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CAPÍTULO 5

JOGO MINHA BOLSA EM ALGUM lugar aleatório da sala e em seguida me atiro no grande sofá.

O "encontro" não poderia ter sido pior. Não pelos acontecimentos em si, mas sim porque tive a noção de com quem estou lidando e prestes a me casar. Vicenzo não poderia ferrar mais com a minha vida, como se não bastasse me ter que me casar com ele, ainda quer que seja de verdade, o que dificulta tudo, e agora me resta apenas me resignar.

Eu poderia matá-lo, mas aí estaria colocando minha própria cabeça na guilhotina. poderia me desviar de suas vontades matrimoniais, mas isso traria consequências com as quais teria que lidar, então tudo que posso fazer é lutar para que ele seja o mais infeliz possível neste casamento, porém seguindo as regras. Pelo menos poderei desfrutar dos benefícios de me casar com um cara tão lindo, não que seja grande coisa, pois já passaram pela minha cama, caras do mesmo nível, mas este é só meu.

Não será fácil lidar com ele, em menos de meia hora ele se mostrou totalmente controlador, possessivo e convencido. E ele se mostrou assim, obviamente para me intimidar, O que é totalmente inútil, pois não sou do tipo que se deixa abalar por esse tipo de homem, os quais eu fui criada justamente para saber enganar e dobrar. Vicenzo está muito errado se pensa que vai me colocar sobre seu domínio, se nem meu pai teve esse feito, não é ele que terá.

Volto a realidade ao ver Valentina a minha frente com uma bandeja de suco e uma expressão a qual não consigo decifrar.

Qui andaimo (Lá vem)

- Como foi seu encontro, Ragazza? - ela pergunta e me entrega o suco, o qual eu pego de bom grado. Bato a mão no lugar ao meu lado no sofá e ela se senta.

-Difícil, Tina. - tomo um gole do suco e suspiro. - Ele não é fácil de lidar, e isso não é bom, pois é o homem que terei que lidar para o resto da vida. E para eu dizer que vou ter que lidar para o resto da vida, é porque é verdade, então sabe que a ideia de matá-lo passou pela minha cabeça e as circunstâncias me fizeram desconsiderar. - solto tudo de uma vez e ela ouve atenciosamente.

-Ragazza, não é surpresa para ninguém que tenha que ir por esse caminho. estava destinada a isso desde que nasceu. Sabia que acabaria se unindo- mesmo que por conveniência- a alguém do seu meio, e sabe que seria para sempre, Mia bella.

-Tina, não sei o que fazer. - deixo o copo sobre a mesa e deito minha cabeça em seu colo, recebendo suas carícias. É o mais perto que eu cheguei de cheguei de ter uma mãe, por isso Tina é a única que permitiria me ver em tal estado de vulnerabilidade.

-Claro que sabe, Ragazza. Sabe que terá que se casar, e terá que ficar com ele. Aconselho que não faça da vida dele um inferno, tente conviver em paz, Mia bella. Quem sabe isso não é o plano dos deuses para você, isso não significa que tenha que facilitar para ele - trocamos um olhar cúmplice e um sorriso tímido - mas permita conhecê-lo melhor, por mais cruel que ele possa ser, no fundo sempre há um coração e mesmo que seja bem lá no fundo, ele pode ser bom. permita-se o conhecer e quem sabe, sentir algo pelo mesmo, garanto que isso faria do seu casamento bem mais feliz.

Ela pousa seus lábios em minha testa depositando um beijo carinhoso.

-Grazie. - me sento novamente no sofá - Por tudo, você é como minha mãe, Tina, é o mais perto que cheguei de ter uma. - a abraço.

-Mia bambina, só faço por você o que sei que sua mãe também faria, e dou a você o amor que ela não pode dar. - ela se levanta e trocamos um sorriso.

Sinto muito, Tina. Mas não é dessa vez que seguirei seu conselho, jamais irei me deixar sentir algo pelo maldito Salvatore, e tampouco irei facilitar para ele. Posso ter que viver com ele para sempre, mas irei fazê-lo se arrepender eternamente pelo momento que ele se sentou naquela mesa e me propôs casamento.

O barulho do celular me desperta de meu transe. Foram quase uma hora deitada encarando o teto e eu mal vi o tempo passar.

Atendo no terceiro toque.

-Alô?

-Boa tarde, senhorita Lazárri. - a voz feminina é educada e eu franzo o cenho.

-Boa tarde, quem fala? - Minha curiosidade aumenta.

-Sou Anna, senhorita. Secretária do senhor Vicenzo. - Reviro os olhos.

Cos'è questa volta? (o que é dessa vez)

-O que deseja? - pergunto direta.

-Hm, o senhor Salvatore pediu para que eu a avisasse que amanhã as 13:00PM, a senhora tem a prova do vestido de casamento. Que como a senhorita sabe, é em duas semanas. - Meus olhos quase saltam da minha órbita ocular.

-Ok, obrigada - desligo sem mais.

Logo imediatamente para Vicenzo e tento conter meu ódio. Ele atende na segunda chamada e eu respiro e tomo coragem.

-Olá, querida noiva - ele diz debochado.

-Que história é essa de nos casarmos em duas semanas?! - falo sem respirar e totalmente exasperada.

-Eu disse que o casamento seria o mais breve possível. - ele diz totalmente calmo, porém frio.

-Não tão rápido assim. - Rebato.

-Nosso noivado será este final de semana em minha casa, e nosso casamento em seguida, na próxima semana. - Ele desliga sem mais e eu fico totalmente boquiaberta.

Dannazione! (Maldito)

A luz do sol atravessa as pequenas frestas da cortina e atinge meu rosto. O relógio ao lado da cama mostra que são exatamente 10:23 AM.

Hoje tenho que ir ao maldito lugar para provar vestidos de noiva. Pelo menos poderei escolher meu vestido, poderia ser pior. Já vi muitos casos na cossa nostra de casamentos arranjados, uns combinados pelos pais desde o nascimento, outros onde os pais combinam até mesmo depois de os filhos atingirem a maior idade, e outro iguais ao meu, combinado pelos próprios noivos. O que nunca muda, é que os casamentos - sendo eles arranjados ou não - acontecem só entre pessoas da máfia. Isso fortalece laços de amizade entre os pais, junta fortunas, aumenta o poder, evita guerras e principalmente, evita que espiões se infiltram em nosso meio.

É tudo questão de regras, e regras não podem ser quebradas. Dentre as principais regras da máfia, estão elas:

1- Regra de honra do silêncio. O que acontece na máfia, fica na máfia. Não se conta a ninguém fora dela, que você a pertence. Mas a regra não se trata apenas disso, também se expande a outras coisas, mas o que não muda é que o sigilo é essencial, e quem o quebra, paga com a vida, às vezes, não só com a própria, mas também com a do resto da família.

2- Fidelidade. A segunda regra é tão importante quanto a primeira. não aceitamos traidores. Sejam as traições cometidas por união matrimoniais (traição), infiltrados, ou mentirosos. Traiu, morreu.

3- Não se expor. É relacionada com a primeira, mas não se trata só de se manter de boca fechada, tratasse de não fazer nada que possa por em risco nosso sigilo, isso inclui não cometer crimes imperfeitos, não confrontar autoridades e afins.

4- Disponibilidade. Não importa o dia, e nem o horário, se convocado, deve-se comparecer, seja ele o Don ou um mero soldado.

5- Respeito. Isso não deve se extinguir em hipótese alguma, desde o pai até o don.

6- Lealdade. Essa é ensinada desde a infância, declarado apoio ou união a um membro, deve-se manter leal a ele até que o laço seja quebrado, ou seja, uma guerra seja declarada. O que não acontece facilmente, as guerras normalmente são entre máfias de outros países, nunca dentro da mesma. Mas isso não significa que os membros sejam confiáveis.

7- Pagar as dívidas é tão importante quanto cobrá-las. Se dever a um membro da máfia, morre, e isso é verídico, mas cobrar as dívidas é tão importante quanto, faça com que pague, e só se for extremamente necessário, mate. É cruel, mas isso fica de exemplo para que nunca devam a máfia, só negociei o que é capaz de pagar.

8- Faça o que tiver que fazer. Isso inclui matar, aqui não há lugar para medo ou excitação, a vida é uma pedra, e tirá-la não deve ser um sacrifício. faça o que tiver que fazer sem medo e sem pesar.

9- Casamento. O casamento acontece, quer os noivos queriam ou não. E deve ser para sempre, seja ele de verdade ou não. Dentro da mafia, o casamento é sagrado, por isso, caso os integrantes do casamento decidam não seguir as normas, e trair um ao outro, se a alta patente souber, é morte. Por isso é recomendável que sigam a risca suas obrigações matrimoniais, caso contrário, é melhor que ninguém saiba de sua indolência.

10- Tráfico humano. É uma coisa inaceitável dentro da cossa nostra, e que é combatido por nós até nas máfias exteriores. Caso saibamos de que tal feito é realizado por outra máfia, iremos destruí-la, e nenhum membro dentro da cossa nostra pode sequer cogitar a ideia de participar disto.

Seguindo estas regras, a sobrevivência na máfia será muito mais fácil. Cada uma dessas regras tem uma punição específica, e nivelada. E é aplicada do membro mais insignificante e descartável até o mais poderoso.

Assim que saio do meu carro tenho a visão grandiosa do grande prédio dos Salvatore. O prédio da impresa é grande e imponente, a cara dos Salvatore. A recepcionista me indica o andar e a sala a qual devo ir e a agredeço com um sorriso que é imediatamente retribuído de maneira sincera.

Mi è piaciuta (Gostei dela)

As portas do elevador se abrem e eu vou a passos confiantes até a sala de Vicenzo mas sou parada por uma voz.

-A senhorita quer que eu avise ao senhor Salvatore que está aqui? - Me viro e vejo uma moça com cerca de vinte e dois anos, cabelos loiros e olhos amarelos, ela tem um belo corpo e usa uma roupa que destaca suas belas curvas. Ela me olha oferece um sorriso tímido, sorrio de lado para ela e faço que não com a cabeça.

-Não será necessário, mas obrigada. Hanna? - me lembro de seu nome pela chamada.

-Sim, senhorita. Se precisar de algo, é só me chamar. - aceno e adentro a sala de Vicenzo empurrando a enorme porta dupla de madeira.

Ao entrar o vejo sentado em sua cadeira, totalmente focado nos papéis a sua frente. Seu cabelo está perfeitamente arrumado e ele usa um terno bem cortado que destaca bem seus músculos.

Ele levanta o olhar e franze o cenho ao me ver.

Accidenti sexy (Malditamente sexy)

-O que faz aqui? - pergunta sem tirar os olhos dos papéis a sua frente, que ele assina freneticamente.

-Vim lhe avisar que não permitirei que tome esse tipo de liberdade em nosso casamento. Não decida as coisas por mim, não faça coisas que me afetem sem me consultar antes. - Falo com calma, mantendo a postura.

-Nós havíamos combinado em nos casar o mais breve possível, ou seja, estava ciente disso. - rebate ainda sem olhar para mim.

-Nunca me disse que o mais breve possível era em duas semanas - rebato de volta.

-Por acaso, o mais breve possível era em duas semanas. - ele tira a atenção de seus papéis e vem até mim, com o olhar preso no meu.

-Que diferença faz, não é mesmo? Querida esposa. -Ele fala a um palmo de distância do meu rosto. - Será minha de qualquer jeito, um mês a mais ou um a menos não importa.

Sua proximidade começa a aumentar e nossos lábios estão a um milímetro um do outro.

-E aí, irmãozinho! - Vejo o irmão de Vicenzo, se não me engano, acho que se chama Eric.

Vicenzo revira os olhos e tem sua face tomada por uma expressão de puro ódio.

-Olho só quem está aqui, a Princesinha Lazarri. - arqueio a sobrancelha.

-O que? - pergunto sem entender.

-É o apelido que eu carinhosamente lhe dei. Devido a sua Beleza. - ele pisca para mim.

Bom, acho que entendi tudo. É óbvio que os dois não se dão bem, isso se vê pela expressão divertida de Eric ao ver a expressão raivosa de Vicenzo.

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