Capítulo 3 - Flerte de madrugada
MEU PAI COMANDOU a churrasqueira por todo o tempo da comemoração em homenagem às sobrinhas enquanto a minha mãe, com a ajuda de Bianca e Aline, preparava os demais aperitivos. Um bom tempo depois, quando todos os vizinhos retornaram para as suas casas após as boas vindas às mineirinhas, ficamos só nós da família à mesa da cozinha e aproveitamos para ouvir mais algumas histórias que as primas tinham para contar.
Aquele seu sotaque cantado saltava aos ouvidos e eu sentia que podia passar horas ali ouvindo as duas falarem. Papai e mamãe riam sem parar do tom sempre cômico empregado pelas meninas na conversa e até Bianca e Aline, que antes haviam se sentido ameaçadas por elas, começaram a desarmar suas defesas passivo/agressivas com relação às primas, pedindo para que ambas contassem mais causos de sua cidade.
Após o bate-papo sobre Capitólio e regiões próximas, fechamos aquela primeira noite com uma rodada animada de truco em torno da mesa e já era mais de meia noite quando começamos a nos recolher para dormir. A Vila Nodário estava tranquila àquela hora e só o cricrilar dos grilos e gafanhotos podia ser ouvido do lado de fora.
Depois de um banho relaxante no banheiro do piso térreo da casa, me encaminhei até a sala onde eu e o Diogo dormiríamos enquanto Ingrid e Joyce ocupariam as duas camas de solteiro em nosso quarto. Fazia uma madrugada quente, quase nenhum vento soprava na janela e Diogo ressonava no estofado de dois lugares, virado de frente para a porta.
O silêncio no piso de cima além do lance de escadas indicava que tanto o seu Francisco quanto a dona Edna já haviam se recolhido. No andar de baixo, a uns quatro metros da sala, as luzes no corredor dos dois quartos estavam apagadas. Não havia um sussurro que fosse escapando do cômodo que Bianca dividia com Aline. Minhas irmãs estavam dormindo.
Eu tinha levado um lençol para o sofá de três lugares enviesado sobre o tapete e descansei meu corpo, deitando a cabeça no travesseiro. A mente ainda estava agitada devido os acontecimentos do dia, Diogo roncava deitado largado de pernas abertas e só depois de alguns minutos de estática inércia é que fui perceber que o meu smartphone estava vibrando sobre a mesinha de centro, a uns dois metros de onde eu estava. Pensei logo que fosse uma mensagem de Glauce ainda empolgada com a troca de fotos de nudez da manhã e doida para continuar à noite o clima de safadeza, mas quando notei, era uma mensagem de um número desconhecido.
“Oi, primão! ”
Demorei ainda alguns instantes para saber qual das duas primas recém-chegadas de Minas estava interagindo comigo, mas respondi despretensiosamente:
“Oi, priminha! ”
Nós nunca antes havíamos nos falado daquela maneira e me senti ansioso conforme ela escrevia a resposta.
“A Aline me passou o seu número. Se importa? ”
A foto de perfil era de Ingrid num ângulo em que dava para apreciar seus seios pela fenda de um biquíni branco. Lindos, firmes e suados. Apesar de nova, a menina era dona de um corpo bastante sinuoso, especialmente da cintura para cima.
“Claro que não”, respondi, “no meu Whatsapp sempre cabe mais um! ”
Escrevendo…
“Adorei te rever”, disse ela, me deixando cada vez mais eufórico deitado no sofá com a nuca sobre o travesseiro.
Escrevendo…
“Eu era tão novinha da primeira vez que nos encontramos… era tão criança… mas eu lembro que já tinha te achado muito bonito na época. Falei pra todas as minhas amigas da escola que tinha conhecido um primo gato de São Paulo”.
Eu não me empolgava com o fato de que uma garota de onze anos tinha me achado bonito na época, apesar de ela se esforçar bastante para que eu só tivesse péssimas lembranças de minha curta estadia em sua casa em Capitólio. Entretanto, eu achava fofo saber daquele detalhe.
“Você era tão chatinha! ”.
Ela enviou uma risada sem graça pelo chat.
“Lembro que ficou a sua festa de aniversário quase inteira de cara amarrada, carrancuda. Não me parecia que tinha gostado da minha presença ou da minha família em sua casa…”.
“Você deve ter ficado com uma péssima impressão, né?”, quis saber ela. “Aquele era pra ser um dia de festa, mas começou muito mal, com uma briga entre meus pais por causa de dinheiro. Papai tinha gastado mais do que podia para pagar pelos salgados, a decoração e o bolo. Mamãe ficou uma fera! Os dois estavam discutindo até pouco antes da chegada dos convidados à nossa casa e aquilo me deixou muito chateada. Eu era só uma criança, mas na minha cabeça, eles não tinham ficado felizes em pagar pela festa e aquilo fez com que eu me sentisse muito culpada… daí a cara de brava o tempo todo”.
Aquela história fazia muito sentido. Eu não sabia que meus tios estavam passando por problemas financeiros já naquela época, mas descontar todas as suas frustrações em uma criança que só queria comemorar o próprio aniversário me parecia ser algo extremamente cruel de se fazer. Ingrid tinha toda a razão em ficar de bico a festa toda.
“Eu não fazia ideia”, disse em resposta, “eu não era tão mais velho que as duas, mas tinha ficado com a impressão de que tanto você quanto a Joyce estavam odiando tudo naquele dia, incluindo nossos presentes”.
“Na verdade, eu adorei o livro ilustrado da Cinderela que seus pais me deram de presente”, falou ela, “eu tenho guardado até hoje… e não conta pra ninguém, mas assisto ao filme da Disney sempre que posso pra comparar as imagens em movimento com as do livro”.
Ingrid era engraçada até por mensagem. Eu quase conseguia imaginar o seu rosto bonito se abrindo naquele sorriso largo com os seus olhos castanhos brilhando intensos enquanto digitava no celular.
“Me perdoa então por te achar uma mala sem alças. Nós tínhamos passado um perrengue muito grande para chegar a Capitólio… carro quebrado, ônibus parado na estrada por causa da chuva… eu não devia estar no meu melhor humor no momento em que cheguei à sua casa. Acabamos nos conhecendo num dia péssimo”.
“Verdade”, concordou ela, “eu fiquei esperando que você e o tio Chico retornassem a Capitólio algum dia para que aquela primeira impressão fosse desfeita, mas, vocês nunca voltaram. Logo, meu pai arranjou trabalho na aduaneira, começou a ficar meses sem folga nos fins de semana e aí percebi que uma viagem para São Paulo seria impossível naquele período. Eu tinha gostado de conhecer você, a Bianca e o Diogo, queria poder ver os três em um momento menos embaraçoso, mas acabamos ficando anos sem nem nos falar. Eu e a Joy até comemoramos quando mais recentemente papai nos contou que ia nos mandar para São Paulo. Ficamos muito felizes”.
“E que bom que tudo deu certo, hein? ”.
Os sons da madrugada ecoavam do lado de fora da janela. Enquanto uma cigarra estrilava ao longe, o motor de uma moto de escapamento estourado soava barulhenta passando pela rua, incomodando meus tímpanos. Dentro de casa, apenas o ronco de Diogo interrompia o silêncio e cheguei a imaginar Ingrid deitadinha em minha cama, sorridente a me mandar mensagens no quarto ao fundo do corredor.
“Posso te contar um segredo? ”
Aquela mensagem chegou logo após alguns minutos de interrupção da nossa conversa. Minha pulsação acelerou e eu respondi que sim.
“Eu já fuçava as suas redes sociais há muito tempo. Já tem uns dois anos. Eu te achei e comecei a olhar suas fotos. ”
Fiquei surpreso.
“E por que nunca mandou convite para eu te adicionar aos meus amigos? ”, quis saber.
Escrevendo…
Demorou para responder. Eu estava encarando a tela do celular de baixo, com o aparelho suspenso em minha mão. De repente, surgiu na tela um emoji envergonhado com bochechas vermelhas.
“Tinha vergonha. Pensava que me acharia muito infantil. ”
“Kkkk! ”, mandei, “Que nada. Você está a maior gatinha agora! ”
Outra carinha envergonhada.
“Você acha? ”, perguntou ela.
“Acho”, respondi.
“Me acho muito menininha perto de você! ”
“Kkkkk! ”, ri e depois, decidi valorizar: “Não sei onde! ”
Mandei uma carinha de safado. Ela mandou de volta.
“Me acha gata mesmo? ”
“Acho. Muito gata”.
Silêncio por algum tempo. Diogo interrompeu o ronco e virou para o lado. A sala estava escura, mas a iluminação da rua me fazia enxergar parcialmente alguns objetos do ambiente. Ela demorou tanto para responder que a tela do meu celular apagou sozinha. Fiquei a olhar em direção à janela da sala enquanto uma brisa fraca fazia a cortina tremular. Meu celular vibrou. Destravei a tela e vi que Ingrid havia me mandado um arquivo de imagem. Minha pulsação acelerou de novo. Ela aparecia de corpo inteiro de biquíni à beira de uma piscina, gostosíssima!
“Me acho meio magrela! Não acha? ”
Ela tinha um quadril menos sinuoso que o da irmã, mas decidi valorizar, aproveitando a deixa para ver até onde ia aquele papo.
“Humm… Por essa foto não dá pra ver direito. Tem outra? ”
Silêncio novamente. Algo dentro de meu calção começou a se mexer. Meu pau já estava completamente duro com aquela conversa e enquanto ela não respondia, continuei apreciando a primeira foto que ela havia me mandado. O biquíni azul era bem cavado e dei zoom na tela para ver de perto. Foquei em seus seios… eram maravilhosos; redondos e empinados. Depois, foquei entre as suas pernas. Um triângulo suculento rodeado por um par de coxas impressionante. Eu estava me sentindo um pervertido.
Escrevendo…
Fiquei apreensivo. O que será que ela está pensando nesse momento? Confabulei.
“Acho que com essa, você vai poder ter uma ideia…”
Ela mandou outra foto e essa caprichosamente demorou para carregar inteira em minha tela. Quando se tornou nítida, vi Ingrid em pé com o celular em mãos tirando uma selfie de frente para o espelho, completamente nua. A foto estava um pouco escura, mas eu conseguia ver os contornos de seu corpo iluminados por uma luz que vinha de uma janela e a vagina suculenta entre as pernas, inteira depilada. Minha ereção se completou naquele momento. Comentei na empolgação:
“Nossa! Agora sim consegui ter uma ideia! Até subiu tudo aqui! ”
“Kkkkk! Como assim? ”, quis saber ela, com ar levemente inocente.
“Esquentou tudo! ”
“Ah, é? Então mostra! ”
Pensei, naquele momento, em mandar uma das fotos que eu tinha usado para entreter Glauce naquela manhã, mas então, percebi que podia mandar uma fresquinha, tirada na hora. Fiz um suspense:
“Quer ver mesmo? ”
Um emoji safado antecedeu a resposta “SIM”.
“Não vai se assustar? ”
“Por que? ” Ela então enviou um emoji assustado. “É grande? ”
“Não sei. Veja você mesma! ”
Tirei minha bermuda e deixei o meu pau à vontade. Posicionei o celular com o flash ligado e bati uma foto. Ele parecia um monstro cheio de veias pousado em meu ventre. Hesitei um pouco e então compartilhei. Ela demorou a visualizar. Pareceu uma eternidade. E então…
“Que delícia! Me arrepiei toda! ”, mandou um emoji espantado. “Eu nunca vi um desse tamanho, primo… me deixou sem palavras! ”.
Nós ainda éramos novos flertando daquela maneira tão íntima um com o outro, mas percebi logo que a menina tinha mesmo ficado empolgada comigo. O clima de azaração durante a viagem de Guarulhos até a minha casa não tinha sido impressão minha ou invencionice da minha parte. Ingrid estava gostado de mim e aquilo me atiçava os desejos.
Continuamos trocando mensagens safadas durante a madrugada quase inteira e foi muito interessando conhecer a minha prima gatinha de um jeito tão despojado. Eu também tinha ficado encantado por ela e não tinha como ser diferente.
