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No Inferno não há céu.
Literalmente.
Uma grossa camada de nuvens negras cobre o plano de ponta a ponta como um teto vivo, suas revoluções expondo o vermelho em seu interior feito magma semi-derretido. E assim na terra como no céu, rocha incandescente fluía através de planícies, vales e rios vulcânicos, dando a este mundo um aspecto um tanto… infernal.
Mas não só de calor vivem os demônios.
O Inferno é, na verdade, um lugar rico em ecossistemas. Abaixo do teto celestial é possível encontrar pântanos, cadeias de montanhas, rios, oceanos, florestas espinhentas e…
Ela.
A Fortaleza-Muralha.
O único ecossistema artificial de todo o Inferno.
Uma construção iniciada há milênios por sabe-se lá quem, sabe-se lá por quê e que até hoje é ampliada, reformada e modificada por cada uma das facções e civilizações que ali habitam.
Como diz o nome, a Fortaleza-Muralha é uma… fortaleza que é ao mesmo tempo uma… muralha. Bem óbvio. Em uma imagem, é um castelo comprido que se estende de horizonte a horizonte. Seu longo corpo acompanha as ondulações do terreno, cada seção exibindo seu próprio visual e estilo. Em alguns trechos, a base ondula, mas o topo segue reto. Em outros, a base segue reta e quem ondula são as construções em seu topo, cada torre, cada prédio, com um tamanho diferente. E em outros, tudo ondula, base e topo, o solo enrugado e as árvores negras gigantescas em seus jardins dando forma ao trecho.
Uma outra maneira de descrever a Fortaleza-Muralha seria resumi-la a uma tripa de países. Países pequenos, confinados dentro de suas paredes, porém com costumes, cultura e até línguas distintas. E, como acontece em qualquer condomínio, é óbvio que haveria brigas. Só que nesse caso, sem um síndico e com cada trecho contando com sua própria indústria de mineração e produção de objetos afiados, as “brigas” se tornam “guerras”.
