Capítulo 3 - Confronto com a Primeira Concubina
Lorena acordou naquela manhã sentindo o peso de sua nova realidade. O sol do deserto iluminava a luxuosa tenda, mas não aquecia seu coração. Ela estava em um lugar estranho, prisioneira de um homem que mal conhecia, e as incertezas sobre o futuro a consumiam.
Após se vestir com as roupas deixadas para ela — um longo vestido de seda azul adornado com bordados dourados —, Lorena foi conduzida ao salão principal. O sheik a aguardava, mas ele não estava sozinho. Ao seu lado, uma mulher de beleza impressionante, trajando vestes ricas e uma expressão altiva, observava Lorena com desprezo.
“Esta é minha primeira concubina, Zara,” disse o sheik com um tom formal. “Ela desejará conhecê-la.”
Zara deu um passo à frente, seus olhos escuros perfurando os de Lorena. “Então, você é a nova adição ao nosso harém,” disse ela com desdém, sua voz gotejando veneno.
Lorena tentou manter a compostura, mas sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Eu... eu não escolhi estar aqui,” respondeu, tentando soar firme.
Zara riu, um som frio e sem alegria. “Nenhuma de nós escolheu, querida. Mas algumas de nós aprendem a sobreviver e prosperar. Outras... bem, outras não são tão sortudas.”
Antes que Lorena pudesse responder, Zara se aproximou ainda mais, sua presença imponente tornando o ambiente sufocante. “Você acha que por ser americana tem algum privilégio aqui? Acha que o seu jeito estrangeiro vão te proteger? Está enganada. Aqui, você é menos que nada.”
A humilhação era palpável. Zara gesticulou para uma das servas que trazia um balde de água. “Mostre a ela sua posição,” ordenou Zara.
A serva hesitou, olhando para o sheik, que permaneceu em silêncio, seu olhar impenetrável. Lorena não teve tempo de protestar quando a água fria foi jogada sobre ela, encharcando seu vestido e fazendo-a ofegar.
Zara sorriu, satisfeita. “Bem-vinda ao deserto, Lorena. Espero que aprenda rápido qual é o seu lugar.” Com isso, ela se virou e saiu, deixando Lorena tremendo de frio e vergonha.
O sheik observou a cena em silêncio, seus olhos avaliando Lorena de uma maneira que ela não conseguia decifrar. “Você deve ser forte,” ele disse finalmente. “Este é apenas o começo.”
Mais tarde naquele dia, Lorena foi designada para servir o almoço às concubinas do sheik. Além de Zara, havia duas outras mulheres sentadas à mesa. A segunda concubina, Laila, era uma jovem de cabelos negros e olhos mel, cuja beleza exótica contrastava com a seriedade em seu rosto. A terceira concubina, Amina, tinha uma aura calma e reservada, seus olhos observando tudo em silêncio.
Enquanto Lorena servia o chá, suas mãos tremiam. Ela sentia os olhares das mulheres cravados nela, especialmente o de Zara. Quando chegou a vez de Zara, Lorena, nervosa, acidentalmente derramou o chá sobre as vestes luxuosas da concubina principal.
Zara se levantou de um salto, o rosto contorcido de raiva. “Sua incompetente!” gritou ela. “Olhe o que você fez!”
O sheik, que estava sentado ao final da mesa, levantou-se lentamente, seu rosto uma máscara de fúria contida. “Lorena, você foi imprudente,” disse ele com uma voz fria. “Isso não será tolerado.”
Lorena tentou se explicar, mas as palavras morreram em sua garganta quando o sheik se aproximou. “Como castigo, você será confinada aos seus aposentos sem comida até amanhã,” decretou ele.
As outras concubinas observaram em silêncio, suas expressões uma mistura de satisfação e pena. Lorena foi levada aos seus aposentos, lágrimas de vergonha e frustração escorrendo por seu rosto. Enquanto a porta se fechava atrás dela, ela percebeu que precisaria ser mais cuidadosa e mais forte para sobreviver nesse novo mundo cruel.
