5 - DE VOLTA
ALICE
Eu havia acordado um pouco tarde e de repente me deu uma grande saudade do meu pai então resolvi ligar para ele porém chamava e ele não atendia, fiquei um pouco triste porque o via muito pouco durante o ano, meu pai trabalhava muito e sinceramente eu não entendia o porque, ele tinha dinheiro de sobra e trabalhava tanto que nem tinha tempo para visitar a própria filha e ultimamente a frequência de visitas dele diminui mais ainda, eu sei que ele não mora no mesmo país que eu e fica difícil para ele ir e voltar toda hora porém ele nunca se afastou tanto de mim assim, o que era estranho porque mesmo longe eu e ele éramos muito próximos.
Ligo para Max e o convido junto de Alan para nos acompanhar na festa de hoje.
- Max? É a Alice.
- Ah, um anjo. - eu sorri.
- Resolvi ligar para te fazer um convite.
-Qual?
- Queria chamar você e o Alan para uma festa hoje à noite.
- Que pena, Alice. Eu realmente não poderei ir. - fiquei frustrada. - Me desculpe, mas tenho um jantar com alguns acionistas hoje. Talvez Alan possa ir...
- Sério? Se ele for, será ótimo.
- Ele está em reunião agora, mas assim que ele sair o aviso .
- Perfeito.
- Alice?
- Pode dizer.
- Que tal almoçarmos juntos?
- Agora?
- Sim, chamo Alan e você poderá conversar com ele pessoalmente.
- Tudo bem, então.. não tenho nada para fazer mesmo.
- Passo em sua casa daqui a pouco. Tenho que ir agora, te vejo depois, até daqui a pouco.
- Até...
Vou procurar uma roupa para sair com os meninos e escolho uma saia longa florida e um cropped branco com um coque no cabelo e estou pronta.
Eu realmente queria que Alan fosse.
Acho que estou pegando um pouco da vibe de Mabel e sem perceber estou me relacionando com os outros sem me importar muito em saber suas intenções.
Me sento no sofá esperando depois de uma hora já estava quase dormindo quando a campainha toca e eu tomo um susto, me levanto e vou abrir a porta.
- Opa! Nossa você está linda. - Max disse me olhando dos pés a cabeça assim que abro a porta.
- Obrigado. - digo envergonhada - É o que temos pra hoje.
- Não precisava se arrumar toda assim só para mim, você já é linda meu bem. - Alan depositou um beijo em minha mão.
- Para você? Só nos seus sonhos.- digo rindo de Alan.
-Me magoou. - Ele finge estar triste.
- Que tal irmos logo? - Max estava apressado.
Vou com eles até um carro que está parado em frente ao prédio, Max abre a porta para mim e eu entro logo em seguida, fomos conversando até chegar ao restaurante, fizemos os pedidos e começamos a conversa novamente.
- Alan, vamos a uma festa hoje à noite?
- Que festa?
- Um amigo meu está dando na casa dele e eu não queria ir desacompanhada.
- Ela me chamou, mas devido ao jantar de hoje não poderei ir. - Max estava desapontado.
- Então virei segunda opção? Muito bom saber isso. - Alan era icônico
- Eu convidei os dois, Alan.
- Com ciúmes priminho? - Max constou sarcasticamente.
- E se eu tiver? Afinal, conhecemos ela juntos. - Alan diz com um sorriso malicioso.
O garçom havia chego trazendo bastante comida.
-Finalmente. - Alan disse.
O garçom pôs os pedidos na mesa e saiu, tivemos um ótimo almoço e uma agradável conversa, depois os meninos me deixaram em casa e voltaram para o trabalho, eles são super simpáticos e educados. Sem maldade.
Cheguei em casa, mudei de roupa, fiz pipoca e fui assistir um filme até que a campainha tocou e abri a porta para Mabel que estava toda animada.
- Cheguei! - ela invadiu a casa.
- Pensava que você estava ocupada. - digo fechando a porta assim que ela entra.
- Falou certo, eu estava ocupada. - Mabel diz dando uma piscadela.- Como foi o almoço com aqueles gatos?
- Foi ótimo, eles são gente boa.
- Isso tenho certeza que são.
- Mas como tem tanta certeza se tu conheceu eles ontem Mabel?
- Edai?
- Não falo mais nada.
- Fica caladinha mesmo. - Mabel diz sorrindo
- O que você veio fazer aqui mesmo?
- Vim para te ajudar e você me ajudar.
- Com o'que? - digo confusa.
-Para se arrumar para festa.
- Mais cadê Anne?
- Ela não pode vir, então pediu para que nós pegássemos ela em casa quando formos. - pausa - O que você está vendo?
- Um filme de romance.
- Que chato, falta mais animação nesse filme, está muito parado.
- Tipo?
- Nada, esquece.
- Esquecido e deletado.
- Que horas são?
- Esta tarde.
- Tarde para que?
- Temos que se arrumar.
- Você está doida? Ainda é cedo.
- Você acha cedo para quem tem que fazer maquiagem, cabelo, hidratação e tudo mais?
- Falando assim até que você tem razão. - digo desligando a TV.
Se levantamos e fomos nos preparar, Mabel era insistente ao ponto que se eu não fosse ela iria me arrastar pelos cabelos, então era melhor não falar muito. As horas passaram voando e finalmente estávamos prontas, no final ela tinha razão, havia demorado muito para fazermos tudo, eu estava retocando meu perfume quando meu celular começou a tocar.
- Alan. - eu já sabia quem era então sorri.
-Estou aqui em baixo princesa, posso subir?
- Claro que pode. Vem logo.
Eu não precisei dizer mais nada, ele desligou o celular, ele era pontual e eu havia gostado disso, era uma das coisas que me chamavam atenção. Caminho lentamente para destrancar a porta
- Era o Alan? - Mabel pulou do sofá.
- Sim, e ele está subindo. - dou de ombros.
- Finalmente, já estava na hora. Quero chegar cedo.
Passou alguns segundos Alan apareceu na porta, ele olhava para mim e Mabel dos pés a cabeça com um sorriso malicioso. Mabel se exibia dando voltas para mostrar sua roupa.
- Bom meninas, sei que vocês estão lindas mas já podem suspirar e dizer que estou um gato. - Alan segurou na gola de sua camisa se achando.
- Primeiramente, estamos bem, obrigado por se importar. - Mabel diz revirando os olhos.
- Me desculpe, só achei importante exaltar que vocês vão estar bem acompanhadas essa noite. - ele estava realmente muito convencido.
- Sim, você é bonito, Alan.- suspiro rindo. - Mas se exibindo assim, eu tenho minhas desconfianças.
Todos nós rimos.
- Eu realmente estou longe de ser isso que você imagina. - ele piscou para mim.
- Vamos? Temos que pegar Anne ainda. - Mabel interrompeu.
Fomos para o carro conversando animadamente, chegamos na casa de Anne que estava sorrindo porém a alegria dela se transformou em raiva quando ela viu Alan com a gente, era incrível ver como o seu humor mudava rapidamente, tinha grande curiosidade em saber porque ela não gostava dele.
Mas isso tudo ficou para depois, assim que pegamos Anne fomos em direção a festa.
Assim que chegamos lá, apresentamos Alan para algumas pessoas, o mesmo estava de mãos dadas comigo, ele não era jogado, era respeitador até, só que esse era seu jeito e ele não iria mudar
Até que Mabel avistou Luciano o anfitrião da festa e junto dele estavam Eduardo e Sofia com algumas outras meninas.
- Vem Alan, vou te apresentar ao dono da festa, é um amigo. - Mabel saiu nos arrastando até lá.
Antes de chegarmos naquele aglomerado de pessoas, alguns rapazes chegaram tirando as meninas para dançar, inclusive Sofia, deixando apenas os meninos parados.
- Olá, sejam bem vindos. - Luciano estava alegre.
Notei de cara que Eduardo estava com uma carranca, sua cara estava séria e ele parecia estar com raiva.
- Quero te apresentar um novo amigo meu e das meninas. - Mabel novamente pula a frente.
- Esse é o Alan meu acompanhante. - dessa vez quem fala foi eu, cortando Mabel.
- Pode ficar à vontade. Se é amigo delas, é meu também.
Alan balançou a cabeça positivamente rindo cumprimentando Luciano com as mãos.
- Alan, esse é Eduardo, um colega que acabou de entrar na Universidade. - os apresento.
Quem sabe ele melhorasse essa cara de poucos amigos.
- Olá Eduardo, a satisfação é minha em conhecê-lo. - Alan era extremamente educado.
- Eu já não posso dizer o mesmo. - Eduardo disse baixo quase sussurrando, porém eu havia ouvido, então ele forçou um sorriso.
- O que? - digo meio surpresa esperando uma resposta.
- Não é nada. Estou meio desligado. - Eduardo disse dando de ombros.
- Que tal irmos dançar Anne? - Mabel pega no braço dela puxando-a.
- Ah, sei não, acabamos de chegar. - Anne estava olhando para a pista de dança seriamente.
-E o que tem? Vamos logo. - as duas se foram.
- Ei, me leve com vocês! - Luciano saiu atrás das duas.
Foram os três dançando, me deixando só com Eduardo e Alan e cada vez o clima ficava mais estranho entre os dois que começaram a se encarar.
- Vocês fazem faculdade de que mesmo? - Alan perguntou.
- Psicologia. - Eduardo respondeu tentando interagir.
- Vocês se conhecem há muito tempo? - Alan estava curioso.
-Não, faz poucos dias. - respondo simples e olho para Mabel que dança que nem uma louca não muito longe da li.
- Eu não sabia que você tinha namorado, Alice. - Eduardo falou com amargura.
- Que namorado? - pergunto sem entender nada.
- Alan não é seu namorado? - Eduardo pergunta claramente sério demais
- Não, claro que não - digo assustada enquanto olho para Alan que está sorrindo fingindo que não está ouvindo nada.
- Bem que eu queria que ela fosse minha namorada- Alan diz o provocando e eu abaixei a cabeça com vergonha.
Eduardo fica calado e seu peito começa a subir e descer mais lentamente.
As meninas e Luciano voltam e começamos a conversa todos sobre diversos assuntos, Alan e Eduardo começaram a beber algo, só sei dizer que era uma bebida sem álcool porque eles estavam dirigindo, Alan recebe uma ligação de Max e parecia que estava acontecendo alguma coisa urgente.
- Alice, me desculpe, mas tenho que ir, aconteceu um problema naquele jantar com os investidores. - Alan me disse desesperado.
- Sério? Está bem, não se preocupa. Vai logo. - digo desapontada.
- Tenho que ir, depois nos falamos. - Alan me deu um beijo na testa e se despediu de todos os outros e logo foi embora.
Fico preocupada, mas continuo me divertindo enquanto Mabel se agarra com Luciano. Anne e Sofia estavam conversando entre si e para completar Eduardo estava me encarando, coisa que me deixava um pouco desconfortável.
- Eduardo, o que você tem? - fui direta.
- Nada! - ele mentia mal. - É sério.
Eu não iria ficar insistindo, se ele não queria me falar eu iria me calar e ignorar.
Mabel voltou para o nosso lado e começou a beber descontroladamente copo atrás de copo até ficar completamente bêbada, quase caindo, realmente ela havia estragado nossa diversão, eu odiava quando ela dava uma de alcoólatra e estragava tudo, pedi ajuda de Eduardo e Anne para levarem ela para casa, e quando finalmente chegamos na casa dela, a entrego pra tia Claudia, mãe de Mabel, faço isso justamente porque sabia que a mãe dela lhe daria um grande puxão de orelha, depois levamos Anne que também já estava muito cansada e depois Eduardo foi me deixa em casa.
- Está entregue, senhorita. - Ele tinha um riso simpático no rosto.
- Você me salvou hoje. - disse cansada e trocamos sorriso.
- Tenho que ir, amanhã irei acordar cedo porque vou pegar um amigo no aeroporto. - ele me deu explicações.
- Pode ir, você já ajudou muito hoje.
- Que nada, disponha. - ele bateu continência. - Boa noite. - sussurrou antes de ir.
Subi para o meu andar e entrei em casa enquanto fiquei pensando que a noite havia sido ótima tirando a parte do vexame que Mabel me fez passar, ela não estava mentindo quando falou que ia aprontar todas mas tirando isso foi tudo muito bom.
Eu me sentia bem comigo mesma.
EDUARDO
A festa foi muito boa, mas eu me sentia com ciúmes. Fiz aquela cena para nada, eu era um idiota, como podia agir assim? Eu não estava me reconhecendo, confesso que foi um enorme alívio descobrir que aquele cara não era namorado dela, as palavras de sua boca soaram como música para os meus ouvidos enquanto negava tudo, no entanto a festa havia sido legal tirando alguns inconvenientes e aproveitei para conhecer melhor as pessoas da faculdade e por uma parte agradeço Mabel por ter ficado bêbada, assim me lembrei que tinha que voltar para casa pois tinha que acordar bem cedo no dia seguinte para poder ir pegar o desocupado do Thomy no aeroporto e em pleno sábado onde eu deveria estar dormindo até tarde, e ao invés disso vou ter que ir dar uma bela volta no aeroporto, no final de tudo iria valer a pena.
XX
Acordo bem cedo e vou para o aeroporto, penso um pouco e não acredito que meu amigo iria realmente voltar, ele era bem chato na maioria das vezes mas o que eu podia fazer? Ele era realmente como se fosse um irmão para mim e por mais que ele faça coisas erradas às vezes, continuo apoiando ele no que der.
Passaram quase uma hora e eu ainda estava esperando o suposto avião do Thomy chegar, até que finalmente...
- Eduardo! - eu neguei com a cabeça. Era a voz de Thomy.
- Muller. - digo dando um abraço daqueles típicos de homens nele.
- Como vai querido, Hubermann? - Ele me olhava dos pés à cabeça. - Você mudou de cara, não é mais um magricelinha.
Ele ria de mim.
- Muito bem e pelo que vejo você também está ótimo. - dou um tapinha em seu ombro, sorrindo.
- O que me conta de novo? - dei de ombros.
- Várias coisas, mas vamos deixar isso para depois. - digo tentando desviar do assunto. - Porque voltou ? Por acaso está fugindo de alguém? - perguntou irônico.
- Praticamente isso. - ele diz cinicamente.
- Como assim ? - comecei a ficar sem um pingo de paciência.
- Problemas meu caro, problemas, coisas simples que eu posso resolver, não precisa se preocupar. - olhou pros lados.
- Não se preocupar? Você está de sacanagem com a minha cara. - eu sabia que ele não iria voltar sem motivos.
- Me envolvi em algo, precisei de um tempo, não é nada demais. - ele respirou fundo.
- Pra você ter fugido, claro que deve ter feito alguma coisa, você vai ter que abrir o bico.
- Chega. Vai me dar lição de moral agora? Escute aqui, você nunca foi nenhum santo Eduardo.- Thomy também estava completamente irritado.
- Mais que merda. - passo a mão pela minha cabeça.
- Dá para irmos embora ou vai querer brigar aqui? - falou respirando fundo.
Eu ajudei ele a levar as malas até o carro e fomos para casa em um absoluto silêncio, não acreditava, eu sabia que para ele ter voltado assim tinha que ter acontecido alguma coisa e ainda mais com ele, que é completamente esquentado, mais me admiro dele ter fugido porque nunca foi de fugir e sempre ficou para a briga mesmo que fosse perder ou estando em desvantagem.
Chegamos em casa e o ajudei a arrumar as coisas para se acomodar no seu quarto, mas desde o aeroporto nós não trocamos uma palavra então resolvo quebrar o silêncio.
- Você está bem? Não aconteceu nada? - pergunto preocupado.
- Estou, não aconteceu nada e nem vai acontecer Eduardo. - o tom de voz dele aumentou.
- Se quiser comer se vira por ai, tem tudo oque você precisar na geladeira ou nos armários. - mudei de assunto.
- Assim você recebe seu melhor amigo depois de 2 anos?
- O que você quer que eu faça?
- No mínimo um banquete. - ele sorriu. - O que você anda fazendo?
- Faculdade de psicologia, apenas pra tentar me profissionalizar em alguma coisa. - eu não queria ficar sem fazer nada o resto da minha vida.
- Como o mundo dá voltas, nunca imaginei viver para ver o Hubermann dando uma de médico de almas. - Thomy disse caindo na gargalhada.
- Que sem graça você cara, eu disse que mudei.
- Como anda a Olivia ?
- Não toque no nome dessa mulher.
- Calma aí, o que aconteceu?
Expliquei tudo para ele o que aconteceu durante esses 2 anos em que ele não esteve, falo o porque do meu asco e ódio por tudo que ela fez para mim.
- Sempre soube que ela era uma vadia - ele diz dando um tapa sobre a madeira do balcão.
- Sinto vontade de esgana-la... - aperto meus punhos.
- Porque você não me falou antes? Dávamos um jeito nela e nisso tudo.
- Não sou de preocupar os outros com os meus problemas.
- Sou teu amigo e você sabe que para o que você precisar eu estou aqui.
- Não, no caso você não estava aqui, você estava em outro lugar. - jogo as cartas na mesa.
- Ainda dá para mudar isso... - ele disse se levantando.
- Você é surdo? Não quero me vingar.
- Você que sabe, não vou falar mais nada.
Meu celular começou a tocar no meio da conversa. Eu e Thomy nos entreolhamos e sai caminhando pra sala mais logo em seguida ele veio atrás.
Eu não podia me conter ao ver o nome brilhando na tela.
-Oi Heinrich. - sua voz era suave.
- Alice..- sussurrou seu nome. - Como vai? - meu sorriso se alarga.
- Bem, obrigado...queria te perguntar uma coisa.
- O que? - mordi o lábio inferior.
- Acho que esqueci minha bolsa em seu carro.
Uma pausa. Tentei me lembrar o que havia acontecido, mas me lembrei de ontem que havia dado uma carona pra ela.
- Não notei. Tem certeza?
- Acho que sim, e se estiver mesmo, pode me devolver na segunda? Por favor.
- É claro, não tem problema.
- Bom, se cuida. A gente se vê.
Ela desligou a ligação, segurei o celular com as duas mãos e respirei fundo.
Olho para Thomy que está me olhando com um riso de lado enquanto me observava. Mais o que?
- O que foi? - pergunto dando de ombros.
- Nada, só estava pensando. - ele põe a mão na barriga.
- Não posso mais falar ao telefone?
- Claro que pode - diz ele rindo - Quem era?
- Uma menina. - sou direto.
- Que menina? - ele estava confuso.
- Uma que conheci na faculdade, apenas uma colega.
- Te conheço, Eduardo. Seja verdadeiro.
- Vai procurar o que fazer. - esbravejo e saio andando.
- Não falo mais nada.
Eu e ele almoçamos e passamos a tarde assim, bagunçando, discutindo e conversando, depois de passar o dia inteiro no vídeo game e em filmes de terror e ação ele não quis me falar o que realmente aconteceu na Europa e para piorar ele ficou me enchendo o saco pra saber quem era a menina que eu estava falando ao telefone, fora isso passamos uma tarde divertida relembrando os velhos tempos que eram legais, já estava de noite e ele estava perturbando dizendo que estava com fome.
- O que tem para comer?
- Comida - digo concentrado.
- Não estou afim de comer nada que tem na tua geladeira.
- Vai comprar então. Larga de ser acomodado Thomy.
- Eu vou mesmo.
Expliquei pra ele mais ou menos onde ficava o mercado, só esperava que ele não se perdesse, ele saiu correndo daqui em direção ao mercado e depois de algum tempo, decidi ir ao estacionamento pegar a bolsa de Alice, vou até lá e olho tudo, a bolsa dela está realmente dentro do carro e quando pego subo de volta, guardo porque se o Thomy visse iria ficar me enchendo o saco mais ainda.
Já se passaram uns 30 minutos e nada do Thomy voltar e eu realmente estava preocupado com aquele idiota, eu resolvi esperar mais alguns minutos e finalmente ele chega. A única explicação dele era que havia conhecido uma menina e acabaram prolongando o assunto indo para praça conversar, Thomy não tinha jeito, mal havia chego e já estava atrás de mulheres.
- A conversa estava interessante e acabei perdendo a noção do tempo. - ele piscou pra mim.
- Sei, é minha vez de dizer "Eu te conheço Muller" - falou rindo.
- Sério, ela era legal, mas não tenho interesse.
- Nem em leva-la pro seu quarto?
- Nem mesmo isso, achei legal e não quero brincar com os outros dessa forma. - ele comentou.
Eu não pude evitar abrir a boca surpreso com oque ele acabara de dizer.
- Vou confiar. - seu tom era sério demais para que ele estivesse brincando.
Talvez eu estivesse congelado no tempo ou sei lá... mas esse não era o Thomy. Não era meu amigo de dois anos atrás... eu estava surpreso.
Ele realmente estava pensando nos sentimentos de alguém? E melhor, nos de uma pessoa estranha?
