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Capítulo 4

- Isac? - a loira me chamava pela terceira vez, e eu continuava a ignorando.

Molly era uma das novas modelos da campanha que iríamos lançar, saímos duas vezes e ela já estava achando que tínhamos algo sério. Quantas vezes eu havia ter que deixar claro que nada iria acontecer além de uma transa casual? Toda vez a era mesma merda.

Havia outras modelos espalhadas pela sala, estávamos tendo uma reunião antes de acertar de uma vez os contratos.

- Porque está me evitando? - a sua voz melosa me deixava tonto.

Eu tirei meus olhos de Blair que explicava as regras de restrição da NYD para as garotas e olhei para a Molly irritado.

- Você ainda não entendeu que eu não quero nada com você? - passei minha mão em seu cabelo acariciando. - É melhor parar com essa chatice agora, você é bonitinha mas não tem cérebro. Se está procurando um marido não é aqui que vai achar, as coisas não funcionam assim. Eu encontro cópias de você em qualquer lugar.

Eu pisquei ironicamente pra ela.

A menina me olhou inconformada e furiosa.

- Eu não acredito que você está fazendo isso comigo. - ela bateu os pés no chão. - Vai me dizer que prefere aquela ridícula da Chloe? O teu tipo ideal são patinhos feios agora? Você sabe que eu sou muito melhor. - ela esperneou fazendo todos nos olharem.

O que diabos essa idiota estava fazendo?

- Do que você está falando, Molly? - perguntei baixo tentando não chamar mais atenção.

Ela riu e se inclinou.

- Vai negar? Todo mundo sabe que ela arrasta uma âncora por você. - ela jogou os cabelos tingidos para trás. - Desde quando você faz caridade?

Eu respirei fundo. Dei as costas para a menina e fui até Blair pegando os contratos que estavam em suas mãos, procurei rapidamente até achar o de Molly que estava assinado a muito tempo. Se ela não fosse tão desnecessária teria ganhado muito comigo, mas eu não suportava pessoas petulantes, ainda mais aquelas que não sabem onde são o seu lugar.

Peguei o papel e caminhei de volta até Molly, todos que estavam na sala me observavam calados.

Eu estiquei o braço para o alto para que todos olhassem bem o que eu estava fazendo, inclusive ela.

- Você está demitida, e nunca mais volte aqui. - rasguei o papel em dois.

Ela arregalou os olhos.

- O que você está fazendo? - ela gritou.

Eu a ignorei e virei para as outras meninas.

- Todas que tiverem algum problema comigo, ou da forma que eu faço as coisas, podem fazer que nem a Molly, e ir embora agora. - as meninas me olhavam estáticas - E se ousarem citar o nome da Chloe, ou de qualquer outro dono da NYD, podem ter certeza que vocês irão ter sérios problemas.

Blair se aproximou para tentar falar algo, mas eu apenas andei em direção a porta, joguei os papéis do contrato da Molly no lixo e sai, furioso.

Eu definitivamente acertaria as minhas contas com Chloe! Ela não podia jogar a minha reputação fora, eu estava cansado das pessoas me associando a ela, e isso era uma má visão.

Eu tinha total noção das coisas que ela fazia por mim, mas nada mudava o fato dela se meter assim nas minhas coisas. Ela estava presente em tudo, e eu estava de saco cheio.

Passei na sala dela mas sua assistente disse que havia ido para sala de Nick, e no final era melhor assim, ficava claro de uma vez por todas para todos que Chloe era um peso nas minhas costas e não dava mais.

Eu nunca tive nada contra ela, mas os boatos que se espalharam ao longo dos anos me deixaram com muita raiva.

Olhar pra ela me deixava com raiva.

Tudo nela me irritava de uma forma extremamente louca, a maneira doce de falar, ou a delicadeza, e o que mais me deixava furioso era sua forma de me enfrentar.

Com o passar do tempo eu pensei que se a tratasse mal a afastaria de mim ou simplesmente faria sumir esse sentimento, já que nunca pude fazer com ela a mesma coisa que fiz com a Molly, por exemplo, eu não conseguia tira-la da minha vida tão fácil assim. Chloe era filha do amigo do meu pai, e se em algum momento eu fizesse muita merda, teria um grande problema. Mas nada adiantou.

Eu acabei ficando com cara de idiota na frente das pessoas, e ela havia estourado a cota da minha paciência.

Quando encontrei com ela na sala de Nick eu não queria passar dos limites, mas no final das contas, estourei. Acabei descontando todo o estresse do dia nela, peguei mais pesado do que deveria, só que dessa vez ela teve uma reação bem diferente de todas as outras que um dia já teve. Ela me disse coisas que me fizeram refletir, e por um momento, eu senti uma angústia pesar dentro do meu peito, e esse choque de realidade me fez travar.

Eu não fazia ideia de que eu a machucava tanto, e isso mexeu um pouco com a minha cabeça, eu só queria afasta-la e não destruí-la.

Eu nunca havia pensado nisso antes, mas se ela se afastasse da empresa agora seria um desastre.

Por um momento eu não parecia o mesmo Isac, as palavras dela me deixaram na escuridão. Isso era tão estúpido.

Pensei se deveria ir atrás dela, mas não, era besteira. Eu admito que senti um certo medo.

Mas no final, era normal, eu fazia alguma merda e ela sempre me perdoava.

Nick me encarava com desaprovação, eu era o irmão mais novo dos três, ele podia pelo menos me dá um desconto.

- Você tem noção das merdas que falou pra ela? - ele berrou. - A Chloe é uma mulher frágil, Isac. Todo mundo sabe o quanto ela gosta de você, e você a expõe desse jeito? Se ela for embora, você tem noção do que vai acontecer? As nossas famílias são amigas a décadas.

Havia muito tempo que não via o Nick nesse estado.

- A Chloe não precisa de advogado, ok? - eu me sentei no sofá que havia ali na sua sala. - Eu sei que peguei um pouco pesado, mas agora já foi. Ela vai voltar, como sempre.

Eu estava me condenando por dentro mas ninguém precisava saber disso.

- Você vai resolver tudo. E vai logo. - ele apontou para mim.

Eu coloquei os cotovelos sobre os meu joelhos e meu rosto apoiado nas mãos enquanto eu olhava para Nick.

- Eu tenho total consciência do que eu preciso fazer. - eu confirmei.

- Ótimo! Não quero escândalos. A Chloe conhece muitas pessoas, ela com raiva de você poderia fazer muitas coisas. - essa era a preocupação dele?

- Nick... - tentei começar a fala mas ele me cortou.

- Michael chega hoje. - ele disse rápido e me encarou esperando uma reação.

E mais essa agora? Eu me levantei bruscamente. Eu estava consumido de raiva.

- O que? - eu não podia acreditar.

- É isso mesmo que você ouviu, ele chegou ontem em Nova York.

Ele estava calmo, mas eu apostava que estava esperando minha resposta e sabia o que iria ouvir.

- Você acha mesmo que não tem problema? Nenhuma notícia sobre ele me interessa. - gesticulei com as mãos.

- Não quero saber Isac. Não estou nem ai para suas birras com Michael, ele vai estar constantemente nas nossas vidas e ponto, ele ainda é nossa irmão. Você também nunca foi santo. - Nick falou alto me advertindo. Ele realmente ia defender Michael, agora?

A porta se abriu e não me forcei a olhar e um silêncio horrível se instalou na sala. Suspirei, me deparando com a face cínica de Michael na porta.

- A quanto tempo meus irmãos... - ele disse passando pela porta.

Umedeci meus lábios, como eu o odiava! Vê-lo depois de tanto tempo era uma tortura horrível que não desejava para o meu pior inimigo, e ter que me controlar era pior ainda.

- Michael, eu não sabia que apareceria agora. - Nick voou em Michael o abraçando, eu não podia fazer nada além de observar a cena cômica.

Eu estava me preparando pra se retirar quando a voz de Michael me chamou atenção

- E você Isac? - a minha vontade era de soca-lo.

Eu ri amargamente.

- Estava realmente tudo ótimo antes de você chegar. - fui curto e grosso.

- Também não gosto tanto assim da tua presença, é inútil, porém ainda tenho educação. - então finalmente suas asinhas ficaram visíveis.

Eu estava esperando.

Parti para cima de Michael não era necessário, eu jamais iria me rebaixar a esse nível, mas eu estava acabado naquele momento, eu precisava descontar tudo o que eu estava sentindo em alguém, eu só queria bater e não tinha ninguém melhor que Michael para usar como saco de bancadas. Eu estava prestes a acertar o primeiro soco quando Nick me segurou, ele me prendeu com toda sua força e Michael nem se moveu. Filho da mãe!

- Porra, Isac. Vê se dá um tempo. - Nick havia perdido a cabeça junto, ele me empurrou contra a parede.

- Quer saber de uma coisa? Eu tenho coisas mais importantes para fazer. - empurrei Nick, me soltando dele.

Ajeitei o meu terno e sai da sala furioso. Eu não estava no meu melhor momento para encontros de família.

Meu dia não estava sendo fácil e era muito pior com a presença de Michael aqui nessa empresa, minha vida era perfeita sem ele aqui para ferrar com tudo. Não seria a primeira vez que brigávamos.

Mas isso não me importava agora.

Eu precisava trabalhar e me ocupar com alguma coisa porque pela primeira vez, Chloe não saia dos meus pensamentos.

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