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3 O despertar

O tempo parecia parado, Briana olhava para um relógio rudimentar preso a uma parede suja, a mesma aparentava ser muito velha, o vento soprava forte do lado de fora e apenas uma luz fraca iluminava parcialmente o local. Após ver uma sombra se deslocando ao fundo do cômodo apertado em que estava, Briana se apavorou e saiu correndo dali ela atravessou a porta de madeira, a única que havia ali e se viu em um corredor úmido, o mesmo dos pesadelos anteriores. Ela corria se agarrando as paredes escorregadias e chorava de pavor, foi quando avistou no que parecia ser o final daquele corredor, a figura de um homem vestindo um terno preto, mas como sempre, ele não tinha rosto, mas Briana, assim como das outras vezes, ouviu sua voz:

“Briana, não tenha medo, Briana, eu sou a sua única chance”!

Mas Briana não confiava naquela voz e caminhou três passos para trás até virar de costas e sair correndo na direção oposta, ela não sabia se estava retornando para o pequeno cômodo, ou, se iria sair em outro lugar, ela só queria se livrar daquele pesadelo, mas ao olhar para frente, ela novamente avistou o mesmo homem e o ouviu dizer a mesma frase: “Briana, eu sou a sua única chance”! Sem saber para onde correr, a jovem gritou o mais alto que podia, foi então que despertou deitada em uma cama. Ela observou e viu que aquele lugar não era o hospital em que estava. “Onde será que eu estou?” Pensou. Briana notou que vestia uma roupa diferente, parecia com a mesma usada no hospital, porém, o símbolo sobre a blusa branca semelhante a uma blusa de pijama, era outro. “Como será que eu vim parar aqui?”

Mas uma coisa acabou chamando sua atenção, Briana não ouvia mais aquelas vozes, o que a fez pensar que tudo o que vivera não passava de um sonho, ela abriu um sorriso, coisa que não fazia a quase uma década. Ao olhar para a direita de sua cama, notou que havia um guarda-roupas, caminhou até ele e ao abri-lo, viu diversas peças de roupas e todas pareciam ter exatamente sua medida. Ela escolheu uma calça jeans, uma blusa de lã branca, pois estava com frio e uma jaqueta jeans combinando com a calça, calçou tênis pretos e pôs uma touca de lã sobre a cabeça. Ao olhar na direção da porta, à direta ela vê um relógio rudimentar, muito semelhante ao de seu sonho e então recorda que aquele quarto é exatamente igual ao que ela estava presa. Com muito cuidado, Briana leva a mão à maçaneta e abre a porta devagar, ela olha com cuidado para fora e percebe que não há ninguém ali, então atravessa a porta e começa a caminhar pelo corredor. Tudo ali era muito semelhante ao que Briana havia visto em seus pesadelos, o diferente era que as paredes não eram úmidas e escorregadias e, também não era tão escuro. “Mas o que está acontecendo aqui?” Mais uma vez pensou e o bom era que apenas os seus pensamentos eram ouvidos.

Ela caminhou pelo corredor até que o mesmo o levou a uma enorme sala onde fotos suas estavam penduradas por todos os lugares nas paredes. Fotos de quando ela estava no hospital psiquiátrico e da clínica onde ficara internada no início de tudo. Foi quando a jovem ouviu várias vozes de outro compartimento daquele e decidiu conferir quem eram, ao chegar, avistou vários homens usando jalecos brancos iguais aos usados pelos médicos do hospital, mas Briana não se assustou. Próximo a uma mesa com um aparelho ao qual ela não reconheceu, um homem, havia um homem negro usando uniforme militar. Ele estava de costas para Briana, mas o homem de jaleco à sua frente chamou sua atenção, mostrando a moça.

— Olha só. Finalmente acordou. — o homem falou com um sorriso no rosto. — Por que não vem aqui?

Briana olhou desconfiada para ele e se afastou dando dois passos para trás. De repente ela começa a ouvir várias vozes em sua cabeça e então leva as duas mãos aos ouvidos. Foi nesse instante que David Wellen entrou na sala.

— Parem de pensar, agora! — exclamou. De repente Briana percebe que as vozes ali começam a se calarem. — Briana, não precisa ficar com medo. Ninguém aqui vai machucar você! — ele falou estendendo a mão.

— Onde é que eu estou? Eu sei que aqui não é o hospital. — disse ela observando o lugar. — Como eu vim parar aqui?

— Calma, eu vou te explicar tudo...

— Como sabe o meu nome? — perguntou interrompendo o major. — E por que um militar está falando comigo? — olhando para o uniforme.

— Já disse que irei explicar tudo a você, mas você precisa manter a calma. Logo tudo vai se esclarecer e você se sentirá mais calma. — o homem falou passando certa confiança para a garota.

Ele a levou até uma poltrona onde a mesma se sentou, em seguida pediu a John, o tenente, que lhe trouxesse água. O moreno assentiu e pouco depois retornou com um copo descartável contendo água fria, Briana recebeu a água e agradeceu.

— Eu sei que não são poucas as perguntas na sua cabeça, mas saiba que eu irei respon...

— Por que não ouço mais as vozes? Vocês me curaram? — mais uma vez a jovem interrompe o major.

— Isso, nem que eu pudesse fazer, eu o faria. E não, não temos o poder de curar você, mas posso garantir que não está louca. Você nunca foi louca como todos pensavam, Briana. — o major respondeu olhando em seus olhos.

— Então por que só agora vocês me disseram isso? Por que não me ajudaram antes? — ela perguntou e começou a chorar.

— Por que, infelizmente só descobrimos você agora. Mas saiba que você é uma pessoa muito especial, Briana!

— E o que eu tenho? Eu conseguia ouvir os médicos dizerem que não sabiam o que eu tinha. Se eu não sou louca, então o que eu sou? Por acaso sou uma aberração? — Briana então deixa as lágrimas tomarem de conta.

David fecha os olhos, apesar de ter sempre de parecer durão, ele não pode se deixar abater, nem mesmo pelo sofrimento daquela garota tão jovem. Sofrimento esse que poderia piorar, já que muitas coisas passaram despercebidas por ela.

— Não, você não é uma aberração. E as vozes que você escuta na sua cabeça, não são vozes, são pensamentos, Briana. Você é uma telepata, consegue ouvir os pensamentos de outras pessoas e nós estivemos atrás de você desde o início do século 20. — disse o major, deixando a jovem ainda mais confusa.

— Como, desde o início do século 20? Eu só tenho... eu nem sei mais quantos anos eu tenho, droga. — continuou chorando.

— Vinte e quatro. Você está com vinte e quatro anos, agora e quando digo que estamos atrás de você desde a década de 1920, é por que pessoas com seu dom só nascem entre os humanos a cada 10 bilhões de nascimentos, Briana. — respondeu Wellen. — Outros iguais a você já existiram no mundo e entre eles estão, Arquimedes, Giulio Cesar, Napoleão Bonaparte, dentre outros poucos. Você provavelmente seria a 11ª pessoa a nascer no mundo com esse dom. pelo menos é o que imaginamos.

Briana ficou pasma diante do que ouviu, de uma louca internada em um hospício, a uma mulher com um super poder, mas ela não achava nada daquilo atraente.

— E o que vocês querem comigo? Por que eu não estou conseguindo ouvir nenhum de vocês agora? — inquiriu ela, olhando para os demais.

— É por que todos os que estão aqui foram treinados para bloquear os próprios pensamentos. — explicou David. — John, eu e os demais cientistas, nós treinamos arduamente para sermos a equipe que irá treinar você, Briana. Foi por isso que demoramos para irmos resgatá-la daquele hospital.

— Me treinar? Treinar para quê?

— Você já vai saber...

***

Em frente a um edifício onde viviam famílias de origem humilde de Londres, Jacob e um pelotão de homens da inteligência, cercava o prédio, pois receberam uma ligação de que ali havia um homem com uma bomba presa ao corpo e ameaçava explodir a mesma. Devidamente vestindo colete a prova de balas, o agente liderava a operação.

— Escutem aqui, a gente tem que fazer o possível para preservar as vidas das pessoas, entenderam? — instruiu ele, seus comandados. — Se aquele cara explodir aquela bomba, vai levar muita gente.

Quando Jacob terminou de falar, um home sai do prédio fazendo uma mulher de refém.

— A minha luta é por uma causa justa e certa. Todos irão pagar, todos irão pagar! — o homem gritava descontrolado.

— Mas do que esse maluco tá falando? — perguntou Richard, colega de Jacob.

— Tá legal, eu retiro o que eu disse. — falou olhando para os demais. — Se aquele cara detonar aquela bomba, não vai matar algumas pessoas, ele vai destruir o quarteirão inteiro. A gente precisa agir rápido, mas com cautela!

O homem seguia em surto e ameaçava a todos.

— Policiais, se vocês tentarem alguma coisa, uma coisinha pequenina que for, eu detono os explosivos e todo mundo morre!

Pelo tom de voz do homem bomba, o agente líder viu que algo no indivíduo não estava certo.

— Esse cara não pertence a nenhuma célula terrorista. — afirmou Jacob.

— Como pode ter tanta certeza? — perguntou Richard.

— Olha só para ele, está visivelmente com medo. Se fosse alguém ligado a alguma célula, já teria detonado essa bomba faz tempo. — respondeu com firmeza.

— Você pode estar certo. Acha que ele está aí contra a vontade? — novamente o colega pergunta. Ambos não tiram os olhos da mira do suposto terrorista.

— É eu acho sim. Fique aqui que eu vou dar a volta...

— O que? O que pensa que está fazendo? — perguntou Richard, sussurrando. — Jay! Volte aqui, Jay.

Jacob deu a volta sem ser notado pelo suicida. Ele se colocou em uma posição na qual pudesse atirar sem matar o homem bomba e também evitar que ele a detonasse. Ele pegou um rifle de precisão de um dos soldados e o levou até o prédio vizinho, lá ele se posicionou para atirar. Do alto, o agente podia ouvir o homem dizer que mataria todos ali, pois todos deveriam morrer para que outros sobrevivessem.

— Desgraçado, então é isso. Você está sendo ameaçado, mas eu vou acabar essa palhaçada agora mesmo! — comentou consigo mesmo enquanto olhava pela mira do rifle.

Depois de analisar a situação, Jacob falou com Richard pelo rádio.

— Olah só, eu tenho o desgraçado na mira e sei exatamente onde atirar. Assim que ele cair, vocês o pegam e então o neutralizem.

— Está bem. Você é doido! — comentou o agente menor. Jacob deu uma risada cínica.

Quando o homem levantou o detonador para o alto para detonar a bomba, Jacob o acertou-lhe o pulso, tirando a mobilidade do suicida, a mulher que estava como refém conseguiu escapar e então os demais policiais atiraram nos braços e pernas para que não usasse outra forma de detonar os explosivos. Mas nem tudo estava acabado, ao chegar perto do homem, um policial ouviu algo que não queria ouvir.

— Eu avisei a vocês, não adianta tentar impedir o que deve acontecer...

Nesse momento, um cronômetro apareceu e o contador estava disparado, o tempo foi apenas de o agente que estava próximo gritar:

— VAI EXPLODIR!

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