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CAPÍTULO 7

NÃO SEI O QUE O ANDA PASSANDO NA cabeça de Vicenzo, e isso está me deixando intrigada. Sei que tudo isso é derivado do meu deslize em sua sala, depois disso veio os e-mails, pensamentos indevidos e por fim, ele.

Em um momento eu estava perfeitamente em paz - na medida do possível- e no outro, Salvatore aparece em minha porta. Eu não fazia ideia do que ele queria aqui, até agora não faço. Não é todo dia que se aparece um homem enorme e gato na sua porta sem explicações e assiste crepúsculo com você.

Damn ha parlato male dal mio film (Maldito, falou mal do meu filme)

Sorrio ao lembrar de sua imitação patética de Edward Cullen. Eu sei que crepúsculo não é lá uma referência de qualidade literária, mas eu amo mesmo assim, e aquele cretino não tinha o direito de ofender minha saga.

Quero ver se ele ainda vai odiar tanto depois que assistir o resto. Meu Deus, "assistir o resto"?! Isso não vai acontecer. Tenho que tirar esse tipo de pensamento da cabeça, iremos nos casar, mas isso não pode mudar nossa relação, apenas no papel. Eu sei o que ele quer, o porquê de querer se casar comigo: dinheiro. Tudo nessa vida se resume a isso, principalmente no nosso meio, e eu nunca posso me esquecer disso, pois isso é o que vai me fazer nunca confiar nele.

Vou até a sacada e vejo que seu carro ainda está parado no meio fio. Franzo a sobrancelha, me pergunto o porquê ainda não ter ido, já faz mais de dez minutos que ele saiu, na verdade faz mais de dez minutos que o coloquei para fora e bati a porta em sua cara, mas dá no mesmo.

Sorrio ao lembrar da cena que há pouco ocorreu, chega a ser cômico um cara de quase 1,90 de altura ser arrastado pra fora com uma expressão confusa.

Balanço a cabeça na tentativa de afastar os pensamentos e torno a realidade. Lizz dizia que quando se sorri pensando em uma pessoa, é um sinal de que está gostando da mesma, e isso não pode acontecer nunca. O amor nos deixa fracos, vulneráveis e cegos, tudo que não se pode ser quando se pertence a máfia.

Sorrio ao lembrar de Lizz, ela era minha única amiga naquele inferno de internato. Se não fosse por ela, talvez eu não teria conseguido aguentar Miranda e Selina. Ela tinha seus pais para a buscarem nos finais de semana, poderiam não ser os mais atenciosos do mundo mas a amavam muito, e eu invejava isso nela, mas nunca deixei de ficar feliz pela mesma. Entretanto, isso significava que nos últimos dias da semana, eu ficaria sozinha, sem a companhia de uma amiga, a única que eu tinha, e isso tornava o inferno mais quente ainda, pois quanto mais sozinha, mais indefesa eu pareceria aos olhos de Selina.

A porta do meu dormitório é aberta e desvio o olhar de meu livro para o ser desprezível que se encontra já em frente a minha cama.

-O que quer desta vez? - reviro os olhos, mas uma pontada de medo me atinge.

-Nada, Lázarri. Só estou aqui para lhe fazer companhia - Sinto a maldade em sua voz e as batidas do meu coração se tornam mais fortes e frequentes, e não de uma boa maneira.

-Por favor, me deixe em paz. - Digo de maneira pacífica e reviro os olhos.

-Não, enquanto eu viver e tiver você por perto, nunca lhe darei paz. - Diz com as mãos fechados em punho ao lado de seu corpo.

-O que eu te fiz, garota?! - perco minha paciência, deixando meu livro de lado e ficando frente a frente com Selina.

-O que você fez?! O que sua maldita família fez! - arqueio a sobrancelha.

-Do que está falando? - ela parece ainda mais irritada pela pergunta.

-Seu pai é um assassino. - ela cospe as palavras com ódio.

-Me diz uma coisa que eu não sei! O pai de quem aqui, não é? Hm? Todas aqui temos pais com as mãos machadas de sangue, sejam eles mafiosos ou grandes juízes. No fim, todos eles são igualmente perversos e só ligam para uma coisa, dinheiro. - As palavras saem de minha boca sem pausa.

-Isso não me interessa, seu pai matou minha mãe! - meus olhos se arregalam- E como eu ainda não posso fazê-lo pagar, você será punida no lugar dele.

-Eu não tenho culpa pelas atitudes horríveis de meu pai. eu sinto muito por sua mãe, entendo como é não ter uma, mas não posso pagar por uma coisa que não fiz. - tento ser o mais compreensível possível diante de tal situação, eu entendo como é não ter uma figura materna.

-Se você tem culpa ou não, não me interessa. Você irá pagar dia a dia, e será cada vez pior. E eu não ligo se você tem a vadia da sua mãe, ela está morta e espero que esteja no pior dos planos astrais. - Sem pensar duas vezes bato as costas de minha mão em seu rosto.

-O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! - eu não poderia ter mais azar na vida. Na porta de meu dormitório está Miranda, minha querida professora - ironicamente falando - e eu sei que estou muito encrencada.

-Ela me bateu! Eu vim simplesmente lhe dizer que o almoço estava pronto, como a senhora mandou, Miranda. E do nada ela começou a me dizer coisas cruéis sobre minha mãe e quando eu tentei defender rebeter suas ofensas ela me bateu. - Selina finge uma voz chorosa ao me acusar de tudo que ela mesma fez a mim e eu fico perplexa no lugar.

-Isso é verdade, Senhorita Lázarri? - Abro a boca para contestar mas antes que qualquer palavra tenha a chance de ser dita, ela me interrompe - Mais é claro que deve ser, você não tem o mínimo de senso e educação, garota. Não vê o mal que está causando a esta pobre garota?! Para a diretoria agora, as duas.

Sinto um frio na barriga ao ver me sentar na cadeira em frente a mesa da diretora. Ao meu lado está Selina e em pé ao lado da mesma, se encontra Miranda.

A diretora se mantém em silêncio e com uma expressão nada amigável.

-Pode começar, senhorita Lázarri. - Dito estas palavras, sei que toda a culpa cairá em cima de mim.

Conto todo o ocorrido e assim que termino solto um suspiro.

-Não tem vergonha de ser tão mentirosa, Senhorita? - eu pisco repetidas vezes ao ouvir as palavras da diretora.

-Como? - respondo em um sussurro.

-A Senhorita Prado me contou a verdadeira história e Miranda estava lá de testemunha, viu tudo que disse a senhorita Prado, não minta para mim. - Fico ainda mais desacreditada.

-Ela só chegou quando bati na Selina! Não viu mais nada! Isso não é verdade! - me revolto.

-Está me chamando de mentirosa, menina? - Miranda vocifera.

-Sim. - digo firme e com raiva.

-Chega. Saiam da minha sala, as três - ela diz a mim, Selina e Miranda. - E quanto a você, Lázzari, irei providenciar um bom castigo.

Saio correndo da sala da mesma e ligo para meu pai. O telefone toca diversas vezes e nada de ser entendido, tento mais alguma vezes até que finalmente sou atendida.

-Pai... - antes que eu possa dizer algo ele responde ríspido.

-Eu sei o que aprontou, garota. Você só toma meu tempo, sou um homem ocupado e ainda por cima tenho que me preocupar com as suas palhaçadas. a diretora me ligou e disse o que aprontou desta vez, acho melhor entrar na linha ou não serei piedoso com você.

-Mas.... -Minha voz sai falha - Isso não é verdade, ela mentiu. Por favor me tire desse lugar. - desabo.

-Eu não irei mover um dedo. Irá continuar aí até atingir sua maior idade, e não me perturbe mais. - ouço o apito do telefone, sinal de que ele simplesmente desligou.

Me sinto abraçada e vejo que é Lizz ao meu lado no sofá perto da diretoria. Ela passa a não em meus cabelos enquanto eu desabo em lágrimas.

-Quando chegou aqui? Por que está aqui? Ainda é sábado. - Digo ainda aos soluços.

-Não estava com um bom pressentimento, vir lhe fazer companhia. A procurei por toda parte e aqui está você, o que houve? - Ela ainda acaricia meu cabelo.

A conto toda história.

-Vaca maldita, eu vou acabar com ela. - sua voz é carregada de ódio e sorrio, ela é uma amiga incrível e a única pessoa aqui que está disposta a me proteger e apoiar.

-Obrigada - A abraço.

-Sempre que precisar. - Ela retribui.

Flashback off

Volto a realidade. Sinto falta de Lizz, ela foi concluir sua faculdade na França depois de sair do internato, dois meses antes de mim. Ainda nos falamos as vezes, mas estou feliz por ela estar segura- por enquanto-longe de tudo isso. Ela sabe sobre a máfia, não só sabe mas também faz parte da mesma, e quando voltar, terá que entrar de vez e fazer parte desta prisão, por ser filha do Capo. Foi mandada para o internato na Inglaterra pelo mesmo motivo que eu, na verdade, quase todas estavam lá pelo mesmo motivo.

Lizz tinha e ainda tem, uma beleza que desconcerta as pessoas a sua volta. Nunca vi ninguém mais desejada do que a mesma, seus cabelos longos em cascatas quase brancas chamam atenção, seus olhos azuis piscina prendem o olhar e sua pele de porcelana conjunto a um corpo escultural fecham com chave de ouro a imagem perfeita. Todavia, sua aparência não faz jus a sua beleza interior, seu jeito doce e seu coração generoso. Acho que isso é um grande motivo para ela tentar tanto fugir dessa vida na máfia, ela é boa demais para isso tudo.

não a imagino matando ninguém, infelizmente cedo ou tarde ela terá que voltar e lidar com tudo isso.

Acordo com barulho do maldito despertador ecoando pelo quarto. Hoje é o dia de provar o vestido do meu casamento, indesejado casamento na verdade.

Depois de um longo banho me arrumo e vou até a porta do apartamento. Tina está sentada no sofá com um sorriso que eu conheço bem, o que me faz sorrir também.

-Usou a chave que lhe dei para entrar? - quando decidi que não conseguiria ficar na mansão por causa das malditas lembranças, me mudei para este apartamento, Tina decidiu que não iria querer vir por já estava acostumada a viver lá.

Eu a compreendi e lhe dei a chave do meu apartamento para a mesma ter livre acesso.

-Estamos atrasadas, mia Bella. - Ela se levanta e me puxa pelo braço - Vamos, não temos o dia todo, Ragazza.

Vamos direito ao elevador e aperto o botão para o Hall de entrada.

-A senhora sabe que não estou nada animada para me casar, isso não vai dar certo, Tina. - ela bate em minha mão.

-Claro que vai, oras. Ele lhe olha diferente, acho que pode dar certo, já disse para fazer um esforço. E você sabe que não tem uma alternativa a não ser dar certo, isso é para sempre. - Eu entendo o que ela quer dizer, a única maneira de não ser para sempre é a morte de um dos dois, e espero que não seja a minha...

-Tá bem, tá bem. - Cedo.

Já estou provando o vigésimo vestido e nem deles agrada o suficiente a Tina, para ser sincera, nem a mim. Não é porque não faço questão deste casamento que tenho que estar feia.

A vendedora da loja - uma loja muito cara por sinal - me trás um com a promessa de que este será perfeito.

-Não tem erro - ela diz e eu assinto e sorrio.

E ela realmente tinha razão, o vestido é perfeito.

Vou até Tina e antes que eu pudesse perguntar sua opinião, seus olhos brilham e ela vem até mim, e pega minha mão.

-Este é perfeito, mia bella. Não ouse se casar com outra fora este, você será a noiva mais linda do mundo. - ela me abraça e eu acaricio sua face depois de nós afastarmos alguns segundos.

-Minha mãe não está aqui em presença, mas saiba que estou feliz por você estar Tina, mesmo que este casamento não seja de minha vontade, eu acho ela amaria estar aqui. Enfim, você é tão importante quanto ele seria para mim, você também é minha mãe, e eu te amo muito.

Os olhos de Tina se enchem de lágrimas e ela as seca com um lenço que não sei bem de onde tirou.

-Ela amaria lhe ver assim. - sorri em meio às lágrimas - você será muito feliz, mia bella.

Me viro em direção ao espelho e suspiro. Não acho que serei muito feliz neste casamento, mas algo em suas palavras me trouxe a esperança de que isso seja possível.

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