05
— Aqui estão seus pedidos. — uma garçonete mulher quem os atendeu na mesa desta vez, ela tinha um broche na roupa revelando seu nome, Layla.
Ela os serviu com dois pratos generosos de lanches, a jovem achou exagero o tamanho do seu hambúrguer, mas o conteúdo no prato de Timber deixou-a ainda mais de boca aberta, era um lanche enorme.
— Os refrigerantes. — Layla colocou na mesa também.
— Obrigado. — Timber agradeceu e a mulher corou.
— Por nada. — deu uma piscadela mas Timber se virou para ela, parecendo não notar a garçonete.
Uma onda de ciúmes atingiu Eva, ciúmes de alguém que não era seu e que ela não tinha nenhum compromisso e mal conhecia. Talvez fosse mais insegurança, visto que Layla era muito bonita.
Respirou fundo e sentiu sua barriga roncar mais forte e não pensou duas vezes quando Timber começou a devorar seu lanche, deixando-a completamente a vontade para começar a comer também.
— Nossa, isso está muito gostoso. — Eva exclamou, gemendo com um pedaço do lanche na boca — Deus! Eu estava com tanta fome.
Timber grunhiu levemente, imaginando como seria ela gemendo ao tê-lo se enterrando dentro dela, a fêmea cheirava tão bem que ele realmente queria fazer o que disse, enterrar seu rosto em seu pescoço, mas não só lá, no meio de suas coxas também. Estava duro desde o instante em que se sentou perto dela, planejava conseguir tocá-la como queria, mas iria com calma, no tempo dela.
Vários minutos depois, ele tinha terminado seu lanche e ela ainda estava na metade, mas se sentia satisfeita.
— Não consigo mais, estou muito cheia. — ela gargalhou, parecia muito mais feliz agora.
Timber parou, admirando o sorriso e as bochechas cheias que tanto achou atraente.
— Você é linda. — declarou e ela parou de sorrir, as bochechas ficando vermelhas.
— Obrigada, mas o único lindo aqui é você. — ele grunhiu de novo e ela franziu as sombrancelhas.
— Espero que não ache animalesco e estranho demais, mas eu grunho e rosno, uivo também.
— Eu não acho nada disso, você é canino?
— Sim.
— Você sabe qual DNA foi misturado ao seu?
— Não tenho certeza se foi de um cachorro ou de um lobo.
— Seus olhos me lembram um lobo, são muito bonitos.
— Obrigado. — ele sorriu — Também tenho presas.
Eva corou de novo, lembrando-se do momento em que fantasiou com elas mordiscando sua pele, sentiu-se excitada mais uma vez, observou o nariz de Timber se agitar de novo e agora já não tão bêbada quando antes, quis enfiar a cara em um buraco.
Claro que ele tem olfato mais apurado e talvez possa sentir se eu estiver exitada e eu nem posso contar quantas vezes fiquei desde o instante em que pus meus olhos nele e que ele se sentou aqui.
Eva observou Timber dar uma olhada para o relógio em seu pulso.
— Que horas são? — ela perguntou.
— Onze horas.
— Uau, nem vi a hora passar. Você tem que ir?
— Não. Eu também não vi a hora passar, ficaria aqui a noite toda e não notaria o sol nascendo.
— É assim que acontece quando a companhia é boa, posso supor que eu sou uma então?
— Sem dúvida alguma. A melhor. — ele deu uma olhada no relógio de novo e Eva se preocupou.
— Você já tem que ir? Se tiver, está tudo bem.
— Eu não tenho que ir. Mas e você?
— Eu não tenho como voltar, na verdade, entrei aqui pensando que talvez pudesse conhecer alguém do meu bairro que pudesse me dar uma carona, mas não vi ninguém e acabei ficando para beber um pouco e criar coragem para ir caminhando sozinha. Tenho medo do escuro.
— O que aconteceu? — Timber grunhiu.
— Eu peguei uma carona com uma pessoa e esse idiota me deixou no meio do caminho de propósito.
Timber grunhiu mais bravo.
— Quem é o filho da puta? — seus olhos brilharam de raiva.
— Ninguém importante, não fique chateado com isso. — ela tratou de mudar de assunto — Você poderia me levar, então conversaríamos mais.
Logo se arrependeu de ter sugerido isso, se ele a levasse, logo os fofoqueiros de sua rua começariam a comentar e isso chegaria aos ouvidos do pessoal da igreja e de Bruce, seu casamento arranjado seria arruinado, ela não lamentaria se sua mãe não dependesse disso e não tivesse assinado uma porcaria de um documento.
— Eu pensei em convidá-la para minha casa, sei que pode parecer rápido demais e fêmeas humanas precisam de mais tempo antes de dar esse passo, mas eu não a tocarei se não quiser, é apenas para passarmos mais algum tempo juntos. Gostei de passar um tempo com você.
Uau, ele é muito direto!
Timber decidiu ir direto ao ponto, não queria se despedir da fêmea, embora estivesse receoso de que ela dissesse não, seu coração estava batendo mais rápido que o normal.
Eva sabia que era um erro, mas deixaria para se arrepender depois, pelo menos uma vez em sua vida iria se sentir desejada e ter alguém lhe tratando bem e Timber estava fazendo isso para ela, além de obter sua vingança silenciosa, afinal, era esse seu intuito desde o início.
— Eu estou bem com isso. — ela respondeu.
— Em ir para minha casa? — ele quase não podia acreditar que ela estava aceitando ir.
— Sim. — ele abriu um sorriso enorme, mas logo desmanchou.
— Eu preciso te dizer uma coisa antes. — coçou a cabeça.
— O que é?
— Eu moro em um prédio onde só moram machos, mas tenho um apartamento só meu, talvez isso te faça ficar tímida mas não precisa.
— Sem problemas, eu não sou do tipo muito tímida.
O sorriso que Timber deu para ela, fez seu coração errar uma batida, ele parecia se sentir vitorioso com sua concordância em ir para casa com ele. Talvez ele fosse apenas um macho feliz que se daria bem naquela noite, mas não era isso que ela também queria?
O macho Nova Espécie se levantou para pagar a conta e avisar algo aos seus amigos que olharam todos juntos para ela na mesa, em seguida voltou para ela e ergueu sua mão, ela sem hesitar colocou a sua sobre a palma muito maior e mais quente e se levantou com ele.
Ela olhou para cima para encontrar os olhos cor de mel encarando-a, ele era muito mais alto quando ela estava de pé, seu rosto batia apenas em seu peito e o corpo dele conseguia cobrir o seu.
— Eu tenho que pagar o vinho que tomei. — disse ela.
— Eu paguei tudo. — ela assentiu.
— Obrigada. — de repente ela estava nervosa e sentiu seu corpo começar a tremer.
— Você está tremendo, está tudo bem? — ele perguntou.
— Acho que estou com frio. — mentiu.
— Tenho uma jaqueta no carro. — ele disse e puxou levemente sua mão para que o seguisse.
Eles foram em direção a um SUV preto, ele abriu a porta e ela entrou primeiro, em seguida ele deu a volta, entrou e procurou algo nos bancos de trás e puxou uma jaqueta jeans preta, colocando gentilmente sobre os ombros dela.
— Não é muito longe. — ele avisou.
— Tudo bem. — ela deu um sorriso.
Puxou um assunto aleatório sobre filmes enquanto eles faziam o caminho em direção a Reserva, se distraiu um pouco do que pretendia propor a Timber quando chegassem ao apartamento dele.
— Eu vou insistir que o guarda não reviste você, infelizmente é obrigatório para todos os humanos que entram e saem.
— Eu estou limpa, minha roupa não tem bolsos e em minha bolsa estão apenas minha indentidade e um cartão de crédito.
Eles se aproximaram dos grandes portões.
— Está com uma humana que ainda não conhecemos. — uma voz profunda disse.
Eva vislumbrou um homem alto e forte vestido de preto com um capacete no rosto.
— Ela é confiável, pode vê-la pela janela mas não a obrigue descer, isso a deixaria envergonhada. Eu já verifiquei se ela possui qualquer coisa que possa ser perigoso.
— Você confia nela? — a voz questionou e o coração dela saltou.
— Sim. — Timber respondeu sem hesitar.
— Responsabilidade sua. Pode entrar. — o portão se abriu e o carro passou por ele.
— Você não vai entrar em problemas por me trazer, não é? — ela questionou, insegura.
— Não irei, pode ficar tranquila.
— Ok.
O SUV parou em frente a um prédio com vários andares, ele desceu primeiro e abriu a porta para ela, ajudando-a descer. Segurou firme em sua mão e entrou com ela pelas portas após colocar um cartão para abrí-las. Estava vazio e de alguma forma isso a deixou aliviada.
Entraram no elevador e pararam no 6 andar, entrando no último apartamento do mesmo.
Timber abriu a porta e Eva entrou primeiro, evitando reparar em muitos detalhes, no entanto, notando como tudo parecia impecável, arrumado e limpo.
— É aqui onde moro quando estou na Reserva.
— Sua casa é linda, tudo tão arrumadinho. Queria que minha casa fosse assim, mas minha mãe bagunça muito.
— Obrigado. Você mora com sua mãe?
— Sim.
— E com mais alguém da sua família?
Ela não queria falar sobre isso porque a lembrava do que precisava fazer pela mãe e de tudo que lhe causou ser obrigada a ficar noiva de Bruce, sabia que não tinha para onde correr, não havia outra opção ou jeito.
— Não, apenas minha mãe, mas eu não quero falar sobre mim.
— Me desculpe, apenas queria saber mais sobre você.
— Eu sei, mas eu acho que seria melhor se fizéssemos outra coisa.
Ela estava nervosa, seu corpo tremia, seu coração estava acelerado e um frio estava instalado em seu estômago. Nunca havia tido uma atitude como aquela que iria tomar.
— O que quer fazer? — ele indagou, se aproximando dela, inclinando a cabeça para baixo, para estarem mais perto.
Eva respirou fundo, se encheu de coragem e abriu a boca.
— Acho que seria melhor que me perguntasse o que eu quero que faça comigo. — sussurrou, se sentindo devassa.
Ele grunhiu, excitado.
— O que você quer que eu faça com você?
— Que me beije e passe a noite comigo. — ela declarou.
Timber quase uivou de alegria, todo seu corpo reagindo a frase dela, ficando rígido, ele faria com que a fêmea humana não desejasse outro toque além do seu.
