CAPÍTULO 2
AS PORTAS DO ELEVADOR SE FECHAM e em poucos segundos estou no último andar, onde meu pai me espera. Provavelmente para me dar a notícia de quê passará seu cargo na empresa e na Máfia para mim. Meu pai é dono de uma empresa de automóveis e chefe da " cossa Nostra", - mais conhecida como máfia a qual também me tornarei chefe em seu lugar.
A Cossa nostra foi criada na primeira metade do século XIX na Sicília. Ela foi se desenvolvendo até atingir outros países, como Estados Unidos e Austrália. Ela envolve juízes, políticos importantes e grandes empresários - sendo o principal, meu pai - que administram a pirâmide de hierarquia.
Passo pela secretaria do meu pai que imediatamente coloca um sorrido forçado no rosto. Reviro olhos diante de sua atitude. Odeio o fato de todos serem gentis e educados comigo apenas por interesse ou medo. Mas quando é por medo eu me sinto ligeiramente satisfeito.
-Boa tarde, senhor Salvatore. - Ele se põe de pé e passa a mão em seu vestido extremamente apertado destacando suas curvas. É possível notar suas pupilas dilatadas, e suas bochechas corarem.
lamentevole (lamentável)
-Meu pai está sozinho? - pergunto de maneira fria sem muitos rodeios.
-Sim, senhor. - ela quase gagueja.
-Vou até ele. - ando até a porta e dou as costas para a mesma. Abro a porta e vejo meu pai atento aos papeis em sua mesa, há pelo menos cinco pilhas de pastas e o mesmo parece tão atarefado que não se dá conta da minha presença.
Limpo a garganta na tentativa de chamar sua atenção e obtenho sucesso.
-Do que precisa? - sou direto.
-Precisamos conversar. - ele diz de maneira calma e no mesmo instante sei que algo muito sério está prestes a ser dito.
-Sou todo ouvidos. - me sento em uma das poltronas que estão posicionadas em frente a sua mesa.
-Em uma semana tudo que tenho será passado a você e seu irmão. - ele começa.
-Me diga algo que não sei - respondo irônico.
-Mais respeito, você não está falando com qualquer um - ele me repreende eu reviro os olhos. Meu pai e eu somos parecidos em muitos aspectos, mas as diferenças são maiores que as semelhanças. Eu odeio que ele tenha que fazer uma cena de suspense para dizer algo que pode ser discutido em poucos segundos. sempre fui muito direto, sem joguinhos, sem rodeios, sempre sendo sincero e jogando todas as cartas na mesa. Sempre que possível, mas sou um ótimo jogador, e quando é necessário eu uso isso ao meu favor.
-Prossiga. - digo já sem paciência. Ele me fuzila com o olhar e dou de ombros.
-Você estará no comando de tudo, com auxílio de seu irmão, que se tornará vice presidente da empresa, mas você terá responsabilidades maiores. você não estára só no comando da empresa, como também do meu posto de chefe na cossa Nostra. - Ele se endireita em sua cadeira e eu arqueio minha sobrancelha o incentivando a continuar, mas ele se mantém em silêncio.
-Acabou?
-Sempre com pressa. - ele acena em negativo com a cabeça - Você já está com seus trinta e dois anos, meu filho. Até agora não o vi com nenhuma mulher digna para tornar-se sua esposa.
-Aonde quer chegar com isso? - Questiono. Eu sei bem onde ele quer chegar. Desde os vinte e sete anos recebo esse tipo de cobrança por parte do meu pai.
-Quero dizer que tem que tomar um rumo em sua vida. Já é um homem feito, precisa se casar, ter herdeiros. - Isso soa como uma ordem, uma ordem que não estou afim de obedecer.
-Como o senhor mesmo disse, sou um homem feito, eu tomo minhas próprias decisões. - digo sem paciência - E sobre não ter uma mulher "digna" oque me diz sobre Ellora? Eu estou com ela, não temos nada sério, mas quem sabe futuramente. - Digo na tentativa de apaziguar as coisas. Mas na verdade não tenho o menor interesse em levar meu relacionamento com Ellora a um nível mas elevado. Ela é bonita, inteligente e tem o mesmo nível social que eu, porém, não é o tipo de mulher que eu gostaria de passar o resto da vida.
-Não tente me enganar, você não tem o menor interesse na garota, ela é no máximo sua amante, por mais que a mesma tenha esperanças que isso mude, eu o conheço o suficiente para dizer que não irá acontecer. - Ele tem toda a razão - E já tenho planos quanto a isso.
-O que quer dizer? - Pergunto intrigado.
-Vamos levar em consideração que dinheiro nunca é demais, que poder e status temos de sobra, mas tudo irá ser ainda melhor se fizermos uma aliança. - ele aproxima sua cadeira da mesa. - Infelizmente a poucos dias atrás, como já sabe, Lázarri veio a falecer e seu cargo foi passado a sua filha, Thiffany Lázarri. Ela é bonita, inteligente, tem tanto dinheiro quanto nós, seria muito conveniente uma união entre a herdeira lazzari e o herdeiro Salvatore. - Ele finaliza.
-Está insinuando que devo me casar com ela? - Arqueio a sobrancelha.
-Não. Estou lhe informando que vai se casar com ela. - diz convencido.
-O que te faz pensar que ela vai querer se casar com um desconhecido do dia para noite? - O questiono.
-Você é um rapaz bonito, vai saber como conquistá-la. Mulheres são todas passionais, sensíveis e facilmente manipuláveis. - dou uma risada nasal e balanço a cabeça em negativo em sinal de descrença.
-Já parou para pensar que posso querer não me casar com uma estranha? - Mudo o foco. Não quero me dar por vencido tão fácil, mas a ideia de tê-la para mim me agrada, desde de que a vi ela me despertou um interesse.
-Não precisa ficar com ela por muito tempo. Se case, tome posse de sua herança, e se for de sua vontade, se desfaça dela. - diz de maneira fria.
-Está bem. - digo me dando por vencido. Sei que cedo ou tarde teria que fazer sua vontade, então não vejo o porquê adiar.
-Não será uma missão difícil para você. Como todas as mulheres, ela cairá aos seus pés e tudo que você terá que fazer é dominá-la, sem muitos esforços. - ele me garante.
Ele abre uma gaveta e retira de mesma um envelope pardo, o qual joga em cima da mesa.
-Aí está um dossiê com tudo que precisa saber sobre a moça. Não me dei ao trabalho de verificar, então, leia e faça o que for necessário para tê-la aos seus pés. - Ele diz por fim.
-Verei o que posso fazer. - me retiro da sala sem mais delongas e foco toda minha atenção no envelope em minhas mãos.
Me sento no sofá e abro imediatamente o envelope. Suspiro antes de começar a ler. Antes que eu dê início a minha "pesquisa" meu celular vibra em cima da mesa de centro.
A foto de Ellora aparece na tela e eu desligo o aparelho. A muito já me cansei da companhia da mesma, suas crises de ciúme, sua voz, suas conversas supérfluas, tudo em relação a ela vem me irritando.
Olho em volta do apartamento, grande demais para uma só pessoa, desde que me mudei para meu novo triplex me sinto cada vez mais sozinho. Nunca me incomodei com isso, mas ultimamente já não me parece tão agradável.
Afasto os pensamentos e volto minha atenção aos papéis em minhas mãos.
Nome: Thiffany Velásquez Lázarri
Nascimento: 12/02/1993
Pai: Henrico Costa Lázarri
Mãe: Melanie Velásquez Lázarri
Estado civil :Solteira.
Tipo sanguíneo: A+
Nacionalidade :Italiana
Leio com atenção a ficha. Vejamos, a mãe faleceu no parto, foi mandada para um internato ao catorze anos, aos dezoito iniciou sua faculdade de administração em uma das melhores universidades do mundo, sempre teve notas excelentes.
Dios mio.
É realmente muito inteligente, mas oque mais chama atenção é sua beleza. Volto a ler o dossiê. Aqui diz que teve três namoros sérios, nenhum durou mais de seis meses, alguns casos rápidos sem maior comprometimento.
Non sarà facile come pensavo. (Não será tão fácil quanto pensei)
A porta do escritório é aberta sem cerimônia alguma e quando levanto o olhar vejo Eric com seu típico sorriso irônico- que o mesmo nunca tira do rosto - fechar a porta e se jogar na cadeira em frente minha mesa.
-Olá, querido irmão - solta uma risada nasal evidenciando ainda mais seu sarcasmo.
-O que você quer? - pergunto sem paciência para suas besteiras.
-Só quero ter uma conversa com meu querido irmão, não posso? - ele debocha. Eu e ele não temos uma boa relação, diria até que nós odiamos.
-Seja direto- Ele e meu pai tem a mesma mania de fazer suspense desnecessário e isso não me agrada em nada.
-Que mau humor. Isso é falta de sexo? Ellora não está dando mais conta, irmãozinho? - Ele ri.
-Minha vida sexual não é da sua conta. - Disparo.
-Quanta agressividade - ele se finge de ofendido - Só quero que meu amado irmão feliz e sexualmente satisfeito. - reviro os olhos.
Doente.
Solto a caneta e pela primeira vez desde que ele passou pela porta direciono minha total atenção a ele. O encaro com aparente descrença diante sua falsidade.
-Amado? - Balança a cabeça. - Você nunca foi de esconder seu ódio por mim, não que esteja fazendo bem seu papel de bom irmão, mas não entendo sua mudança brusca de atitude. Você me odeia, não é mesmo? - Lhe lanço um olhar analítico.
-Tanto que se estivesse preso em uma sala com um revólver em mãos e ele tivesse apenas duas balas, e estive com você e Hitler, eu lhe daria dois tiros. - Ri.
-Pois bem, diga logo o que quer. Sou um homem ocupado demais para perder tempo com você. - Falo friamente voltando minha atenção ao computador.
-Fiquei sabendo que nosso pai lhe encarregou de conquistar a princesinha Lázarri. - diz como quem não quer nada - É verdade?
-Sim. - Franzo o cenho.
-Irei lhe fazer um grande favor. - afirma e abotoa um botão de seu terno.
-Que seria? - Questiono.
-Sei que não tem interesse em passar a corda no pescoço, quer dizer, se casar - ele ri de sua própria piada sem graça - Então, eu como bom irmão que sou - Ele ri ainda mais - Vou fazer o grande sacrifício de salvar sua pele e me casar com ela. Será mais fácil pra mim. assim que ela me ver já irá querer me arrastar até o altar, nem precisarei me dar ao trabalho de conquistá-la. - Ele sorri ladineo, mas seu sorriso morre ao ver minha expressão.
Solto uma gargalhada e jogo a cabeça para trás.
-Disse alguma piada? - ele pergunta visivelmente irritado.
-Não foi uma piada? - Arqueio a sobrancelha. - Pois, pareceu. A resposta é definitivamente não.
Por algum motivo a ideia de que outro homem - principalmente meu irmão- se aproxime de Thiffany me irrita profundamente.
-Saia. Tenho trabalho a fazer e já te dei tempo demais, um tempo que por sinal, você fez péssimo proveito. - O dispenso.
-Está bem. Estava apenas tentando ajudar. - ele ergue as mãos em sinal se rendição e anda de costas até a porta.
Sei que isso não acaba aqui. Ele nunca se dá por vencido tão fácil, aliás, ele nunca se dá por vencido. Nunca irei entender essa necessidade de competir comigo em tudo.
O telefone toca e eu atendo a contra gosto.
-Vicenzo -Esse tom de voz eu conheço bem.
-Oi, pai. - digo frio.
-Está noite você tem um compromisso com a senhorita Lázarri. tem que explicar como funciona tudo na cossa Nostra, por mais que ela já saiba o básico é preciso que ela esteja totalmente ciente de seus deveres. - Eu sei que isso é só um pretexto para me aproximar da mesma.
-Está bem. - finalizo a ligação sem o dar tempo de dizer mais nada.
Coloco gelo em um copo e despejo Wisky dentro do mesmo e viro tudo de uma vez.
Saio da sala e vou até a mesa da secretaria que mantém sua atenção em algo no computador.
-Preciso de uma reserva no restaurante de sempre, hoje. -ele volta sua atenção.
-A que horas senhor? - Ela anota algo em sua agenda.
-Às 20:00. - digo sem mais e volto a minha sala.
Encho outro copo com o líquido marrom e me sento na minha cadeira. tiro da gaveta uma foto de Thiffany e observo seus belos traços.
Cabelos lisos com ondas suaves que descem abaixo dos seios como duas belas cascatas. Seu olhar é analítico e parece enxergar minha alma, foi exatamente oque senti quando a conheci no jantar em sua casa. Fiquei impressionado com sua beleza, e todo o desejo que senti se intensificou ao ouvir sua bela voz, era perfeita, exalava sensualidade e segurança, cada palavra era dita com a mais pura sensualidade, mas diferente das outras era natural, ela não estava tentando me seduzir, mas conseguiu, sem ao menos tentar.
Ti avrò. mia bella. (Te terei, minha bela.)
