04
— Você acha mesmo isso de mim? — Timber perguntou, dando um leve sorriso de satisfação pela fêmea pensar daquela forma sobre ele.
— Sem dúvida nenhuma. Você é atraente e qualquer mulher em sã consciência gostaria de estar em um encontro com você. — apesar de querer se vingar do seu noivo, Eva sinceramente queria dizer aquilo.
— Até mesmo você? — o macho inqueriu, sentindo-se nervoso por dentro, nunca havia sentido uma atração imediata tão forte por nenhuma outra mulher.
— Não importa, porque eu não sou bem o tipo de mulher que um homem como você se interessaria para estar em um encontro. — Timber grunhiu ao ver o brilho de tristeza nos lindos olhos dela.
— Por que não? — questionou, indignado, porque ela era exatamente alguém que ele se interessaria.
E estava muito interessado.
— Aquela loira era bonita, magra e alta. E eu, bem, eu estou acima do peso, sou baixa e vivo ouvindo que não sou tão bonita.
Timber de repente estava louco por ouvir tamanho absurdo, queria descobrir quem a fez pensar dessa maneira e acabar com a raça da pessoa.
— Eu não vejo isso. Para mim você é pequena, com curvas aparentemente macias e a fêmea mais bonita que eu já coloquei meus olhos. — ele foi totalmente honesto e o coração de Eva pulou no peito.
Ninguém nunca havia falado algo assim para ela.
— Eu bebi demais e estou sonhando? — ela brincou, bebendo mais um gole de vinho da sua taça pela metade.
— Não, você está bem acordada e um pouco bêbada eu acho. Por quê?
— Somente em sonhos um homem falaria isso para mim... — ela desviou o olhar para baixo.
— Eu não sou um homem, sou um macho Nova Espécie e nós sabemos como tratar uma fêmea.
Eva quase ofegou pelo quão sexy foi ele dizendo essa frase.
— Obrigada. — de repente não sabia mais o que dizer, mas seu corpo estava quente.
— Não me agradeça por dizer o óbvio. Eu me chamo Timber, qual é o seu nome?
— Evangelinne, mas odeio esse nome, então prefiro que todos me chamem de Eva. Eu sei que poderia apenas dizer que meu nome é Eva sem mencionar o Evangelinne já que o odeio, mas eu adoro dizer que odeio esse nome. — ela sorriu, falando demais, tendo plena noção de que estava muito bêbada.
— Você tem um nome bonito, combina com você. — Timber sorriu e Eva sorriu de volta, sentindo um misto de emoções que não sabia o que significava.
Talvez o macho Nova Espécie estava apenas querendo levá-la para a cama e por isso estava sendo tão gentil, mas não estaria ela também com o mesmos pensamentos? No entanto, sabia que eles não eram como homens comuns. Seus minutos de conversa provaram que tudo que falavam de ruim sobre eles era uma grande mentira e idiotice.
Aleatoriamente seu estômago roncou, lembrou-se que não havia comido bem no almoço e também não mexeu em seu prato no jantar com Bruce.
— Você gostaria de comer alguma coisa? — Timber perguntou e ela severamente corou.
— Você ouviu isso? — ela colocou as duas mãos no rosto.
— Sim, nossos sentidos de cheiro, audição e visão são mais aguçados.
— Você gosta de ter esses sentidos apurados?
— Eu me acostumei e é muito bom agora, posso estar ciente das coisas com antecedência.
— Como por exemplo, meu estômago roncando. — ela riu.
— Você gostaria de comer? — repetiu a pergunta.
— Não, eu estou bem.
— Seu estômago está vazio, já passei fome e sei o quão ruim é.
Eva hesitou.
— Vou ser sincera com você...
— Por favor, seja.
— Eu não tenho dinheiro para comprar, um lanche aqui deve ser caríssimo e eu estou bebendo este vinho contando com o último limite do meu cartão de crédito, apenas porque eu precisava ficar bêbada.
— Eu gostaria que me permitisse pagar alguma alimentação para você.
— Está tudo bem, não precisa.
— Coma alguma coisa, eu insisto.
— Preciso perder peso e não quero que gaste seu dinheiro comigo.
— Dinheiro não é problema e você não precisa perder peso, por que diz isso?
— Preciso sim. — lágrimas quentes encheram seus olhos e ela não conseguiu piscá-las de volta.
Queria desesperadamente comer, mas as ofensas de Bruce a impediam, ela deveria estar mais magra até o casamento, mesmo que não estivesse disposta a seguir todos os requisitos dele. Ela não deixaria que ele fosse seu primeiro sexo, mas ninguém saberia disso, já sobre seu corpo, era bem visível e ela precisava se encaixar naquele maldito padrão que seu noivo idiota exigia.
Não podia quebrar o contrato que assinou, sua mãe não teria como devolver o dinheiro e jamais permitiria que ela fosse presa já que tudo que estava fazendo, era por Ruthie.
Timber se sentiu miserável por ter feito a fêmea chorar, ele se atreveu a levantar uma mão e suavemente secar as lágrimas dela, adorando a sensação da pele sob seu dedo.
— Me desculpe, eu não queria fazê-la derramar lágrimas. O que eu falei que não lhe agradou? Nunca mais repetirei, diga-me.
— Não é sua culpa. É que minha vida é uma droga. Eu estou com muita fome, mas necessito emagrecer.
— Você está com fome e se nega a comer porque diz que precisa emagrecer, o que não é verdade. Vou pedir algo para você, do que gosta?
— Timber...
— Gosta de bacon? O bife do hambúrguer, bem ou mal passado? — os olhos dela lacrimejaram, se rendendo.
— Bem passado e gostaria que tirassem o picles.
Timber sorriu vitorioso e se mexeu na cadeira, se levantando e indo até o balcão, ele precisava apenas chamar o garçom para ir à mesa, mas preferiu caminhar até lá para dizer que gostaria de um lanche bem caprichado para Eva.
Ela ficou sentada, admirando o jeito que Timber caminhava, tão graciosamente apesar da densa massa de músculos, parecia leve. Tentou não olhar tanto para as nádegas cheias dentro da calça, mas era difícil. Ele era construído em todo seu corpo, do tipo fisiculturistas que viu na tv.
Ele é extremamente atraente. Puta merda.
Alguns minutos depois ele voltou, sorrindo.
— Disseram que não vai demorar muito. — ele informou.
— Obrigada, Timber.
— Não é nada.
— Mesmo assim... — ela voltou a passear o olhar pelos braços fortes — O que você faz?
— Você quer saber qual é o meu trabalho?
— Também, mas para manter a forma?
— Eu trabalho na segurança da reserva e de Homeland, geralmente fico de vigia nos muros, as vezes saio em missões especiais, estou constantemente indo e vindo, não gosto de estar em um lugar só por muito tempo e também fico onde sou mais necessário.
— Você gosta do seu trabalho?
— Eu gosto.
— E para manter a boa forma?
— É nossa genética, somos todos assim, mas geralmente lutamos em nosso centro de treinamento, gostamos de manter nossos reflexos em níveis máximos. Treinamento de combate corpo a corpo é o que a maioria faz.
Eva olhou para os braços musculosos, ombros largos e lábios carnudos novamente, quase babou, ele era incrivelmente bonito. Era exatamente o oposto de seu noivo imbecil. Começou a fantasiar com ele sem aquela camisa preta, gostaria de descobrir se seu abdômen era tão definido quanto as partes visíveis de seu corpo, se atreveu a ir mais além em seus pensamentos e imaginá-lo sem as calças também.
Uma brisa de vento entrou pela janela e um perfume penetrou seu nariz, ela inalou, fechando os olhos, notando que vinha dele e que ele cheirava bem.
— Você usa algum perfume específico? — perguntou.
— Não, apenas sabonete, cheiros fortes irritam nossos olfatos.
— Oh, espero que o meu não esteja ruim. — ela sorriu e observou as narinas dele se movimentando.
Escutou um grunhido baixo ressoando dele.
— Não está. Você cheira incrível. Eu adoro cerejas. — ele lambeu os lábios, sentindo seu pau pulsar dentro da calça ao sentir o leve cheiro de excitação vindo dela.
Não sabia o motivo, mas esperava desesperadamente que ele fosse a razão, até nisso ela era a melhor que já sentiu.
— Uau, é incrível que saiba exatamente a essência do meu perfume.
— É tão bom que me faz querer enterrar o nariz em seu pescoço para consegui-lo mais de perto. — grunhiu levemente.
— Oh. — Eva não estava preparada para aquela franqueza, entretanto seu ponto sensível no meio das coxas latejou.
Agora por culpa dele teria mais uma fantasia, ele com o rosto enterrado em seu pescoço, cheirando-a, estranhamente lhe agradava e lhe excitava a possibilidade de tê-lo fazendo isso.
— Eu choquei você? Desculpe, eu gosto de ser totalmente sincero e as vezes não penso antes de falar, mas devo considerar que fêmeas humanas em sua maioria são tímidas.
— Eu adoro que seja sincero e nunca fui tímida. — ela desesperadamente queria ouví-lo dizer de alguma forma que também estava atraído por ela.
Porque ela estava por ele.
— Então eu posso ser totalmente honesto? — ele deu um leve sorriso que o deixou ainda mais bonito.
— Claro. — seu coração acelerou.
— Eu gostaria que considerasse este momento como um encontro. — disse ele e ela engoliu em seco.
— Isso significa que me vê desta forma? A ponto de estar em um encontro? — ela estava realmente surpresa que um cara tão gostoso, bonito e simpático como Timber, pensava nela desse jeito.
— Você me atraiu desde o momento em que entrou neste bar. — ele lambeu os lábios novamente e Eva quase gemeu para onde seus pensamentos foram.
— Me senti da mesma maneira. — ela confessou, sem nenhuma vergonha.
— Então estamos em um encontro?
— Estamos. — ela concordou.
De repente a angústia antecipada começou a lhe corroer, aquele seria seu primeiro e último encontro com Timber. Infelizmente tinha um noivo e uma missão a cumprir, queria chorar quando seu coração doeu pela perspectiva do que estaria perdendo ao se prender o maldito Bruce por cinco anos.
Ela sabia que estava errada, que o que estava fazendo e iria fazer, não era o correto, entretanto não podia evitar querer aproveitar o máximo que pudesse com a pessoa mais gentil que já conheceu.
