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Capítulo 4 REVISADO

Ohana ainda não acreditava no que estava acontecendo em sua vida num espaço tão curto de tempo. Da quinta ao sábado várias coisas haviam mudado drasticamente em seu trabalho. Diferente de antes, ela passava seus dias dentro do escritório de sua chefe enquanto a outra a instruía sobre como se portar durante a entrevista e o que perguntar, além disso, passou por um dos melhores cabeleleiros de NY, estava amparada por um belo vestido e um par de saltos finíssimo.

Seus cabelos claros formavam ondas e, neste momento, um dos maquiadores de Lenor preparava seu rosto para realçar ainda mais sua beleza. Não estava em sua casa, estava sentada na cadeira confortável de um SPA, onde havia passado boa parte do dia ao lado da sua chefe. As duas haviam repassado todo o planejamento e, agora, a hora estava quase chegando.

Ohana se sentia preparada, mas isso não a impedia de estar nervosa.

— Tente não ficar muito perdida na multidão, compramos um ingresso numa das melhores áreas para você — Lenor falou, enquanto observava o maquiador espalhar delicadamente a sombra escura na pálpebra da morena. — Depois do Show ele vai escolher somente uma, tem que ser você.

O tom da mais velha chegava a ser ameaçador, mas Lenor se sentia segura com sua escolha, ela sabia que Ohana faria o trabalho que nenhuma outra faria, ela chamaria a atenção do Apolo e, com certeza, arrancaria dele informações que todos os fãs estavam ansiosos para saber.

Enquanto ela analisava cada detalhe minuciosamente, Ohana tentava acalmar os nervos. Estava claramente nervosa, seus dedos tremiam e seu coração batia descompassado, aquela era sua chance de fazer sua carreira decolar, talvez fosse a única. Estava tão imersa em seus próprios pensamentos que mal notou quando o maquiador, um homem alto, com barba rala e clara, cabelos platinados e muito silencioso, se afastou. Seu rosto era como uma obra de arte, a maquiagem estava perfeita.

De certo ponto, era discreta, porém, realçava seus olhos na medida certa, deixando-os ainda mais belos e vividos. Suas bochechas estavam coradas e aquilo lhe dava um ar angelical, somente para que seus lábios quebrassem a simplicidade de forma singular, pintados de um vermelho vivo que tornava-os ainda mais sedutores.

Mas não teve tempo de se apreciar. Assim que o maquiador se afastou, Lenor a empurrou para o provador e, pouco depois, o vestido que usaria naquela noite lhe foi entregue. Ele era sensual, talvez até um pouco demais. Ia até a metade de suas coxas, tinha um tom de vinho e era brilhante, digno de uma noite de balada, mas não era isso que o fazia tão chamativo, não só isso. Era solto ao corpo de modo que, quando Ohana se movia, ele desenhava de forma despretensiosa seus quadris. Seu decote delineava os seios fartos e tudo o que impedia sua queda eram as finíssimas alças de pedraria, que destacam-se na pele clara dela.

Enquanto se olhava no espelho, ela teve a certeza de que nunca se viu tão sensual e pensou se aquilo não seria apelativo demais, mas não permitiu que aquele nervosismo a invadisse mais uma vez, não podia desistir, não mais.

Quando saiu do provador, Ohana ouviu o som ritmado dos seus passos pelo grande corredor, os saltos denunciavam a sua presença e, assim que chegou a parte da frente do SPA, encontrou não só Lenor, mas Helena, Pedro e, infelizmente, Pablo. Não lhe passou despercebido os olhos do ruivo sobre si, num misto de desejo e irritação. Helena sorriu de forma maliciosa e caminhou até ela, derramando elogios, Pedro, silencioso como costumava ser, somente sorriu e cochichou algo para Lenor.

— Com certeza não vai existir outra mais interessante que você nesse Show! — Helena afirmou e Ohana viu os outros assentirem.

— A festa vai acontecer numa casa de shows no centro de Manhattan, pelo que soube, o dono desembolsou uma grana alta para que ele aceitasse se apresentar lá — comentou Pablo, ainda mau humorado. — Não vai estar tão cheio e a maioria do público é feminino, mas deixaremos um segurança de olho em você para garantir.

— Pablo está com… — Pedro começou, mas o olhar ameaçador do irmão o calou imediatamente. — Tome, aqui está o gravador e também uma caderneta.

Pedro entregou uma bolsa que combinava perfeitamente com as vestes de Ohana, dentro dela, assim que abriu, a morena viu somente o gravador, a caderneta e algumas notas, mas havia também espaço para seu celular.

— Ótimo, tenho certeza que as coisas vão correr bem — ela falou, tentando soar segura. — Então, quem vai me levar?

— Eu vou — Pablo respondeu, fazendo-a revirar os olhos.

No entanto, antes que Ohana o seguisse para fora, Lenor interceptou seu caminho, a puxando pelo braço delicadamente para um canto um pouco mais afastado dos demais, que encararam a cena com curiosidade.

— Eu sei que você está mais que determinada para conseguir o que precisamos — ela começou, sussurrando —, mas, acima de informações imediatas, precisamos de uma fonte duradoura, então entretenha ele, conquiste sua simpatia. Apolo é o maior segredo do mundo da fofoca deste ano, precisamos da identidade dele e você é nossa melhor chance.

Ohana uniu as sobrancelhas, encarando sua chefe com um pouco de dúvida. Entendia que estava indo para uma entrevista, mas o propósito de seu encontro com Apolo havia ficado confuso após aquela fala.

— Como assim? — ela perguntou, num tom igualmente sussurrado.

— Ohana, eu quero que você se aproxime dele o bastante para que, daqui a um tempo, ele se mostre para você. Siga o que eu disse e, com toda certeza, Apolo vai querer você por perto novamente.

— Não vou te decepcionar, Lenor — ela respondeu, assentindo de forma solene.

— Eu sei que não vai, agora vá antes que se atrase. — Lenor a empurrou levemente em direção a porta, seguindo-a até o carro. — E me avise de Pablo causar algum problema — sussurrou ao seu ouvido, antes de deixar que Ohana entrasse no carro.

Assim que a morena o fez, a porta se fechou e, ao seu lado, Pablo ligou o motor do carro, dando a partida. Ohana não colocou os cintos, teve medo de estragar o vestido ou algo assim, então, somente ajeitou-se no banco e pegou seu celular. Enquanto desbloqueava a tela, sentiu o olhar de Pablo sobre si, mas o ignorou veementemente. Abriu seu whatsapp e, clicando no grupo que tinha com suas amigas, mandou uma mensagem, avisando que estava a caminho.

— Eu não entendo você… — enquanto digitava, ouviu a voz de Pablo. — Não precisaria fazer isso se fosse menos cabeça dura.

— Eu quero fazer isso, Pablo, e só está incomodado porque não é com você que vou sair esta noite — retrucou Ohana, sem sequer olhar para ele.

— Você acha que esse favorzinho que está fazendo a Lenor vai te render algo? Acha que ela vai te fazer decolar? É tão ingênua, achei que era mais inteligente — dito isto, enquanto esperavam o sinal abrir novamente, a destra de Pablo soltou o volante.

Ohana sentiu a mão quente dele deslizar pela lateral de sua coxa e seu corpo inteiro se tencionou, incomodada. Não era a primeira vez que Pablo a tocava de forma inapropriada, mas, dessa vez, não tinha uma xícara de café quente para jogar sobre ele.

— Eu poderia te colocar na primeira equipe, você poderia ter sua própria página e… — ele iniciou, subindo os dedos em direção a barra do vestido rubro, olhando-a com malícia.

— Me poupe da sua manipulação, pode ter funcionado com Helena, mas comigo não — respondeu ela, o olhando com visível irritação e até nojo. — Se tocar em mim novamente, Pablo, eu vou dar um jeito de acabar com você e, quando eu fizer, nem Pedro vai conseguir manter seu emprego.

Então, afundando as unhas pontudas e vermelhas no dorso da mão dele com toda força, ela empurrou para longe o toque asqueroso do líder da equipe editorial, voltando a sua postura anterior.

— Você sempre foi assim, egocêntrica — murmurou ele, irritado com a nova recusa, sentindo a raiva lhe subir pelo corpo e tingir seu rosto de vermelho. — Mas não passa de uma va…

— Já chega! Se me insultar, vou denunciar você — ela falou, em alto e bom tom, fazendo-o arregalar os olhos.

— Está me ameaçando? Uma estagiáriazinha de merda está me ameaçando? — Pablo parecia desacreditado, seu ego ferido estava inflamado e, enquanto ele estacionava o carro na frente da casa de shows, tentava controlar sua ira. — Quem você pensa que é?

Ohana não se deu ao trabalho de responder, abriu a porta do carro e saiu dele o mais rápido que pôde, mas isso não foi o bastante, afinal, enquanto ela caminhava pelo estacionamento em direção a entrada, Pablo a seguia.

— Eu estou falando com você! — ele gritou, correndo até ela e agarrando-a pelo braço.

Não existia nesse mundo nada que o irritasse mais do que o desprezo, em especial o da jornalista vinda do interior. O desprezo dela tinha um amargor diferente para Pablo, feria seu ego e o cegava para suas ações, exatamente como estava acontecendo naquele momento. Ele segurava com força o braço delicado de Ohana, que o puxava com força, mas não conseguia se libertar. Ela sentia o ardor em sua pele e sabia que aquilo deixaria uma marca, mas ele parecia não se importar.

— Me solta, Pablo! Está me machucando! — ela falou, alto o bastante para chamar a atenção de algumas pessoas que passavam no local.

Porém, mesmo notando a estranha cena, ninguém parou para ajudar ou se compadeceu, para eles, era somente uma briga de casal na frente de uma balada.

— Você se acha muito boa, não é? Acha que é muito superior! Não passa de uma vadia burra que não sabe aproveitar as oportunidades que a vida te dá! Acha mesmo que vai conseguir alguma coisa aqui hoje? Se tivesse me dado quando eu pedi, não precisaria fazer o papel de uma prostituta para Lenor! — ele falava, sem se importar com as reclamações dela e muito menos com a força que usava.

Ohana estava em pânico, nunca o havia visto tão irritado e, ali, não sabia o que fazer. Pablo estava vermelho, seus olhos pareciam chamuscar em ódio e suas sobrancelhas estavam unidas, demonstrando toda sua irritação.

No entanto, antes que algo pior acontecesse, uma mão grande e pesada pressionou o ombro de Pablo, chamando sua atenção.

— Algum problema aqui? — falou o homem que havia se posicionado atrás dele.

Era um segurança, usava preto da cabeça aos pés e, um pouco mais ao fundo, havia outros dois. Pareciam ser todos parceiros, pois os demais estavam perto de uma vã com o nome "Apolo" em dourado.

Inicialmente, não pretendiam se aproximar, porém, mandados por seu empregador, que havia visto a cena peculiar enquanto se preparava para sair, foram em socorro da morena assustada, que respirou aliviada.

— Nenhum… problema nenhum — Pablo respondeu, olhando para Ohana antes de soltar seu braço. — Foi somente um desentendimento.

— Você está bem, senhorita? — perguntou o segurança para Ohana.

— Sim… estou bem, muito obrigada — ela respondeu, sentindo o ardor e uma dor irritante onde outrora a mão de Pablo estava.

A morena ainda sentia o coração acelerado e o medo que fazia suas pernas tremerem, mas manteve-se firme diante do olhar de Pablo, que agora estava um pouco mais contido.

— Virei buscá-la quando o show acabar — ele falou, com um tom que mais se assemelhava a um rosnado.

— Não será necessário — o segurança respondeu, fazendo Ohana erguer as sobrancelhas, confusa. — Venha, senhorita, vou levá-la para dentro, meu patrão pediu que a guiasse para o melhor lugar do show.

Aquele foi, de fato, uma surpresa inesperada. Realmente ela ficaria num dos melhores lugares, porém, quando seus olhos encontraram a vã e os demais seguranças, ela percebeu que não estava lidando somente com a equipe da boate. Eram seguranças do próprio Apolo e, certamente, não recusaria aquele convite.

— Será um prazer — respondeu, com um sorriso tímido, então, voltou-se para Pablo, olhando-o com a irritação e a raiva que era direcionada somente a ele. — Espero não vê-lo em meu caminho, Pablo, fique bem longe de mim.

O ruivo não respondeu, não poderia sem se colocar numa situação ainda mais delicada. Somente observou enquanto Ohana era escoltada por três seguranças em direção ao interior da casa de shows, sumindo de sua vista.

Enquanto ela entrava no local, Pablo seguia para o carro, rezando a qualquer divindade que o ouvisse para que, no dia seguinte, Ohana desistisse de destruir sua vida, afinal, com toda certeza, depois daquele episódio em que havia mostrado suas tendências, ela facilmente conseguiria.

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