Biblioteca
Português
Capítulos
Configurações

CAPÍTULO 3

Semanas depois....

EU DEVERIA TER ESCUTADO NATACHA, seguido seu conselho e jamais ter permitido que ele entrasse em minha vida, na verdade, em meu coração, mas, a quem eu quero enganar? Ele entraria em minha vida de qualquer maneira, mesmo que eu não quisesse. Para Eric, não existe nenhum querer além do dele, e nada no mundo que importe além dele mesmo.

Gostar dele foi o pior erro que já cometi, não que seja algo que eu pudesse decidir, mas não deveria ter deixado que isso fosse longe demais.

Dios mio

Agora sou frequentemente assombrada pela memórias de todos os lugares as quais ele me levou secretamente desde que nos conhecemos. Eu deveria ter parado depois da ida a isola delle femmine, mas mesmo naquele dia, na verdade, desde que o vi, ele ganhou minha atenção, então talvez fosse tarde demais já no começo, o que é completamente contraditório.

Depois de nosso primeiro encontro — se é que se pode chamar assim — ele apareceu diversas vezes em minha porta, sem ao menos avisar, me levava a lugares incríveis e depois me trazia de volta. Eu sempre ficava na expectativa de que ele me beijasse, mas nunca acontecia, exceto alguns beijos que ele depositava em minha bochecha, um ato que eu consideraria muito carinhoso, mas dele parecia sempre muito irônico, me dando a impressão de que tudo não passava apenas de uma brincadeira para ele.

Talvez eu seja louca por amar todas as vezes que ele me fez rir ou arrepiar de medo, o jeito que tudo que ele faz é complemente imprevisível, assim como o mesmo. Queria poder contar tudo a Thiffy, o que vem havendo com Eric, e me sinto culpada por esconder tudo da mesma, mas ela nunca aceitaria ou me apoiaria com relação ao que sinto por Eric, ela o mataria se soubesse, então opto por me manter em silencio e não contar nada do houve desde que a mesma saiu em lua de mel.

Também peso o fato de que ela anda muito ocupada com seus próprios problemas e os demais da Famíglia, principalmente agora com a inesperada revolta de Nikolai, a mesma revolta e ambição que tirou meu pai de mim, assassínado cruelmente pelo mesmo. Ainda não aceitei totalmente o fato de que o mesmo já não está mais presente, tudo por culpa da maldita guerra com Nikolai. As memórias da noite de sua morte vem em minha mente, junto com a presença de Eric nesta casa.

Flashback on

-Vá, Thiffany. Já fez muito por mim vindo até a essa hora, me confortou muito, nos vemos pela manhã. -ela nega - Eu ficarei bem, Garanto. Eu preciso desse tempo. - peço a Thiffany, sei que a mesma está preocupada comigo e minha situação mas não quero sobrecarrega-lá com minha dor, ela já tem muito com o que se preocupar.

Ela finalmente cede indo embora com Vicenzo e Eric. Volto ao meu sofá e desmancho novamente em lágrimas, choro pela solidão, pela falta de meu pai e por não saber mais que rumo minha vida irá tomar. A campainha toca novamente, seco minhas lágrimas e vou até a mesma me arrastando, não me dou o trabalho de pelo olhar pelo olho mágico, com certeza deve ser Thiffany que mudou de ideia.

Ao abrir fico ligeiramente boquiaberta, pois, não vejo motivo para que Eric tenha voltado, não acho que ele se importe ou qualquer coisa do tipo, então a desconfiança me atinge. Ele só vem a mim por diversão, para de distrair, o típico tipo de pessoa que só quer estar ao seu lado em bons momentos e não está disposto a passar pelo drama que os momentos ruins trazem consigo.

- Por que voltou? - abaixo a cabeça e ele a levanta ao erguer meu queixo.

- Seja uma boa garota e me deixe entrar, Barbie. - ele pisca e tenho sorrir para o mesmo ao dar passagem. Ele se senta no sofá e fecho a porta atrás de mim.

- Sente-se. - Ele diz em tom de ordem, e não de pedido, não me demoro a obedecer.

Me sento ao lado do mesmo e cubro o rosto com as mãos, caindo novamente em uma onda de choro intenso. Sinto braços fortes me rodarem, e sua aproximação me conforta como nenhuma poderia, e de um jeito que não achei que poderia, mesmo que eu não entenda o porquê de o mesmo o fazer.

-Chorar não trará seu velho de volta. - Ele ri nalsamente.

-Não chorar não é algo que eu consiga fazer. - Ele retira minhas mão do rosto e encaro-o. A este ponto tenho certeza de que meu rosto está complemente vermelho e inchado.

-Vamos para o quarto. - Meus olhos se arregalam. - Não iremos transar, a menos que queira... - ele pisca. Em qualquer outro momento da minha vida eu ficaria completamente rubra de vergonha e tentando pela vontade, mas não hoje.

-Então...o quê? - Questiono, por mais que goste de Eric, não confio nele, não poderia ser tão ingênua.

-Você vai descansar, quem sabe você chore até dormir. - Dá de ombros e se levanta. Por que eu chorar até dormir seria algo positivo? Eu o sigo até o quarto e ao entrar no mesmo, ele avalia por alguns segundos.

-Como consegue gostar tanto dessa cor estúpida? - Franze o cenho, suas mãos se mantém no bolso da calça jeans preta, seus olhos agora focados em mim. A vontade que tenho é de responder que gosto da "cor estúpida" tanto quanto gosto dele, o que é mais estúpido ainda, não só estúpido quanto insano, mas apenas dou de ombros.

Me sento em minha cama com as costas recostadas sobre a cabeceira.

Fico surpresa ao vê-lo tirar a camisa, não é certo sentir o que estou sentindo, não neste momento. A visão é com certeza a oitava maravilha do mundo, seu corpo é totalmente definido e ainda mais perfeito do que um dia imaginei, eu só queria não o desejar tanto . Ele se deita ao meu lado, é engraçado vê-lo debaixo de cobertas cor de rosa, ainda mais conhecendo sua personalidade um tanto, maligna.

-Não se lamente tanto por uma morte, é só uma pessoa a menos no mundo. uma mais, uma a menos, que diferença faz? - Olho para ele de canto de olho, não posso acreditar que ele tenha dito isso.

-Esse pensamento é muito insensível, toda vida tem seu valor, todos são importantes para alguém, não são apenas um número. - O vejo revirar os olhos pela visão periférica, pois mantenho minha vista focada na parede ao longe de mim, não manter contato visual direto parece a melhor opção, pelo menos neste momento - E não era qualquer outra pessoa, era meu pai.

- Já disse que chorar não o trará de volta, ou assim, todas as pessoas que matei teriam ressuscitado. - Não entendo como ele pode ser tão insensível. - Apenas aceite que todos iremos morrer um dia, seu pai não seria diferente, Alissa.

-Ele não morreu naturalmente, foi assassinado. - As lágrimas voltam a se acumular em meus olhos até o ponto que começam a escorrer.

-Isso é natural, Barbie. Ainda mais na máfia. - Seu tom se torna mais amém os e menos irônico, o que se torna o suficiente para que eu possa encará- novamente - ou esperava que ele fosse morrer de causas naturais depois de um dia ensolarado, colhendo flores no bosque?! Não seja tão ingênua, lide com isso. - Não acho que esteja transparendo expressão alguma, no momento, suas palavras são duras e verdadeiras.

Me deito em seu peito, um gesto nada calculado, totalmente espontâneo e vejo que ele se surpreende ao ouvir as batidas de seu coração acelerarem. me pergunto se fiz o certo, até sentir seu toque em meu cabelo.

- Obrigada.... - Não ouço resposta alguma e um silêncio confortável se instala. Agradeço não por suas palavras duras e realistas, mas sim por sua presença.

- Se isso te consola, Barbie... - faz uma Pausa - Nikolai pedirá de joelhos para ser mandado para o inferno e ser liberto da lenta e dolorosa tortura que o darei. - Seu tom é calmo o suficiente para se tornar sombrio, sinto um arrepio subir por minha espinha.

- Não diga essas coisas. - Peço, não posso negar que guardo muito rancor de Nikolai pelo que fez a meu pai, jamais lamentaria por sua morte pois, sei que ele merece o pior, por tudo que fez, mas não gosto de ouvir coisas tão ruins. acredito que não devemos nos deixar tomar por pensamentos e sentimentos tão danosos a nós mesmos.

- Não direi nada mais, apenas farei. - sei que ele não está brincando, seu tom é sério e convicto, e me sinto uma péssima pessoa por não querer o impedir.

Flashback off

Naquela noite, eu apenas adormeci, sendo abraçada pelo silêncio e pelo conforto que a presença de Eric trazia a mim, mas acordei com o lado oposto da cama vazio, a única prova de que ele realmente esteve ali era seu perfume, um cheiro másculo e marcante, mas ao mesmo tempo suave .

Sou tirada do torpor pelo toque do telefone que parece mais alto do que nunca, dando-me um susto. Encaro o aparelho que fica em cima do criado mudo, posto ao lado do sofá, franzo o cenho e o atendo.

- Alô? - Atendo, ao não ouvir nada, pondero desligar mas uma respiração do outro lado da linha me para.

- Sinto muito pela morte de seu pai, Amore mio. - Uma careta de reprovação surge em meu rosto ao escutar a voz já conhecida por mim.

Me pergunto se devo ou não transparecer minha indignação com seu tamanho cinismo.

- Olá, mamãe. - As palavras saem ácidas, mas não é algo que eu possa controlar.

- Como está, Amore mio? - Reviro os olhos, ela ao menos se importa. Há anos que não ouço a voz da mesma, ligou apenas alguma poucas vezes depois que fugiu e foi dada como morta por meu próprio pai, apenas para salvar a vida dela, a pedido meu, talvez tenha sido atingida pelo bom senso após isso, e pelo jeito o mesmo já se foi.

- Mamãe, meu pai está morto, não poderia estar bem. - Bufo. Ela claramente não é capaz de entender, mas tento ser um pouco paciente com ela, pois é minha mãe e seu deu ao trabalho de ligar, na verdade, de fingir que liga.

- Não se permita sofrer por tanto tempo, amore mio. Faça o que tem de fazer. - Antes que eu possa perguntar o que ela quis dizer com isso, a chamada é interrompida, certamente por ela.

Estaciono o carro em frente a minha nova Boutique, que há pouco foi comprada por meu pai e dada a mim de presente. A parte externa é tomada por uma enorme vitrine, rodeada de luzes brilhante que por hora estão apagadas, e o interior escondido por enormes e pesadas cortinas vermelhas. Ando até a porta e destranco-a, ao adentrar vejo o enorme espaço, os pisos de cerâmica branca e reluzente, as paredes em rosa pastel, e os cantos repletos de araras e preteleiras brancas, há um grande balcão de recepção na parte afastada, do lado norte várias portas brancas com provadores, e um lustre que pende sob o teto. Os manequins posicionados em frente a vitrine estão sendo escondidos da visão externa pelas mesmas cortinas.

Meus olhos ficam marejados ao pensar que meu pai não estará aqui para ver o progresso de tudo isso, presente o qual ele me deu apenas por amor a mim e vontade de apoiar meus sonhos mesmo que fossem contra sua vontade.

Flashback on

- Agora que está de volta, sabe que terá que se casar minha querida, em algum tempo meu. cargo terá que ser passado a alguém mais jovem, e como você não quer o ocupar, seu marido o fará, e em breve as cobranças de uma união matrimonial virão, mia principessa . - Mordo o lábio inferior e corro os olhos pela sala, ele toma seu copo de licor com a atenção focada em mim, que tento ao máximo me fazer de desentendida.

Me remexo no sofá, o assunto me deixa desconfortável. ele se mantém imponente em sua poltrona, sua expressão é séria e sua voz calma.

- Papai..., o senhor sabe que não pretendo me casar agora, não por enquanto, sabe o quanto quero isso, e também sabe como quero e porquê quero. - Ele assente em compressão.

- Não pode viver para sempre na tentativa de trazer seus livros de romance para a realidade, mia príncipessa.- Sorrio ao ouvir novamente o apelido carinhos o qual ele me chama desde a infância.

- Não são fantasias, papai. Por que todos acham que se casar com alguém que amamos é algo tão fora da realidade? - Ele suspira e não responde, sabe que a pergunta é retórica mas no fundo eu realmente desejava uma resposta.

- Sabe como as coisas funcionam, Alissa. - Começa, paciente. - a mandei para o internato para jamais ser incapaz e indefesa no mundo em que vivemos, já me basta o quão sentimental você é , minha filha - Não me ofendo com suas palavras, pois, ele não as diz como se fossem defeitos - E você voltou exatamente do jeito que eu queria, uma mulher treinada e inteligente, mas não deixou de lado sua essência imutável, deixei que estudasse o que tanto desejava e agora está na hora de fazer sua parte. - Ele diz sério.

- Papai, o senhor ainda terá muito tempo, tenha paciência, sabe que me casarei se é sua vontade, apenas não quero agora. - Tento o persuadir usando do meu típico tom de voz que nunca falha.

- Você tem vinte e cinco anos, principessa. - Balbucia, eu assinto.

-Eu sei, papai, mas ainda tenho tempo, quero viver tudo que planejei antes de me casar.

- Lhe darei um tempo, Alissa.- Ele cede e sorrio vitoriosa. - Construa a loja que tanto quer... - O interrompo.

- Boutique, papai -corrijo. Ele revira os olhos e me calo.

- A construa, viva da maneira que desejar mas quando eu decidir que o é o suficiente, você irá se casar. escolha alguém dentro das regras e da altura, ou eu mesmo o farei. - Sei que ele não está blefando - Todavia, mantenha-se interada dos assuntos da cossa nostra, assim como se manteve nos últimos tempos, sabe o quão importante isso é. - Finaliza. Bato palmas animada por conseguir o que tanto desejei e ele sorri satisfeito para mim, sei o quão feliz ele fica ao me agradar.

Corro até ele animada e deposito uma sequência de beijos em seu rosto, o mesmo gargalha discretamente e retribui meu abraço.

Flashback off

Ando pela boutique e sorrio em meio às lágrimas, sei que farei o melhor que puder para que meu pai se orgulhe de mim, esteja onde estiver.

Não acho que ele esteja em um lugar ruim, papai era um homem frio e duro, assim como seu posto na máfia requeria, mas nunca deixou de ser bom e amoroso comigo, também com minha mãe, até onde ela permitiu. E espero que isso tenha sido o suficiente para o salvar.

Apago as luzes e saio da boutique, trancando-a.

Dirijo envolta em uma série de pensamentos, não consigo pensar em que rumo dar a minha vida daqui em diante. Tudo que venho pensando ultimamente é em como darei continuação ao trabalho de papai na famiglia, e como lidar com a memória do mesmo, também nos malditos olhos azuis.

Não posso deixar de ficar frustrada pelo sumiço de Eric. não o vejo há alguns dias, não muitos, mas o suficiente para sentir a falta dele.

Eric é diferente de qualquer outro que já vi, as vezes acho isso bom, outrora não. Sempre é tão imprevisível, seu bom humor evopora e torna-se um ódio maligno e palpável, tão rápido quanto um piscar de olhos.

O manter por perto é tão difícil quanto o compreender, é sempre como se estivesse segurando água com as mãos;sempre escorre pelos dedos até que não sobre nada. É exatamente como me sinto toda vez que o tenho por perto, sua respiração junto a minha, e do nada, ele se afasta bruscamente.

É uma grande burrice minha continuar orbitando ao redor do mesmo, mas qualquer outra também o faria, ele nos prende como a gravidade. Dificilmente alguém não se deixaria levar por suas expressões irônicas, sua voz rouca , os belos olhos azuis que rapidamente escurecem quando seu humor muda, o corpo de Deus grego, os cabelos negros como a noite, e seu incrível charme, que são um convite para o perigo.

O celular apita na bolsa e sem desviar os olhos da estrada, desbloqueio a tela. Há uma mensagem de Natacha.

Natacha

Me encontre na cafeteira em frente ao seu apartamento às 16:30. Até mais.

Estarei lá, até logo.

Respondo brevemente. Ao ver o relógio digital vejo que falta apenas meia hora para o horário marcado, e me dou conta de que as horas passaram mais rápido do que fui capaz de notar. A curiosidade sobre o que ela dirá me atinge, talvez seja algo sério, e torço mentalmente para que não tenha nada a ver com Eric.

Baixe o aplicativo agora para receber a recompensa
Digitalize o código QR para baixar o aplicativo Hinovel.