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Capítulo 3

O primeiro amor é o pior, pelo fato dele ser o mais marcante e inesquecível.

Eu era uma mulher adulta, tive muitas relações inconstante, mas jamais pude tirar o infeliz do Isac da minha cabeça, e esse era o meu maior pecado, ser iludida; por burrice.

Eu sentia o frio na minha pele, e nada a minha volta fazia algum sentido.

Até um homem aparecer, ele se deitou cuidadosamente ao meu lado, me encarando. Eu não sentia vergonha, nem apreensão. Eu apenas encarei os olhos azuis iguais aos meus que haviam se posicionado na frente do meu rosto tirando a minha visão do piso branco.

O rosto era familiar, mas eu não fazia ideia se realmente alguma vez tinha o visto na minha vida.

Mas, por incrível que pareça, eu não me importei. Eu comecei a chorar mais ainda, só que agora com os olhos fechados, eu não sabia o que aquele homem estava fazendo ali deitado no chão comigo, porém, sabia que ele não deveria me ver daquele jeito.

Depois de alguns segundos, uma voz rouca ecoou baixa em meu ouvido.

- Acho que não podemos ficar deitados aqui. - abri meus olhos para novamente encarar o homem de olhos azuis.

Eu sorri, parecia que estava sobre efeito de algum sedativo. - Você não pode, eu posso. - sussurrei entre soluços.

Ele se levantou cuidadosamente, e em seguida tentou me levantar, eu recuei.

Só agora eu podia entender o quanto aquela situação parecia ser constrangedora.

Eu passei a mão pelo meu rosto limpando as lágrimas e levantei rapidamente.

- Me desculpa por isso. - eu coloquei a mão no meu peito. - Sinto como se não fosse eu mesma.

Ele me analisou um pouco e sorriu.

- Às vezes precisamos de um pouco de... Não sei como chamar isso, então digamos que seja loucura. - ele olhou para os lados.

Eu respirei fundo.

- Eu preciso ir embora. - falei enquanto eu andava.

Ele me seguiu pelo corredor, nós não falamos nada, apenas continuamos andando até eu entrar no elevador e ele apenas me seguiu. Era estranho. Tudo na minha vida girava em torno dessa palavra, "ESTRANHO".

Eu evitei olhar no espelho do elevador, não precisava me ver naquele momento.

Me perguntei quem era esse cara e como ele havia conseguido permissão para entrar nesse prédio. E eu rezei nesse momento para não ter passado esse tipo de vergonha na frente de um investidor, se é que ele era um.

Coloquei as mãos no rosto novamente para tentar me recompor da dor horrível instalada no meu peito, mas fui surpreendida com um som de alarme, olhei para o painel de controle e vi que o homem dos olhos azuis havia travado o elevador.

- Porque você fez isso? - eu fechei os olhos. - Quem é você? Ele deu de ombros.

- Quem eu sou não importa agora, o que importa é que você não está bem, e seja por qual for o motivo, você tem que parar agora. - ele disse sério.

Eu abri meus olhos. Aquele estranho tinha razão. Eu não era uma criança e tinha que ter controle sobre mim.

- Amar alguém e não ser correspondida é a pior coisa que existe. - disse dando de ombros.

Ele negou com a cabeça.

- É por isso? Sério? - ele se aproximou. - Você tem noção de que isso não é um problema de verdade?

Eu franzi o cenho.

- Você não me conhece. - eu passei por ele indo até os botões do elevador.

Ele segurou no meu pulso me impedindo de apertar os números.

- Você tem razão, Chloe. - ele suspirou. - eu arregalei meus olhos me perguntando como ele sabia meu nome. Nesse momento, o de olhos azuis tirou um lenço do seu bolso e passou suavemente pelo meu rosto limpando-o. Eu estava confusa. - Não sofra por quem não te merece. - sua voz era suave agora. Ele estava extremamente calmo.

- Você me conhece? - eu me afastei, não era como se o lugar fosse muito grande então eu ia de um lado para outro.

Eu me senti intimidada. Ele sorriu.

- Claro que sim. Você realmente não se lembra de mim, não é? - ele escorou o corpo no espelho.

- Eu devia lembrar? - dei de ombros.

- Sou eu, Michael. - ele pareceu pensar por mais alguns segundos. - D'Ângelo. Refresquei sua memória?

Meu Deus, como eu poderia ter esquecido do Michael? Eu sabia que conhecia o dono daquele par de olhos de algum canto.

Tudo o que eu menos queria nesse momento era ter contato com um D'Ângelo.

- Então, você realmente voltou? - eu disse assustada sem ter o que falar.

Ele estava tão diferente. Não parecia nada o garoto que eu conheci a alguns anos atrás.

- Sim, mas isso não vem ao caso agora. Ouça uma coisa. - ele me olhou fixamente - Não chore mais desse jeito por alguém que não te quer, se valorize, e pode ter certeza que em algum lugar alguém mataria pra ter o que essa pessoa está perdendo.

Ele foi até o botão e o apertou para fazer o elevador voltar a funcionar, eu observei tudo aquilo estranhando.

- O que você veio fazer na NYD? - eu me recompus.

Eu sabia da rincha que Isac tinha com Michael, se eles se vissem provavelmente teria alguma briga, porque eles simplesmente se odiavam. Na realidade, quem não odiava Isac?

- Uma pequena visita de família. - ele piscou para mim. A porta do elevador se abriu.

- Eu tenho que ir. - falei saindo rapidamente.

Ele pegou sua carteira e puxou um cartão.

- Voltei para morar aqui, foi bom te rever, eu realmente preciso ir agora, mas por favor, me liga. - ele pôs o cartão na minha mão. - Se não ligar, eu mesmo te procuro.

- Michael! Você... Espera! - gritei mas foi tarde demais, ele já tinha ido.

Eu estava sem palavras, as portas se fecharam novamente e Michael sumiu.

Eu não tinha cabeça pra lidar com tudo isso naquele momento, eu conseguia prever a segunda guerra mundial chegando com a presença inesperada de Michael em Nova York. Guardei o cartão preto com nome e número dele estampado em letras prateadas dentro do bolso da minha calça.

Eu precisava ir embora dali urgentemente ou iria acabar morrendo sufocada.

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