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Capítulo 4

Indaguei ironicamente usando a mesma pergunta que ele havia usado no dia em que nos conhecemos quando ele surgiu misteriosamente.

Ele me encarou de forma inusitada como se a pergunta fosse óbvia.

- Eu sento onde eu quero. E no momento, o lugar que eu quero é esse. - ele se sentou no banco a minha direita.

Eu ri amarga.

- Com certeza. - revirei os olhos.

Continuei comendo o bolo como se não ligasse para presença dele.

Alguns segundos passaram em silêncio e ele simplesmente continuou falando.

- Você conseguiu estragar meu encontro. - ele disse olhando para as bebidas expostas num armário a sua frente.

Por um momento eu fiquei extasiada.

- Eu estraguei? - ri sarcasticamente. - Bill!! - gritei chamando -o.

Meu corpo estava tenso, eu queria beber mais.

- Aquela garota não parava de falar de você um só segundo de você e acabou esquecendo que tínhamos coisas para fazer então eu a deixei falando sozinha. - ele disse sem se importar.

Eu abri levemente a minha boca. Aquela vaca...

- Sinto muito por você, mas que bom que a deixou, coitada. Imagino a cara de infeliz dela. - eu ri simples.

Seu rosto relaxou.

- Não foi nada legal. - ele riu de lado. - Você me deve um encontro e vai me dá, ou teremos sérios problemas.

Ele estava jogando, e eu definitivamente poderia brincar, mas da minha forma.

Eu não era tão idiota quanto Anabell pensava, e nem ele.

Minhas dúvidas haviam sido tiradas e ele era realmente um cretino. Pelo menos em relação as mulheres.

Bill chegou e eu fiz um sinal com a mão para que ele deixasse a garrafa comigo, eu tinha impressão de que a noite seria longa.

Pelo menos no que dependesse de mim.

Sebastian pediu um copo para ele, Bill nos serviu e depois se retirou.

- Eu te devo um encontro? - me virei para olhar para sua cara cínica. - Você a deixou porque quis.

Ele arqueou a sobrancelha.

- Quem praticamente puxou briga foi você, Marie. Faça-me o favor. - ele era sarcástico.

Então ele lembrava de mim? Quase fiquei emocionada se eu não tivesse achando seu argumento um absurdo.

- Você é bom com nomes. - comentei baixo.

Ele tomou sua bebida de uma vez e encheu o copo novamente.

- É um erro esquecer nomes de mulheres, sempre me trás problemas. - ele deu de ombros. - E você é amiga da namoradinha do Luka, então... tenho que aprender a conviver. - ele piscou.

Respirei fundo e soltei um riso.

Eu não tinha vontade de continuar aquele bate papo com ele. Por um momento eu sentia apenas raiva, a imagem que eu havia construído sobre ele havia sido destruída de alguma forma.

- Eu não tenho nada para fazer hoje, graças a você. - ele continuou bebendo. - Então vamos sair, você vai pagar o que me deve.

A minha expressão foi de insignificância, eu comecei a rir como se tivesse escutado uma piada engraçada.

- Não, não vamos. - disse e ele reagiu como se não se importasse.

Quem ele pensava que era?

- Você tá agindo como se não quisesse sair comigo, ou como se não se importasse quando eu sei que é mentira. - ele disse franzindo o cenho.

Sebastian era convencido, seu olhar mostrava que ele gostava de estar um passo a frente dos outros, e o pior de tudo era que ele estava falando sério.

E estava fodido de razão. Eu queria sair com ele.

- Você... - eu queria xinga-lo mais nada saiu.

Ele tirou uma nota alta do bolso e colocou no balcão pagando toda a despesa e ainda deixando uma bela gorjeta para Bill.

Sebastian me pegou pelo braço e saiu me puxando, eu estava tão paralisada que não esboçava reação alguma além de andar para não cair de cara no chão.

O que estava acontecendo? Eu não ia fazer isso. Ele não ia me tratar dessa forma.

Quando chegamos na rua, eu me soltei do seu aperto.

- Me deixa, o que você acha que está fazendo? - dei um passo pra trás.

Desse jeito não ia funcionar.

- A gente só vai sair, eu não vou fazer nada que você não queira. Eu não sou o tipo de pessoa que força a barra. Não tanto... - ele balançou a cabeça negando com um sorriso malicioso.

Eu não sabia se devia acreditar ou não, porém eu não tinha medo dele, algo no meio daquele emaranhado de cinismo me passava confiança.

Ele saiu andando, fiquei por um tempo pensando se eu devia ou não ir, mordi meus lábios antes de seguir meus extintos e fui. Corri até ele até parar do seu lado e podermos caminhar lado a lado.

- Sinto que te devo isso mesmo que você não mereça. - falei.

Ele deu um sorriso.

- É claro que deve. - ele disse dando de ombros.

- Aonde vamos? - eu precisava saber, afinal ele era um estranho.

- Talvez você goste... Mas por enquanto é uma surpresa. - ele sorriu. Era caloroso.

Eu finalmente havia parado para pensar no quanto ele era bonito. A propósito, e aquele sorriso?

Ah, aquele sorriso.

O que era aquilo? Sem dúvidas eu havia acabado de ser domada como um animal doméstico. E por um momento, eu me senti bem.

Era uma droga tudo isso, me peguei pensando em Anabell, ela disse para me manter longe e aqui estou eu, indo sabe-se lá para onde com o próprio caos em forma de homem.

Paramos no fim da rua em frente a uma moto, passei minhas mãos sobre meus braços sentindo um frio na barriga. Olhei para Sebastian que nem ao menos me questionou, apenas subiu na moto e me esticou o único capacete que ele provavelmente tinha, eu o peguei, mesmo estando insegura e confusa sem saber o que tudo aquilo significava.

Olhei em volta observando a rua, eu ainda continuava parada na frente daquela moto, eu não sabia oque devia fazer mas tinha certeza de que eu não iria subir naquilo.

Após um tempo Sebastian me encarou respirando fundo.

- O que foi? Está esperando o que para subir? - ele estava impaciente.

Umedeci os lábios.

- Não sei se realmente quero ir. - apontei para a moto.

Ele balançou a cabeça, estava claramente zombando de mim.

- Qual o problema, princesa? - ele se inclinou sobre a moto me olhando. - Está com medo?

Seu tom de voz era sarcástico.

Eu tinha o poder de me estressar rápido. Me senti manipulada e queria mostrar que eu não era uma boba que tinha medo de uma moto qualquer.

Eu não respondi, apenas subi na moto e botei o capacete, eu não ia correr o perigo, com ele não. Afinal, ele devia ser um doido dirigindo e eu mais doida ainda de aceitar ir com ele.

Sebastian era coisa nova para mim, e no momento eu só queria continuar sentindo essa sensação estranha, a sensação de que eu estava mais viva que nunca.

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