Não passou despercebido a Dante a tensão que tomou os ombros da morena desconhecida, nem quando ela engoliu em seco e apertou as pernas uma contra a outra, aquilo o fez sorrir vitorioso. Por algum motivo, ela parecia mais atraente que qualquer outra pessoa ali e havia conseguido sua atenção.

Enquanto Dante fazia daquele show algo íntimo e destinado a somente uma pessoa, Ohana sentia o corpo estremecer ao ser alvo de tamanha atenção. Apesar do resto não notar, ela sabia e sentia que Dante cantava para ela, sentia o peso do olhar sensual e cheio de malícia dele sobre si e, sempre que ele se movia ou cantava de forma um pouco mais sensual, Ohana sentia o calor irradiar do meio de suas pernas para todo seu corpo.

Como ele fazia aquilo? Essa era a pergunta que reverberava em sua mente enquanto a acompanhava com atenção.

Até se esqueceu de suas amigas e nem sequer notou as chamadas perdidas em seu celular. Como estava na área vip, a chance de encontrá-las seria mínima e,naquele momento, ela pouco se importava com isso.

Sempre que Dante abria a boca e a olhava, uma nova onda de sensações e pensamentos nada castos cobria sua mente e Ohana se perguntava como daria um jeito em todo aquele tesão sozinha.

Claro, não era uma mulher que fazia voto de castidade nem nada parecido. No entanto, também não tinha tantas experiências sexuais, nem sentia falta disso, até aquele momento. Dante exalava desejo, sedução, tudo nele a fazia pensar em como uma noite ao seu lado seria algo divino e prazDanteo.

"Não seja ridícula… você está aqui a trabalho", ela tentou, em vão, frear seus pensamentos.

Mas de nada a repreensão interna adiantou e, durante os próximos 50 minutos, tudo o que Ohana conseguia pensar era em como ele era bonito e em qual gosto seus lábios tão bem desenhados teriam.

Mas não estava sozinha, afinal, boa parte dos presentes se questionavam sobre isso e, enquanto todos desejavam saber um pouco mais sobre ele, Dante só queria saber sobre alguém em especial, ou daria um jeito nisso ainda aquela noite.

Deu o melhor de si, como sempre fazia. Cantou, dançou, levou todos à loucura e, quando a última música chegou, o fez com toda a perfeição. Não havia outro como ele, de fato, Dante conseguia ser perfeito.

Quando o show acabou, depois das uma da manhã, a balada continuou cheia e as pessoas não pareciam nem um pouco interessadas em ir para casa, assim como o cantor, ou a jornalista que o esperava.

Assim que Dante se retirou, Ohana iniciou sua busca para encontrar uma forma de encontrá-lo, aquela era a parte mais difícil. Sabia que não era a única procurando e, em poucos minutos, encontrou o pequeno aglomerado de pessoas no lado leste da área vip.

A morena correu até lá o mais rápido que pôde em seus saltos e, quando se aproximou, espremeu-se entre as pessoas, empurrando algumas para, enfim, conseguir se colocar na frente, perto da contenção que levava para um pequeno corredor, onde haviam dois seguranças.

Ohana não via forma de entrar no local. Além dos seguranças, os outros repórteres ansiosos por qualquer oportunidade não a deixariam passar discretamente e entrar, desse modo, não sabíamos que fazer.

No entanto, vez ou outra, o destino, os deuses, ou qualquer coisa na qual você acredite cooperam para que duas pessoas se encontrem, e aquela era uma dessas situações.

Desse modo, pouco depois de entrar e receber seu amigo no camarim, Lucian foi obrigado a sair. Estava mau humorado, não entendia a necessidade de Dante por uma companhia desconhecida, mas não questionava. Imaginou que aquilo aconteceria, afinal, ele havia mandado a desconhecida para a área vip e Lucian sabia que ele não o faria sem razão, era somente para que ele a encontrasse mais facilmente.

E a ideia serviu ao seu propósito, afinal, assim que Lucian despontou no corredor e passou pelos seguranças, ele a viu. A morena estava próxima as demais pessoas curiosas que ansiavam por um pouco da companhia do astro, e parecia igualmente disposta a entrar naquele camarim, o que tornava tudo mais fácil para o empresário.

— Ei, você! — ele chamou, passando pelos seguranças e parando perto da Barra de contenção. — Loirinha!

Ohana ouviu o chamado e, por um momento, achou que não fosse com ela. Sequer se virou, continuou a analisar o local, procurando uma forma de entrar, até que foi surpreendida por um toque em seu braço.

A morena se virou, pronta para brigar com quem a estava segurando, mas logo encontrou o homem que sabia ser o produtor do Dante, e aquilo a deixou bastante curiosa. Ohana uniu as sobrancelhas, confusa com a aproximação dele enquanto Lucian a puxava para dentro da contenção, que agora estava aberta.

— O que é isso? — ela perguntou, olhando para o homem com certa confusão.

Enquanto recebia o olhar confuso e irritado da morena, Lucian a levava consigo pelo corredor com meia luz, tentando manter a paciência. Para ele, aquela nunca era uma boa ideia, afinal, manter o suspense era parte da figura Dante que havia conquistado tanta fama, tinha medo que seu amigo acabasse estragando aquilo com ações como aquelas.

Mas Dante era como uma força da natureza, uma vez que colocasse algo na cabeça, nada iria tirar. Naquela noite, ele havia decidido conhecer a garota que estava bastante encrencada no estacionamento, ela o havia deixado curioso e, já que ela estava ali para vê-lo, porque não conceder alguns minutos do seu tempo a ela?

Claro que ele estava ocultando sua própria curiosidade naquele "ato de bondade". Enquanto aguardava no camarim, chegava a conclusão de que queria vê-la, quem sabe estar com ela tornasse seu fim de noite mais interessante…. Não podia negar que, com certeza, tinha segundas intenções com aquele convite.

Ohana estava nervosa, as coisas estavam acontecendo de forma muito mais simples do que ela havia imaginado e aquilo a deixava desestabilizada. Sequer havia se apresentado como jornalista, o que faria no camarim dele?

Claro que tinha muitas ideias do que fazer sozinha com um homem como aquele, mas nenhuma delas se relacionavam a sua profissão. Por isso, enquanto caminhava, tentou repassar as perguntas que Lenor havia listado para ela, mas tudo parecia fugir de seus pensamentos à medida que a porta se aproximava.

Quando chegaram, sem uma palavra sequer, Lucian abriu a porta e indicou a entrada para a morena, que deu passos vacilantes em direção ao local.

A iluminação era baixa no camarim e, assim que a porta se fechou, ela percebeu que pouco do som do lado de fora entrava ali. Não haviam tantos móveis, um sofá espaçoso, um grande espelho do lado esquerdo, uma mesa repleta de petiscos e uma garrafa de um bom whisky.

Enquanto observava o local curiosamente, seus olhos notaram a figura alta e morena sentada no centro do sofá.

Dante estava sentado, as pernas confortavelmente abertas e uma das mãos apoiadas na coxa direita, enquanto a outra segurava o copo com a dose de sua bebida favorita. Continuava com o peito nu exposto e ainda tinha o rosto oculto pela máscara, no entanto, agora seus pés estavam descalços e ele não ostentava todos os acessórios de antes.

Mas aquilo não diminuía em nada seu poder de sedução.

Os lábios grossos e bem desenhados se curvaram em um sorriso e, por um momento, Ohana esqueceu-se do que foi fazer ali, esqueceu-se de tudo e fixou-se nós olhos âmbar perfeitos e na boca extremamente sensual, inspirando profundamente.

Seu rosto continuava oculto pela máscara negra que ocultava sua identidade, mas, para Dante, aquele era um detalhe trivial, seus lábios estavam bem expostos e livres, e Dante ansiosa a por usá-los.

— Não precisa ficar parada aí — ele falou, fazendo a voz rouca ecoar por todo pequeno cômodo. — Eu só mordo em situações muito específicas.

A fala ousada e coberta de malícia despertou a morena de seu transe e a fez piscar várias vezes, unindo as sobrancelhas e irritando-se consigo mesma por estar parecendo uma tonta diante de um dos maiores astros do rock da atualidade.

"Mas o que eu faço agora?", ela se perguntou, começando a entrar em Pânico, mas contendo suas emoções antes de demonstrar o que sentia.

— É um prazer conhecê-lo — falou Ohana, dando dois passos em direção ao sofá. — Obrigada pelo que fez mais cedo, no estacionamento.

A menção do acontecido fez Dante pressionar os lábios, sua expressão era claramente descontente enquanto se recordava do que o havia feito prestar atenção nela. Então, batendo no sofá ao seu lado, ele se afastou, para que ela também pudesse se sentar.

— Não precisa me agradecer — iniciou o homem, levando o copo aos lábios —, mas considerarei um favor pago assim que me disser seu nome.

Ohana riu, balançando levemente a cabeça enquanto se sentava, um pouco mais relaxada, mas ainda nervosa diante de um homem tão imponente e sedutor como aquele.

— Ohana, me chamo Ohana — apresentou-se, tentando não soar nervosa.

— Um belo nome, combina com você — ele respondeu, aproximando a mão livre dos fios negros e segurando delicadamente uma das mechas. — O que estava fazendo aqui? Pode parecer uma pergunta óbvia, mas você não parecia estar pulando e gritando todas as músicas, passou boa parte do show em silêncio, por isso, conclui que não é só uma fã… o que veio fazer aqui, Ohana?

Pega de surpresa pela observação dele, a morena tentou, de alguma forma, encontrar uma saída para aquela saia justa, mas não havia nenhuma, não que fosse de fato convencê-lo.

— Eu… Eu sou jornalista — ela confessou, mas manteve os olhos nos dele. — Achei que poderia conseguir um tempo com você e, veja só, estava certa.

A morena cruzou as pernas, fazendo o vestido se agarrar a suas coxas de forma intencional, inclinando o corpo levemente para frente de modo a provocar o homem ao seu lado.

— Uma jornalista? Não sei se me sinto muito disposto para uma entrevista hoje — Dante falou, descendo os olhos pelo rosto dela até chegar às coxas, pressionadas contra o tecido rubro. — Prefiro ocupar minhas noites com atividades mais… intensas.

A última parte da frase foi acompanhada por um gole da bebida e um toque ousado que chegou a bochecha da morena de forma surpreendente. Os dedos de Dante subiram sem que ela se desse conta e, naquele momento, ela sentiu as pontas quentes e um pouco ásperas dos dedos dele em sua pele.

— Uma conversa pode ser intensa — ela rebateu, sem fugir do toque.

Estava disposta a usar todas as suas armas para conseguir alguma coisa, não sairia daquele camarim sem algo que pudesse fazer Lenor uma chefe feliz e deixá-la um pouco mais no posto de favorita.

— De fato, pode — Dante respondeu, descendo os dedos da bochecha em direção a nuca dela, sem se importar muito com a discrição com relação a suas intenções. — Mas a intensidade que eu quero não pode ser proporcionada somente por palavras.

Ele sabia que, em algum momento, alguém iria ceder e, quando isso acontecesse, ele a teria em seus braços ou ela sairia dali.

Dante torcia pela primeira opção.

— Que tal uma barganha? — perguntou Ohana, engolindo em seco ao sentir os dedos ágeis descendo por sua nuca de modo a lhe causar arrepios gostosos.

— Faça sua proposta… sou um homem de negócios. — E ele de fato era, negociava tão bem que tinha certeza que sairia ganhando naquele momento.

Era nítido o clima que pairava entre os dois. Ohana não havia se dado conta de quando havia se aproximado tanto, sequer notou quando Dante começou a brincar com a fina alça de pedraria de seu vestido, ele sabia bem como desviar a atenção e envolvê-la em um desejo proibido para que, quando percebesse onde seus atos a levarem, ela já estivesse em seus braços.

— Eu quero respostas — ela falou, com a voz um pouco mais vacilante —, uma pergunta, um pedido.

Quando seus lábios se fecharam e o sorriso se abriu na boca bem desenhada de Dante, Ohana percebeu que havia cometido um erro ao oferecer aquele trato e, certamente, não sairia dali ilesa.

— Eu aceito sua proposta, Ohana. 

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