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CAPÍTULO 1

ALISSA

THIFFY SOBE O ALTAR E SORRIO para ela docemente. Me imagino em seu lugar, sei que ele não está ali por livre e espontânea vontade, mas Vicenzo não parece ser um homem tão ruim quanto dizem as más-línguas. Viro meu olhar para a multidão de pessoas do lado oposto, e arregalo meus olhos que se encontram com um belo par de pupilas azuis-piscina. Meu queixo cai e minha boca se faz em um perfeito O, ficando mais aberta ainda ao ver que o mesmo pisco para mim.

Dios mio

A festa segue e me vejo alheia a multidão ainda com a mente presa no belo par de olhos azuis. Já ouvi falar de amor a primeira vista, talvez seja isso, quando o vi, senti como se estivesse com um bilhão de borboletas no estômago e as batidas do meu coração se aceleraram o suficiente para que fosse preocupante.

Me sento no banco do salão, em frente ao bar. Olho ao redor, a decoração da festa é sem dúvida incrível, elegante e ao mesmo tempo minimalista. bem que disse a Thiffy que seria incrível se casar no jardim da mansão e fazer a festa no enorme salão da casa.

O barman se aproxima e peço a ele um drink de morango. Ele me entrega com um sorriso gentil e eu retribuo, é realmente muito bonito mas não se compara ao homem dos belos olhos azuis. E assim que penso isso, minha cabeça questiona a necessidade da comparação.

— Tão bonita e antissocial. - Olho para o lado, o dono dos olhos azuis está com os cotovelos recostados no balcão e um sorriso de lado incrivelmente branco, é um sorriso sedutor e cheio de segundas intenções, o descreveria perfeitamente como o gato da Alice.

As palavras fogem de minha mente, e não consigo pronunciar ao menos um "olá".

— Você não fala? — Você não sabe o quanto…— Não me lembro de ter cortado sua língua, a última que cortei uma, foi há um mês atrás. - Ele faz uma pausa e sua mente parece vagar por lembranças, o que me deixa bastante assustada e implorando para que isso seja apenas uma piada para quebrar o gelo.

— Alissa... - Não sei o motivo de meu nome ter saído no tom de dúvida, acho que ele me deixou tão nervosa que não estou nem em condições de dizer meu nome. A beleza e energia dele são capazes de fazer qualquer pessoa se questionar sobre qualquer coisa, sobre qualquer certeza carregada durante toda uma vida. Ele é desconcertante como jamais tinha visto alguém ser.

— Eric Salvatore. - pisca simpático. -

— Isso você já deve saber, sou o irmão do imprestável que está se casando. - Ele não parece estar brincando em seu tom, o que deixa claro que ele realmente não gosta do irmão. Por hora, não parece aquele ódio de irmãos que é comum, mais por rivalidade do que por ódio propriamente dito.

— Sou amiga da Thiffany. - Conto, relaxando os ombros e beberico meu drinks na esperança de que isso me ajude a relaxar e parecer menos afetada pela sua presença.

— O que faz aqui sozinha, Alissa? - Pisco algumas vezes a procura de alguma resposta.

— Eu só estava bebendo, não conheço muito bem as pessoas aqui. Thiffy está ocupada, já que é o casamento dela então não me resta muita escolha além de me apegar a um copo de vidro com um líquido dentro que vai me deixar ainda menos tímida e temporalmente entretida. - Ele não parece prestar muito bem atenção no que eu digo, pois, seu olhar corre pelo salão.

— Hum. - Sibila um resmungo que eu levo como uma grande falta de educação. — Vou me juntar a você, se não se importa... - É uma afirmação disfarçada de pedido de licença. Sem lugar para negativas.

Faço um sinal para que ele se sente ao meu lado.

— Meu irmão tem o dom de fazer com que tudo que se relacione a ele seja tedioso. Olhe em volta. - seu dedo faz um movimento circular, e passo brevemente os olhos pela festa parada, onde todos conversam discretamente.

Ao longe vejo Thiffany ao lado de Vicenzo, falando com os convidados.

— Você não parece gostar muito dele, não é? - Me arrependo imediatamente de ter feito a pergunta, o olhar que ele me devolve é cortante e me faz sentir muito invasiva.

— Não. - Ele apenas diz isso, certeiro e cortante como a lâmina de uma faca.

A tensão que se faz no momento que decido ficar calada, é palpável. Para ser mais categórica e sincera, apenas a tensão que emana de mim, porque ele bebe seu whisky tranquilamente sem dar o mínimo a minha presença.

Um ato um tanto bipolar, já que ele mesmo se aproximou de mim.

— Já ouvi falta sobre você. - Tento puxar assunto, ele me olha sem expressão, é como se eu tivesse dito algo óbvio.

— Claro que ouviu. - Seu gesto corporal e voz demonstra sua tamanha autoestima, isso para não dizer ego ou narcisismo.

1-convinto(convencido)

— Eu... - Seu olhar se volta a mim e ele se levanta, me deixando com a frase interminada. Ao olhar para trás, vejo que ele está de frente a uma ruiva de cabelos longos e cacheados de maneira volumosa, ela usa um vestido tubinho vermelho que assentua suas curvas, e o batom é vermelho assim como seu vestido e saltos. É muito bonita.

Em pouco menos de um minuto, eles se vão. ele a frente sem ao menos olhá-la e a mesma o seguindo as pressas. Sei que o que irão fazer longe dos olhares alheios e curiosos, e não fico nada impressionada que ele não tenha precisado nem de dois minutos de diálogo para conseguir o que queria, só seu semblante e aparência são o suficiente para ter quem que que seja e disso eu não tenho a menor dúvida.

Isso faz com que algo ruim se aposse de mim, como tristeza ou inveja. Será que fiz algo errado? Devo ter sido muito tediante para ele ter me largado falando sozinha e em menos de um minuto ter saído com ela. No lugar onde há pouco estava Eric se põe uma mulher alta, seus cabelos são pretos na altura dos ombros, a pele pálida e olhos verdes. A olho e sorrio tímida, ela não retribui.

— Natacha. - Diz ela e estende a mão a qual eu não aceito de primeira, sendo cautelosa perante sua intimidante postura. — Natacha Leone. - aperto sua mão depois de fita-la por cerca demais três segundos. Ela vira seu corpo no banco para ficar de frente a mim.

— Prazer, Alissa Vicentini.

— Eu sei quem você é. - Seu olhar cai sobre mim, da cabeça aos pés, voltando a meu rosto depois da avaliação. — Fique longe do Eric. - Sua voz é feminina, é como se ela tivesse saído de algum daqueles filmes de ação onde ela é uma fame fatal, o que os homens diriam que é extremamente sexy, e não posso negar que ela realmente é.

Não entendo o porquê de ela me dizer isso, mas logo penso na ideia de que ela esteja com ciúme dele, por ser algo do mesmo, o que me faz pensar que ela deveria estar atrás da ruiva e, principalmente dele.

— Como? - Fico confusa, balançando a cabeça em um gesto indignado e questionador.

— Exatamente o que ouviu, fique longe dele. - Diz, seria. A expressão dela é dura, ela bebe um pouco taça que trouxe consigo. — E não, não pense que sou uma das milhares de mulheres que frequentam a cama dele, na verdade, eu já fui. - Engulo em seco, era exatamente o que eu estava supondo.

Coloca a taça novamente no balcão e relaxa a expressão e os ombros.

— O que quero dizer é que, não deixe que ele entre em sua vida, vai me achar maníaca por isso, mas eu vi a cena. - Estou entre a pessoa que quer correr daqui e deixa-lá falando sozinha e a que está interessada no que ela diz já que tem a ver com ele, que nas últimas horas se tornou meu maior interesse, e estou desviando de pensar o quão louca obsessiva estou sendo por isso.

— Por que estava fazendo isso?

— Eu não sou nenhuma perseguidora, antes que pense. - Se explica, ela gesticula com as mãos. — Eu só sou muito observadora e estou tentando ser uma pessoa melhor ultimamente, e ajudar uma pessoa inocente a desviar das garrafas de Eric Salvatore, é o gesto mais nobre que eu poderia ter.

— Como sabe quem sou? - Franzo o cenho.

— Todos sabem que você é! - Seu tom é carregado de obviedade, me faz sentir a pessoa mais burra do mundo. — Filha de um dos capôs, e amiga da recém esposa do Don, é difícil não saber quem é. ainda mais fazendo parte da Família. Pelo jeito não nos conhecemos...- suspira, parando por um segundo para puxar o ar. — Na verdade, eu a conheço e você não a mim. - Sorri, desta vez, e eu retribuo.

—Eu não quero me meter em problemas, não estou interessada em tirá-lo de ninguém, então por favor, se veio me dizer que ele é seu e que eu não me aproxime, já aviso que não será necessário. - Meu tom é calmo e cansado. Em geral, o mundo já não é um bom lugar para arranjar inimizades, nunca se sabe do que as pessoas são capazes, porém, na máfia, uma inimizade é uma garantia de que a morte está próxima para algum dos lados e eu tenho a humildade de admitir que se algum lado fosse perder, provavelmente seria o meu.

— Não. - Ela ri. — Não ouviu o que eu disse? Isso é por você e não por ele, fuja disso enquanto é tempo. Sei que você está atraída por ele, todas sempre estão...só que não é tão bom ter a atenção dele quanto você imagina na sua cabeça.

— Ainda não entendo... -Balanço a cabeça.

— Eric é um grande imbecil. Ele gosta de jogar com suas presas, as presas a longo prazo, aquela lá...- Faz sinal com o dedo para o longe, e acho que se refere a mulher ruiva que saio com o mesmo há poucos minutos. — É uma presa a curto prazo. - Ela vê que não a entendo e revira os olhos ao suspirar impaciente. — Isso quer dizer que ele irá transar com ela e descartá-la, e caso ela insista nele, irá matá-la sem dó alguma. - ponho a mão sobre a boca e ela assente. — Ele não se importa para quem quer que seja que tenha aberto as pernas para ele, que tenha jurado amor ou fidelidade, só uma coisa importa na vida do Eric: Ele mesmo. Qualquer um que esteja no caminho dele vai sofrer de algum jeito.

— Ele não... - continua a assentir.

— Eric é doente. Praticamente um sociopata. - Noto seu rancor e seu olhar vago para uma lembrança a qual eu queria muito ter acesso. — Eu já me envolvi com ele, e saiba que foi a pior coisa que me aconteceu. eu não cheguei a amá-lo, mas acabei me apegando a ele por carência, e vi o seu pior lado. Ele está interessado em você. Olha, eu me casei há pouco tempo, com Stefano Leone.- Me lembro de ter ouvido falar do mesmo, é um dos cinco capos da Família.

— Como já sabe, tudo arranjado, como sempre foi e será - Revira os olhos. — Só que estou feliz com meu marido, aprendi a amá-lo, então não pense que faço isso por ciúme, que estou aqui como lobo em pele de cordeiro, criando uma historinha para afastar a concorrência. Não é do meu feitio. Estou porque vejo que é uma boa garota, é visível como a luz do dia que você não é como a maioria das pessoas daqui...como havia dito, é a tentativa de uma boa ação te avisar para se preservar de um grande mau.

— Por que acha que ele está tão interessado em mim? Só trocou algumas palavras comigo e me virou as costas para ir atrás de outra. Posso ser para ele uma "presa a curto prazo" tanto quanto a outra. - Questiono curiosa.

— Ouvi ele perguntar sobre você a sua amiga, e agora pouco ele falou brevemente com meu marido, pediu licença e disse que iria atrás da próxima presa, e coincidentemente - ironiza. — Ele nem procurou nenhuma, veio diretamente a você.

— E me deixou falando sozinha. - Acrescento novamente.

— É sempre melhor começar pela parte fácil, você iria tomar muito do tempo dele e Eric não é paciente, mas acredite, ele irá voltar. Se queria saber sobre você, não é só por uma noite que ele te quer. — Ela se põe de pé novamente. — Apenas siga meu conselho, Alissa. Até mais. - Sorri sem exibir os dentes e se vai. Não olho para trás, mas ouço o barulho de seus saltos no piso de porcelanato, avisando que a cada segundo ela está mais longe, levando consigo todas as respostas das perguntas que eu gostaria de fazer mas não tive coragem de perguntar, talvez por estar chocada demais com o banho de água fria ou apenas com medo de saber demais, saber o que poderia fazer meu consciente forte o suficiente para me afastar da ideia de Eric Salvatore comigo.

Volto a meu apartamento, um pouco cabisbaixa por ter de ficar sozinha pelas próximas semanas, já que Thiffy está em lua de mel. Tomo um banho e coloco um pijama qualquer, prendo os cabelos em um coque, sem me importar com os fios soltos ao redor do rosto. Me sento no sofá com meu Notebook sobre o colo e decido pesquisar mais sobre Eric Salvatore.

Talvez isso seja uma atitude um pouco obsessiva, mas depois de todos os meus pensamentos, todas as minhas vontades relacionadas a ele desde o minuto que o vi, uma busca pela internet não me torna nada mais do que eu já era antes.

Vasculho as notícias. não há muito coisa sobre ele, sua vida na mídia parece ser até que discreta. Há algumas polêmicas envolvendo brigas e mulheres com que ele se envolveu, e uma extensa lista de modelos com as quais ele foi visto uma única vez, há também uma foto dele com Natacha e manchetes de que poderia haver um relacionamento entre eles.

Depois de uma determinada data, não existe mais nenhuma notícia sobre Eric, relacionado a nada, nem sobre os negócios da empresa de seu pai, tampouco sobre seus casos amorosos. Só consigo pensar o quão ruim é o fato de eu estar tão interessada nele, já que não é o tipo de homem com o qual eu deva me envolver, ainda mais por ter tantos casos e ser um adepto do sexo casual, tudo que, mesmo que eu quisesse, eu não poderia ser.

Me lembro que ela disse que ele é um sociopata, talvez seja um exagero da parte dela, apenas para tornar sua palavras mais relevantes ou o ofender, mas mesmo assim decido pesquisar mais sobre. Abro uma página no Google e pesquiso na busca mais sobre o assunto, não nego que me sinto muito tola por isso.

Há inúmeros artigos sobre o assunto, a lista de características é extensa e incluem, comportamento impulsivo, hostil e antissocial, egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração aos sentimentos das demais pessoas, desapego dos valores morais e capacitade de simular emoções de maneira convicente. Não o conheço o suficiente para dizer que ele sofre de tudo isso, sequer sou psiquiatra para ficar o dando diagnósticos, ainda mais precipitadamente, não se pode julgar as pessoas pela primeira impressão que temos delas, mesmo que digam que a primeira é a que fica.

2-Dove sono entrato? (onde me meti)

Deixo o computador de lado e vou para minha cama. Ao me deitar encaro o teto, deixando minha mente vagar. Não consigo parar de pensar em Eric desde que o vi pela primeira vez, não posso acreditar no que Natacha disse, não vejo um homem como ele interessado em mim, não que eu seja feia mas ele é tão diferente de todos que eu já conheci, só não sei dizer se isso é bom ou ruim.

Me sinto uma adolescente ao fantasiar um milhão de situações que nunca irão acontecer e em meio a isso, me entrego ao sono.

Acordo com a luz do dia entrando pelo quarto. Abro totalmente as cortinas e encaro o dia nublado, Bufo frustrada ao ver que sequer tenho o que fazer e me jogo novamente na cama.

Encarando o teto, decido tomar coragem para me levantar de vez.

Vou até o banheiro e tomo um longo banho, minha mente ainda tomada pela lembrança de Eric.

[...]

Dentro do closet a procura de uma roupa apropriada, eu vasculho todas as araras e no fim, opto por usar um terninho feminino preto com detalhes em rosa e uma saia xadrez também preta, sapatos Louboutin e cabelos soltos.

A campanhia toca e me vou as pressas para atendê-la. Pelo olho mágico vejo que é Eric, me pergunto como o mesmo subiu sem ser anunciado pelo porteiro e não me demoro a imaginar a resposta.

Abrindo a porta, me deparo com um belo sorriso com dentes extremamente brancos e um jeito cínico, me julgo internamente por achar fofo e extremamente atraente, por querer puxa-lo pelo colarinho e beija-lo intensamente.

— Olá. - Sorrio, desacreditada.

— Oi, barbie. - Pisco algumas vezes, ainda meio boba por seu apelido, não nego que gostei.

— Não quero ser mal educada, mas, o que faz aqui? - Minha voz sai um pouco hesitante e não é do meu fetio ser tão tímida só que perto dele, não tenho coragem para nada, mal consigo respirar compassadamente.

— Vamos sair. - Não é uma pergunta que o mesmo faz a mim, ele apenas afirma. Balanço a cabeça em negativo, não para dizer não e sim para mostrar minha tamanha confusão diante a situação.

Não é todo dia que o homem dos seus sonhos, aparentemente falando, aparece na sua porta dizendo que a levará para sair, ainda mais depois de você ter gastado bastante tempo da noite antecedente fazendo pesquisas sobre o mesmo, com relação até a possíveis problemas psiquiátricos. Eu deveria desconfiar e fechar a porta na cara dele, ou até mesmo recusar sua proposta, que não é uma proposta de verdade e sim um decreto, porém uma oportunidade única e jamais perderia isso apenas por medo ou desconfiança. Dizem que só se vive uma vez...

Saio e fecho a porta atrás de mim sem tirar os olhos dos dele, são incrivelmente azulados, e o tom de azul está diferente da primeira vez em quem vi, era claros e cristalinos, e agora, são azuis marinho e profundos como lagoas. Agradeço a Deus por estar adequadamente arrumada, talvez o destino esteja ao meu favor ultimamente.

Adentramos ao elevador, o único barulho que se ouve é do mesmo ao descer os andares. Não entendo o porquê de ele ir trás de mim, e não dizer nada, vai ser assim sempre? Vai ter um sempre?....

Chegamos ao Hall e corro desajeitada atrás do mesmo que anda a passos largos a minha frente para o lado de fora, assim como fez com a ruiva. E certamente é sempre assim, ele a frente de todas e elas atrás dele, correndo com tanta pressa como se fossem tentar passar pelas portas do céu que estão se fechando.

Parando em frente à um conversível preto, o mesmo dá a volta no carro e se põe no banco do motorista. olho para o carro e depois para Eric, na esperança de que ele abra para mim em um gesto de cavalheirismo, só que isso não acontece, então abro a porta eu mesma e me sento ao seu lado, bufando de frustração.

-— Então, aonde vamos? - Sorrio para ele, que não me responde. ele vai ficar agindo tão misteriosamente assim o resto do tempo que passarmos juntos, no caso, hoje?

— Você fala demais, gosto de mulheres silenciosas. - Diz apenas, me sinto chateada pelo fato. Não sabia que isso era um problema, nunca levei esse traço de minha personalidade como um defeito e outra...eu mal estou falando, se ele acha que isso sou eu tagarela, realmente não vai gostar de me ver mais a vontade.

— Então você bate na minha porta, diz que vai me levar para sair e não pode dizer ao menos para onde? - Pendo a cabeça para o lado.

— Sim. - Ele ri. No pouco tempo que tive perto dele, o vi sorrir muitas vezes, mais do que a maioria das pessoas sorri, mas nunca parece felicidade ou nada do tipo. Sempre que ele sorri é com sarcasmo, desdém, incredulidade, desprezo, cinismo ou de uma maneira muito maliciosa e maldosa, mas sou louca o suficiente para gostar mesmo assim.

— Não é justo. - falo, manhosa. Ele me avalia, longos segundos com seu olhar percorrendo cada parte de mim, ao fim disso ele apenas balança a cabeça

— O mundo não é justo, Barbie. - volta seu olhar a estrada. — Vai aprender isso da pior maneira. - Um frio sobe pela minha espinha. Uma ameaça do que ele fará comigo? Um aviso do que a vida pode fazer?

— Por que diz isso? - Tento não demonstrar muito medo, mas falho miseravelmente. Eric exala perigo e rebeldia, parece farejar o medo de longe, e isso se encontra em mim com muita facilidade.

— Vamos nos divertir. - Ele acelera o carro, o suficiente para eu não conseguir diferir o ar que respiro do vento gelado que bate com toda força no meu rosto quente.

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