6 - CUSTOS
ALICE
No outro dia eu acordei bem cedo, eu estava decidida a ter que falar com meu pai. Dessa vez ele iria me atender, nem que para isso eu tivesse que ligar para o presidente.
Depois de muita insistência e quase a manhã inteira tentando eu finalmente consigo que ela atende a porcaria do celular.
- Pai? - eu estava eufórica.
- Minha querida...o que houve? - meu pai era carinhoso, como sempre. - porque me ligou tantas vezes seguidas meu anjo?
- Eu estava com saudades, apenas isso. Fazia décadas que eu não falava com o senhor. Você apenas sumiu. - respirei fundo, cansada.
- Também estou com muita saudades. Eu estou bem, só cansado de tanto trabalhar e você, meu bem?
- Estou bem. - respondi simples. - É pai, se você continuar assim, é só cansaço daqui para frente, o senhor deveria dar um tempo para tirar esse estresse todo. - eu era franca. - Podia vir me ver.
- Como se fosse fácil parar assim, afinal, quem paga suas contas sou eu. - seu tom havia alterado.
- Só não jogue isso na minha cara. Nunca lhe pedi nada. - começou a ficar nervosa.
- Me desculpe, mas você já é de maior e deveria assumir suas responsabilidades e contas. - umedeci os lábios.
- Talvez você tenha razão. - senti o peso das palavras, mas no fim ele estava certo. - Quando o senhor chega?
- Bom, isso que eu queria falar com você.
- Como assim?
- Temos que conversar algo muito importante.
- Então fale. - eu me sentia um pouco ansiosa.
- Não por telefone.
- Então quer dizer que... - eu estava transbordando de felicidade.
- No final do mês estou ai... tenho grandes notícias. Você só irá saber quando eu estiver aí.
- Te espero ansiosamente, final do mês não está tão longe assim, mesmo que eu esteja curiosa.
- Lembre-se filha, a curiosidade matou o gato. Tudo tem seu tempo, já te ensinei.
- Tudo bem, tudo bem. Eu já entendi o recado.
- Tenho que ir agora, não esqueça que te amo.
- Também te amo.
A ligação havia sido desligada por ele sem nem mesmo esperar 1 segundo.
Qual seria a notícia que papai tinha para me dá? Para fazer ele voltar dessa forma devia ser algo importante, ele jamais voltaria à toa dessa forma. Eu não podia evitar minha curiosidade mas não podia fazer nada, eu sabia que insistir não iria levar a nada.
Hoje o dia estava muito tedioso, eu não sabia o que fazer, comecei a escutar alguma música porém desisti e liguei para Anne, só que ela estava ocupada demais para me dá atenção, como sempre, estava de cara nos livros, naquele dia da festa meio que obrigaram ela a ir com a gente, era sempre assim, obrigaram ela a sair, a maior parte do tempo ela ficava trancada no quarto estudando, por isso ela era a mais nova a estar na faculdade de psicologia, no fundo eu achava que ela era algum tipo de garota prodígio, eu não podia negar que ela era inteligente, sim, muito INTELIGENTE, ela sempre tirava 10 em trabalhos e provas e quando tirava 9 ficava muito chateada.
Eu com certeza não me encaixaria nesse mundo.
Ligo para Mabel sem segundas opções para saber se ela tinha tempo para alguma coisa.
- Está livre? - pergunto assim que ela atende.
- Sim, o dia todo de puro tédio.
- Vamos fazer algo de interessante?
- Deixe- me pensar. - ela fez silêncio. -
- Para começar, que tal almoçarmos naquele restaurante novo que inaugurou semana passada?
- Parece uma boa.
- Cinema e depois parque de diversões.
- Perfeito. Não tenho nada melhor mesmo.
- Então daqui a uma hora chego ai, ok?
- Vou me arrumar.
Pelo menos Mabel tinha alguma idéia do que fazer, normalmente ela só pensava bobagem, meu único receio era o parque de diversões por causa da Montanha Russa, eu tinha pavor de altura e ela amava, de forma ou outra ela iria me forçar a ir.
Quando termino de me aprontar as horas haviam passado muito rápido, fico andando de um lado para outro e vários pensamentos tomam conta de mim e dentre eles está meu papai, Eduardo, e todos que entraram na minha vida esses últimos tempos, minha vida está ficando muito cheia mais mesmo assim não me sentia completa.
Ouço a campainha tocar e abrir a porta.
- O que você tem? - Mabel pergunta de cara assim que abro a porta. - Porque essa carinha, vai me contar?
- Não aconteceu nada, eu só estava pensando.
- Qualquer coisa estou aqui! Não vou insistir. - ela abaixa a cabeça.
Balanço a cabeça positivamente.
- Vamos, estou com fome. - ela reclama.
- Você sempre está com fome. - rio - Vamos logo.
Mabel sempre se preocupa comigo, e mesmo que eu não mostre nenhuma expressão no rosto ela sabia exatamente quando acontecia algo comigo, mas o fato era que não tinha nada para se preocupar, eu só não estava bem comigo mesma.
Pegamos o elevador e fomos para o estacionamento, pegamos o carro e fomos para o novo restaurante que havia inaugurado a poucos dias.
Chegando lá realmente o novo restaurante era lindo e limpo e eu não podia reclamar do atendimento que era excelente e eficiente, Mabel também havia amado a comida, nós conversávamos mais que comíamos, assim que saímos do restaurante fomos para o cinema, só que dessa vez deixei ela escolher o filme e ela escolheu um filme de comédia romântica, podia não parecer mais eu não gostava muito de filme romântico, mesmo que envolvesse comédia, com quase uma hora e meia de filme finalmente ele havia acabado e decidimos passar em uma pracinha para compramos algo.
- O que teu pai te falou? - Mabel me perguntou, eu tinha contado da ligação do meu pai.
- Falou que viria pessoalmente para conversarmos. - suspirei.
- O que será? - ela me olhou curiosa.
- Não sei, espero que seja algo realmente bom.
- Eu estava pensando... Você e Eduardo combinam.
- Porque diz isso? - olho pra ela surpresa.
- Pelo jeito que você fica toda boba na frente dele e ele a mesma coisa. - ela ri.
- Você está enganada. Sinto muito. - digo dando de ombros. Esse assunto me deixou envergonhada.
- Sei quando você mente para mim antes de abrir a boca senhorita Alice. - ela falou olhando fixamente.
Bufei. Era verdade.
- Talvez eu tenha uma queda por ele, talvez. - digo desviando o olhar.
- Eu sabia, você está apaixonada. - diz ela gargalhando.
- Espera, espera aí. Nunca disse que estava apaixonada. - empurro ela de leve.
- Mas você acabou de dizer... - interrompo ela. Não queria que ela colocasse palavras em minha boca.
- Disse que tinha uma queda. Queda é bem diferente de se apaixonar.
- Será Alice? Nem tudo que a gente pensa é. - ela parecia ser entendida do assunto.
- E oque você sabe sobre isso? - eu tinha que usar esse argumento contra ela
- O bastante para te aconselhar. - falou olhando para os lados.
Não sei como ela podia me aconselhar se eu nunca soube de nenhum relacionamento ou algo do tipo que envolvesse ela porque ela nunca gostou de ter algo sério com ninguém, infelizmente eu sabia bem disso.
- Você me aconselhar? Justo você que nunca namorou sério, só quer saber de pegação. - reviro os olhos.
- Não discuta comigo, só ouça o que estou falando. - ela parecia séria.
- Cada uma que você inventa, fala sério... - dou de ombros
- Vamos logo, ta ficando tarde.- ela pega minha mão e sai puxando.
Enquanto estávamos indo para o carro vimos Eduardo e mais um homem bem charmoso, aquele cara era sério e tinha um ar gangster, iguais aos de filme de ação, sem falar no seu olhar, eles estavam saindo de uma loja de instrumentos musicais e logo que Mabel os viu saiu correndo para falar com os mesmos.
- Oi meninas. - Eduardo disse assim que nos viu.
- Eduardo... - Mabel sussurrou não tirando os olhos do amigo de Eduardo.
- Tudo bem, Heinrich? - digo meio boba.
- Heinrich? - diz o amigo dele e Mabel em uníssono.
Eles pareciam confusos.
- Não sabia que o Eduardo estava deixando as pessoas chamarem ele assim agora. - o rapaz comentou com um sorriso debochado.
- Como assim? - Mabel estava curiosa.
- Ele odeia que o chamem pelo sobrenome. - o amigo dele deixa escapar.
Me sinto envergonhada e constrangida.
- Droga... eu não fazia ideia. - me desculpo.
- Realmente você mudou hein, Eduardo. - ele soa irônico e malicioso.
- Deixe de ser idiota Thomy. - ele adverte o amigo. - Pode continuar me chamando assim Alice. Eu realmente não me importo.
- E eu aqui sobrando no assunto.- Mabel estava frustrada ao ser deixada de lado.
- Esqueça Mabel, nem eu estou entendendo. - digo estranhando tudo.
- Mais que falta de educação , eu me chamo Thomy. - o homem ao lado de Eduardo começa a se apresentar.
- Bom e eu me chamo Mabel.- ela estica a mão para ele.
- Me chamo Alice. - aceno de onde eu estava.
- Prazer em conhecê-las. - dá um riso simpático.
- O prazer é todo nosso - Mabel sai respondendo por nós duas.
- O que as belas damas estão fazendo por aqui? - Thomy era galanteador e engraçado.
- Estamos indo ao Parque de Diversões. - Mabel disse empolgada.
- Sério? - Eduardo estava tão eufórico quanto ela.
- Querem ir com a gente? - Mabel pulou antes que eu falasse algo.
- Até que não seria uma má ideia. Vamos Eduardo? - Thomy disse empurrando Eduardo com o braço.
- Vamos!
Os meninos pareciam bem entusiasmados com a sugestão, Thomy era bem legal mas tinha uma cara de mal, era uma coisa que o fazia ser bem sexy. Fomos todos no carro de Mabel e ao chegarmos lá os rapazes pareciam bem animados e não paravam de brincar e zoar um ao outro e Mabel estava com os olhos brilhando.
Mabel e eu vivíamos em parques quando morávamos juntas, ela gostava muito e ainda gosta de parques de diversões, ela ama os brinquedos e eu as comidas.
- Vamos brincar? - Mabel estava eufórica.
- Claro. Vamos logo. - Thomy era a versão masculina dela.
- Vocês parecem crianças. - Eduardo resmungou.
- Eles são. A idade não passou para eles. - eu falo andando pelo local.
- Vou comprar os bilhetes. - Thomy fala indo em direção ao atendente.
- Vai rápido. - Mabel grita fazendo todos olharem para ela.
Passaram alguns minutos e Thomy voltou com os bilhetes em mãos, eram muitos, damos volta no parque inteiro e vamos em todos os brinquedos praticamente, fazia tempo que não me divertia tanto assim. Então os meninos e principalmente Mabel decidiram ir na famosa Montanha Russa e uma coisa extremamente aterrorizante passou em minha barriga, claro que com tanta insistência de uma amiga teimosa que era Mabel que quase chorava aos berros para que eu fosse no brinquedo, acabei cedendo.
- Vamos Alice, por favor. - Mabel quase implorava de joelhos, era engraçado o quanto ela era infantil, às vezes parecia aquelas menininhas que querem uma boneca e a mãe não compra.
- Não! - digo já meio irritada, não tinha paciência para certas coisas.
- Te imploro. - Mabel estava desesperada e os meninos nos olhavam com cara de "o que estou fazendo aqui? Eu conheço elas por acaso?" bom, realmente a cena toda acontecia dessa forma.
- Você já viu a altura disso? - eu olho para cima aterrorizada só de pensar em subir naquele treco.
- É baixo, já fui em uns muito mais altos.- Thomy fala rindo da minha cara e isso não ajudava.
- Como podem deixar uma pessoa brincar nisso? - falo apontando para a Montanha Russa e arqueando a sobrancelha.
- É bem seguro. - Mabel argumenta se apoiando no ombro do Eduardo.
- É, talvez seja... - Thomy fala querendo me assustar mais ainda.
- Como assim talvez? - digo nervosa.- Agora que não vou mesmo.
- Para de frescura Alice. - Eduardo comentou. - Parece uma garotinha mimada. - bufo com o comentário.
- Ah! É assim que vai me convencer? Me insultando.- cruzo os braços.
- É desse jeitinho mesmo. - ele ri.
- O clima esquentou por aqui... - Thomy disse puxando a gola da sua blusa.
- Prefiro me manter neutra. - Mabel diz passando a mão pelo cabelo.
- Sabe de uma coisa, VAMOS LOGO! - digo finalmente tomando coragem e entrando na fila do brinquedo.
- Ela tem atitude. - Thomy apontou pra mim enquanto falava pra Eduardo logo em seguida e Mabel logo atrás.
- Isso foi uma ceninha para aparecer e parece que funcionou. - Eduardo falou irônico me causando muita raiva.
- Cale sua boca antes de falar de mim, ok? - digo irritada.
- Calma, só brinquei, desculpe - ele finge levantar bandeira.
- Esquece.... - falou prestando atenção na fila porque já estava na minha vez de entrar no brinquedo.
Eu entro e me sento numa poltrona e Eduardo ao meu lado, logo atrás está Mabel e Thomy. Quando os carrinhos começaram a andar me deu um aperto no coração, percebo que fiz uma burrada, uma grande burrada e enquanto os carrinhos sobem fecho os meus olhos o mais apertado possível, na descida quase tive um infarte e não conseguia nem abrir a boca para gritar ou falar apenas um A sequer, peguei a mão do Eduardo que estava no apoio entre as duas poltronas e apertei o mais forte que eu conseguia vendo que ele me olhava sorrindo, um grande embrulho toma meu estômago e tenho vontade de vomitar, só desejava que tudo acabasse o mais breve possível, quando os carrinhos pararam eu saí de lá tontinha e quase vomitava em cima de Eduardo, seria uma tragédia, mas por obra do meu destino consegui evitar que isso ocorresse e então todos estavam felizes menos eu.
Mabel havia se divertido tanto que resolveu ir de novo com Thomy me deixando só com Eduardo enquanto eu queria vomitar. Sentamos em um banco e ele me olhava preocupado.
- Já está melhor? - Eduardo perguntou.
- Sim, está passando, obrigado- falou olhando para ele.
- Porque você tem medo? - ele me perguntou.
- Não sei, apenas tenho. É natural. - digo rindo da situação.
- Não tenho medo de besteiras como essas... - ele olha para o nada.
- Eduardo, é coisa que acontece. Não é besteira. Medo de altura, medo de escuro são uns dos medos mais comuns que existem.
- Não vale a pena discutir - ele diz dando de ombros.
- Você tem medo de que? - pergunto curiosa pois ele zomba de mim.
- Deixa eu pensar... - Ele dá uma pausa e pensa um pouco - Tenho medo da morte.
- Da morte ... Porque ? - presto atenção em suas palavras.
- Pense só. É como se fosse um sono eterno que você não irá acordar, não vai sentir mais nada e nem fazer mais nada e etc ... - ele fala olhando para uma casal de namorados que passam em nossa frente.
- É, pensando assim... - digo olhando o casal também.
- Mas olha, eu tenho medo da morte e não de morrer. - ele argumenta.
- Como assim? - pergunto confusa, porque como pode ter medo da morte mas não de morrer?
- Eu não ligo se vou morrer ou não, só que a morte causa medo, ela causa.
No meio de uma pequena discussão boba e infantil ele me oferece maçã do amor. Era inusitado e bem engraçado, fomos na barraca e ele comprou uma para mim.
- Alice? - ele chama minha atenção olhando fixamente para mim.
- Pode falar. - digo mais concentrada na minha maçã.
- Você é linda, sabia? - ele solta de uma vez.
Eu comecei a engasgar e a ficar vermelha, não sabia como reagir.
- C- como? - gaguejo.
- Isso mesmo que você ouviu. - ele repete sem graça.
- Você também não fica atrás, sabia? - eu o provoco e nós dois sorrimos
- Bom eu ... - ele se aproxima de mim e ficamos cara a cara, já posso até sentir sua respiração bem pertinho de mim. Estava acontecendo, ou melhor, ia acontecer, um beijo, mas no momento em que nossas bocas iam se tocar alguém atrapalhou e a expressão de decepção toma meu rosto.
Eu estava desejando muito esse momento chegar, meu coração estava acelerado, mal podia acreditar que ele ia me beijar, agora mais que nunca tinha certeza que eu estava gostando dele, eu quero uma pessoa que me amasse e corresponda o meu amor então estava fora de cogitação ficar com ele agora e me arrepender depois porque de problemas eu estava correndo e não queria ser magoada.
- O que isso minha gente? - Thomy grita atrapalhando.
- Mais que merda! - Eduardo sussurra perto de mim fechando os olhos.
- Que belo casal. - aquele riso no rosto de Thomy era inevitável.
- Acho que atrapalhamos algo, Thomy. - Mabel dizia maliciosa.
- Não, não atrapalharam nada. - Eduardo estava frustrado.
- Tem certeza? - Thomy anda em volta de nós.
- Sim, ele tem.- me intrometo.
- Bom então... - Mabel começa.
- Parem, que chato. - Eduardo continua resmungando.
- Olha a boca, tenho esperança que você vire um rapaz educado ainda. - Thomy zomba
- Sabem oque dizem da esperança meu amigo ? Traz tristeza eterna.- ele fala olhando para Thomy e o mesmo devolve o olhar, eles parecem estar se comunicando por olhares.
- Nossa... - Mabel havia achado o clima péssimo.
- Apenas verdades.- Eduardo diz rindo.
- Bom gente, ta hora de irmos, ta tarde e é perigoso andar por aqui uma hora dessas. - eu digo querendo me livrar do encosto.
- Calma Alice, a imortalidade é minha querida. - Thomy era exibido e prepotente às vezes.
- Um mais idiota que o outro, por isso são tão amigos. - Mabel deixa escapar.
- É claro - Thomy diz se curvando para ela.
Então todos fomos embora e Mabel fez questão de deixar os meninos na casa deles, até então eu não sabia que eles moravam juntos, eles parecem ser muito unidos, afinal.
Eu e Mabel havíamos chego em casa, hoje ela iria dormir aqui comigo porque amanhã iríamos sair para comprar umas coisas para mãe dela, sem contar que eu não queria ficar sozinha.
Eu estava quase dormindo quando Mabel começou a falar.
- Alice, Alice? - Mabel me fez despertar.
- Fala. - digo sonolenta.
- O que foi aquilo lá no parque? - ela se senta e fica me olhando.
- O que ? - digo passando as mãos nos olhos.
- Não se faça de boba, o teu beijo com o Eduardo. - a olha surpresa.
- Não teve beijo. - sou franca.
- Como não? Eu vi.
- Você viu mal, não nos beijamos, agora me pergunta o porquê? Porque vocês atrapalharam quando ele ia me beijar, uma tentativa frustrada de um primeiro beijo. - digo decepcionada.
- Que pena Alice, me desculpe. - ela parecia sincera.
- Não tem problema amiga, esquece isso.
- Eu te acho muito solitária e acho que precisa de alguém para te fazer companhia. - comentou me fazendo suspirar.
- Não estou só, tenho você e Anne.
- Não é a mesma coisa. - ela revirou os olhos.
- Não se preocupe, quando eu arranjar um namorado você será a primeira a saber. - pisco.
- Não é isso Alice. - ela respira fundo.
- Eu sei, só quero mudar a conversa de rumo. - dou uma risadinha baixa. - Eu quero achar o homem ideal para mim.
- Que tal o Eduardo? - ela solta de repente.
- Quem? O Edu? Não, acho que não. - cruzo os braços. - Nem o conheço direito.
- Aquele quase beijo de vocês já foi um progresso. - ela se joga na cama.
- Você não tem jeito mesmo.
- Quero só seu bem.
- Eu também quero o teu bem, mas sabe o que eu também quero? Dormir. - me deito fechando os olhos.
- Entendi o recado, boa noite. - ela se vira pra mim e deita.
Eu entendo a minha amiga, ela só queria me ver feliz, mas tenho medo de enfrentar um novo relacionamento e as consequências que isso poderia me causar, eu já me relacionei com outras pessoas antes mais eu sempre me dei mal, fui muito magoada, dei várias chances mais nunca tomavam jeito, então preferi sair desses relacionamentos que só me faziam sofrer, por isso tenho medo de tentar me abrir para mais um relacionamento amoroso, o meu medo é que essa pessoa me faça sofrer mais ainda como os outros, não tenho coragem de enfrentar consequências. Não sou tão forte como todos pensam, tenho um coração bem abalado com todos os problemas que eu enfrentei, aos poucos minhas feridas foram curadas, mas acho que Mabel tinha razão, talvez eu tivesse que abrir meu coração para novos amores e algo me diz que não será tão difícil assim...
