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03

Eva sabia que havia cometido um erro quando certa vez, sem querer revelou para Bruce que tinha medo do escuro. O pavor tomou conta dela quando no meio da estrada no caminho para casa, seu noivo parou o carro, desceu e abriu a porta do lado que ela estava sentada.

— O que está fazendo? — questionou, confusa.

Seu pescoço ainda doía do aperto dele e seus olhos ardiam por querer tanto chorar e se negar a fazer isso em sua frente.

— Você fica aqui. — disse ríspido, puxando seu braço com brutalidade até ser obrigada a sair do carro.

— Vai me deixar no meio do nada? — apesar de saber tudo que ele era capaz, ela estava incrédula.

— Dê o seu jeito. Da próxima vez, pense duas vezes antes de me tratar da maneira que tratou. Eu quero uma esposa submissa e até que aprenda isso, será tratada desta forma.

— Bruce, está tudo escuro aqui e eu não tenho dinheiro para o ônibus, apenas cartão de crédito na bolsa! — ela se desesperou quando ele entrou no carro e bateu a porta.

— Nos vemos amanhã. Pense em sua mãe em um caixão e talvez assim consiga ser a mulher que preciso.

— Não me deixe aqui, Bruce! — pediu, batendo no carro.

— Pense melhor da próxima vez! — ele gritou e acelerou o carro.

— Desgraçado! Mil vezes desgraçado! — Eva xingou e finalmente deixou cair as lágrimas que estavam presas.

Sentou-se no chão e chorou de soluçar, alguns minutos depois, olhou ao redor, sentindo sua mente girar, tinha pavor do escuro, não havia nada por perto, lembrou-se então de um restaurante que haviam passado a poucos quilômetros e começou a correr em direção a ele. Não tinha nenhum dinheiro na bolsa, apenas um pouco de limite no cartão de crédito e o seu celular havia ficado em casa carregando.

Quando alcançou o estabelecimento, se recompôs antes de abrir as portas, buscando lá dentro alguém que talvez conhecesse, se não, teria de ir andando ou pegar carona com um estranho, tinha muito medo das duas opções.

Varreu o olhar pelo lugar e seu coração errou uma batida quando seu olhar encontrou um homem enorme e musculoso sentado próximo ao balcão do bar. Ele tinha o queixo firme, maçãs do rosto salientes, lábios grossos, nariz achatado e cabelos loiro escuro, sua memória rapidamente lhe disse que ele era um Nova Espécie, dos quais sempre ouvira falar, bem e mal, mas nunca havia visto um pessoalmente.

Seu olhar viajou sobre a camisa preta que usava e não deixou passar a forma como as mangas eram apertadas no ombro e braços. Ele não estava usando o uniforme preto que sempre os via vestindo na TV e que no fundo sempre achou extremamente sexy. Mas ele ainda usava roupas da mesma cor. Engoliu um seco.

Uau. Agora entendo todas as mulheres que se casaram com eles. Foi seu pensamento.

Um leve empurrão em suas costas lhe fez perceber que ainda estava parada na porta e havia alguém atrás dela querendo passar, desviou o olhar do Nova Espécie e apressadamente caminhou para a mesa no canto mais distante de todos, sentou-se e respirou fundo, sentindo um frio incomum na barriga.

Um garçom simpático se aproximou da mesa dela.

— Em que posso ajudar? — o homem sorriu.

— Eu quero... — ela pensou, sem saber o que pedir.

Se eu beber um pouco de bebida alcoólica, talvez eu perca o medo de ir caminhando sozinha.

— O que tem de bom aí? Para perder o medo, sei lá, ganhar coragem e que seja barato. — ela perguntou, nervosa.

— Você já bebeu alguma vez? — o garçom indagou.

— Nunca. — balançou a cabeça com força.

— Certo. Acho que uma taça de vinho será um bom início. — o homem anotou algo em um bloquinho e se afastou.

Espero que dê para pagar por uma taça de vinho.

Ela olhou novamente para onde o Nova Espécie estava e simplesmente estava fascinada, nunca havia visto alguém tão forte e tão grande assim pessoalmente e algo dentro dela instigou a querer olhá-lo mais de perto, mas engoliu em seco quando avistou uma mulher de cabelos loiros falando com ele, parecendo brava, uma música tocava no fundo, mas algo lhe dizia que a mulher não dizia coisas boas por suas expressões.

Será que ela o está ofendendo por ele ser um NE? Eu já ouvi falar daqueles grupos de ódio que não os deixam em paz. Inclusive, minha mãe e toda a igreja de Bruce concordam com esses grupos idiotas.

Eva também tinha ouvido falar que eles eram muito gentis com mulheres e talvez por isso, não revidasse os insultos da loira, mas ela faria por ele se fosse necessário, odiava injustiças, já bastava a que estava vivendo. Sabia parte do que os Novas Espécies sofreram e não concordava com os grupos de ódio.

No segundo que pensou em se levantar, a mulher saiu do bar e a expressão que viu na face do macho espécie a deixou triste, ele parecia chateado. Voltou a se sentar, acanhada para se aproximar e apenas ficou olhando de longe quando seus amigos, também grandes, se aproximaram dele.

Minutos depois, o garçom veio com uma taça de vinho e ela acabou bebendo tudo rápido demais, decidindo olhar para fora do bar para não encarar tanto o Nova Espécie, temerosa que ele percebesse e ficasse constrangido de alguma forma. O garçom veio novamente e encheu a taça uma segunda vez.

Naquele instante, olhando para fora, uma leve chuva começou a cair e com ela lágrimas de seus olhos, enxugou-as rapidamente, odiava chorar na frente de qualquer pessoa, entretanto sempre ouvia falar que tinha um rosto expressivo e se alguém soubesse ler bem emoções, saberia com toda certeza que ela estava se sentindo no fundo do fundo do poço naquele momento, ou um lugar abaixo dele se houvesse.

— Odeio minha vida. — murmurou bebendo a segunda taça.

Era fraca para álcool, nunca havia bebido e já podia sentir sua cabeça girar um pouco, levantou a taça para o garçom e ele novamente a encheu, ela bebeu tudo e ergueu novamente.

— Isso é bom, hein? Eu ainda me sinto com muita raiva do Bruce mas também disposta a qualquer coisa para me vingar dele. — admitiu para o homem.

— Apenas faça. Quer saber? A próxima taça é por minha conta, vamos, beba essa. — Eva sorriu e bebeu tudo novamente, tendo o homem enchendo sua taça em seguida — Agora preciso atender outras mesas, qualquer coisa é só chamar.

— Obrigada. — deu um leve sorriso e quando o homem saiu de sua frente, seus olhos se fixaram novamente no Nova Espécie.

Naquele momento, ele estava sorrindo de alguma coisa que um dos seus amigos falou, o grande sorriso revelou algumas presas e os pensamentos que consumiram sua mente lhe deixaram surpresa. Ela simplesmente começou a fantasiar com aqueles dentes mordiscando a pele do seu pescoço.

Uma leve pressão se acumulou dentro de sua calcinha e ela roçou as coxas uma na outra, engolindo em seco com a novidade da sensação. Ele também a olhou e seu coração disparou freneticamente, suas pernas debatiam no chão, queria levantar e ir até ele, dizer ao menos um olá, mas se conteve, estava alcoolizada e mais corajosa, no entanto, ainda não conseguia se mover.

Decidiu então olhar para fora do bar e beber a taça que o garçom encheu, seus olhos se arregalaram quando uma enorme figura se juntou a ela na mesa, especificamente em sua frente. Ofegou, tendo noção de que era o Nova Espécie bonitão, ele parecia ainda maior de perto. Seus ombros e braços eram muito mais largos e musculosos, seu rosto era simplesmente perfeito.

Era diferente, mas muito atraente.

— Oi. — ele disse e sua voz rouca e grossa enviou arrepios bons por todo seu corpo.

— Oi. — respondeu, impossibilitada de desviar o olhar de todos aqueles traços exóticos.

— Você está bem? Eu vi você chorando há poucos minutos, queria vir aqui e saber se precisa de ajuda mas os meus amigos disseram que poderia estar com medo da gente ou nos odiasse.

— Eu estou bem. — mentiu — Também não estou com medo de vocês.

— Eu imaginei que não, não enxerguei medo em suas expressões quando me olhou.

— Eu não odeio vocês como aquela mulher loira que estava conversando com você ou como qualquer grupo idiota daqueles que não os deixam em paz. — o óbvio alívio em sua expressão fez Eva sorrir levemente — Quer dizer, eu nem sei se a loira odeia vocês, não ouvi o que foi dito mas ela parecia brava.

— Fico muito contente que não nos odeie, mesmo. E sim, a fêmea loira é anti-espécie. Eu queria me aproximar desde o instante em que passou pelas portas, meus instintos me disseram que estava triste, mas não sabia se podia, aqui fora temos que ser cautelosos.

Eva não sabia se era ela ou o álcool em seu organismo, mas não conseguia desviar o olhar dos lábios carnudos se movimentando para falar, e sua mente foi além, ao imaginar-se beijando-o.

— Eu entendo. Você estava em um encontro? — Eva achou ridícula a sensação de inveja que sentiu da loira por ter estado em um encontro com ele e nem conhecia o cara.

— Sim, mas acabou indo de mal a pior. - ele não lamentava nenhum pouco.

— Eu sinto muito. O que aconteceu? Ela não sabia que estaria em um encontro com você? — indagou com curiosidade.

— Eu segui o conselho de um macho humano da força tarefa que trabalha com a gente, sobre um aplicativo de namoro, decidimos que seria perigoso se eu colocasse minha foto real.

— Tem razão, realmente seria perigoso, mas você não me parece com alguém que precise de um aplicativo de namoro para conseguir uma mulher.

Eva estava bêbada e descaradamente flertando, nunca fora tímida na vida, mas um pouco induzida pelo álcool conseguia ser ainda mais direta, se arrependeria amanhã, mas naquele momento apenas uma coisa se passava pela sua cabeça, dormir com aquele Nova Espécie. Seria com ele que teria sua vingança silenciosa contra seu maldito noivo.

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