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Capítulo III - Sede

Clara seguia a diretora em silêncio. Os corredores daquele lugar eram todos iguais, ti-nha certeza que ia se perder. Chegaram em um local com uma bifurcação. Um corredor largo cheio de portas de um lado e do outro lado, outro corredor da mesma maneira.

— O seu dormitório é do lado direito. O esquerdo é dos meninos.

Depois de dizer isso, seguiu para o corredor direito. Clara foi atrás. As portas eram iguais, mas algumas tinham coisas penduradas. Coisas que ela não sabia o que eram.

— Esse é seu quarto. — Parou em frente a porta. Tinha um número cinco em cima da porta e nada pendurado, o que ela achou bom.

— Vampiros dormem?

A diretora pareceu surpresa com a pergunta.

— Você ainda é humana demais... É claro que dormem. O que acha que fazemos quan-do está de dia?

— Não sei. Ficam presos dentro de casa?

A mulher suspirou e puxou Clara para dentro do quarto. Era grande e tinham três ca-mas. Uma em cada lado do quarto. Cada lado tinha um armário e uma cama e era tudo arrumado impecavelmente.

— Pode escolher uma dessas.

— Tenho colegas de quarto?

— Ainda não. Mas logo vão chegar.

— Por que disse que sou humana demais?

— Olha, tem muita coisa que você precisa saber, mas agora não é a hora. Deite e durma um pouco. O café é as 18:00 horas.

— Tá bom.

A mulher virou as costas e saiu do quarto, deixando a menina sozinha. Clara caminhou lentamente pelo local olhando tudo com interesse. Nunca pensou que vampiros tinham quarto e camas. Achava que eles não precisassem dormir e nem nada parecido com huma-nos, mas pelo visto estava enganada. Escolheu a cama do canto e deitou. Não estava can-sada e muito menos com sono. O que sentia mesmo era a garganta seca. Olhou para o lado e o despertador mostrava que ainda eram 11:00 da manhã.

Até as 18:00 ela ia enlouquecer!

Resolveu levantar e saiu do quarto. Precisava se alimentar logo. Pelo jeito eles não sa-bem lidar com alunos novos nesse lugar... Ao chegar na parte dos corredores dos dormitó-rios, ela parou e olhou de um lado para o outro. Para que lado ela vai?

— Perdida?

Clara se virou de repente e viu Bryan parado ao seu lado com as mãos nos bolsos da calça. Ele era tão bonito quanto Drake. Tinha a mesma altura que ele, os cabelos eram loi-ros e os olhos eram azuis.

— Posso dizer que sim...

Bryan sorriu. Tinha os dentes tão perfeitos quanto os de Drake, era mesmo muito boni-to e mais simpático, é claro.

— O que você procura?

Clara engoliu em seco e foi realmente seco. Parecia que sua garganta era uma lixa. Bryan levantou uma sobrancelha.

— Estou com sede.

— É? — Virou a cabeça de lado.

— Sim.

— Hum... Que fora do comum.

— Vampiros não sentem sede? — falou, irritada.

— Calma... Só disse que não é comum sentir sede no meio do dia.

— Já notei bem que eu não sou igual aos estudantes daqui — falou, ácida.

O sorriso de Bryan parecia ter congelado em seu rosto e isso fazia Clara se sentir mais enfurecida ainda.

— Não é mesmo. — Passou os olhos por ela lentamente e depois voltou a olhar seu rosto.

— Com quem eu falo?

— Vou te ajudar com sua sede. Vem comigo. — Virou as costas e começou a caminhar.

Clara continuou no mesmo lugar olhando as costas dele. Bryan parou no meio do cor-redor.

— Você não vem?

Ela continuou parada no mesmo lugar olhando com desconfiança. Ele era muito esqui-sito e cheio de si, mas estava com tanta sede... Caminhou até ele e parou ao seu lado, olhando para cima.

— Sei onde guardam o sangue.

— Que bom.

— Vamos. — Bryan sorriu.

Os dois caminharam pelos corredores em silêncio. Não tinha ninguém fora da cama e talvez isso fosse algum tipo de regra, afinal, estavam em uma escola, não é?

Bryan parou em frente a uma porta e olhou Clara. Ele sorriu e pegou algo no bolso. Ela percebeu que era algo fino e comprido. Como um grampo de cabelo. O garoto o enfiou na fechadura da porta e Clara ergueu uma sobrancelha.

— Que foi? Você não está com sede?

— Sim, mas precisa fazer isso?

— A porta está trancada.

— Acho que não. — Ela se aproximou e mexeu na maçaneta. A porta se abriu e Bryan a olhou surpreso.

— Como sabia que estava aberta?

— Intuição... — Passou por ele e entrou no local.

Bryan tinha um sorriso largo no rosto. Ele a seguiu. Era um local frio e não era para menos, era um freezer gigante. Também tinha estantes enormes e cheias de sacolas de san-gue. É claro que para eles, a temperatura não importava, pois não sentiam nem calor e nem frio. Clara sentiu a garganta apertar ao ver as estantes. Bryan não tirava os olhos dela. A garota caminhou lentamente olhando as estantes com curiosidade. Eram muitas e estavam lotadas.

— Isso é sangue humano?

— Não. Pela lei, não podemos beber sangue humano. Então, claramente a escola res-peita isso.

— Posso pegar qualquer um?

— É claro.

— Ninguém vai dar falta?

— Talvez... Mas se você precisa, é melhor pegar logo — disse olhando os olhos dela.

Em volta da íris, estava uma pequena e fina linha vermelha. O que queria dizer que ela estava com muita sede. A pupila também estava muito dilatada. Fora as presas que esta-vam de fora, mas ela não pareceu notar isso.

Bryan a olhava com admiração. Não se lembrava de ter visto nenhum vampiro com tamanha sede assim. Só sabia que era desse jeito por ter escutado em uma das aulas.

Clara desviou o olhar dele para as sacolas de sangue. Ela puxou o ar com mais força para sentir o cheiro do sangue. Não precisava respirar, mas era automático. Ela franziu a testa e olhou ao redor. Sentiu um cheiro familiar, mas não se lembrava de onde sentiu ele. Começou a caminhar lentamente na direção do cheiro. O lugar estava escuro, mas ela esta-va enxergando muito bem.

— O que?

— Shh!

Bryan ficou em silêncio e foi atrás dela. Não enxergava tudo, mas conseguia ver bem. Clara continuou entrando cada vez mais no local. Bryan nunca tinha ido tão longe como estava indo agora. O local era enorme e ele sabia disso, mas nunca arriscou ir mais, pois cada vez ficava mais escuro.

— Você não acha melhor voltarmos? — disse, segurando a blusa dela por trás.

Ele ficou paralisado ao perceber que tinha alguém ali dentro com eles. Só sentiu a pre-sença agora, mas pelo visto Clara tinha percebido bem antes dele. Clara se aproximou mais e Bryan tentou segurar a blusa dela, mas não adiantou, ela se afastou dele. Sem op-ção, ele a seguiu e quando viu quem era que estava ali, ficou de boca aberta.

— O que faz aqui?

Os dois olhavam o outro sem piscar. Ele estava com uma sacola de sangue na mão e com uma expressão bem surpresa.

— Estava com sede. — Mostrou a sacola como se fosse óbvio.

— A essa hora?

— Tem hora pra isso? — perguntou com deboche.

— Você sabe que não é normal sentir sede durante o dia, Drake.

Ele deu de ombros.

— Pelo visto não é — disse olhando Clara.

Ela encarava a sacola de sangue dele.

— Quer isso? — Estendeu a sacola na direção dela.

Clara levantou a mão para pegar, mas ele tirou. Ela apertou os olhos com raiva.

— Sinto muito, esse é meu.

— Não seja idiota, Drake. Não vê o tamanho da sede dela?

Drake se aproximou para olhar melhor. Estava bem escuro onde eles estavam, mas eles conseguiam enxergar na escuridão, alguns mais que os outros, mas enxergavam. Ele ob-servou o que Bryan tinha visto nos olhos de Clara e ergueu as sobrancelhas. Em pouco tempo colocou a sacola de sangue nas mãos dela. Clara agarrou a sacola com ferocidade e chupou todo o sangue dela em segundos.

— Uau! — Bryan falou admirado.

— Não foi suficiente, não é? — Drake perguntou ignorando Bryan.

Clara negou com a cabeça. Ele colocou o dedo na boca observando a estante de sangue como se pensasse. Logo pegou um de cor forte.

— Tente esse. — Entregou a ela.

A garota ficou encarando-o com a sacola na mão.

— Por que está me ajudando?

— Porque você parece faminta.

— Hum...

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