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Capitulo 4. A dura verdade.

Kevin, ainda abalado pela reviravolta dos eventos, respondeu sem hesitação, como se aquilo já estivesse claro em seu coração desde o início:

— Quero me tornar um guarda real, como meu avô foi. Quero proteger o reino... como ele fez... e como o senhor faz.

Richard ficou em silêncio por um momento, estudando o garoto. Havia algo especial em Kevin — isso era inegável. Ele não era apenas uma criança curiosa ou imprudente que havia invadido o jardim real. Ele era corajoso, determinado, e sua sinceridade e respeito pelas tradições da guarda eram evidentes.

— Seu avô foi um grande homem, Kevin — disse Richard, sua voz mais suave. — E hoje você declarou que tem o mesmo espírito que ele. Você foi corajoso, e isso é algo que não pode ser ensinado. Mas se é isso que você quer... — Ele fez uma pausa, trocando um olhar breve com Sofia, que observava tudo com um brilho de orgulho nos olhos. — Você garantirá que você tenha as ferramentas possíveis para realizar esse sonho.

Kevin olhou para ele, surpreso. — O que o senhor quer dizer?

Richard se declarou, com uma expressão decidida. — Nós vamos cuidar da sua educação. Você terá os melhores professores e o treinamento adequado para se preparar, e, um dia, quem sabe, você poderá se juntar à guarda real como seu avô. O que você acha disso?

Kevin mal conseguia acreditar no que estava ouvindo. Seu sonho de se tornar um guarda real parecia tão distante até aquele momento, algo quase inalcançável para alguém como ele, vindo de uma família humilde. Mas agora, diante daquela oferta, ele sentiu seu coração acelerar com a esperança que nunca havia sonhado tão cedo.

— Eu... eu nem sei como agradecer, senhor! — disse Kevin, com os olhos brilhando de emoção. — Isso significa tudo para mim!

Richard concordou, um leve sorriso surgindo em seu rosto severo. — Mostre sua gratidão sendo o melhor que puder ser. Treine, estude, e faça justiça ao nome do seu avô.

Kevin assentiu com firmeza. Mas, enquanto sua mente absorvia essa nova oportunidade, uma parte de seu coração estava externa para Sofia. Ele olhou para ela, e seus olhos se voltaram por um breve momento. Ela pediu, e algo se acendeu dentro dele.

Kevin ainda era jovem, apenas 10 anos, e não compreendia totalmente o que estava sentindo. Mas havia algo em Sofia — uma conexão que ele nunca havia experimentado antes. Talvez fosse porque ele havia salvado sua vida, ou talvez fosse apenas a gentileza que ela mostrasse desde o início. Seja como fosse, Kevin sabia, no fundo do seu coração, que Sofia era mais do que apenas a princesa que ele havia ajudado.

Ela era especial para ele, e esse sentimento só cresceria com o tempo.

Enquanto Sofia e Kevin caminhavam lado a lado, de volta ao palácio, ele sabia que sua vida havia mudado para sempre. Ele tinha agora um caminho a seguir, um destino que ele pretendia alcançar. Mas, ao mesmo tempo, ele sentiu que, de alguma forma, seu destino e o de Sofia estavam entrelaçados de uma maneira que ele ainda não entendia completamente.

E assim, enquanto o sol começava a se pôr, iluminando o céu com tons dourados, Kevin deixou o jardim real com uma nova esperança no coração — e um sentimento especial por Sofia de que ele sabia que não conseguiria esquecer.

Kevin chegou em casa correndo, seus pés descalços batendo contra o chão de terra, ofegante e com a mente ainda cheia dos acontecimentos do dia. Ele abriu a porta de madeira com força, sem perceber a ansiedade que tomava conta do ambiente. Seus pais estavam preocupados e ele sabia disso. Eles sempre estiveram, mas hoje era diferente. O silêncio na pequena sala de estar parecia mais denso, e a sombra de uma discussão mal resolvida pairava no ar.

Sua mãe, Ellen, estava de pé ao lado da pequena janela, olhando ansiosamente para fora, com o semblante marcado pelo medo e pela preocupação. Seu pai, Thomas, estava prestes a sair de casa, uma expressão tensa e cansada. Ele já tinha saído procurado por Kevin nas ruas próximas, sem sucesso, e estava se preparando para sair de novo.

— Onde você estava, Kevin? — Sua mãe disse, com uma mistura de colapso e frustração ao vê-lo entrar. — Você estava desaparecido há horas! Seu pai estava prestes a sair de novo para te procurar!

Thomas, agora em frente à porta, olhou para Kevin com uma expressão severa, o rosto suportado pela preocupação. Ele sempre foi um homem duro, forjado pelas dificuldades da vida. A única coisa que ele valorizava mais era o trabalho era a segurança de sua família.

— Você sabe que não pode sair assim, menino! — disse Thomas, a voz alta e grave ecoando pela sala. — Onde você estava?

Kevin, ainda sem fôlego, mal conseguia conter sua empolgação, mas a dureza do tom de seu pai fez suas palavras saírem com hesitação.

— Pai, mãe, vocês não vão acreditar no que aconteceu! Eu estava no palácio... — começou ele, os olhos brilhando com a intensidade dos eventos do dia.

Sua mãe franziu o cenho, cruzando os braços. — No palácio? — Disse, claramente preocupado.

Kevin assentiu, ansioso. — Sim! Eu vi um guarda real desmaiar, e ele ficou ferido. Eu ajudei! Depois disso, conheci a princesa Sofia e o príncipe Richard! Eles disseram que eu salvei o guarda, e... e o príncipe disse que vai me dar uma bolsa de estudos para me tornar um guarda real, como o vovô! Eu vou estudar na escola maior, com tudo pago! — As palavras de Kevin saíram rápidas e atropeladas, como se ele mal conseguisse controlar sua emoção.

Mas, ao invés de admiração ou orgulho, os rostos de seus pais ficaram ainda mais sérios. Seu pai, especialmente, parecia estar prestes a perder a paciência.

— Kevin, o que você está falando? — disse Thomas, sua voz dura e incrédula. — Não brinque com essas coisas. O que você está inventando agora? Você foi ao palácio, salvou um guarda, conheceu a princesa e o príncipe? Isso é algum tipo de brincadeira?

Kevin balançou a cabeça frenéticamente, lágrimas de frustração começando a se acumular em seus olhos.

— Não é uma brincadeira, pai! Estou dizendo a verdade! Eles disseram que vão pagar meus estudos para eu me tornar um guarda real. Tudo! — Ele olhou para a mãe, buscando algum tipo de apoio, mas ela também parecia cética.

Ellen deu um passo à frente, uma voz mais suave, mas ainda desconfiada. — Kevin, eu sei que você tem uma grande imaginação, mas essa história... é difícil de acreditar. Como pode ser verdade?

O garoto sentiu o coração apertado no peito. Ele sabia que estava dizendo a verdade, mas a incredulidade em seus pais era palpável. Com lágrimas nos olhos, ele contínuo.

— Eu vou estudar para ser um guarda real, como o vovô! Eles disseram que eu preciso levar meus documentos, junto com o pai, para a base. Eles querem que eu comece logo!

Thomas cruzou os braços, o semblante ficando cada vez mais fechado. — Você acha que pode sair por aí inventando essas coisas? Você não vai a lugar nenhum, muito menos ao palácio. É proibido sair de casa por um tempo. — Sua voz era final, e ele se virou, voltando a cuidar das coisas do dia, claramente sem paciência para continuar ouvindo.

Kevin sentiu um nó na garganta e começou a chorar. — Pai, por favor, estou dizendo a verdade!

Mas Thomas não deu ouvidos, e o garoto saiu correndo para o pequeno quarto que dividia com sua irmã, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ele estava cansado, frustrado e triste. Sentia-se incompreendido, e o peso da incredulidade de seus pais parecia esmagá-lo.

O domingo chegou de forma lenta. A tensão na casa de Kevin não havia desaparecido. Seu pai, embora ainda preocupado, havia se acalmado um pouco, mas a concessão de sair continuava firme.

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