Capítulo.04
OTTIS NARRANDO
— O que você quer de mim?
— Eu quero que você me ame, Ottis. Que faça amor comigo como antes, como no primeiro dia que nos conhecemos, quero que você seja meu.
— Não dá Rebeca, não dá para ser o mesmo de antes. — Digo servindo Whisky e bebendo em seguida. — Não dá para ser o mesmo com você depois do que fez. Quero que assine os papéis do divórcio o mais rápido possível.
— Ottis...
— O acordo que está na papelada dk divórcio é até mais do que você merece, já que não temos filho.
— Eu não quero seu dinheiro, Ottis. Eu quero você, por favor, não jogue nossos dez anos no lixo.
— Quem jogou nossos anos no lixo foi você Rebecca, você jogou tudo que vivemos no lixo quando deitou na cama de outro, quando trouxe uma terceira pessoa para nossa relação.
— Eu já te pedi perdão. — Ela diz se atirando em meus braços, tentando me beijar. Seguro seus braços afastando-a.
— Eu te perdoou, mas eu não quero mais nada com você, Rebecca. Você tinha meu coração nas suas mãos e simplesmente quebrou ele e me entregou, a traição eu poderia perdoar, mas você mentiu para mim, você disse que não podia ter filhos, e no fim estava tomando medicações as escondidas, era só ter dito que não queria ser mãe, mas mentir dessa forma, foi a coisa mais cruel que fez. Agora vai embora, por favor.
— Eu não vou embora, Ottis. Eu irei lutar por você.
— Se você não sair, eu saio. — Digo e me retiro da minha casa deixando ela lá.
Entrei no carro e segui para o hotel, encontrando meus irmãos no escritório.
— Tá difícil o divórcio? — Oliver pergunta.
— Você não imagina o quanto. Ela se recusa a assinar aquela merda. — Digo pegando uma garrafa de cerveja.
— Como podemos ser tão podres para relacionamento. — Otávio diz.
— Diga por vocês, eu nunca me apaixonei. — Oliver diz. — Apesar que...
— Conheceu alguém? — Pergunto.
— Meus irmãos, eu agradeco todos os dias de não sermos idênticos seria um porre me parecer com vocês. — Oliver diz mudando de assunto.
— Ele conheceu alguém sim. — Otávio diz rindo. — Logo ele que nunca se relaciona com hóspedes.
— Ela é diferente, meus caros. Linda, aparentemente muito inteligente. — Ele diz todo bobo.
— Tá apaixonado? — Pergunro surpreso.
— Não. Ainda não. — Ele diz pensativo. — Preciso me arrumar que tenho um jantar com ela hoje.
— Por falar nisso, eu também tenho um encontro. — Otávio diz.
— Parece que nós três temos. — Digo saindo do escritório e eles vem logo atrás. Desde o início do divórcio tenho um quarto aqui no hotel, para essas eventualidades.
— Parece que o divórcio não está saindo de todo mal. — Oliver diz rindo.
— Não é porque deu errado uma vez que dará na segunda também. — Digo.
— Tentar e tentar, nunca desistir. — Oliver cantarola.
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PALOMA NARRANDO
Estava uma noite linda, a lua estava cheia e com toda sua luz nos iluminando. Estava sentada na espreguiçadeira, esperando Oliver aparecer, confesso que estava ansiosa, não esperava que ele me mandaria uma mensagem depois de termos transado.
— Boa noite. — Ouço sua voz sussurrando no meu ouvido, fazendo todos os pelos do meu corpo arrepiarem.
— Boa noite. — Me viro para olhá-lo e ele me rouba um beijo.
— Vamos? — Ele diz me esticando o braço.
— Vamos. — Pego em seu braço e seguimos para o seu carro que nos esperava na frente do hotel.
— Vamos em um restaurante na cidade. — Ele diz antes que eu abra minha boca para falar qualquer coisa.
— Okay. — Digo tentando esconder meu nervosismo. Estava parecendo uma adolescente em seu primeiro encontro, ele pois a mão na minha coxa, aperdando-a me fazendo soltar um gemido involuntário.
— Hum... — Ele geme. — Não faz assim garota. — Ele diz e eu dou uma risada nervosa.
— Desculpe, me pegou de surpresa. — Digo. Ele me olha, morde o lábio inferior e me diz o quanto estou linda.
Eu estava começando achar que estava em um puro clichê. Qual a probabilidade de ir em uma viagem de Natal com minhas amigas e encontrar um possível romance nas férias? Uma em um milhão? Alguém me belisca porque eu só posso estar sonhando.
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ALISSA NARRANDO
No horário marcado estava no Hall do hotel esperando por Otávio. Por incrível que pareça estava com um frio na barriga desconhecido, nem com Kaio senti isso.
— Boa noite, Alissa. — Ele sussurra em meu ouvido me fazendo arrepiar.
— Boa noite. — Digo me virando, ficando a poucos sentimentos de sua boca.
— Poderia te beijar agora mesmo. — Ele diz. — Mas quero que você dance loucamente primeiro. — Ele diz, então me estica seu braço, seguro e seguimos para fora do hotel.
Minha cabeça estava uma tremenda confusão, sabíamos que isso aqui iria acabar em uma cama, então porque precisávamos de toda essa preparação? Por que não ir logo para os finalmentes? Não quero amor, quero apenas uma diversão, não precisa ser apenas uma noite, pode ser por toda a viagem com a mesma pessoa, mas sem amor, apenas diversão.
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NYARA NARRANDO
Estava no meu quarto, esperando Ottis bater a minha porta, confesso que estava completamente nervosa, seria meu primeiro encontro depois de sete meses, depois de toda a pularia que Kaio fez comigo, provavelmente não ficaríamos somente nesse passeio, ou ele iria para a minha cama, ou eu iria para a dele e o que aconteceria depois eu não poderia prever. Será que teríamos um romance nessas férias, ou seria apenas essa noite?
Eram tantas perguntas, eu já estava começando a ficar aflita. Alguém batei a porta, deduzi que era ele, peguei minha bolsa e fui abrir.
— Oi. — Digo saindo do quarto e fechando a porta.
— Boa noite. — Ele diz dando dois beijinhos, um em cada bochecha. — Você está lindíssima. — Ele diz me esticando o braço, segurei seu braço e seguimos para o elevador.
Estava tão nervosa, minhas mãos estavam suando frio, minhas pernas bambas. Eu sabia que iríamos para a cama, e eu estava tão nervosa por isso, ele seria meu segundo homem de toda a vida. Eu só tive um homem na minha vida e foi o infeliz do Kaio, e agora estava prestes a ter algo de uma noite com um completo estranho.
Sub: Nem tão estranho assim.
— Você prefere ir para a cidade, ou prefere ir para o restaurante do hotel? Tenho reservas para nos dois.
— Podemos ir para o restaurante mesmo. — Digo. — É um lugar que eu conheço e posso fugir de você caso seja um psicopata. — Digo e ele rir.
— Você é uma figura, Nyara. — Sua risada invadiu minha mente e encheram meus olhos de um brilho nunca sentido antes. Aquele brilho que diz, tem sim uma vida após o Kaio.
Seguimos para o restaurante do hotel, ele puxou a cadeira para que eu senta-se, um perfeito cavalheiro.
— Então, Nyara. O que você faz da vida?
— Eu sou modelo. — Dou risada. — Sei que não parece, mas eu sou.
— Por que não parecia? Você é linda, pagaria qualquer valor para ver você em qualquer desfile. — Ele diz me deixando envergonhada.
— Obrigada. — Digo tentando formular alguma pergunta para tirar a atenção de mim. — E você?
— Eu trabalho aqui. — Ele diz fazendo um gesto com as mãos. — Eu e meus irmãos herdamos as Indústrias Kamai, dentre elas o grupo de Hotelaria e turismo Kamai.
— Uau, então estou falando com um empresário. — Digo surpresa.
— Sim e não. Deixo esse papel para meu irmão Otávio, eu ajudo como posso aqui. — Ele diz. — Eu e Oliver, meu outro irmão, ficamos responsáveis pelas empresas em Los Angeles.
— Que engraçado, moramos em Los Angeles, eu e minhas amigas. — Digo bebericando do champanhe.
— Otávio fica responsável por esse hotel, e os outros claro. Nas férias sempre venho ajuda-lo, esse ano Oliver resolveu aparecer também.
— Que bonito o companheirismo de vocês. — Digo.
— Isso é normal para trigêmeos.
— Trigêmeos? — Pergunto engasgando com a bebida.
— Não somos idênticos.
— Ainda bem, imagina eu beijar seu irmão achando que é você? — Só percebo o que disse depois de ter dito.
— Então quer dizer que quer me beijar?
— Oh meu Deus, que embaraçoso. — Digo envergonhada.
— Não fique com vergonha. Se serve de apoio, eu também quero muito te beijar, Nyara. — Ele diz olhando no fundo dos meus olhos, me deixando sem ar.
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