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Capítulo 4 - Frieza e Controle

O escritório de Rashid Al-Hassan exalava poder.

As paredes escuras adornadas por detalhes dourados, os móveis luxuosos e o enorme painel de vidro com vista para o deserto transformavam o ambiente em uma extensão perfeita de seu dono.

Frio.

Intimidador.

Controlador.

Rashid permanecia sentado à cabeceira da longa mesa enquanto investidores estrangeiros discutiam cifras milionárias diante dele.

Ninguém ousava interrompê-lo.

Ninguém ousava desafiá-lo.

Porque todos naquela sala sabiam exatamente quem ele era.

Um homem capaz de destruir negócios… e pessoas… sem demonstrar qualquer remorso.

— Não aceito menos que cinquenta por cento — declarou Rashid friamente.

Um dos investidores tentou argumentar.

— Sheik Rashid, talvez possamos reconsiderar os—

— Não.

A única palavra foi suficiente para silenciar o ambiente inteiro.

O homem engoliu seco imediatamente.

Rashid sequer ergueu a voz.

Não precisava.

Seu olhar fazia o trabalho por ele.

---

Horas depois, Rashid caminhava pelos jardins do palácio enquanto o céu do deserto começava a ganhar tons dourados.

Zara estava ajoelhada próxima às flores, supervisionando algumas servas.

Elegante como sempre.

Ela ergueu os olhos quando ele se aproximou.

— A reunião terminou sheik?

— Como sempre.

A resposta seca não abalou Zara. Já estava acostumada ao temperamento dele.

Ainda assim, ela percebeu algo diferente naquele dia.

Uma inquietação silenciosa.

E suspeitava exatamente qual era o motivo.

— A americana continua causando problemas? — perguntou casualmente.

Rashid lançou-lhe um olhar frio.

— Lorena não é assunto seu.

Zara abaixou os olhos imediatamente.

Mas a irritação queimou dentro dela.

---

Mais tarde, Rashid encontrou Laila na biblioteca.

Livros espalhados cercavam a segunda concubina, que rapidamente se levantou ao vê-lo entrar.

— Preciso que revise alguns contratos antes do jantar — ordenou ele.

Laila apenas assentiu.

Rashid gostava disso nela.

Silêncio.

Obediência.

Nenhuma pergunta desnecessária.

Exatamente o oposto de Lorena.

---

Na cozinha principal, Amina supervisionava os preparativos do jantar daquela noite.

As mãos nervosas organizavam os pratos enquanto cozinheiros corriam de um lado para outro.

Quando Rashid entrou, o ambiente inteiro pareceu congelar.

Ele observou tudo em silêncio antes de falar:

— Quero perfeição esta noite.

— Sim, meu senhor — respondeu Amina rapidamente.

O olhar dele percorreu o salão por alguns segundos.

Até parar em Lorena.

Ela estava próxima das outras servas, segurando uma bandeja com evidente desconforto.

O vestido claro marcava delicadamente seu corpo, enquanto os cabelos castanhos presos de maneira simples deixavam seu rosto ainda mais delicado.

Ela parecia deslocada ali.

Frágil demais para aquele lugar.

E aquilo continuava irritando Rashid de uma forma incompreensível.

Lorena percebeu o olhar dele imediatamente e abaixou os olhos.

Seu coração acelerou.

Desde o castigo do dia anterior, evitava qualquer contato direto com Rashid.

Mas parecia impossível fugir da presença dele naquele palácio.

— Você está atrasada — disse ele de repente.

Lorena ergueu os olhos, surpresa.

— Eu… me desculpe… estavam me ensinando—

— Desculpas não corrigem erros.

O tom frio fez o ambiente inteiro silenciar.

Lorena sentiu o estômago afundar quando ele se aproximou lentamente.

Ela ainda tentou falar alguma coisa.

Mas o tapa veio antes.

O impacto fez sua cabeça virar bruscamente para o lado.

A bandeja caiu no chão com um barulho alto.

O salão inteiro congelou.

Lorena levou a mão ao rosto ardendo, completamente atordoada.

As lágrimas surgiram instantaneamente em seus olhos.

Rashid permaneceu imóvel diante dela.

Frio.

— Aprenda a obedecer horários — declarou.

Lorena abaixou os olhos rapidamente.

---

Naquela noite, o palácio recebeu convidados importantes.

Homens ricos.

Influentes.

Perigosos.

Lorena foi obrigada a servir bebidas durante o jantar.

Ela caminhava cuidadosamente pelo enorme salão tentando não chamar atenção. Mas era impossível.

Os olhares masculinos a acompanhavam discretamente.

Especialmente o de um dos sócios de Rashid.

— Ela é nova aqui? — perguntou ele em tom baixo enquanto Lorena servia sua taça.

O homem sorriu para ela.

Lorena apenas desviou os olhos, desconfortável.

Mas Rashid percebeu.

E a maneira como seus dedos apertaram lentamente a taça denunciou a irritação crescente dentro dele.

Durante o restante do jantar, o humor do sheik tornou-se ainda mais sombrio.

Silencioso.

Perigoso.

E Lorena percebeu.

Cada vez que seus olhos se encontravam, um arrepio percorria sua espinha.

---

Mais tarde, já em seus aposentos, Lorena foi surpreendida quando a porta se abriu brutalmente.

Rashid entrou.

A expressão dura.

Os olhos carregados de algo que ela não conseguiu decifrar.

Raiva.

Posse.

— Você gostou da atenção que recebeu esta noite? — perguntou friamente.

Lorena franziu a testa, confusa.

— O quê?

— Não se faça de inocente.

Ele aproximou-se devagar.

Dominador.

Assustador.

— Você sorriu para ele.

— Eu não sorri…

— Mentirosa.

Lorena recuou automaticamente quando ele se aproximou ainda mais.

— Eu só estava fazendo o que mandaram…

Rashid segurou seu braço com força.

— Você pertence a mim. Nenhum homem aqui tem permissão para olhar para você daquela maneira.

Lorena sentiu o medo subir instantaneamente.

— Está me machucando…

Mas Rashid parecia consumido pela própria raiva.

Pela sensação irracional de posse crescendo dentro dele.

Lorena tentou se afastar, desesperada.

— Por favor…

Os olhos dela já estavam cheios de lágrimas.

E aquilo fez algo dentro dele vacilar por um breve instante.

Só que Lorena, tomada pelo medo, fez algo inesperado.

Ela o abraçou.

Com força.

Como alguém tentando desesperadamente impedir que a própria dor aumentasse ainda mais.

— Por favor… não me machuque…

A voz saiu quebrada.

Pequena.

Fragilizada.

O corpo de Rashid ficou imóvel imediatamente.

Porque ninguém o abraçava daquela forma.

Nunca.

Por alguns segundos, ele simplesmente não soube como reagir.

Aquilo era errado.

Confuso.

Então ele a afastou bruscamente.

Como se o toque dela queimasse sua pele.

Sem dizer mais nada, virou-se e saiu do quarto.

Deixando Lorena sozinha no silêncio sufocante dos aposentos.

---

Na manhã seguinte, Lorena reuniu coragem para procurá-lo.

Ainda sentia o rosto dolorido.

E o coração pior ainda.

Quando entrou no escritório, Rashid ergueu os olhos lentamente.

— O que quer?

Lorena respirou fundo.

— Me deixe ir embora.

O silêncio que veio depois pareceu pesado demais.

Rashid apoiou-se lentamente na cadeira.

— Quer voltar para os Estados Unidos?

Ela assentiu rapidamente.

— Por favor…

Ele a observou longamente antes de pegar o telefone sobre a mesa.

— Então ligue para seu tio.

A esperança atravessou Lorena como um choque.

As mãos dela tremiam enquanto segurava o aparelho.

Mas tudo desmoronou assim que ouviu a voz desesperada do tio do outro lado da linha.

— Lorena… você não pode sair daí…

As lágrimas começaram a surgir imediatamente.

— Tio, eu não aguento mais…

— Se você voltar, eles vão me matar! Você não entende! Homens como Rashid sempre cobram suas dívidas!

Lorena fechou os olhos com força.

O desespero na voz dele parecia real.

Terrivelmente real.

Quando a ligação terminou, ela já chorava silenciosamente.

Rashid permaneceu observando.

Frio.

Esperando sua decisão.

Então Lorena abaixou a cabeça lentamente.

— Eu… eu fico.

Rashid estreitou os olhos.

— Tem certeza?

Ela assentiu, destruída.

— Não posso deixar meu tio morrer.

Por um longo instante, Rashid apenas a encarou em silêncio.

Então se levantou devagar e aproximou-se dela.

— Se permanecer aqui… — murmurou friamente — precisará aceitar todas as consequências dessa escolha.

Lorena sentiu um arrepio atravessar seu corpo inteiro.

Porque, pela primeira vez…

Ela percebeu que talvez nunca mais fosse realmente livre.

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