CAPÍTULO 2
ERIC
ACELERO O CARRO. É ENGRAÇADO ver a expressão medrosa da garota, medo de velocidade, não achei que ela fosse tão fraca, na verdade foi exatamente o que pensei. Ainda não tive o prazer de conhecer pessoas fortes o suficiente, o que me coloca em vantagem de todas elas.
1-Sempre avanti (sempre a frente)
Eu poderia levá-la para algum lugar, iludi-la ao replicar alguma cena de filme romântico do qual tenho certeza de que ela é uma fã acídoa, transar com ela e depois matá-la sufocada, jogar em uma área isolada e atear fogo, mas isso seria simples e rápido demais. Olho-a pelo canto do olho. Seus olhos claros estão com as pupilas dilatadas, o que dá uma grande vantagem, significa que algo a agradou, sei exatamente o que é.
Assim que a vi no casamento, despertou em mim um interesse bem incomum, há mulheres as quais eu tenho interesse de prolongar o tempo, mas apenas pelo seu desempenho sexual, e com Alissa, nem tive o enorme prazer de tocá-la, por enquanto.
Olhando-a bem, não há nada de interessante ou que a difira das demais, cabelos platinados, pele pálida, rosto redondo, olhos claros que sempre em minha presença passam de fascinados para assustados, um corpo bem definido e bochechas coradas, tudo isso se encontra em qualquer vadia por aí, mas sua personalidade é bastante peculiar, e provavelmente é o que a difere das demais.
— Por que estou aqui com você? - Ela ignora totalmente o fato de eu ter a dito inúmeras vezes para se manter calada e que o melhor tipo de mulher, são as silenciosas. Por isso eu as mato, o único momento nos quais as mulheres ficam caladas. algumas nem esse, morrem gritando ao invés de se resignarem a morte e aceitarem seu fim de maneira honrosa.
— Porque eu quero, barbie. - Pisco.
— As coisas sempre acontecem do jeito que quer? - Novamente pende a cabeça para o lado. Se eu soubesse que estava lidando com uma criança, não a teria tirado de casa.
— Quando não acontecem, eu faço com que fiquem exatamente do jeito que tem que ficar, isso quer dizer, do meu jeito. - Suas sobrancelhas se levantam e abaixam rapidamente, ela com certeza me achou bastante convencido.
Olho para garota de canto de olho, agradeço o fato dela não ter dito mais nada durante o caminho, o que fez com que eu não precisasse jogá-la no porta malas com uma fita na bela boca rosada, até que chegássemos ao destino. Estaciono o carro e ao sair, abro a porta para ela.
— Onde estamos? - Pergunta, deslumbrada.
—;Palermo. - Não me admira que uma mulher como ela fique boquiaberta pela vista privilegiada que palermo oferece da praia, para ela é encantador e para mim, um local perfeito para se desfazer de uma vítima.
— Uau...é lindo. - Não vai ser difícil enganá-la, e isso me decepciona levemente, gosto de jogar com as presas. Como a garota mora na Sicília e nunca veio aqui? Mesmo que tenha passado a maior parte da vida presa atrás dos muros do Internato.
Prado foi bastante eficiente ao me enviar os resultados da investigação completa sobre a garota. Filha de um dos capos da Famíglia, estudou durante anos em um internato na Inglaterra - oque não me choca porque a mesma é tão irritante que se eu fosse seu pai também a prenderia em um- estudou moda em Paris, não teve nenhum namorado ou caso, mesmo sendo uma romântica incurável, isso para não dizer uma tola iludida, e mais uma extensa lista de dados bastante relevantes, os quais farei uma ótima aplicação.
2-Non so cosa ti aspetta, Barbie (não sabe o que lhe espera, barbie)
— O que faremos agora? - Ela olha em volta e dá de ombros. O barulho do mar aumenta pela subida do nível do mar, e o choque com as inúmeras rochas.
— Vamos dar uma volta - Digo jogando a chave do carro para cima e pegando-a de volta no ar, depois de ativar o alarme do mesmo. A puxo pelo pulso - não sem antes reparar o quão macia é pálida sua pele é, semelhante a uma porcelana que, á um um simples impacto com uma superfície dura, se despedaçaria em dezenas de fragmentos. - para adentrarmos a praia.
— Ei! Calma. - Olho para ela depois de revirar os olhos e ela retira seus sapatos, os segurando nas mãos, e apressando-se para se colocar de volta ao meu lado. Seus pés afundam na areia e eu reparo em sua tatuagem de coração no segundo dedo, e volto a revirar os olhos mesmo que eu sorria com isso. voltamos a fazer o caminho.
— Que praia é essa?- Diz ao pararmos em frente ao mar. Olho no relógio e vejo que já está prestes a anoitecer, mesmo tendo a buscado cedo, pela manhã, consegui prolongar ao máximo o caminho até aqui. O horário ideal para se fazer uma vítima, é com certeza durante a noite, mesmo que durante o dia, o barulho da cidade abafe qualquer som inconveniente que a vítima possa fazer, como não há testemunhas, as coisas ficam mais favoráveis.
— Isola delle femmine. - os olhos dela se arregalam demonstrando medo, e é a expressão de medo mais bela que já vi, retiro o que disse sobre não haver nada de especial na garota.
—Acho....acho que eu já ouvi falar sobre aqui, há muitas lendas. - Ela esfrega seu braço esquerdo. A visão do anoitecer que a ilha oferece é bastante satisfatória, tem o clima macabro e vazio que eu tanto aprecio, ainda mais com uma bela companhia.
— Talvez não sejam só lendas. - Seu medo aumenta perceptívelmente, é divertido apreciar.
— O que quer dizer com isso? - Ela exita um passo para trás. Jogo a cabeça para trás em uma risada saliente.
— Está com medo, Alissa? - Balanço a cabeça em negativo. - Há coisas muito maiores e mais perigosas as quais você deve temer, que vão bem além de histórias para dormir provenientes de uma ilha qualquer. - ela abaixa a cabeça e me viro de frente para ela, tocando seu queixo, me impressiono mais uma vez com a maciez de sua pele. — Não se preocupe, Alissa.
— Não diga essas coisas, não brinque com isso! - pede irritada. — Tenho medo dessas coisas...- seu tom diminuí, quase em um sussuro de confissão.
— Não seja tão estúpida - Seus olhos se arregalam, chocada com o xingamento e apenas ignoro. — Você é filha da máfia, assim como eu, não se deixe amedrontar por tão pouco, nos próximos tempos verá coisas muito mais assustadoras do que isso. - Aponto para a visão a nossa frente. A escuridão já se apossou do céu pela chegada da noite, o vento bate nas árvores ao longe e nas rochas que enchem a praia, o mar se agita e o resultado não parece agradar muito a ela mais.
— Não pretendo fazer parte de nada disso. - diz em sussurro. A falta de astúcia e força da mesma está começa a me irritar, e talvez seja bem sádico de minha parte gostar que ela o faça.
— Vamos jantar. - Volto a puxá-la pelo pulso. A ventania se intensifica e causa assobios ao longe, sei que ela está ainda mais amedrontada, pois, ao olhar constantemente para os lados ela dá inúmeros tropeços. estou quase perdendo a paciência com sua falta de jeito e jogando-a sobre o ombro, mas controlo minha irritação, não estou afim de assusta-lá por agora.
Ela toma sua taça de vinho lentamente, e seus olhos não param de encarar os meus. Talvez seja um bom momento para estudar a garota, não que eu me importe com o que ela diz mas saber sobre as presas é a obrigação do caçador, e ver sua expressão mudar junto ao brilho de seus olhos enquanto ela fala, é demasiadamente interessante, ao menos isso.
— Então, Alissa...-Começo, e ela parece feliz por eu dirigir a palavra a ela, já que nada foi dito até aqui — O que pensa em fazer, agora que está de volta a Sicília?.
— Eu penso em abrir um ateliê de moda, mas não sei se será possível, já que os assuntos da Famíglia agora dizem mais respeito a mim do que nunca.
Sorrio tentando transparecer interesse na conversa tediosa que a garota está me oferecendo
—
Ah, é mesmo? - Sorrio antes de esvaziar o copo em um só gole.
— Sim... - Franzo o cenho, talvez eu não esteja sendo tão bom ao fingir, como costumo, mas a garota é bastante tediosa intelectualmente falando. — Eu acho que meu pai não permitirá e fará com que eu me case o mais breve possível. - suspira. Se ela pensa que passará para as mãos de outro antes que eu possa usufruir de tudo que desejo, está ela bem enganada, e Vicentini também.
— E você pensa em se casar, Alissa? - A resposta da mesma definirá por quanta tempo ela irá respirar.
— Sim, mas não nessas circunstâncias tão horríveis. - Rio, internamente.
— O que quer dizer? - Sei exatamente o que ela quer dizer, mas prefiro que ela diga.
— Quero subir ao altar para encontrar o homem que amo, e que me ame também. - Contenho a vontade de revirar os olhos, tão ingênua. — Não para encontrar a pessoa que está ali apenas por conveniência, para assumir o lugar do meu pai e me ter como troféu. - Sabia desde o início que era iludida, mas não achei que era tão sentimental, faltou pouco para que eu tivesse pena.
— Que triste. - Viro o copo de Whiskey e não me demoro a enchê-lo de novo. A garota é um porre, só bêbado conseguiria aguentar seu sentimentalismo estúpido, mas mesmo assim não perco a vontade de te-lá por perto, talvez passe quando ela estiver debaixo de mim gritando ao implorar que eu a foda mais ainda, deve ser isso.
— E você? pretende se casar? - Olho-a incrédulo, sei que não irá demorar para o velho querer me jogar em cima do altar com alguma vadia para que a família esteja perfeita, segundo ele, mas não permitirei que seja tão cedo.
— Não, mas quando precisar, irei fazê-lo. - Assente.
— Não pensa em se apaixonar? - Parece receosa ao perguntar, já deve ter notado o quão patético acho essa história de amor. Ela acha o que? Que vou subir na porra de um cavalo branco cantando uma música enquanto corro até a minha amada para salva-la e termos um final feliz?!.
— Não - Talvez seus cabelos loiros, na verdade, brancos, a coloquem em um patamar de burrice acima de todas as outras. Rio mentalmente da minha piada, mesmo que piadas com loiras já estejam batidas, a garota pede por isso.
Passo o resto do jantar ouvindo suas histórias tediantes e fantasias amorosas, o que me lembra que mais tarde, terei que cobrar as 15 mil libras que gastei em bebidas, tudo para ter que aguenta-lá.
Dirijo sem tirar os olhos da estrada, minha visão turva faz com que minha direção seja um tanto conturbada.
— Eric.... Você não acha que está bêbado demais para dirigir? - Olho para ela e rio, agora estou recebendo conselhos da Barbie. era só o que me faltava, acho que vou voltar a relevar a ideia de jogá-la no porta malas.
— Calada, barbie. - Acelero e mesma tapa os olhos com as mãos. Não é possível que dentro da Famíglia haja alguém tão frágil e medrosa, por isso estamos indo mal, irmãozinho.
— Não, Eric! Nós podemos morrer! - Ela se desespera - Vá devagar!.
— Você se preocupa demais, Alissa. - Balanço a cabeça.
— Eu só não quero morrer ainda! - Suas palavras mexem com algo em mim, trazendo uma sensação desconhecida.
— Não se preocupe, Alissa. Tudo acontecerá em seu devido tempo, não vamos apressar as coisas. - Quando digo devido tempo, suponho que ela não saiba que significa meu tempo.
—;Não entendo porquê diz essas coisas tão estranhas. - Franze o cenho. Não a culpo por isso, talvez nem eu saiba os motivos, mas não muda que é o certo.
Jogo para o lado mais uma garrafa de Whisky, o que me lembra de repor meu estoque o mais breve possível.
Penso na garota desde que a deixei em casa e isso está me irritando, ela me trouxe uma série de sentimentos adversos, hora sua inocência me instiga, outra me irrita, seu jeito, voz e corpo não saem da minha cabeça e não vejo motivo para isso, ela não é tão diferente das outras para que eu fique tão interessado. A campainha toca, sigo até a porta já disposto a expulsar o intruso, não existe nada que eu odeio mais do que visitas.
— O que quer, aqui? - Arqueio a sobrancelha. Já estava para prestar contas com a vadia desde que a mesma me delatou ao idiota do meu irmão.
3-Accidenti cagna (vadia maldita)
— Você sabe o que eu quero. - A dou passagem.
—;Sabe que corre um grande risco estando debaixo do meu teto. Não é? - Me aproximo a passos lentos e seguro seu braço. — Não gosto de traidores, justamente o que você é, sua vadia traidora.
— Por que, hein?! Porque eu não deixei você se safar da armação a qual nós dois fizemos para impedir a porcaria do casamento do seu irmão?! - Solto seu braço em um solavanco e aperto suas bochechas com as mãos, prendendo seu olhar ao meu. A abusada só pode estar perdendo o juízo.
— Eu já me safei. Meu irmão não pode comigo, quem saiu perdendo foi você. - Retiro as mãos e acaricio a vermelhidão de seu rosto com minha melhor expressão irônica.
— Eu o farei pagar pelos dias de tortura, não tenha dúvida.
— Claro que fará. - Rio, ironicamente. É um tanto divertido ver a revolta de uma mulher rejeitada, as vezes tediante, mas quando se trata de Ellora, é sempre um verdadeiro show, o qual eu amo assistir. — E depois tentará implorar pelo perdão dele, você é patética. - Rio nasalmente.
— Não dessa vez, criança. - Arqueio a sobrancelha. - Ele não me interessa mais, tenho alguém melhor em quem focar. - Ela desabotoa dois botões de minha camisa.
— Quem é o pobre coitado? - questiono.
— Coitada. - Corrige. — Vamos logo ao que interessa. - Eu a mataria aqui mesmo mas não quero perder uma boa noite de sexo e um espetáculo posterior, o qual ela fará ao tentar inutilmente se vingar, sem contar que passar o dia com Alissa contribui para que eu adie a morte dessa vadia, preciso aliviar um dia inteiro de tesão acumulado.
A sigo até o quarto depois de pegar mais duas garrafas de whisky, outra mulher a qual não se pode aguentar sóbrio.
Trago um cigarro e continuo deitado na cama enquanto ela se veste, estou quase a jogando da janela junto a suas roupas, na ansiedade de que ela suma logo do meu campo de vista.
-Onde estava a tarde toda? eu liguei antes de aparecer, e você não atendeu.- Balanço a cabeça em negativo, não é possível que agora eu deva satisfação da minha vida a essa qualquer.
—!Isso não lhe diz respeito, não sabia que era tão sentimental a ponto de ficar emocionada com uma simples foda.
—:Não seja tão convencido, estava apenas curiosa. não estou apaixonada por você. - Não a culparia se estivesse, até eu sou apaixonado por mim.
— Talvez isso se deva a seu histórico de obsessão. - Argumento, ela revira os olhos, não pode ao menos negar.
Anos na cola do meu irmão servindo apenas de namorada troféu, enquanto ela saia com milhares de mulheres e, mesmo assim não teve sequer a dignidade de o largar e parar de implorar por resquícios de sua atenção. E mesmo sendo obcecada pelo imprestável, não deixava de frequentar regularmente minha cama.
— Já disse que há alguem que me interessa mais, no momento. - Ela fecha seu vestido.
—;Quem é ela? - Pergunto sem demonstrar grande interesse.
— Isso não vem ao caso. - Ela suspira e se recompõe. —Até mais, criança. - arruma a cinta liga e sai pela porta.
— Ou não. - Sopro a fumaça. Uma das únicas utilidades de Ellora era sua satisfatória performance sexual, e até isso ela anda conseguindo estragar. A loira teve que estar presente em minha cabeça durante todo o ato para que eu pudesse estar totalmente satisfeito, mas não muda que estou frustrado por não tê-la levado para a cama ainda.
Flasback on.
Estaciono em frente ao prédio e a encaro, seu olhar corre meu por rosto e apenas foco no fato de suas pupilas estarem extremamente dilatadas,entregando-a e o que se passa por sua cabeça.
-Está entregue, Barbie. E viva. - Saliento, ela sorri timidamente e coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha, gesto que ela vem repetindo durante todo o dia, o que parece ser um hábito costumeiro, e por algum motivo me agrada.
-Devo considerar isso um milagre? - Gargalha discretamente, paraliso ao ouvir o som de sua risada. - Desculpa, era só brincadeira... - A olho como se ela fosse estúpida, não vejo o motivo pelo qual ela se desculpa.
-Por que está se desculpando? - Questiono, minha voz sai dura.
-É que sua expressão... Não sei, você não pareceu gostar muito do meu comentário, não quis chatea-lo.
Tão ingênua.
-Nada me chateia, Barbie. Apenas me irritam, e acredite que quando acontece não o fazem de novo, há poucas exceções.
-Entendo. - Mente. - Até mais, obrigada pelo passeio, foi muito divertido... - Ela se aproxima e deposita um beijo em minha face, abre a porta a seu lado e saio do carro, acena através do vidro, Pisco e dou partida no mesmo.
Flasback off
Pelo jeito as coisas com Alissa durarão mais tempo do que eu previa. Odeio admitir a mim mesmo que pela primeira vez esteva errado, a garota não é como qualquer outra, sua inocência é extremamente rara, olhar, gestos, risadas e reações, tudo a diferencia das demais, e não irei larga-lá até apreciar e usufruir o máximo de tudo isso.
4-Sarà mio (será minha)
