CAPÍTULO 3
ADENTRO AO RESTAURANTE E logo sou recepcionada por uma moça de cabelos pretos na altura dos ombros e belos olhos cor de âmbar, ela sorri simpática.
-Boa noite, em que posso lhe ajudar? - ela pergunta com um ar profissional e exalando competência.
-Tenho uma reserva em nome de Vicenzo Salvatore. - informo e ela confere algo em seu computador.
-Sim, a mesa foi reservada para as 20:00, peço que me acompanhe. - faço um sinal positivo com a cabeça e sigo a mesma.
O restaurante é um dos mais caros da cidade, não apenas pela boa culinária mais também pelo ambiente que esbanja riqueza. Taças de cristal, colheres de prata, louças de porcelana e tudo que se pode exigir de um restaurante de luxo. A iluminação é baixa apesar dos vários lustres de cristal posicionados no teto, a música ambiente é sutil e parece ter sido feita exatamente para ser reproduzida neste exato local.
Eu continuo a acompanhando e o barulho dos saltos ecoam levemente no chão de madeira coberto pelo carpete vermelho. Ela sobe as escadas para o andar de cima onde fica um mezanino e vejo que é a parte mais privada do restaurante, parte que aparenta ser ainda mais elegante que a parte inferior, ela passa por uma enorme porta de vidro e me indica a mesa que fora reservada por Vicenzo. Em poucos segundos a mesma sai porta afora fechando a porta de vidro, e neste instante sinto meus músculos retesarem e meu coração acelerar o ritmo das batidas.
Me forço a caminhar até a elegante mesa para dois, onde uma cadeira já está ocupada por Vicenzo, antes que eu chegue perto o suficiente ele se levanta e vem em minha direção, a sua mão pega minha mão direita e beija levemente os nós dos meus dedos, sinto um frio tomar conta da minha barriga, mas tento ao máximo não demonstrar meu nervosismo e o quão atraída estou por ele neste exato momento.
Ele veste um terno bem cortado que se bem observado, marca bem seus músculos, ele exala um cheiro masculino com um fundo amadeirado que me faz querer ficar cada vez mais perto, seu cabelo preto está perfeitamente alinhado e seus olhos que antes eram azuis piscina se tornam mais escuros e é possível notar suas pupilas dilatadas.
Imediatamente me dou conta que passei tempo demais o observando e vejo que o mesmo também notou.
-Boa noite, senhorita Lázarri- ele salienta sutilmente meu sobrenome e um arrepio sobe pela minha espinha.
-Boa noite, senhor Salvatore. - Tento parecer o mais indiferente possível, apesar do fato de que a última coisa que eu estou em relação a ele, é indiferente.
-Devo dizer que a senhorita está belíssima esta noite, como sempre. - Eu sorrio em agradecimento.
Ele puxa a cadeira para que eu me sente e assim o faço, agradeço com um breve aceno de cabeça que é correspondido com um sorriso ladineo cheio de promessas.
-Então, para que me chamou? - vou direito ao ponto oque parece o surpreender.
-Para falar de negócios - ele diz sim simplesmente.
-Então, você reservou uma mesa no restaurante mais caro da cidade a esta hora, ainda por cima no lugar mais privado, devo destacar extremamente privado, apenas para falar de negócios? - o questiono e arqueio as sobrancelhas.
Quando ele está prestes a responder o garçom aparece e nos entrega os cardápios. Corro brevemente meus olhos pelo menu e logo faço meu pedido.
-Eu vou querer um Carpaccio, por favor.
-Me traga Alcachofras à moda romana e uma garrafa de Château Hauth- Brion. - ele pede secamente sem ao menos pedir por favor.
-Por favor. - eu completo ao garçom e ele sorri gentilmente e eu retribuo. Sem mais demoras o mesmo se retira.
-Desnecessário. - comenta Vicenzo.
-Ser educada não é desnecessário. Prossiga - digo desviando o assunto para a pauta anterior.
-Così senile.(Tão sentimental) revirei os olhos. - Como iria dizer, sobre o horário, sinto muito ser tão tarde, mas é o que tenho disponível, reservei este restaurante pois gosto daqui e em uma parte tão reservada é porquê se tem uma coisa que prezo é a descrição e a privacidade, não é a primeira vez que reservo esta parte. Então, como pode ver, não tem porque desconfiar tanto da minha pessoa, são só negócios. - Franzo o cenho, devo admitir que foi uma bela argumentação da parte dele, aliás, uma bela tentativa de me driblar, eu sei muito bem suas verdadeiras intenções e ele está ciente disto.
-Prefiro acreditar que sim, mas não temos oque falar em relação a negócios, eu já sei tudo que deveria. - Rebato.
-Tem certeza? - essa pergunta me irrita profundamente, odeio ser subestimada.
-Absoluta, fui criada pra isso, sei oque fazer, quando fazer e porquê fazer. - Dou ênfase em cada palavra e ele parece surpreso.
-Admiro sua confiança. - faço que sim.
-Admiro sua tentativa falha de tentar me enganar. -seu maxilar trava e seu olhar torna-se tão penetrante a ponto de furar minha pele.
-Oque quer dizer com isso? - ele tenta parecer calmo, e se fosse outra pessoa e não eu, acreditaria.
-Sei que está aqui para tentar se aproximar de mim, diria até que por segundas intenções, arrisco a dizer que por influência de seu pai. Estou errada? - Sei que apesar dele não deixar transparecer sequer uma emoção, ele está muito surpreso. Não sou idiota, conheço todas essas jogadas, todos as intenções masculinas e principalmente, como funciona a cabeça de um mafioso.
-Vai negar? - Insisto no assunto.
A porta é novamente aberta e o garçom rapidamente nos serve e sai sem demora.
-Não. Meu pai realmente tem interesse em que surja algo entre nós, sabe bem como funciona nosso meio. - Eu assinto novamente.
-Sei, e o que pretende fazer agora que seu plano foi descoberto? - Sorrio cinicamente e ele responde calmo.
-Tenho uma proposta.
-Qual? - pergunto desconfiada.
- Case-se comigo. - ele diz simplesmente.
-Não é o pedido de casamento que imaginei para minha vida - brinco.
-Seria favorável às duas partes. Meu pai quer que eu me case, e tenho que o fazer para assumir seu lugar na empresa e na cossa nostra, eu faria a vontade dele, você ficaria mais rica e mais poderosa, que é oque eu sei que quer e todos nós ficaríamos felizes. - Balanço a cabeça na tentativa de assimilar.
Felizes? Casada para sempre com uma pessoa que eu não amo. Como eu poderia ser feliz assim?
-Por que não se casa com a sua namorada, Ellora, não é? - o questiono.
-Ela não é minha namorada. E ela não é a mulher certa, segundo eu e meu próprio pai. - ele ri sem humor
-Casamentos da máfia são para sempre, só acaba com a morte. Sabe disso, acha mesmo que vale a pena? - pergunto indignada.
-Acho. Sejamos francos, se não se casar comigo vai ficar só administrando a parte de seu pai, isso enquanto for a vontade do meu pai, eu o conheço o suficiente para saber que não demoraria pra que ele mandasse apagar você e colocar alguém da confiança dele em seu lugar. no lugar que já foi do seu pai, você pode até ter um bom cargo, mas ele ainda está acima, casando-se comigo você não estaria apenas protegendo seus interesses, estaria também protegendo sua vida. Seja esperta. terá dinheiro, poder e tudo que sempre quis, e o mais importante de tudo, estará viva. - Me dou conta do que Vicenzo disse e odeio admitir, mas ele tem razão.
-Vou pensar. - digo por fim e ele apenas assente.
[...]
Eu jogo meu corpo contra a cama. Ele tinha razão, era tão óbvio que Luca tentaria me matar para pôr algum de sua extrema confiança em seu lugar.
Congratulazioni, Tiffany. Sei così stupido! (Parabéns, Tiffany. Você é tão burra.)
Tomo um banho rápido e visto a coisa mais confortável possível para finalmente me unir a coisa que mais amo na vida, minha cama.
Apago as luzes e os pensamentos tomam conta de minha cabeça. Que outra opção eu tenho além de me casar com ele? Não que seja algum sacrifício mas não foi oque planejei para minha vida.
Eu jurei a mim mesma que seria a melhor chefe que a cossa nostra já viu, a primeira mulher a comandar a máfia e eu provaria não só ao meu pai mais a mim mesma que eu sou capaz, que não sou a fraca e inútil que meu meu pai e as malditas garotas do internato diziam que eu era.
Flashback on
Me sinto cada vez mais deslocada e solitária neste inferno de lugar, as horas, os dias e principalmente as aulas parecem não ter fim. Bem que dizem que um dia no Inferno equivale a quatro meses.
Corro para a próxima aula depois de uma luta com meu armário que teimava em não abrir e quando estou prestes a cruzar a porta, a mesma é fechada pelo ser mais desprezível da face da terra.
Miranda Conti é o diabo no corpo de velha mal amada, a sua cisma comigo se iniciou desde o dia em que coloquei meus pés nesse inferno. Na verdade, não diria que pus meus pés aqui, na verdade eu praticamente fui jogada ao Deus dará nessa porcaria de lugar horrível.
Acabei de perder uma aula e o que me resta é esperar a próxima, e depois ver qual vai ser a próxima armação dela pra infernizar minha vida.
Alguns minutos sentada
no banco e meu livro é retirado violentamente da minha mão. E eu me arrependo amargamente por ter dito que Miranda era o ser mais desprezível do mundo, há quem supere a demonia mal amada.
Selina Prada consegue fazer Miranda parecer um anjo, outra que me odeia. Mas o motivo do ódio dela por mim eu sei muito bem. Oque me fazer pensar que ela é ainda mais chata e desprezível, isso apenas por eu ter brigado com ela por ter destratado uma das faxineiras da escola, educação e respeito são extremamente importantes e isso eu aprendi com Tina, minha segunda mãe, ela sempre disse que seria oque minha mãe queria que eu aprendesse e levasse pra vida, que apesar de classes sociais, etnia ou orientação sexual, somos todos iguais e merecemos respeito e amor.
-Ficou surda, garota?! - ela aperta minhas bochechas e sinto sua unha entrar em minha pele causando uma ardência horrível.
-Tire as mãos de mim. - tiro suas mãos de meu rosto com um solavanco. Ela ri e olha para meu livro.
-Livros de romance, sério? Você nunca será amada, isso aqui - ela ergue o livro - é pura ilusão para garotas burras como você se iludirem - ela joga o livro no chão com desprezo e volta seu olhar a mim.
-Você é uma fraca, seu pai pode ser importante, mas você não é como ele, você é só uma sonsa sentimental e vai morrer assim, inútil, fraca e sem ser amada. -
Flashback off.
Eu tenho que provar a mim mesma que isso não é verdade. Pego meu celular no criado mudo e vejo que são 23:44 PM. Disco o número de Vicenzo e ele atende no terceiro toque.
-A que devo sua ligação tão repentina a essa hora?
-Precisamos conversar.
-Me encontre no mesmo restaurante amanhã as 21:00.
-Certo.
É certo a ligação e me lanço na cama novamente.
Vejo que são 20:14 e me apresso ainda mais, hoje pode ser o dia que farei uma besteira que irei me arrepender para o resto da vida, ou não.
Coloco um vestido preto que assentua perfeitamente minhas curvas e deixa minhas pernas a mostra, e destacada meus seios. coloco um por de sapatos pretos abertos e deixo meus cabelos soltos apesar dos fios rebeldes. Finalizo com o colar de diamantes da minha mãe, que tenho certeza de que me dará sorte. (foto na Mídia)
Dirijo até o restaurante e parece que a partir do segundo em que pisei meus pés para dentro do restaurante, tudo se passou em câmera lenta, o mesmo ambiente da noite anterior parecia mais tenso, a música ambiente já não era tão agradável e me trazia uma certa ansiedade, o barulho dos meus saltos ecoando quase silenciosamente pelos degraus de madeira pareciam ensurdecedores pra mim.
Assim que a porta de vidro é aberta e eu me vejo novamente sozinha com aquele Deus grego e meu futuro marido, naquela sala tão grande que agora que parecia tão pequena eu me sinto desesperada e sem rumo, eu posso me arrepender eternamente disso, isso pode ser meu caminho para sucesso ou o início da minha ruína.
È ora o mai più (É agora ou nunca)
