Capítulo 7 - Henrique (PARTE 3)
A NOITE JÁ TINHA CAÍDO por completo do lado de fora quando eu me certifiquei com Urich se todos os nossos acompanhantes tinham retornado com segurança para a pousada e descobri que o cara parecia levemente alcoolizado, tendo exagerado no goró durante a comemoração pela vitória do filho. Às gargalhadas, ele garantiu que, apesar de um pouco alto, conseguia tomar conta da molecada e, então, aliviado por não precisar servir de babá, eu fui para o meu quarto descansar um pouco.
O dia seguinte seria recheado de competições com a etapa principal do Circuito Nacional, e a Costeira do Pirajubaé iria receber em seu território alguns dos maiores nomes do surfe brasileiro, incluindo o campeão do Hang Loose Pro Contest do ano passado Jonathan Castilho e o atual vencedor da WSL Latin America, o pernambucano Iran Azevedo, que não só havia derrotado o jovem Castilho superando a sua pontuação recorde, como também o havia tirado do pódio no começo de fevereiro daquele ano. A briga deles pela hegemonia sobre as ondas prometia ser alucinante em Santa Catarina.
Enquanto eu conversava com alguns amigos via WhatsApp, a minha equipe estava dividida nos outros quartos daquele andar agilizando a produção do vídeo com o material colhido naquele sábado. A boa recepção da live que havíamos feito ao longo do dia tinha mostrado a nós e aos patrocinadores do canal que o público estava ligado em nossos lançamentos, por isso, eu queria publicar o vídeo já editado na tarde do domingo. Valéria também estava online aquele horário e conforme eu respondia um dos editores do canal via mensagem, foi ela quem me chamou a atenção para um detalhe que eu não fazia ideia.
— Você disse que os irmãos gêmeos que competiram contra o Johann se chamavam Anderson e Emerson García, certo?
Mandei um “aham” em resposta na mensagem de texto e a Val escreveu em seguida:
— Dá uma conferida no link que eu estou te enviando e olha a legenda da segunda foto que ilustra a matéria.
Val me mandou o link para a página de um dos portais de notícia mais conceituados do Brasil e fiz o que ela pediu. Na foto, os irmãos gêmeos apareciam um de cada lado do atual campeão da WSL Latin America e posavam como que o ajudando a segurar o seu troféu de primeiro lugar. Na legenda, eles eram creditados como “Anderson e Emerson Castilho, promessa de títulos no surfe nacional”.
— Castilho? Eles foram apresentados para mim como os irmãos García!
Eu estava levemente confuso e foi a própria Val quem elucidou o mistério sobre o real nome dos gêmeos.
— Eu dei uma pesquisada aqui. Os dois são filhos de Teodoro García que é primo de primeiro grau do Renato Castilho, o pai do campeão de surfe Jonathan Castilho. Os meninos são primos de segundo grau do Jonathan.
Eu havia conhecido brevemente Jonathan há um ano quando acompanhei a etapa do WSL Latin America em Fernando de Noronha e tinha sido apresentado — entre outras coisas — também à irmã do cara, a beldade Janete Castilho[1]. Eu não fazia ideia que haviam mais dois candidatos a atletas dos mares em sua família e saber daquele parentesco entre os gêmeos e Jonathan foi bastante surpreendente.
— Esse é mais um motivo para eu falar com o Jonathan amanhã nos intervalos da sua bateria no Circuito Nacional. Vai ser interessante saber o que ele tem a dizer dos primos mais novos, uma vez que eles nunca apareceram juntos na mídia.
Depois da conversa esclarecedora com a minha noiva, eu me despedi dela por mensagem e comecei a me preparar para descansar para o próximo dia. A temperatura ainda estava alta na cidade e, como a pousada não disponibilizava ar-condicionado nos quartos, achei por bem manter a janela aberta. Não gostava de dormir com nada me apertando as bolas e abri mão da cueca, deitando relaxado sobre o lençol. Eu não olhei no relógio, mas devia estar batendo quase onze da noite quando ouvi alguém me chamar da porta com toques suaves na madeira.
— Rique? Ainda está acordado?
Era uma voz feminina do outro lado e reconheci logo o tom delicado da minha prima Angélica.
— Estou acordado, Angélica. Precisa de alguma coisa?
Antes que eu a autorizasse a entrar, a menina girou a maçaneta e entrou com tudo, o que me obrigou a esconder minhas partes com o lençol, o puxando rapidamente para cima. Eu conhecia a garota desde criança, mas não tinha intimidade suficiente para me permitir ficar sem roupa em sua frente. Não fazia ideia o que ela poderia pensar daquilo.
— Ai, me desculpa… eu já fui entrando…
O quarto estava bem iluminado e ela sacou na hora que eu estava pelado por baixo do lençol. Ficou constrangida e estacou entre a soleira e a entrada.
— O que você quer, prima? Eu já estava indo dormir…
Sem mais cerimônias, a menina fechou a porta atrás de si e caminhou apressada até o meu lado na cama de casal instalada no aposento. Estava usando um pijaminha branco largo sem sutiã por baixo e o short agarrava-lhe as coxas. Ainda não havia reparado direito nela desde que havíamos desembarcado em Floripa, mas percebi logo o que estava perdendo. Apesar de novinha, a minha prima estava ficando bem jeitosa.
— Eu posso usar o seu celular, primo? — Ela trazia o seu próprio aparelho protegido por uma capinha de borracha cor-de-rosa e apontou-me a tela, mostrando as barras do sinal no canto superior. — Eu tentei retornar para a minha mãe a noite toda, mas a minha operadora está sem sinal. Posso tentar do seu?
Ainda sem um convite, Angélica se aproximou de maneira bem atrevida e se sentou flexionando uma das pernas na beirada da minha cama. Ajeitei o lençol outra vez para que não escapasse nada à sua vista e indiquei a cabeceira, onde ela enxergou o meu iPhone carregando em uma tomada.
— A maioria das operadoras tem o sinal bem ruim por aqui mesmo, mas você pode usar o meu celular.
Com um gesto, eu autorizei que ela tirasse o aparelho do carregador e a menina se ergueu para o apanhar. Foi um movimento rápido, mas ela chegou a empinar a bunda em minha direção para alcançar o telefone. Dava para ver as polpinhas por baixo da barra na parte traseira e aquilo foi o suficiente para acordar o meu pau dormente entre as pernas. Porra! pensei, um pouco distraído.
Angélica tornou a se sentar na cama e já teclou o número da mãe na esperança de falar com ela no Rio de Janeiro. Eu conhecia a mulher das reuniões de família que aconteciam semestralmente na antiga casa de minha avó Mayla, mas não éramos íntimos.
— Ela deve ter tentado falar comigo o dia todo — justificou-se a garota com o celular no ouvido, aguardando que a mãe atendesse —, mas como o meu celular estava sem sinal, nem ela e nem o papai devem ter conseguido.
Minha prima era uma menina de beleza comum e quase não se destacava entre os descendentes de alemães da família. Entre todos os meus parentes por parte de pai, era uma das únicas que não era loira e nem possuía olhos azuis ou verdes. Tinha puxado em quase tudo a própria mãe, uma brasileira nativa sem raízes estrangeiras como nós. Tinha a pele clara, cabelos e olhos castanhos escuros e lábios grossos. Quem a via de longe, não reconhecia qualquer um dos traços mais característicos dos Schneider, mas mesmo assim, tinha se tornado uma adolescente bastante atraente. Eu quase não conseguia desviar os olhos daquele par de coxas lisas.
— Alô, mãe? É a Angel…
Ela então abriu um sorriso e se levantou para falar mais à vontade com a mãe. Conforme se deslocava até a janela do meu quarto, fixei os olhos em sua traseira e o shortinho tinha entrado um pouco mais, o que me ajudou a apreciar melhor aquela delícia de rabinho. Não era nada exuberante, mas tinha certa saliência e parecia macia. Lhe dei outra manjada e tive que ajeitar os bagos sob o lençol. Eu já estava ficando duro.
— É sim, o telefone do primo… ele me emprestou…
Angélica estava à beira da janela olhando para o lado de fora. Eu mantinha o volume do aparelho sempre no máximo e quase dava para ouvir a conversa toda da distância de quatro metros que nos separava.
— Comi sim, mãe. Aqui é muito gostoso. Está abafado agora, mas eu tomei bastante água o dia todo…
Os olhos castanhos se voltaram para mim e ela permaneceu em silêncio um instante, apenas ouvindo aquilo que eu imaginava ser as instruções maternas de uma mãe longe da cria. Mesmo com o primo Urich de prontidão cuidando do seu filho e os demais adolescentes, eu sabia que estavam todos ali meio que sob a minha responsabilidade como o organizador da viagem e era comum que os pais de Angélica quisessem se certificar que tudo estava correndo bem.
— Ele está aqui sim… aham…
A menina percorreu de volta o caminho da janela até a cama e me passou o telefone, sussurrando que a sua mãe queria falar comigo. Angélica quis ficar bem perto para ouvir a conversa e senti a sua coxa resvalar na minha quando se sentou ao meu lado. Talvez ela não tivesse reparado o quão à vontade eu estava ali a poucos centímetros do seu corpo e, por isso, tenha continuado agindo normalmente.
Nem todo mundo é tão pervertido quanto eu, que só penso em sexo, imaginei por um instante, já ouvindo a voz de Aretuza do outro lado.
— Oi, Henrique. Eu tentei ligar a tarde toda para o celular da Angel, mas ela não me atendeu. Eu e o Ângelo já estávamos aflitos aqui imaginando que algo ruim tivesse acontecido.
Então eu a acalmei, colocando no viva-voz para que a sua filha também ouvisse:
— Fica despreocupada, Aretuza. A Angel e os outros meninos estão seguros aqui. Eu e o Urich estamos dando conta de tudo como prometido antes da nossa viagem. O sinal de celular aqui é realmente péssimo, por isso as suas ligações não se completaram…
Segundo Aretuza, o meu primo Ângelo, o pai de Angélica, também havia tentado se comunicar comigo, mas admiti que estava bastante ocupado ao longo do dia para notar as chamadas recebidas. Novamente a confortei dizendo que a garota estava bem e que tanto ela quanto o primo Johann estavam se divertindo bastante.
— Não sei se acompanhou pela internet, mas o Johann ganhou a etapa juvenil do Circuito Nacional de Surfe. Todos nós fizemos uma grande festa por aqui para comemorar.
Angélica sorriu para mim me ouvindo dizer aquilo e mexeu nos cabelos ondulados, os empurrando para trás, soltos.
— Deve ter sido uma festa e tanto mesmo. Fico muito feliz pelo Johann. Ele se dedicou muito para conseguir esse troféu. Amanhã cedo tento falar diretamente com o Urich para dar os parabéns aos dois.
Antes de concluir a conversa com a filha, Aretuza me pediu para que eu cuidasse bem da menina em sua ausência e que eu a levasse “inteira” para sua casa no Rio. Aproveitei para brincar que ficaria de olho caso algum lobo aparecesse na pousada na calada da noite e Angel gargalhou ao meu lado, alisando o meu ombro por reflexo. Naquele ínterim, os seus olhos acabaram se fixando no volume entre as minhas pernas, sob o lençol e, quando percebeu o que estava acontecendo, disfarçou. Deu para sacar que ela não era tão ingênua quanto eu estava imaginando e que estava gostando do que via.
O sangue incestuoso dos Schneider sempre fala mais alto, pensei, outra vez cheio de malícia na cabeça.
