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Capítulo 5

Meus olhos estavam fechados, não por medo, não por insegurança e nem mesmo por frustração.

Estavam fechados porque eu gostava de me concentrar em pequenas sensações que eu queria guarda comigo.

O vento gelado que eu estava sentindo no meu rosto me transmitia uma sensação calorosa, era bom, memorável e libertador, e era esse tipo de coisa que eu queria guardar comigo.

Andar de moto era algo que eu não fazia a muito tempo, pra mim as motos eram como se fossem bicicletas maiores e na minha infância eu não tive experiências muito boas com bicicletas, eu acabei quebrando meu braço e ficando meses sem sair de casa e isso me causou uma decepção enorme com automóveis de duas rodas ou qualquer coisa do tipo, porém, eu não lembrava da sensação boa que era estar aqui, mesmo que no banco do passageiro.

Eu havia desligado.

Voltei em si quando me dei conta de que estava com meus braços em volta da cintura de Sebastian segurando firmemente.

Eu estava saindo de uma viagem no meu subconsciente para entrar em outra.

O cheiro dele era bom e amadeirado, e eu podia sentir com as minhas mãos os músculos do seu corpo por baixo do tecido fino da sua camisa. Eu fui atraída pelo seu físico, e boa parte disso era verdade, pessoas eram superciais, e por mais que negássemos e que pregássemos o quão isso é errado e que não devemos fazer, sempre vamos ter essa coisa detestável dentro da gente, porém, eu estaria mentindo se não falasse que eu estou tão confusa quanto algum dia estive, eu sentia uma eletricidade correndo no meu corpo apenas por estar perto dele, ondas de energia que eu não conseguia explicar. Eu reconheço que Sebastian não era homem para mim, e nem nunca ia ser, ele nunca iria olhar para mim além de uma pedaço de carne, e isso é só para começo de argumentação. Eu tento o mínimo possível lembrar nas coisas que Anabell me disse, é a segunda vez que vejo Sebastian e ele não me deu motivos para achar que os boatos sejam verdade, não que eu me importe, eu não ligo para a vida dele, mas se for verdade, eu me incomodaria.

Quando a moto parou, nós decemos e eu pude analisar o local, percebi onde estávamos. Sebastian havia me trago para o Jardim botânico da cidade.

Eu sorri.

Ele era louco.

Quando dei por mim, pude sentir o seu olhar queimando em minha pele. Com toda certeza ele estava tentando decifrar meus pensamentos.

- Porque me trouxe aqui? - eu apontei para a porta fechada daquela imensa estufa. - Não está aberto para visitas a noite.

Ele riu e saiu andando em direção a entrada, me ignorando completamente.

Qual é? Ele podia ao menos me responder.

Bufei e sai andando atrás dele.

O observei por trás, sua costa era grande e seus ombros largos e ele tinha o dobro do meu tamanho. Suas roupas nesse momento eram simples, mas o davam estilo, uma blusa preta e uma calça jeans ja era muito pra me fazer suspirar.

- Se eu fosse você, tentava se controlar um pouco. - Sebastian disparou com uma voz baixa, e dois segundos depois surgiu uma risada leve.

Ele estava de costas para mim, como sabia o que eu estava pensando?

- Ser exibido é o seu maior defeito? - eu perguntei sarcástica.

- Pode apostar que é o melhor deles. - houve um silêncio. - Vamos entrar, só espera aqui um pouco, eu já volto.

Depois disso ele apenas saiu andando para a parte de trás da estufa e eu fiquei sem entender nada.

Eu fiquei brincando com pedrinhas do chão até ele decidir voltar e isso não demorou muito.

Quando Sebastian chegou tinha entre os dedos uma chave a qual ele girava sem parar com um riso simples.

- Vem. - ele me chamou animado.

Ele abriu a porta e logo entrou me dando passagem.

Eu entrei um pouco receosa.

- Como conseguiu essa chave? - eu mordi meus lábios. - E fala a verdade, porque estamos aqui?

Ele bufou, parecia irritado.

Assim que entrei, ele trancou a porta e se virou para mim.

- Você não sabe ser divertida, Marie. - ele suspirou. - Eu apenas quis ser legal, imaginei que gostasse de locais como esse, lembrei da festa e é só... - ele levantou as mãos em forma de trégua. - E eu tenho a chave porque um amigo meu trabalhou aqui a algum tempo, e eu considero isso aqui um local tranquilo para pensar as vezes.

Eu fiquei sem palavras, e estava bem com isso.

- Deixa pra lá. - eu disse baixo.

Dei as costas e sai andando pelo local, havia vários setores cheio de flores e plantas, cada uma com sua determinada espécie e tipos, eu sai à procura de cactos. Eram incrívelmente bonitos.

Eu estava extasiada com tantas flores, era uma mais bonita que a outra, e o cheiro havia invadido contudo meu nariz.

Sebastian havia acertado em cheio.

Eu andava no meio dos girassóis os tocando delicadamente, suas pétalas eram tão macias quanto algodão.

Peguei meu celular para tirar uma foto daquele caminho de flores quando Sebastian tirou o celular das minhas mãos.

Eu olhei pra ele confusa.

- Opa, nada de fotos. - ele balançou o celular.

- Qual a graça de estar aqui e não guarda a beleza disso tudo? - eu disse encolhendo os ombros.

Ele se aproximou de mim ficando a alguns centímetros de distância. Encarei seus olhos azuis que me deixavam sem graça.

- Guarde aqui. - seu dedo indicador tocou na minha têmpora.

Me afastei do corpo de Sebastian, eu queria evita-lo ao máximo porque quando estávamos perto eu não podia controlar a energia que ele me transmitia.

- Tem um lugar legal aqui, aposto que conhece, se for verdade que você vem aqui sempre. - eu disse enquanto pegava em sua mão.

O olhar de Sebastian rapidamente foi em direção a nossas mãos, porém ele não recuou, se deixou ser levado por mim enquanto eu andava em busca do teto solar que se instalava no meio daquele enorme lugar cheio de plantas.

Quando chegamos olhei para cima dando de cara com um céu estrelado e uma lua extreamente brilhante que iluminava toda a extensão do lugar.

O chão não era o mais limpo de todos mas naquele momento eu não me importei de deitar sobre ele. Sebastian hesitou por um momento, ele olhou para os pés e em seguida para mim, ele deitou-se ao meu lado um pouco duvidoso e sem dizer uma palavra virou seu rosto para me olhar, então fiz o mesmo com ele. Eu podia vê as linhas de expressões em seu rosto, eram duvidosas como tudo nele.

- Seus olhos brilham que nem aquela bola enorme no céu. - as palavras saíram da sua boca de forma boba.

- Que tipo de argumento é esse? - eu disse com um riso de lado.

- Não é um argumento, é um elogio. - ele disparou.

Ficamos um tempo nos olhando em silêncio, apenas ouvindo a respiração um do outro até eu decidir acabar com isso.

- Qual sua história, Sebastian? - eu perguntei. - Quem é você?

Ele suspirou.

- Não sou alguém importante. - ele olhou para frente. - E minha vida também não interessa você.

Fui atingida de uma forma inesperada.

- Talvez. - eu recuei completamemte.

- Você é muito curiosa, e isso é ruim. - sua voz saiu firme.

Eu não tinha mais nada para falar. Ele era frio como um gelo, e eu não era bem um fogo capaz de ajudar a derrete-lo.

- Acho que está na hora de irmos embora. - Sebastian disse se levantando.

Olhei em meu relógio e ele tinha razão, era tarde e o clima entre a gente tinha se evaporado.

Me levantei batendo em minha roupa para tirar a poeira que estava por todo meu corpo.

Sebastian era cauteloso e não se permitia ser manipulado, e eu não tinha intimidade o suficiente para chegar e perguntar se as coisas sobre ele eram verdade.

Ele estava parado me analisando cuidadosamente esperando que eu dissesse algo, estávamos frente a frente e o impulso me tomou.

Olhei fixamente para os seus lábios, dei alguns passos para frente e o beijei.

Não foi nada romântico, nada programado. Foi só um beijo.

Não posso dizer que ele recuou, porque não foi isso que aconteceu, mas seu entusiasmo para retribuir foi preguiçoso.

Seus lábios tinham gosto de menta.

Queimava.

Minha mão deslizou sobre seu pescoço até chegar em seus cabelos e meus dedos deslizavam suavemente sobre as madeixas, ele relaxou e pude sentir suas mãos apertarem minha cintura.

Eu simplesmente senti algo nostálgico, meu coração bateu rapidamente. Eu realmente o queria.

Mas beijo acabou quando o nosso fôlego também acabou, ele se soltou do meu corpo e se virou de costas.

Meu dedo indicador foi levado aos meus lábios sem que eu percebesse, eu havia gostado mas algo me dizia que o que viria a seguir eu iria detestar.

- Isso não era pra ter acontecido. - ele disse sem me olhar. - Esse beijo foi o primeiro e o último, nunca mais vai se repetir.

Foi cruel.

As palavras que eu ouvi foram doloridas, não era pra ter sido assim mas foi e eu fui nocauteada.

Afinal, quem gosta de ser rejeitada?

Maldito.

Eu era uma idiota, por um momento ele me fez pensar que também queria, eu devia ter entendido algo errado, a minha cabeça estava girando e a vergonha estava me matando.

Ele não se virou, apenas saiu andando. Eu fiquei ali paralisada e um pouco assustada com tudo isso, a culpa não era dele, foi minha.

Eu que fui a burra.

Balancei a cabeça voltando em mim e comecei a andar em direção a porta de saída da estufa, ele estava me esperando na porta para que eu saísse e ele pudesse fechar

- Eu vou deixar a chave. Me espera aqui e eu te levo pra casa. - falou.

Balancei a cabeça concordando com Sebastian enquanto ele ia em direção aos fundos.

Eu não tava me sentindo tão péssima assim, eu era madura o suficiente para entender que fui rejeitada.

Era no mínimo cômico.

Porém, eu tinha orgulho o suficiente para me sentir constrangida com o que aconteceu.

Quando Sebastian voltou, subimos na moto e ele deu partida. Eu não tinha coragem para dizer uma palavra se quer e eu achava que ele entendia isso. O caminho durou uma eternidade para mim e eu só pensava na droga daquele beijo, nunca algo do tipo havia acontecido comigo.

Eu tinha uma sorte extremamente ferrada.

Quando chegamos em frente ao meu prédio eu desci da moto mas ele não, então eu entreguei o capacete e aquele silêncio constrangedor continuava instalado entre nós.

Eu estava formulando na minha cabeça alguma coisa para dizer quando ele resolveu falar antes.

- Não é nada com você, o beijo foi bom, eu não posso negar. - ele desviou o olhar. - Porra. Você é amiga da Anabell e...

Eu arqueei a sobrancelha e o cortei imediatamente.

- Você me dispensou por causa da minha amiga? - perguntei incrédula.

- O Luka é um dos poucos amigos que eu tenho, se não for o melhor. Ele ama ela, e eu sei que ela me odeia e tenho certeza que ficar com você não seria nada legal. - pausa - Me avisaram pra ficar longe de você. - ele confessou - Só que você apareceu e eu não consegui seguir as regras.

Eu não acreditava que ele se preocupava tanto com isso a ponto de me dispensar.

Eu não tinha palavras pra responde-lo.

- Eu não me importo com nada e nem ninguém, mas nesse caso, não vale a pena arriscar. - ele riu. - Você é uma menina legal, mas é só. Prefiro me divertir com outras.

Nesse momento eu não consegui me controlar. Eu estava com raiva.

- Você é um imbecil fodido. - levantei minhas mãos dando os dois dedos do meio pra ele enquanto eu caminhava lentamente para trás. - Que bom que você me dispensou, eu seria muito estúpida se continuasse. Cretino!

E assim acabou a minha noite. Eu estava revoltada. Meu dia terminou de um jeito pior do que havia começado e isso me deixou mais frustrada ainda.

Eu não queria mais vê-lo.

Ele definitivamente havia me tirado do sério.

Foi um erro.

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