Capítulo 2
A noite tinha caído rápido demais, quando cheguei em casa tive poucos minutos a sós comigo mesma até que Anabell apareceu na minha porta desesperada por não saber que roupa usar.
Quando chegamos na festa fomos imediatamente recebidos por Luka, o misterioso jogador que Anabell estava saindo. Ele não parecia ser tão escroto quanto eu imaginava que seria, ele era no mínimo divertido e fez questão de deixar eu e Noah o mais a vontade possível nos apresentando qualquer pessoa que passava em nossa frente.
A música não estava nas alturas porém estava alta o suficiente para deixar o clima bem animado e conversarmos gritando.
- Eu preciso mostrar algo para Anabell, eu prometo que é bem rápido. - Luka falou bem alto para que pudéssemos ouvir.
- Podem ir, não se preocupem com a gente. Não vamos fugir. - Noah disse piscando para ele.
Eu concordei e ele sorriu simpático, logo em seguida saiu arrastando Anabell para algum canto daquela casa enorme.
Me virei para Noah o olhando dos pés a cabeça.
- Eu vou dá uma volta por ai, quer vir? - não queria deixá-lo só, mas no final, isso não seria um problema pra ele.
- Não, estou bem aqui, se é que me entende. - segui com os meus olhos o alvo de Noah e saquei na hora que ele estava paquerando um novo candidato.
Dei um tapinha em seu ombro e me afastei.
Tinha pessoas espalhadas por toda parte na casa, fui para fora dando uma olhada na parte externa, era extremamente grande e arejada, tinha uma piscina enorme e logo depois eu podia ver um jardim, era pra lá que eu iria.
Parei por um momento, pensando se teria algum problema, olhei para os lados e ninguém parecia se importar com o que eu fazia ou deixava de fazer.
Eu adorava jardins, sempre quis ter um.
Caminhei lentamente pela entrada, tinha um caminho feito de pedras, árvores baixas e flores das mais variadas espécies.
Sorri achando um balanço no final do jardim, era bonito e antigo.
Me sentei sobre o balanço e respirei fundo sentindo todo aquele ar fresco, fechei meus olhos ouvindo a música vindo de dentro da casa enquanto me balançava lentamente.
- O que você está fazendo aqui? - uma voz masculina soou me fazendo dá um pulo.
Abri meus olhos imediatamente, havia um menino parado na minha frente com um cigarro aceso na mão.
Isso fedia.
Sua expressão era séria, eu não podia explicar qual sentimento surgiu no meu peito, o susto havia se misturado com outras coisas estranhas dentro de mim e em instantes eu fiquei estressada pelo susto, mesmo sabendo que eu não tinha direito algum de me sentir assim.
Seus olhos eram da cor mais linda e desconhecida que eu ja havia visto na vida, um tom de azul âmbar bem claro, seu cabelo estava bagunçado e sua pele era de um branco apagado, o que fazia destacar a tatuagem que cobria parte do seu braço.
Da minha boca não saia nenhuma palavra, eu tinha impressão que ja tinha o visto antes, só não sabia onde.
Na cafeteria, talvez? Com certeza não, eu lembraria.
Se ele estava aqui, provavelmente deveria ser conhecido do Luka ou de algum amigo dele, ou até mesmo poderia ser o dono da casa.
Que vergonha. Foi a única coisa em que consegui pensar numa fração de segundos.
Meu corpo estava paralisado e eu nem sabia o que falar.
- Eu... Nada, bom... - eu tentava me explicar mas seu rosto não me passava uma impressão amigável.
Ele era realmente sério.
Eu não gostava de pessoas assim, me deixavam tímida.
- Não precisa ficar assustada e nem dá explicações. - ele começou a rir. - Não vou te morder.
Eu estava mais confusa que nunca, dei de ombros e dei um passo a frente.
- Desculpa, eu nem devia estar aqui. Vou indo. - apontei pro caminho.
- Eu disse que não precisava de explicações, eu não sou o dono da casa e também aposto que ele não se importaria de você estar aqui. - me virei para olha-lo novamente.
Respirei fundo. E só agora ele resolveu me falar isso?
Ele apagou o cigarro em um árvore e em seguida se sentou no balanço onde eu estava.
- Afinal, quem é você? - perguntei de uma vez.
- Sebastian! - ele fez questão de exclamar. - Você é amiguinha da namorada do Luka, não é?
Sua voz saiu de forma entediada e preguiçosa.
Cruzei os braços de forma descontraída com um sorrisinho educado.
- Você está bem informado. - umedeci meus lábios. - Sou Marie.
Ele arqueou a sobrancelha e concordou com a cabeça.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, era desconfortável.
Eu não tinha mais nada a dizer e apostava que ele também não tinha, eu apenas acenei com a mão e ele retribuiu da mesma forma, me virei e sai andando como se eu não tivesse me importado de conhece-lo.
Só que na verdade, eu me importei, talvez porque eu tivesse levemente interessada nele.
Ele era enigmático.
Talvez fosse uma coincidência mas eu tinha certeza que o conhecia de algum canto e queria tirar minhas dúvidas.
Quando entrei na casa novamente olhei para os lados procurando Anabell ou Noah, os achei conversando com Luka e mais algumas pessoas. Caminhei até lá, eu precisava de informações e Anabell deveria ter alguma, ela era a maior fofoqueira de plantão que eu conhecia.
Eu não parava de pensar naquele nome, Sebastian, e isso começou a consumir minha mente.
- Até que fim voltou. - Anabell disse assim que me viu. - Onde você estava?
- Conhecendo o lugar. - dei de ombros.
- Te entendo, sou curioso igual a você. - Luka comentou simpático tentando se aproximar.
Ele estava abraçando Bell, eu não podia deixar de ficar boquiaberta, eles faziam um belo casal e isso era estranho de se ver.
Eu não via Anabell feliz assim a muito tempo.
- Então, todos aqui são seus amigos, Luka? - eu iria começar as perguntas aos poucos.
- Alguns sim. Vocês vão se conhecer melhor com o passar do tempo, pelo menos se isso depender de mim. - ele me respondeu encarando Bell.
Ela tossiu desesperadamente como se estivesse engasgada.
Talvez fosse cedo demais para falar de certas coisas com ela que claramente estava com medo de se relacionar mais profundamente.
Olhei para os lados me sentindo ansiosa, Sebastian tinha realmente ficado lá e me arrependi de não ter ficado também para tentar puxar o mínimo de assunto que fosse.
Para mim, não era errado ficar pensando nesse cara, ele era bonito e eu não ia negar, eu estava realmente atraída, como se houvesse um grande imã me puxando.
- Noah, posso falar com você? - murmurei no ouvido dele e o mesmo concordou com a cabeça, imediatamente.
Ele estava conversando com um menino muito fofo de sardas que claramente estava dando em cima dele cujo também era um dos jogadores do time. Eu devia ter desconfiado de algo, talvez Noah tivesse razão e metade desses caras estivessem realmente no armário.
Por um momento eu ri pensando nessa hipótese enquanto Noah me acompanhava para o canto da sala.
- Essa noite me promete. - ele comentou enquanto olhava para o menino de longe.
- Confesso que valeu a pena ter vindo. - balancei os ombros calmamente.
- Como assim, Marie? - ele cruzou os braços curioso. - Não vai me dizer que achou um pote de ouro por ai, achou?
Ri calmamente.
- Talvez. - olhei para os lados vendo se não tinha mais ninguém por perto.
- Conte mais. - ele disse impaciente.
De repente Anabell apareceu por trás de Noah extremamente desorientada e eufórica.
- Olha, eu também quero saber o que está acontecendo. - ela gritou. - Qual a fofoca?
Não disse? Ela era uma completa Maria Fifi.
Neguei com a cabeça sem jeito.
- Só se você falar um pouquinho mais baixo. - coloquei o dedo indicador na boca e Anabell me respondeu com um riso cínico. - Ai sim daria pra conversar.
Discrição era tudo na vida de uma pessoa.
- Para de enrolar, Marie. - ela bufou. - Vamos, conte.
- Eu estava no jardim e conheci um cara, se chama Sebastian. Vocês o conhecem? - fui bem direta.
Noah e Anabell se entreolharam de forma estranha.
A reação deles foi bastante inesperada, não era algo que me deixou satisfeita.
- Deixa isso pra lá Marie, ele é só qualquer um. - Bell disse de uma forma indiferente porém dava para sentir em sua voz que tinha alguma coisa errada.
- Ela tem razão, Marie. - Noah deu as costas para mim indo embora.
Tinha algo rolando e eles não queriam me contar. O problema era que eu não iria deixar assim. Bufei olhando Noah se afastar, ele realmente tinha ido embora desse jeito me deixando falar sozinha?
Anabell ia fazer a mesma coisa mas eu não deixei, puxei seu braço e a fiz olhar para mim.
- O que tem de errado com ele? - eu perguntei.
Ela respirou fundo.
- Tudo bem, eu te conto. - ela se soltou. - Não é nenhum segredo de estado, mas, acho melhor você deixar ele pra lá porque além de ter uma carinha bonita ele também é um pouco problemático e rola vários boatos sobre ele, e não são bons, vai por mim.
Eu relaxei meu corpo e comecei a rir.
Era só isso?
- Quando você começou a acreditar em boatos, Anabell? Que infantil.
Ela deu de ombros.
- Pode ser, mas provavelmente não. Digamos que ele é um velho amigo do Luka e eu não gosto nada disso. Confesso.
Mordi meus lábios, raramente Anabell não gostava de alguém e ela sempre tinha razão no final.
- Só vou te deixar em paz e parar de pensar nisso quando você me contar o que andam dizendo por ai. - falei fazendo ela rir.
- Típico seu, Marie. - ela olhou para o Luka antes de continuar. - Ele vai me matar se souber que eu contei. - apontou para o menino. - Mas enfim, o Sebastian era do time a algum tempo atrás, era um dos melhores, mas foi afastado por brigar feio com um outro jogador.
- O afastaram por uma briga? Isso é motivo suficiente? - perguntei.
Eu não entendia muito bem dessas coisas.
- As vezes não, mas o caso do Sebastian foi especial porque o treinador não ia com a cara dele, uns dias depois o menino com quem ele brigou foi internado, ele foi espancado em um beco. Quase todos suspeitaram do Sebastian por causa da briga e como seu histórico não é limpo até os policiais acreditaram nisso por um tempo, porém, não tinham provas e o liberaram. - ela suspirou. - Eu não sei no que pensar, o menino disse no depoimento que não deu para ver quem era porque estava muito escuro mas tinha quase certeza que era Sebastian. A gente também não pode levar em conta o depoimento dele porque no dia em que aconteceu isso ele puxou briga com dois policiais no bar em que ele estava e nós duas sabemos que policiais são vingativos.
Eu não fazia ideia de toda essa história, só que para mim isso ainda não era nenhum motivo viável para toda essa cena que Noah e ela fizeram quando perguntei sobre ele, como ela mesmo havia dito, eram boatos.
- Tem certeza que isso é tudo? - arqueei a sobrancelha.
- Você ainda não ouviu o resto. - ela elevou os braços.
Anabell pegou em minha mão me guiando para um sofá que estava perto de nós, ela se jogou e em seguida eu me sentei ao seu lado.
- Isso tudo é um droga, não é? - eu falei pensando em toda situação. - Não me imagino sendo acusada por algo que não fiz.
- Não sei se acredito na inocência dele. Sebastian luta clandestinamente por diversão, normalmente só vemos ele com machucados e acaba que os outros garotos se influenciam também, acham isso tão legal que sempre querem tentar, sem perceberem que isso pode os matar. - ela deu uma pausa. - Seu histórico de brigas é gigantesco. Me admira muito ele ainda não ter sido expulso da Universidade. As pessoas tem medo dele. Todo mundo sabe quem ele é.
- Como eu não sabia? - perguntei irônica.
- Uma qualidade sua é que você não se importa muito com as fofocas que percorrem nos corredores daquele prédio.
Bingo. Ela tinha razão. Eu gostava de cuidar da minha própria vida.
- Isso tudo é muito louco. - eu disse.
Eu queria me convencer que isso conseguiria me fazer parar de pensar nele só que toda essa história só serviu para mexer ainda mais com a minha cabeça.
Eu devia aprender a não dá muita importância para certas coisas mas as vezes era impossível.
Anabell se levantou e me encarou com advertência.
- Espero que agora você tenha entendido. Sendo verdade ou não eu sei que ele não é a pessoa mais legal do mundo e você é muito bobinha para um cara como aquele. - ela bagunçou meu cabelo e saiu.
Eu poderia dizer que a frase que ela falou havia me ofendido. Mas não, não ofendeu porque ela tinha razão.
Um frio esquisito me percorreu fazendo todo meu corpo se arrepiar, meu olhar passeou por toda aquela enorme sala com pessoas até parar na entrada.
Eu engoli seco.
Sebastian estava apoiado na porta enquanto segurava um copo de bebida, seu olhar direcionado a mim era o motivo daquele frio inexplicável.
Ele ergueu o copo em direção a mim, como se estivesse me cumprimentando.
Eu sentia muito por isso mas estava completamente hipnotizada por ele.
