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Capítulo 3

Eu precisava sair comigo mesma, ter um tempo só para mim, ir a qualquer lugar para me livrar dos meus problemas. Me arrumei e sai do apartamento mas quando cheguei no corredor tive uma surpresa.

Nada agradável, para variar.

Era um recado dos céus? Só podia.

Fazia algumas semanas desde a festinha do Luka, e eu havia parado de pensar no Sebastian, principalmente porque me convenci que não chegaria a vê-lo de novo. E eu estava completamente errada, pois ali estava ele, e de quebra, agarrado na minha vizinha.

Meu estômago embrulhou e de repente me deu uma vontade implícita de vomitar.

Dei de ombros.

Eles se agarravam descaradamente no meio do corredor, e eu só queria passar.

Eu não vi o rosto dele porém tinha certeza que era Sebastian por causa da tatuagem, aliás, o que eu esperava? Com toda aquela fama horrível, ele realmente devia ser um cafajeste.

Eu fiz um leve barulho para que eles se tocassem e pudessem sair do meio, o corredor era pequeno demais e eu realmente precisava sair dali antes que me sufocasse.

Eles pareceram não ouvir, ou nem se importaram. Então, eu apenas perdi a paciência em um passe de mágica.

- Será que vocês acham que estão em algum motel? - minha voz saiu alta o suficiente para que ambos ouvissem.

A garota parou de beija-lo imediatamente, ela parecia um palhaço, o seu batom vermelho estava espalhado por todo seu rosto. Ela não parecia feliz e me olhou como se tivesse vontade de me fuzilar naquele momento.

Ah! Fazer o que né?

Sebastian parecia estar se divertindo e indiferente com aquela situação enquanto me observava calado. Havia alguns cortes no seu rosto, eu rapidamente imaginei o porque, Anabell estava certa, ele era patético.

- O que você falou, vadia? - a garota disparou.

Eu não pude evitar sorrir.

Além de tudo, iria realmente me insultar?

- Talvez você tenha problemas de audição. - eu finalmente consegui passar pelo corredor esbarrando nela propositalmente. - Aliás, você já se olhou no espelho? Acho que não, é por isso que imagina que eu sou a vadia aqui.

Eu entrei no elevador que ficava no fim do corredor, não pude evitar olhar a cara de idiota que a menina ficou sem ter uma resposta para mim. Sebastian parecia não se importar com a situação, continuou parado olhando a cena com um sorriso silencioso nos lábios.

Acho que nem ao menos se lembrava de mim. E porque eu me importava? Eu só queria ir embora logo dali. Naquela noite, depois que o vi na porta me olhando, ele foi embora.

Eu não esperava ver ele de novo, muito menos no meu prédio e dessa forma.

Eu estava estressada.

Meia hora se passou, eu continuava andando sem ter um lugar para ir, eu havia perdido a vontade de sair, e nem pensar que eu iria voltar para aquele prédio, as paredes eram finas demais e eu não queria ouvir gemidos a noite toda.

Resolvi que iria ao Abatedouro beber algo e assim eu fiz, quando cheguei fiquei surpresa de ver poucas pessoas no lugar. Era estranho porque normalmente era lotado de gente.

Me sentei em uma das cadeiras do balcão, havia várias mesas disponíveis mas como eu estava só, prefiri ficar ali para conversar com Bill, ele era um coroa em belíssimo estado físico e o dono desse Pub. Eu não podia imaginar quanto ele faturava por semana com esse lugar, devia ser muito, até porque ele havia me dito uma vez que havia aberto outros Pub's pelo resto da cidade.

- Bill, me serve a de sempre por favor. - disse chamando a atenção dele que enxugava alguns copos de drinks.

- Com certeza. - ele me respondeu sorridente. - Está sozinha hoje, Mocinha?

Eu não sabia o porque, mais ele fazia questão de me chamar de Mocinha, todas as vezes que me via. Nunca pelo meu nome.

- Estou. Resolvi sair para dá um tempo. - respondi enquanto brincava com aqueles canudos em cima do balcão.

Ele botou em minha frente uma fatia de bolo de chocolate e uma dose de tequila. Bom, todos sabiam que esse era meu pedido favorito.

- Você faz bem. É sempre bom tirar um tempo pra gente as vezes, botar nossos pensamentos no lugar. As coisas ficam mais claras. - ele disse sabiamente.

De repente me veio uma dúvida, algo que eu não fazia ideia sobre. Não sabíamos se ele tinha uma família por aqui, sempre o víamos sozinho.

- Bill, você tem esposa e filhos? - perguntei enquanto dava a primeira garfada no meu bolo.

Ele pareceu orgulhoso, seus olhos brilharam. Ele se inclinou no balcão.

- A minha mulher que faz esses bolos e doces. Ela tem as mãos de fada. - ele disse, era delicado em falar.

Olhei para o bolo e sorri pra ele.

- São realmente divinos. - dei uma pausa. - Não tem filhos?

Ele pensou alguns segundos antes de responder.

- Tenho um, mais a nossa relação não é muito boa. - ele suspirou. - Ele deve ter sua idade, Mocinha. E mora fora do país, qualquer dia eu o apresento.

- Os filhos sempre serão filhos e pais sempre serão pais, não é? - senti que não devia ter perguntado. Toquei em uma ferida.

Isso me fez lembrar a relação com meus pais, também não era ótima. Mas eu continuava seguindo sem eles.

- Fique a vontade. Vou arrumar umas coisas lá dentro. - ele disse e foi para os fundos do Pub.

Eu tinha que parar de ser indiscreta.

Ele tinha razão, ficar só era ótimo para por os pensamentos em ordem, eu estava mais tranquila novamente.

O copo da tequila já estava vazio e o bolo estava quase no fim, eu estava prestes a chamar Bill para me servi mais uma vez quando o sino da porta tocou e ao se abrir, olhei em direção a entrada curiosa e novamente me deparei com o acaso

Sebastian.

Respirei fundo.

Droga, até aqui?

Eu apenas queria esquecer toda essa história. Talvez para ele não fosse absolutamente nada, mais desde aquele dia na casa com os amigos de Luka, ele se tornou de certa forma um tsunami no meu subconsciente, incomodando e destruindo meus pensamentos, tudo porque eu não conseguia controlar a mim mesma.

E a quem eu queria enganar?

Ele me avistou no balcão e começou a caminhar até mim, olhei automaticamente para frente, eu podia sentir meu coração acelerando a cada passo que ele dava sem ao menos me virar para trás para olha-lo.

Eu pude sentir sua presença quando ele parou ao meu lado. Eu virei meu rosto em sua direção e o encarei com desdém.

- O que está fazendo aqui? - perguntei por impulso.

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