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3 - NERVOSO

Alice

Eu sabia que era somente para ajudá-lo, mas eu não estava certa de tê-lo convidado tão rápido. Reconheço que senti algo quando o vi e não poderia disfarçar que o achei interessante.

Como vou fazer isso? Não podia deixar transparecer. Tinha que demonstrar que o motivo do convite havia sido somente por causa de que queria o manter informado de tudo.

Afinal de contas, essa foi mesmo a razão.

Depois de alguns questionamentos que fiz a mim mesma resolvi por fim desabafar com alguém e não existe pessoa melhor para me ouvir que ela, Lola. Ela não era a pessoa mais normal do mundo, mas era minha melhor amiga.

Liguei freneticamente inúmeras vezes até que ela decidiu me atender.

- Alô? - ela atendeu no segundo toque depois de várias tentativas.

- Oi doidinha, aconteceu alguma coisa?

- Na verdade, sim. Você não tem idéia do que me aconteceu na volta para casa...

- O que foi? - sinto que sua voz mudou de tom, parecia preocupação. - Não me diga que o tarado daquele homem do teu prédio tentou alguma coisa com você?

- Não Lola, não foi nada disso. Pode ficar tranquila. - eu tentei amenizar a situação.

- Fala de uma vez. Você sabe que sofro de ansiedade. - sorrio com o comentário.

- O Eduardo vem aqui em casa.

- Como? Eduardo? O novato? Quando vai ser isso ? - "surpresa" - Não acredito. Pare de me fazer de palhaça. Isso não se faz com amigas...

- Estou falando sério.

- Estou indo para sua casa agora. Quero saber de tudo com riquezas de detalhes.

- Mas venha rápido. - ressaltei.

- Tudo bem, vou levar besteiras para comermos enquanto fofocamos.

- Sei que você quer me deixar gorda, mas não vai conseguir .

- Eu quero mesmo.- ela gargalhou. - Até daqui a pouco.

Assim que desligo o celular vou arrumar a casa para passar o tempo. Faço o que tenho que fazer, limpo, organizo, lavo e enfim... Tudo que fosse necessário para me tirar a ansiedade e o estresse que estava corroendo minha mente.

Tomei um banho porque estava precisando, afinal de contas acabei me sujando com toda essa poeira, parecia que eu não limpava a casa a décadas. Quando termino meu banho acabo me jogando no sofá, eu estava morta.

Fiquei pensando na festa de sexta-feira. Luciano havia me convidado e eu precisava urgente de um vestido. Enquanto me perco em pensamentos ouço a campainha tocar e já sabendo de quem se tratava abri imediatamente a porta.

- Oi, seu raio de sol chegou. - Mabel se jogou em meus braços me abraçando, quase que tombamos para trás.

- Se eu dependesse de você. Estava literalmente na sarjeta. - digo resmungando.

- Não vai me convidar para entrar? - ela estava parada na porta me olhando de braços cruzados.

- Você por acaso é alguma vampira? Você não precisa de convite.

- Sua chata. - ela entrou fazendo careta enquanto eu me segurava para não rir.

- Você já é de casa Mabel. - comentei olhando-a.

- Sabia que isso é questão de educação, querida? E vamos logo ao que interessa. Me conte tudo sobre Eduardo.

Ela se jogou em meu sofá e manteve os olhos grudados em mim.

- Vamos fazer a pipoca primeiro. - ela bufou e eu entrei na cozinha logo seguida dela.

Quando terminamos nós jogamos na sala e eu contei tudo detalhadamente para ela que me ouvia sem nem menos piscar.

- Nossa Alice. - ela pôs a mão na testa fingindo estar passando mal.

- O que foi? - acabo perguntando por não entender sua reação.

- Ele vem aqui! Você está com a faca e o queijo na mão. - ela dizia fazendo sinais estranhos enquanto gesticulava. - Já que você o roubou de mim, pelo menos faça certo e o conquiste direito.

- Eu não sou assim Mabel, nem o conheço e além disso, vamos apenas estudar.

Ela revirou os olhos e fez menção de enfiar o dedo na garganta para vomitar.

- Odeio quando me chamam pelo meu nome. - bufou. - Sei... - seu riso era eufórico.

- Vamos mudar de assunto. - jogo uma almofada nela. - E o seu vestido?

- Que vestido? - ela parecia uma porquinha devorando toda a pipoca.

Mabel não tinha jeito. Ela era tão louca e talvez fosse por isso que éramos amigas porque havia o equilíbrio normal e anormal entre a gente.

- O da festa de sexta, esqueceu?

- Ata, podemos sair amanhã pra compra-lo. Eu, você e Anne.- ela se levantou. - Dia de princesa! O que acha?

- Ok, vai ser legal, talvez eu ache um vestido bem bonito, estou cansada do meu pobrezinho de guerra. - digo pensando no meu vestido rosa chiclete mais batido que meu tênis surrado.

- Mais do que o meu não, meu bem. - ela dizia desfilando pela minha sala.

- Sua exibida.- dou língua e ela sorri.

De repente, Mabel pegou o seu celular e ficou séria.

-Tenho que ir, tinha esquecido que ainda precisava passar na casa da minha prima. - ela fez biquinho.

- Tá bom, vou deixar você ir.

Ajeitamos tudo e ela me ajudou a pôr as coisas em ordem então fui deixá-la na porta.

- Até, e cuida do seu príncipe quando ele vier, viu? - disse piscando para mim.

Revirei os olhos.

- Vai logo! - digo envergonhada a empurrando pra fora.

Assim que ela saiu tranquei a porta pra não correr o risco da Mab me surpreender de alguma forma como ela sempre fazia voltando sempre para gritar que nem doida. Olho no relógio e ainda era extremamente cedo e para piorar eu não conseguia prestar atenção em nada ao meu redor, só conseguia pensar no dia de amanhã.

XX

No dia seguinte acordei com o barulho do despertador. Escandaloso.

Eu o odiava com todas minhas forças, mas era obrigada a não tocá-lo na parede se não tivesse que gastar comprando outro e por na lista dos vários que já quebrei.

Levantei e fui fazer minha higiene matinal, depois do banho me arrumei e quando olhei no espelho decidi que estava definitivamente apresentável.

Eu estava ansiosa para que Eduardo realmente viesse.

Fiquei andando de um lado para o outro de tanto nervosismo, tanto que poderia até ter uma crise de labirintite, e 23 minutos se passaram, depois 30, 40... será que ele realmente viria?

Não pense assim Alice. Meu subconsciente gritava pois eu parecia presa num manicômio.

Porque eu estava tão preocupada? Para o meu próprio bem resolvi me sentar.

Peguei meu celular e fiquei olhando as mensagens até que a campainha tocou.

Ele só veio pedir ajuda, ele só veio pedir ajuda! Faço disso o meu mantra para se acalmar e me levanto para abrir a porta.

Eduardo

Cheguei em casa feliz da vida embora cansado, me sentei no sofá e fiquei olhando o nada enquanto pensava, será que ela havia se interessado por mim como eu por ela? Eu tinha milhares de perguntas que só ela iria saber responder. Nunca tinha conhecido alguém assim e eu mal sabia como ela era de verdade.

Na realidade era melhor eu parar de pensar besteira já que afinal eu não estava pronto para entrar em um novo relacionamento, só de pensar no que eu passei me dá vontade de quebrar tudo somente de raiva.

Não queria brincar com ninguém.

Fico alguns minutos pensando e resolvi comer algo, já estava ficando tarde e eu precisava urgentemente descansar.

Já era tarde quando eu terminei de fazer todas as minhas coisas, voltei a me sentar no sofá e dessa vez com o celular em mãos, eu pensava se devia ligar para Alice e quando eu já estava discando os números decidi desligar o celular e não ligar para ela, eu não queria da uma de cara atirado, que tipo de primeira impressão eu iria passar?

XX

Acordei assustado com o meu celular tocando, quem seria que ligava uma hora dessas? Passei a mão no rosto e olhando para o relógio pensei que isso era uma lástima, inferno, o dia mal havia começado e o celular continuava tocando, então eu o atendi de uma vez pois pretendia voltar a dormir.

Porém... quando vi aquele nome na tela do meu celular tive uma grande decepção, pois era ela, Olivia Jarrah.

Eu prendi a respiração, as células do meu corpo começaram a se revirar só de uma vez.

Senti todas as veias do meu corpo pulsando.

Pulsando de raiva, de rancor, de mágoa.

- Oi amor. - sua voz saia cinicamente do outro lado da linha.

- O que você quer? Já falei para você nunca mais ligar para mim. - disse seco.

- Quanta agressividade, você não deveria tratar quem te ama assim. - sinto sarcasmo pelo jeito que sua voz sai.

Na verdade, tudo em Olivia é feito à base de ironias.

Fechei os olhos respirando fundo. Eu não tinha paciência.

- Sabe o que é engraçado? Que você me ama tanto e me traiu com aquele que se dizia meu irmão.

Minhas palavras saíram com desgosto, mesmo passando tanto tempo o meu peito ainda queimava com dor.

- Ele que ... - ela tentou mas interrompo seu discurso que eu já conhecia o conhecia muito bem e de trás para frente.

- Eu não quero saber, me esqueça. - falei por fim.

Desliguei o celular sem querer saber de mais nada. Eu não precisava disso.

Não acreditava que depois de tudo o que ela e meu irmão havia me feito ela ainda tinha a cara de pau de ligar para mim como se nada tivesse acontecido, meu dia havia começado terrível, eu não tinha tempo mais e nem condições de voltar a dormir, a vontade que eu tinha era de matar ela e aquele desgraçado.

Eu vou direto para o banheiro e entro debaixo da água gelada sem pensar muito.

Assim que termino meu banho, olho no espelho e fico um bom tempo vendo o meu reflexo e pensando no que eu havia feito para merecer tudo de ruim que tinha acontecido comigo a minha vida toda.

Eu estava atrasado, então corri para o estacionamento, peguei meu carro e sai voando em direção a casa de Alice e para piorar o trânsito estava péssimo e depois de alguns curtos minutos chego ao prédio em que ela morava, eu tentava me lembrar em qual andar ela morava, tinha uma vaga lembrança mas nada fazia sentido, minha cabeça estava uma bagunça mas algo me dizia que era o 13° andar.

Assim que saio do carro vejo uma senhora com uma cesta de flores em frente ao prédio, decido comprar uma rosa para fazer uma pequena surpresa para Dakota e ser cavalheiro.

Mais que merda... Eu era um tremendo galanteador.

- Olá meu jovem, o que deseja? - A senhora me atendeu agradavelmente.

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