Biblioteca
Português
Capítulos
Configurações

CAPÍTULO 7

Alissa

SECO AS LÁGRIMAS DEPOIS DE HORAS ininterruptas de choro exacerbado, não me levantei desde que Death me fez ir tomar banho e me deitar na cama, para que eu tentasse dormir, totalmente sem sucesso. respiro fundo e me levanto da cama determinada. Não vou me casar contra a minha vontade, não só porque Vicenzo ao pensar que era dono da minha vida, decidiu que eu o faria.

Levanto da cama e ando até o quarto de Death, peço mentalmente para que ela não esteja dormindo e na terceira batida, ela me atende.

- Alissa? - Passo a mão pelo rosto para secar as lágrimas de vez.

- Sou eu. - Suspiro.

- Eu disse pra você dormir.

- Eu não consigo... - confesso. - Não quando eu tenho um casamento marcado com um estranho.

- Sei que é difícil - Sua voz sai em um tom compreensivo e sincero - mas tente dormir, vai te fazer bem.

- Estou preocupada com Eric. - Eu Suspiro novamente e declaro. Desde que o mesmo saiu daqui eu me vi pensando mais nele do que de costume, em sua reação radical ao saber sobre meu noivado e o porquê dele parecer se importar tanto.

- Esqueça Eric por um momento e foque em você.

- Mas... Eu só... Só me importo com isso por causa dele. - Mordo o lábio inferior. me sinto uma tola por isso, mas o maior motivo de eu não querer me casar, é por sentir coisas tão fortes por Eric. Death me abraça e ao se afastar me encara seria.

- Você tem que se importar com você, esqueça Eric. é o seu que está na reta e não o dele. - Diz Franca.

1-Allora perché mi dispiace? (então por que ele se importa?)

- Acho que devo me casar? - Sei a resposta por mim mesma mas por algum motivo, a opinião dela quanto a isso é importante, tanto quanto a de Thiffany seria, me sinto sem opinião própria mas nessa situação meus pensamentos estão confusos e mesmo que eu pense muito nos contras, os prós vêm automaticamente em minha cabeça.

- Não sei, Mi amor. ninguém deveria obrigar você a fazer nada que não queira. Principalmente se casar com um desconhecido.

- Tudo que acontece na máfia é assim, de um jeito que não queremos.-rio sem humor.

- Lo siento, mi amor.

Olho para baixo e suspiro. Meu pai disse que esperaria meu tempo até onde desse, para que eu pudesse me casar com alguém de minha escolha, e se até papai iria respeitar meu tempo e minha vontade, Vicenzo não tem o direito de decidir por mim, mesmo que seja o novo don.

- Não vou me casar com ninguém, Death. Nem que para isso eu tenha que falar com o próprio Vicenzo, na verdade, é exatamente o que irei fazer - bato o pé, destemida.

- O que? - arregala os olhos, surpresa.

- Sim, ele me deu de bandeja sem nem me consultar, então ele terá que resolver isso. - Jogo os cabelos para trás e Semicerro os olhos.

- E se por acaso ele tentar te matar? - Death cruza os braços.

2- Sono in su, di rabbia ... (mato ele, de raiva)

Mordo o lábio inferior, pensativa sobre isso. Mesmo que Vicenzo não seja meu admirador número um, não acho que ele me machucaria, não o vejo como alguém mau.

- Ele não faria isso, Death. Thiffany nunca o perdoaria, Eric... Eu não sei o que ele faria mas não acho que deixaria por isso mesmo, e.. Prefiro morrer do que me casar a força.

- E como pretende encontra-lo?

- Ele está na Sicília, não? Com certeza está na mansão Salvatore, e hora ou outra aparecerá na empresa, e me encontrará lá.

- Já que está tao decidida , vou com você. - Ela vai até sua mala no chão, pegando uma arma.

- Precisa mesmo pegar isso...?- Olho para a arma.

- Se quer enfrentar um chefe da máfia, deveria, mas eu vou estar lá, mato ele. - Ela pega a munição. Sorrio por sua atitude corajosa e protetora, sei que arranjei uma boa amiga, mais uma para minha lista de mulheres fortes e admiráveis as quais devo me espelhar.

Rio ao balançar a cabeça.

- Você é doida.

- Você que quer ir lá. eu só estou nos precavendo.

- Vicenzo não vai me matar. - Digo a mim mesma.

- Alissa, preste atenção. não confie em ninguém. - adverte. - principalmente em mafiosos, eles mentem e conspiram. Ele colocou você nessa situação.

- E eu vou fazer ele tirar. eu não vou me casar, Death. não com um estranho.

- Vamos então. - Diz saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.

3-Niente di matrimonio per me non con lui (nada de casamento para mim, não com ele..)

Entro no elevador e vejo o painel mudar os números de maneira crescente, fazendo com que meu nervosismo cresça da mesma maneira. As portas se abrem depois do apito que indica que chegamos ao andar, respiro e inspiro a procura de coragem, infelizmente, sem efeito algum.

- aí droga! - Praguejo, frustrada e Death me olha sem entender. - Vamos.

- O que houve? - questiona, saindo do elevador junto a mim.

- A coragem está se esvaindo, mas isso não pode acontecer, eu tenho que resolver isso. - Mordo o lábio inferior.

- Eu estou aqui. - fala sorrindo. - Qual a sala?.

- Aquela ali - Aponto para a porta dupla de madeira. A mesa da secretária está vazia e vejo ali a oportunidade perfeita para entrar. - Vamos- corro desajeitada em direção a sala, antes que a secretária volte.

- Alissa, sem correr! ela vem andando calmamente, o som dos saltos ecoando no piso.

Paro em frente a porta e abro-a sem me dar mais tempo de desistir, adentrando a mesma, e Death logo atrás de mim , ela fecha a porta atrás de si. Vicenzo ergue seu olhar e nos encara, ele não faz expressão de surpresa ou de dúvida, se mantém completamente impassível.

- O que esta fazendo aqui, Aisha? -ele solta os papéis e cruza os braços. Bom, ao menos significa que ele me dará um pouco de atenção, já é um começo.

- É Alissa. - corrijo. - Temos

que conversar, Vicenzo. - Falo branda, tentando não me exaltar, talvez assim ele seja mais compressivo.

- Quem é essa? - Aponta para Death atrás de mim.

- Death, muito prazer. - Ela se apresenta sorrindo e sentando na cadeira em frente a mesa de Vicenzo.

- Se está na minha sala, presumo que saiba quem eu sou, por isso dispenso apresentações. - Ele a encara e se volta o olhar para mim. - O que quer falar comigo? - ele soa indiferente, o que diminui minhas esperanças, mas não desisto.

- Ah, viemos discutir o fato de você ter vendido ela como um gado. - Diz olhando para as unhas. - Com que direito? - Pergunta, sorrindo destemida ao encará-lo de igual para igual. Admiro mulheres como Death e Thiffany, são sempre tão poderosas e destemidas. Mesmo que eu tenha tanto preparo quanto elas, não consigo ser tão dura, as vezes penso que isso é um problema, como agora, que vejo Death tendo que interferir por mim, talvez isso seja bom e ajude com que ele leve a situação mais a sério, porque diferente do que pensava, Vicenzo não será nada compreensivo com minha situação para que isso se resolva em um brando diálogo.

- Death.- ele diz calmante seu nome, e balança a cabeça. - Com o direito que meu cargo como Don oferece. Ela vive dentro da minha máfia, logo, está sujeita a minhas ordens e decisões. - Fala simples e grosso. Novamente os homens da máfia se achando acima de qualquer lógica e ética humana.

- isso não é justo. - Cruzo os braços, e jogo uma mecha dos cabelos para trás, meus olhos estão semicerrados. Ele pode ser o que for, mas não é dono da minha vida, e não permitirei que ele me jogue nas mãos de alguém que não amo, ainda mais contra minha vontade, como se eu fosse um mero objeto de negociação.

- Jura? ... Don... - Death sorri debochada. - seu cargo diz que você tem que proteger os membros da sua máfia e na situação em que se encontram, acho que não fez isso.Alissa é a sub-chefe da cossa nostra, então tem o direito de contestar sua decisão, eu sugiro que explique porquê fez isso com ela. - Ela se levanta e anda pela sala.

- Tudo bem, advogada. - Diz no mesmo tom sarcástico que Death.

- Suponho que saiba que o cargo dela está abaixo do meu, ainda sou seu superior, minha decisão é a lei, e o negócio feito foi para o bem da máfia, e como membro, ela também tem a obrigação de fazer o que for necessário para manter a mesma segura. E já está na hora de se casar, já que o pai dela não está mais em vida e até então ela não havia apresentado nenhum noivo, ela teve que ser comprometida. como já sabia que um dia aconteceria, não estava totalmente desavisada. - Nisso ele tem razão, eu não estava desavisada de que algum dia isso aconteceria, mas também não estava ciente que meu noivado seria negociado por minhas costas.

- E mais uma vez bato na tecla, você não cumpriu seu dever, proteger a famiglia tendo o cargo que tem. Ela não quer cumprir o dela, e aí, o que vamos fazer? - Ela o pressiona, os braços cruzados demonstrando atitude.

- Se não estamos todos mortos, ainda não acabou e meu papel foi cumprido, E constestem o quanto quiserem, o pacto está feito, e já ouvi reclamações demais sobre esse assunto. - Corta. Franzo o cenho em desentendimento sobre sua última frase.

- Acontece que ela não quer se casar, e não vai sair da Sicília para ir a lugar nenhum. Me diga, DON como pretende obrigá-la?. - A resposta vem imediatamente em minha cabeça.

- Afinal, por que está tão na recusa de se casar? - seu olhar de volta a mim, e o encaro na mesma intensidade.

- Porque não quero, não o conheço, e não sinto nada por ele, até porque como já disse, eu não o conheço, e não é justo que as coisas aconteçam desta maneira e... - Ele ri e paro de falar, não vendo graça alguma nas palavras pronunciadas por mim.

- Não vai me dizer que o motivo disso é meu irmão... - Ele balança a cabeça negativamente. Não entendo como ele sabe sobre eu e Eric, se é que existe um eu e ele... - Ou se casa, ou está condenada a morte, ou pelo conselho ou pela própria família de seu noivo.

- Ah, não vamos apelar. você mais do que ninguém sabe que ela tem a proteção de muita gente perigosa, inclusive da sua amada esposa. O que ela diria se soubesse que você está ameaçando a melhor amiga de infância dela? - ela volta a se sentar.

- Ela não poderá fazer nada, sabe muito bem como funcionam as coisas, se até a mesma seguiu as regras, sua amiga também terá de seguir. E não são só suas aliadas que são perigosas -seu olhar sobre mim é frio e sério - Nossos inimigos também, não me importaria nenhum pouco se quisesse se casar daqui à dez ou vinte anos, desde que o fizesse e cumprisse com suas obrigações dentro da máfia, mas as circunstâncias não estavam a seu favor, então sugiro que deixe de lado seus fundamentos patéticos amorosos e faça o que tem que fazer pela Famíglia e pela sua vida. - Ela fala duro e sincero. - Ah, e não pense que ficando solteira estará livre para meu irmão.

- Por que diz isso? - Pergunto receosa.

Death me lança um olhar de aviso, sei que ela está se deixando convencer por Vicenzo, mas eu não, Eric pode ser o que for mas não acho que ele esteja brincando comigo, ele se mantém perto de mim sem receber nada em troca, nunca me deitei com ele.

- Aconselho que não fique se iludindo com Eric, você é apenas mais uma para ele, então não dê a ele uma exclusividade a qual ele não lhe dará de volta. - Falo sincero. - Então aceite o seu casamento e esqueça Eric. Se acha que ficará mal se casando com um desconhecido, é porque não sabe que ele a fará se sentir pior ainda futuramente, e garanto que não demorará.

- Só diz isso porque não gosta dele, e tem a pior imagem possível de Eric, mas saiba que ele não é assim como fala, Não seja tão amargo. - O defendo,

Eric sempre me tratou bem dentro dos limites que a personalidade dele permitem, muitas vezes foi bom comigo e me levou a lugares incríveis em troca de nada , não é justo que ele seja acusado dessa maneira pelo irmão que não deve conhecer o lado bom do mesmo. sei que eles não se dão bem, e fazer a caveira do irmão por aí deve ser prazeroso para Vicenzo.

- Dios. - ela sussurra - Mostre provas do que está falando ou nada de casamento.

- Não seja estúpida, garota. -Ele me repreende e abro a boca em O, por seu xingamento. Ao olhar para Death ele levanta uma sobrancelha e sorri como se tivesse acabado de ter uma boa ideia - Se faz tanta questão de provas...tem sorte de que ele está aqui agora.

- E por quê? - Questiono ao levantar o queixo. Meus lábios estão amuados em forma de desafio.

- Me acompanhem. - Ele passa a nossa frente a caminho da porta, troco olhares com Death e o seguimos para fora da sala.

Ele nos leva até a sala das câmeras de segurança, e monitoramento, e já imagino o que está por vir. Todos dentro da pequena sala arregalam os olhos ao ver Vicenzo, que faz um sinal para que os seguranças saiam da sala, eles o dão licença e se põem do lado de fora da sala.

Voltando às imagens para poucos horas atrás, é possível ver Eric, ele está junto a uma mulher morena.

- Olhe bem aqui o seu amado, levando uma mulher para sua sala. - eles trocam beijos no elevador e ao sair, as câmera posicionadas em frente a sua sala mostram ele acariciar a mulher intimamente e levá-la para a sala do mesmo, depois de alguns beijos e toques indiscretos demais para serem dados em público.

- Já deve imaginar como acabou a cena dentro da sala. - ele pausa as imagens.

- Eu.. - minha boca se abre e fecha várias vezes. Como eu pude ter sido tão estúpida de achar que eu era diferente? Eu ao menos o dei o que ele queria, não teria porque me diferir de qualquer outra mulher com a qual ele sai.

- Chega. - Death diz ao tirar ao desligar a transmissão das imagens da câmera de segurança. - Alissa... - sua expressão diz para que eu segure o choro, e assim o faço, ele não merece minhas lágrimas e não quero mostrar derrota e piorar a humilhação a qual já estou sofrendo.

- Tudo bem, Death - Murmuro, tentando parecer calma - Quando é o casamento? - o encaro. Ele sorri vitorioso e satisfeito.

Baixe o aplicativo agora para receber a recompensa
Digitalize o código QR para baixar o aplicativo Hinovel.