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Capítulo 3

"Olá, querida", respondeu a recepcionista, que aparentava ter uns cinquenta anos. Ela pegou o telefone que estava sobre a mesa à sua frente e discou o número antes de dizer: "Chegou".

Esse tipo de coisa me deixa nervosa. A essa altura, não sei se estou nervosa com a entrevista ou com o encontro com meu novo chefe, aquele cara misterioso de quem Isa e Mia tanto falavam. "Pode se sentar, já vamos te atender", disse ela, apontando para uma sala de espera atrás de mim.

Sentei-me. Aproveitei a oportunidade para olhar em volta. O lugar parece elegante e impecável. As meninas tinham razão. É luxuoso. Só de ver o arranha-céu por fora, já dá para perceber que é um lugar para gente rica.

Espero que os funcionários sejam simpáticos.

Passaram-se alguns minutos antes que um homem alto e bonito saísse do elevador e se aproximasse da recepcionista.

Eles não conversaram muito antes de ele vir me ver.

- Olá. Você é Amore?

Eu me levantei e disse: —Sim.

— Sou Marco. A entrevista é lá em cima.

Ele me conduziu até o elevador.

Ele retira um pequeno cartão e o aproxima de um pequeno quadrado abaixo dos botões do elevador. O botão do andar acende.

"Aliás, você tem um nome lindo." Ela me olhou de soslaio e depois observou os números que estavam subindo.

- Obrigado. -

Chegamos ao apartamento e preciso dizer… Meu Deus! Esta cobertura é enorme e impressionante.

Uau

As grandes janelas, o sofá em forma de L, a escadaria, as paredes, a lareira… tudo aqui representa dinheiro e poder.

Ele me conduziu até umas portas duplas pretas a poucos metros do elevador. Bateu, mas ninguém respondeu; então empurrou as portas e entrou.

Até o escritório é enorme, duas vezes maior que meu quarto.

Olhei em volta, admirando as pinturas na parede; aquelas deviam ter custado milhões.

Meus olhos se depararam com um rosto familiar.

Olhos azuis como o oceano. Queixo anguloso.

E então eu entendi.

Meu Deus!

É ele. De ontem à noite.

Ele veste uma camisa social branca com as mangas arregaçadas. Os três primeiros botões estão desabotoados, revelando parte do peito. Seu cabelo está penteado para trás e seu maxilar é perfeitamente definido.

Só me dei conta de que estava encarando-o depois que Marco pigarreou.

"Ah, me desculpe", eu disse, evitando seu olhar.

"Vai ver o que o Alex quer. E diz pra ele, droga, que eu não sou a babá dele", disse ela para Marco, com a voz áspera, mas calma e ameaçadora.

Marco assentiu com a cabeça e saiu.

Quando virei a cabeça, ele já estava me encarando. Eu apenas sorri.

Ele abre uma gaveta, tira um envelope e me entrega.

Abri a pasta e retirei uma única folha de papel, um contrato.

—Leia — disse ele em tom calmo e profissional.

Assenti com a cabeça e li com calma. Os termos eram simples, nada fora do comum. Algumas responsabilidades claras, algumas regras como subir as escadas sozinha, não tocar no que não devo tocar, não entrar no quarto principal. Coisas que consigo lidar.

Existe também uma cláusula de confidencialidade e a assinatura deles encontra-se no final.

Após ler atentamente o contrato, assinei as duas vias na parte inferior.

Então ele assentiu com a cabeça, apontando para o envelope. "Confira novamente o conteúdo."

Por curiosidade, estendi a mão novamente e retirei um cartão-chave.

"Use isso para chegar aqui", disse ele.

Ele pegou uma cópia e a dobrou cuidadosamente dentro da pasta.

"Fique com esta", disse ele, entregando-me a segunda cópia autografada.

Coloquei-o na minha bolsa, com uma pequena sensação de alívio.

"Alguma pergunta?", perguntou ele.

Balancei a cabeça negativamente. —Não.

Ele assentiu levemente com a cabeça e fez um gesto em direção à porta.

"Ah." Levantei-me. "Obrigado pelo seu trabalho, Sr. Romano."

deixei

________

Deixei-me cair no sofá, com o rosto enterrado nas almofadas, e soltei um longo suspiro.

Eu consegui o emprego.

Só de pensar nisso já me dava uma sensação de alívio. Não era muito exigente, apenas o suficiente para me manter ocupado, mas ainda me permitir respirar.

Mas, à medida que o silêncio se instalava, minha mente voltou a divagar sobre a noite anterior.

Será que ele se lembrou de mim? O jeito que ele me olhou me deixou confusa.

Um calor subiu pelo meu pescoço. Gemei e afundei o rosto ainda mais no sofá, na esperança de que as almofadas pudessem, de alguma forma, apagar aquela lembrança.

Então vieram os risinhos. Os risinhos nervosos.

Abri um olho entreaberto. Mia estava parada ali com um marcador na mão. Nat estava com o celular muito perto do meu rosto.

"O que você está fazendo?", murmurei, ainda meio adormecida.

"Nada", disse Mia rapidamente, rápido demais. Nat tentou esconder o celular atrás das costas.

Pisquei, olhando para eles. "Será que... tirei um cochilo sem querer?"

"Você estava inconsciente", disse Nat, rindo.

"Como foi a entrevista?", acrescentou, claramente tentando mudar de assunto.

"Isso foi bom", murmurei, semicerrando os olhos. Algo me dizia que eles tinham feito mais do que apenas me observar dormir.

"Simplesmente bom?" perguntou Nat.

Assenti com a cabeça enquanto bocejava.

"Certo, mas falando no seu chefe... ele é bonito?", ela perguntou novamente.

"Bah." Dei de ombros e me levantei.

Isa ergueu uma sobrancelha. "O que você quer dizer com 'tanto faz'?"

—Espere, você quer dizer "meh" como em "não"? Ou "meh" como em "você gosta, mas não quer dizer"? —Mia também perguntou.

"Por que você se importa? Não é como se você gostasse de homens." "Mia é gay pra caramba, nem sei por que ela quer saber."

"Bem, eu estou apenas curiosa", disse ela.

Abri a torneira e joguei água fria no rosto, deixando-a agir sobre a pele. Quando me olhei no espelho, fiquei paralisada.

Ele tinha bigode.

Que diabos...? Eles fizeram isso?!

"Que engraçado, gente!" gritei do banheiro. Só ouvi risinhos abafados.

Peguei uma toalha e tentei esfregar... nada.

Sério? Caneta permanente?

Consegui remover a mancha depois de usar um frasco inteiro de sabonete facial.

Então eu vesti meu pijama. Íamos ter uma festa do pijama na minha casa hoje à noite.

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