02
Timber e mais um grupo de outros quatro Nova Espécies estavam sentados à mesa de um bar restaurante próximo a reserva, sempre visitavam o local quando queriam sair um pouco para fora dos grandes muros para espairecer ou quando tinham um encontro com alguma fêmea humana.
Naquele dia específico, Timber estava lá porque um dia antes havia descoberto graças a um membro da força tarefa humana, um aplicativo de namoro, no qual ele selecionava a mulher que lhe agradasse e se ela o escolhesse de volta, poderiam conversar por mensagens ou áudios e decidir se iriam se encontrar pessoalmente ou não.
O homem humano no entanto o aconselhou a não colocar sua foto real para o acaso de ser atraído para alguma armadilha, então ele apenas colocou uma foto do animal que possuía em seu DNA, um lobo.
No dia seguinte ele já tinha um encontro, estava ansioso, poderia estar indo para conhecer sua futura companheira e mãe dos seus filhotes, era o seu maior desejo encontrar uma fêmea que o amasse tanto quanto as companheiras de seus amigos espécies o amavam.
Ele já chegara a gostar e se sentir atraído por alguma fêmea humana com quem compartilhou sexo, mas nada parecido com o que os machos acasalados sentiam e demostravam por suas fêmeas.
Timber acreditava que os outros machos que encontraram companheiras foram sortudos, os invejava porque com ele sempre fora pelo sexo, pela fama que eles tinham de serem bem dotados e adorarem dar prazer as mulheres com quem dormiam, ele acabou descobrindo também que a maioria das humanas com quem dormiu, tinham compromissos com machos humanos, mas nunca se sentiu possessivo a ponto de querer lutar por nenhuma e seu maior desejo era ter isso algum dia.
No entanto, naquele dia, estava otimista, porque seus instintos diziam que ele encontraria sua companheira. Ele tinha gravado todos os traços da foto que a fêmea mandou para ele, ela era uma bela humana, mas no fundo tinha medo da rejeição, porque não havia tido coragem até então de dizer a ela pelas mensagens que ele era Nova Espécie.
Ele havia chegado uma hora mais cedo, três dos Novas Espécies que estavam com ele se espelharam pelo bar, ele também tinha alguns cercando a área a alguns perímetros, toda vez que saiam pelos portões, era necessário toda uma segurança, mesmo que suas presenças naquele bar fosse recorrente e que o dono e maioria das pessoas que o frequentavam estavam cientes deles e não os odiavam.
O único que ficou ao seu lado na mesa foi Zest, sentiu o macho encarando-o com olhar de julgamento.
— Pare de me olhar assim. — Timber grunhiu levemente.
— Deveria ter dito que era Nova Espécie. — Zest repetiu o que vinha falando ao longo do dia desde que Timber anunciou que teria um encontro.
— Não. É melhor assim.
— É melhor assim? Tudo que não precisamos é uma fêmea gritando de medo assim que te ver.
— Eu sou assustador assim? — Timber fez uma carranca.
— Todos nós aparentamos ser, apenas por sermos Novas Espécies, ela deveria estar preparada.
— Estou otimista, mas se ela não gostar de mim, ficarei bem. — o macho deu de ombros.
— Está tão desesperado assim para conseguir uma companheira? Ela pode ser anti-espécie, irá magoá-lo.
— Talvez magoe. Mas não estou desesperado. Invejo os nossos machos que tem uma companheira. Fêmeas humanas são pequenas, macias, carinhosas e gostam de serem mimadas. Ela até reclamaria se eu quisesse levá-la nos braços para qualquer lugar, mas eu a manteria lá e ela iria gostar. Eu serei um bom companheiro. — o coração do macho queimou com o sentimento.
— Você precisa esperar que a fêmea certa chegue para você sem que seja necessário marcar encontro com estranhas, é perigoso para você também. Nossos machos não saíram caçando suas humanas, isso simplesmente aconteceu com eles.
Timber balançou a cabeça em negação.
— Ontem eu vi Tyger com seu filhote no centro médico, o prédio estava fechado e a fêmea dele estava lá para uma consulta porque estão esperando outro bebê, ele não me deixou brincar com o Lucky, nem se quer me aproximar, ainda se ressente por eu ter me oferecido para compartilhar sexo com Emily.
— Eu também me ressentiria se fosse minha fêmea.
— Eu o entendo, também agiria igual. Mas na época eu não sabia que ele queria a fêmea, todos nós sabíamos a fama dele de não querer compromisso. — disse sendo sincero.
— Você também tem uma fama de perturbar machos acasalados, cuidado, algum dos nossos poderia querer se vingar de você.
— Eu só quero o que Fury, Slade, Brawn, Tyger, Hook e todos os outros tem.
— Tenho certeza que na hora certa você terá. — Zest colocou a mão no ombro do amigo e apertou, em seguida olhou para atrás dele — Tem uma mulher entrando. — o macho felino sussurrou.
Timber lançou o olhar para a porta e seu coração acelerou quando a fêmea humana passou por ela. Ela era pequena e possuía curvas que pareciam ser macias dentro da saia e blusa que usava. Subiu o olhar para encontrar o rosto que lhe tirou um pouco o fôlego.
Ela parecia jovem e era muito bonita, seus lábios eram carnudos e suas feições muito delicadas. Seus cabelos caíam sobre os ombros, eram de um marrom escuro e pareciam macios em seu comprimento.
Naquele instante ela olhou para frente e capturou seu olhar, Timber então pôde contemplar magníficos olhos cor de amêndoas, mas havia um enorme brilho de vazio e tristeza lá, algo se agitou dentro dele, ela não parecia nada como na foto que recebeu, a da foto era bonita, mas aquela, era perfeita aos seus olhos.
Pensou que ela pudesse ter mudado o visual, iria se levantar para cumprimentá-la, quando a linda fêmea se afastou apressadamente para uma mesa no canto mais distante do bar e em seguida uma outra passou pelas portas.
Timber arregalou os olhos, chocado que a segunda que entrou era idêntica a da foto, tinha cabelos loiros na altura da mandíbula, era um pouco alta e tinha um corpo magro, seus olhos eram azuis, e o nariz e lábios finos. Ele voltou o olhar para onde a fêmea de cabelos escuros havia ido e ela estava sentada em um canto, pedindo alguma coisa ao garçom, parecia agitada e chateada.
Sentiu-se chocado que seu corpo queria imediatamente saber o porquê dela estar assim e quem a deixara neste estado.
Depois de ter ficado ansioso o dia inteiro para seu encontro, esperava sentir pela fêmea da foto pelo menos um por cento do que sentiu pela primeira que entrou, mas nada veio, nem um coração acelerado.
— É ela, a da foto. — ele limpou a garganta, falando com Zest.
— Bom. Boa sorte. — o macho deu-lhe um tapinha nas costas e se afastou.
Ele observou a loira mexer no celular e o seu aparelho vibrar no bolso, ele rapidamente o pegou, recebendo uma mensagem dela.
"Estou aqui. Você vai demorar muito?"
Timber não queria responder, queria cancelar tudo e apenas se sentar com a fêmea de olhos castanhos no fundo do bar e entender o porquê da tristeza que viu em seus olhos, queria saber quem a deixou naquele estado, mas não era um desgraçado e deveria ter seu encontro com a humana com quem havia combinado.
"Eu estou vendo você. Estou no balcão do bar. Vestido de preto." digitou.
A mulher olhou em sua direção e começou a andar para ele, de repente ele estava tenso, com medo de que as preocupações de Zest fossem reais.
— O que?! Você é um daqueles Novas Espécies?! — a mulher exclamou com olhar de choque.
Timber também não deixou passar o tom de desprezo na voz dela.
— Olá. — ele disse, tentando sorrir sem mostrar os dentes afiados.
— Olá? Olá? — a mulher gritou.
— Não precisa gritar, estamos perto. — Timber levemente grunhiu.
— Você me enganou! Que nojo! Não acredito que me masturbei conversando com um maldito animal. — ela girou nos calcanhares — Apague meu número. — exigiu — Me depilei e me arrumei atoa. — foi embora murmurando.
Timber estava em choque, engoliu em seco sentindo-se humilhado, cerrou os punhos e teve vontade de quebrar tudo ao seu redor. Zest estava certo. Só não doeu mais porque não sentiu nenhuma atração pela fêmea, não planejava investir nela de qualquer maneira, não quando sua atenção estava voltada para o canto do bar. Na pequena fêmea de olhos amendoados.
— Eu não vou te dizer que avisei. — Zest voltou a se aproximar.
— Já está dizendo. — Timber rosnou.
— Exclua esse maldito aplicativo. Você encontrará a fêmea certa no momento certo.
— Farei isto. — ele pegou o celular e fez o que Zest disse, excluiu também o número da mulher loira, além de bloquear.
— Vamos comer alguma coisa. — seu amigo disse.
Os outros machos também se aproximaram e puxaram Timber para uma mesa e pediram os maiores lanches que o bar tinha disponível no cardápio e refrigerantes.
— Não sintam pena de mim! Já passamos por coisas piores e já ouvimos coisas extremamente piores também. — Timber sorriu.
— Eu posso contar algumas frases que já ouvi de algumas fêmeas humanas por aí... — Brute comentou sorrindo — E então vocês irão entender o porquê não as curto muito.
Os machos começaram a conversar, cada um contando situações constrangedoras que já passaram com fêmeas em suas vidas depois que foram libertados. Timber se distraiu um pouco, mas nada conseguia tirar sua atenção da fêmea triste e isolada do outro lado do bar.
