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BÔNUS

BATO PALMAS TOTALMENTE EMPOLGADA por ter acabado de comprar minha viagem de volta a Itália. Finalmente vou ver meu pai e Thiffany, eu sinto tanta falta dela, não temos nos falado com tanta frequência nos últimos tempos, desde que saímos do internato.

Ah, Thiffy..

Olho para meu celular e sem pensar duas vezes ligo para Thifanny, não vou contar sobre minha volta mas quero saber como ela está.

A chamada de vídeo é atendida depois de três toques e sorrio ao ver como ela está linda.

- Thiffy! - dou um gritinho e ela acena.

-Lizz! Sinto tanta sua falta, não nos falamos há semanas. - Ela diz como se tivesse me dando uma bronca.

-Sinto muito, estive bem ocupada nos últimos dias, mas teremos muito tempo para conversar. - ela franze o cenho sem entender e sei que não vou conseguir me manter em silêncio.

-como assim? - ela fala com esperança na voz.

-Eu vou voltar, Thiffy! Vou voltar para a Itália! - nos gritamos juntas pela chamada e tenho certeza de que o vizinho do apartamento acima, virá reclamar comigo pelo barulho.

Non mi interessa! Uomo noioso. (não me importo, homem chato)

-Finalmente! Mas sabe o que isso significa, não é, Lizz? - Eu assinto.

-Sim, irei entrar de vez para a mafia e fazer tudo que eu não quero... Mas tudo bem, hora ou outra isso iria acontecer, então que seja logo de uma vez. - falo conformada com meu destino.

-Mas pelo menos estaremos juntas de novo! - Ela diz animada.

-Vamos fazer compras! Vai me atualizar sobre as fofocas, vou comprar um apartamento novo e decora-lo... Aaaaaa- grito animada com as ideias.

-Vai vir a tempo do meu casamento? - Eu arregalo os olhos.

-Casamento?! Por que não disse antes?! - pulo na cama - tenho que arrumar um vestido de madrinha! Vou ser a madrinha né?! - ela assinte sorrindo - Aí meu Deus, quando vai ser?! Estou atrasada!.

-Em 10 dias, calma. Ainda tem bastante tempo, na verdade nem tanto. Pelo que eu lhe conheço, poderia avisar com cinco anos de antecedência e ainda sim você estaria atrasada - revira os olhos.

-10 dias?! Isso não dá tempo de nada. Meu Deus, iria me avisar quando?! se ao menos fosse realmente daqui a cinco anos eu não estaria tão desesperada - Ela perdeu o juízo, oh meu Deus.

-Em breve? - faço que não com a cabeça e ela da de ombros.

-Com quem irá se casar? - Espero que seja alguém descente.

-Vicenzo Salvatore.

-AÍ MEU DEUS! O NOVO DON?! AÍ MEU DEUS! - me jogo de costas na cama e suspiro. - Thifanny, você vai se casar com um dos homens mais poderosos do mundo, além de don ele é um dos empresários mais poderosos do mundo, oh meu Deus! Minha amiga vai se casar com o Bilionário Salvatore!. - falo ainda boquiaberta.

-O próprio. Lizz, tenho que ir. Me procure quando chegar e venha logo, antes do casamento, Amo você.

Ela acena e eu fico com a boca aberta sem conseguir dizer nada, só acena pra ela e desligo a chamada.

Mal posso esperar para voltar, eu gosto tanto do meu pais, tenho lembranças incríveis da minha infância lá. Depois que meus pais se mudaram para a Inglaterra e me colocaram no internato, as coisas nunca mais foram as mesmas, minha mãe conheceu um homem qualquer o qual ela fez de amante por alguns meses e fugiu com o mesmo para só Deus sabe onde.

Meu pai só não a matou por mim, eu implorei para que tivesse piedade. Ela desobedeceu uma lei da mafia, e teria que ser morta por isso. A pedido meu, meu pai forjou a morte da mesma para que ninguém soubesse que ele deixou a esposa impune, se descobrissem que ele não a puniu e além disso mentiu para acoberta-lá ele seria executado por traição. o quê me faz sentir culpada, eu o coloquei em risco mas não poderia permitir que ele a matasse, apesar de tudo ela era e ainda é minha mãe.

A mesma foi a responsável pela minha ida ao maldito internato, ela não queria responsabilidade de criar uma filha adolescente e convenceu meu pai a me mandar para lá com a desculpa de que eu teria um bom treinamento para a vida na mafia e assim foi.

Realmente tive um bom treinamento lá, aprendi tudo que precisava para sobreviver no mundo do crime mas espero não ter que usar nada daquilo tão cedo. sempre notaram meu pouco talento para essa vida de mafiosa, não tinha a frieza nem a força necessária e por isso decidi atrasar um pouco mais as coisas.

Depois de sair do internato decidi fazer faculdade de moda em Paris, e meu pai retornou a Itália. Agora voltarei para meu lugar e provavelmente terei que me casar, e assim meu marido assumirá o lugar de meu pai como Don, mas não estou com pressa para isso, papai ainda viverá muito, e eu tenho tempo para me unir a alguém para toda vida, quero achar a pessoa certa e que seja por amor que subirei ao altar, mesmo que na mafia quase não exista isso, acredito que seja possível.

Itália, 11:07AM.

Desço do avião ainda desorientada pelas várias horas de voo, as quais eu passei totalmente inconsciente, já disse que eu amo dormir? Porque eu amo.

Pego um taxi e dou o endereço ao mesmo. Thiffy não sabe mas vou morar no andar abaixo do dela, usei todos os meus contatos para saber onde ela morava e comprar um AP perto, só para ficar mais perto da minha amada amiga. Credo, pareci uma obsessiva, mas não tem nada demais em querer ficar próxima a minha melhor amiga.

Meia hora depois o taxi para em frente a um prédio enorme e lindo, viver aqui deve custar milhares de dólares, não que isso seja um problema.

Passo pelo Hall de entrada e informo que sou a nova moradora do apartamento, depois de mostrar minha identificação pego a chave e vou rumo ao elevador.

Subo direto para o andar de Thiffy. Tenho certeza que ela ficará muito feliz em me ver, sinto um frio na barriga pela ansiedade.

Paro na frente da porta e bato duas vezes. Pouco segundos depois a porta é aberta e a vejo, ela está linda.

O corpo está definido e cheio de curvas suaves e perfeitas, seus cabelos pretos estão ainda mais longos do que a última vez que a vira, boca avermelhada como sempre fora, seus olhos claros tem um brilho diferente.

Eles não refletem mais tristeza,

mostram força, sagacidade e até um pouco de frieza. Mas ainda vejo doçura nela, não é a mesma Thiffany que deixei no internato. ela está mais forte, determinada e preparada para a vida, mas ainda vejo em seu olhar que certas coisas não mudaram, ainda tem um coração de ouro e uma alma nobre.

Isso soou tão piegas.

Eu me jogo em seus braços e ela retribui. Senti tanta falta da minha amiga, foram anos longe e nem acredito que estamos juntas de novo.

-Thiffy! Senti tanto a sua falta. - Saio de seu abraço e a encaro.

-Não sabia que viria hoje! Como sabe que moro aqui? - lhe dou um olhar cúmplice e ela assente - Claro, temos nosso meios...

-Me mudei para o andar de baixo! - falo batendo palminhas e passo por ela adentrando o apartamento.

-Sério?! Que ótimo, terei companhia sempre. - Ela se senta ao meu lado no sofá.

-Seu apartamento é incrível, Nunca me decepciona no quesito estilo. - ela sorri.

-Meu casamento é em três dias. - Thiffy não parece feliz ou animada, pelo contrário. Pelo que eu sei da mesma, diria que está até com medo. Entretanto, não consigo imaginar um universo onde a Thiffy de agora sentiria medo.

-Você não o ama? - pergunta com receio mas já sei a resposta.

-Não! Lizz, eu não o amo. Está união será baseada apenas em interesses, os quais você já está ciente. - Eu assinto.

Sei que tudo aqui se trata de poder e dinheiro. Isso me frustra, não é assim que quero um casamento para ela, nem para mim, quero algo por amor mas vai ser mais difícil do que jamais pude imaginar.

-Acha que um dia pode chegar a amá-lo? - pergunto esperançosa.

-Eu espero que nunca chegue a amo-lo, isso culminaria na minha ruína. Apesar de decidirmos que nosso casamento seria real, sem traições etc, não quero envolver sentimentos e ele menos ainda. - Algo em Thiffy me faz pensar que ela não está sendo totalmente sincera, será que tem alguma chance de ela sentir algo- por menor que seja- por ele?.

-AÍ amiga, olha pelo lado bom, vai poder usar um vestido de noiva, e ser o centro das atenções. Na verdade, você sempre é. - sorrimos juntas.

-Já comprou seu vestido de madrinha? - tenta mudar de assunto o que só confirma minhas paranoias.

-Sim! Faz tempo, será entregue amanhã no meu apartamento. Estou tão anciosa, Thifanny. - bato Palmas - Minha melhor amiga vai se casar.

-Sabe, Lizz. Temos que fazer uma coisa que há muito tempo não fazemos.. - nos entre olhamos e falamos em uníssono.

-Crepúsculo!

Depois de passar a tarde toda e boa parte da noite no apartamento de Thifanny, finalmente entro em meu apartamento duplex . Esta tudo conforme eu pedi a designer de interiores para que fizesse e isso me deixa extremamente contente, é a minha cara e isso me faz sentir em casa.

A decoração em rosa pastel e branco, os móveis modernos e o lindo lustre de cristal posicionado no teto, tudo exatamente como imaginei. E assim está toda a casa, meio monocromático mas é a minha cara e eu estou realmente apaixonada, minha vontade é de não sair daqui nunca mais .

Me pergunto o que farei agora, eu sei que quando meu pai souber que estou aqui, as coisas começarão a ficar sérias. Ele terá que me apresentar oficialmente a mafia, e assim terei que me casar com alguém, para fortalecer laços ou criar elos. E isso eu não quero, não pretendo me casar agora e muito menos com um desconhecido.

Meu pai passou a vida toda tentando me proteger da mafia, minha mãe sempre odiou ter que viver nesse meio e não queria isso para mim, mas sabia que não tinha escolha, era isso ou a morte. Ela teve sorte em conseguir fugir e sair impune, eu não posso simplesmente virar as costas e dar fuga, meu pai terá que me apresentar a mafia, terei que fazer a iniciação e o juramento e depois disso já sei meu trágico futuro.

A cossa nostra é sem dúvida uma das - se não a mais - poderosas máfias, e tenho que admitir que em parte tenho sorte. Existem máfias de diversos países onde as mulheres não têm voz nem direito e vivem em um meio totalmente machista, sofrem abusos e violências físicas e psicológicas, nesta somos até que protegidas. O homem que se juntar a uma mulher dentro da cossa nostra, terá que jurar fidelidade, e proteção sobre a mesma. Fidelidade é um quesito que nem sempre é cumprido, mas caso o adultério seja descoberto, o indivíduo é acusado por traição e pode até ser executado. difícilmente acontece com homens e isso é um problemas, pois se for mulher na certa é morte.

Sempre tive muitas fantasias com o amor, e isso diante aos outros é inaceitável e patético, mas eu não acho. Para que eu vou querer alguém se não for para me amar, proteger, respeitar, e me colocar acima de qualquer coisa? Parece egoísmo mas eu faria o mesmo pelo homem que fizesse meu coração bater mais forte, que fizesse brotar um sorriso em meus lábios ao pensar nele.

Quero alguém que me desconcerte de corpo e alma mas isso nunca poderá ser dito em voz alta, pois soa patético demais e ainda mais em um mundo como o meu, onde tudo é exatamente como Thiffy disse : sobre dinheiro e poder.

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